quarta-feira, 19 de julho de 2017

SELENA (1997) - ESTADOS UNIDOS



A Estrela Que Brilhou Pouco


Selena Quintanilla-Perez é uma menina cuja voz e carisma a tornará uma das melhores cantoras de sua geração, mas um trágico evento mudará os rumos de sua história.


Cinebiografia da cantora Selena (1971-1995) que se tornaria uma das mais famosas cantoras latinas, com mais de 60 milhões de álbuns vendidos. O filme traça a história desde sua infância, quando seu pai comprou uma bateria, uma guitarra e um microfone e colocou os filhos no meio musical. Logo no início Selena se destaca por sua voz e expressão artística. Os anos vão passando e a banda formada (Selena Y Los Dinos) volta-se em função de Selena. Pai, mãe e irmãos vivem para a jovem. Sempre na estrada, sempre ampliando seus fãs.


Selena (Jennifer Lopez) é uma jovem simples que sonha ser famosa como tantas outras. Seu pai, Abraham (Edward James Olmos), entende que uma cantora de origem mexicana (mas nascida no Texas) que não se expressa em espanhol não será reconhecida no México. Ao mesmo tempo que entende que uma cantora de origem mexicana terá que trabalhar o dobro para conquistar a América. Selena vai galgando seus degraus aos poucos e começa a se apaixonar por outro guitarrista da banda: Chris Pérez (Jon Seda) que seu pai vê como uma pessoa inadequada à esposar sua filha, ao mesmo tempo que acredita que essa “paixão adolescente” prejudicará a carreira dela colocando por terra tudo conquistado até então. Selena passará a lutar em duas frentes: pelo amor de Chris e para manter sua carreira dentro do que já conquistara.


O filme, acertadamente, fugiu de se concentrar no evento trágico da vida de Selena: a sua morte, que se deu pelas mãos da presidente de seu fã clube, Yolanda Saldívar, que, conforme relatos, ao ser confrontada com a informação de desvio de dinheiro, teria atraído a cantora para o seu quarto e a alvejado  nas costas causando sua morte. As tentativas dos médicos em salvarem sua vida foram em vão e Saldívar pegou prisão perpétua com possibilidade de liberdade condicional em 30 de março de 2025. Selena faleceu aos 23 anos. A comoção na época foi grande. O potencial da cantora era imenso. E o filme explora bem essa vertente, ao colocar a atriz Jeniffer Lopez dublando Serena nas cenas. As músicas de Serena (quase todas apenas em partes) nos mostram que o mundo da música perdeu uma grande estrela.


Quanto ao elenco há que se destacar que Jeniffer Lopez fez um trabalho maravilhoso, que torna o filme saboroso de ser assistido e tendo como companhia o excelente ator James Olmos ("Blade Runner" e "O Preço do Desafio") tudo ficou mais fácil para o diretor Gregory Nava (de "Cidade do Silêncio" 2006 com a mesma Jennifer Lopez). Olmos é um ator detalhista que constrói seus personagens de uma forma diferenciada ou fisicamente parecidos quando são filmes baseados em fatos reais. Para completar a trinca, o ator Jon Seda (de O Imbatível de 2002) faz o par romântico sem comprometer.


Selena é um filme bem acima da média que prende do início ao fim. Ótima cadência da história, ótima trilha sonora e ótimos atores. 

Trailer:


Curiosidades:
Antes da morte de Selena já havia um projeto sobre um filme que seria lançado em 1996.

Leticia Miller quase ganhou o papel por sua semelhança com a falecida cantora. Salma Hayek (Frida) também concorreu.

Abraham Quintanilla queria que o ator Rubén Blades o representasse no filme, mas este encontrava-se em outro projeto.

Jennifer Lopez se disse influenciada por Selena a se tornar cantora.

Olmos recebeu uma indicação ao Oscar de 1988 pelo filme "O Preço do Desafio" (perdeu para Dustin Hoffan, em "Rain Man"). 

Selena ( Dreaming Of You):




 Selena - On The Radio (tributo a Donna Summer)





Filmografia Parcial:



Jennifer Lopez

 









Assalto Sobre Trilhos (1995); Sangue & Vinho (1996);  Selena (1997); Anaconda (1997); Irresistível Paixão (1998); A Cela (2000); Nunca Mais (2002); Encontro de Amor (2002); Contato de Risco (2003); Menina dos Olhos (2004); Dança Comigo? (2004); A Sogra (2005); Cidade do Silêncio (2006); Plano B (2010); Parker (2013); O Garoto da Casa ao Lado (2015);


 Edward James Olmos

 









Lobos (1981); A Balada de Gregório Cortez (1982); Blade Runner, o Caçador de Androides (1982); O Preço do Desafio (1988); Triunfo do Espírito (1989); O Preço de um Campeão (1991); América do Medo (1992); O Desaparecimento de Garcia Lorca (1996); Selena (1997); 12 Homens e uma Sentença (1997); Gangues de L.A. (2006); O Besouro Verde (2011).


 Jon Seda

 










Gladiator - O Desafio (1992); O Pagamento Final (1993); Os 12 Macacos (1995); As Duas Faces de Um Crime (1996); Justiça a Qualquer Preço (1996); Selena (1997); Amor ao Extremo (2001); O Imbatível (2002); Bad Boys II (2003); Em Nome da Justiça (seriado 2006-2007); O Pacífico (seriado 2010); Alvo Duplo (2012); Heróis Contra o Fogo (seriado 2012-2017); Chicago P.D. Distrito 21  (seriado 2014-2017); Chicago Justice (seriado 2017)

segunda-feira, 17 de julho de 2017

A GAROTA OCIDENTAL - ENTRE O CORAÇÃO E A TRADIÇÃO / NOCES (2016) - BÉLGICA / PAQUISTÃO / LUXEMBURGO / FRANÇA





Um olhar estrangeiro sobre as tradições

 
Zahira (Lina El Arabi) é uma jovem de 18 anos que vive na França com a sua família de origem paquistã. A jovem muçulmana encontra-se grávida de um jovem árabe e seu irmão está empenhado em ajudá-la a abortar a criança. Além disso, Zahira vem de uma família de valores tradicionais na qual uma mulher não pode ficar solteira. Seu pai lhe dá um ultimato: poderá "escolher" entre 3 pretendentes, pela internet, e casar com aquele que considerar mais adequado. Só que a jovem não vê com bons olhos nenhum dos candidatos. O que deverá fazer ? Abortar? Seguir com a gravidez ? Aceitar os pretendentes ou ter sua própria vida com quem quiser, uma vida já ocidentalizada e, com isso, ferir profundamente a honra de uma família ortodoxa.





O choque de culturas é evidente em "A Garota Ocidental". A honra é outro fator bem destacado dentro deste filme. A mulher não tem voz no contexto familiar. Zahira não aceita. Não está no Paquistão. Está em uma sociedade, como prega a bandeira: igualdade, liberdade e fraternidade. Os valores da sociedade francesa também foram incorporados a sua  personalidade. Mas isso não interessa a seu pai. Mulher solteira na família? Nem pensar. É uma desonra grave que não pode passar em branco. A imagem da família perante os seus pares e a comunidade de seu país é muito forte e arraigada. 


O filme, em cartaz no Rio de Janeiro,  segue um ritmo mais cadenciado, mas é de fácil entendimento. É o olhar ocidental sobre o tema. O que para nossa sociedade, em algumas situações, é considerado  um tanto como absurdo  para aquela cultura é algo normal. É outra sociedade, é outro contexto. O filme foge da questão do julgamento, mas não foge do olhar crítico.   Ele nos leva à uma reflexão das diversas culturas que nos cercam e nos revelam aspectos que podemos desconhecer completamente.


Quem quer tentar entender uma fração deste mundo em que vivemos precisa se inserir nesses temas. Ler livros e ver filmes, entender como o mundo funciona fora de sua redoma. E é isso que a Garota Ocidental nos revela. Uma pequena visão de um mundo,  através de uma família, de uma grande sociedade que pouco conhecemos. E o grande mérito do filme é explicar que tudo que acontece tem um porquê o precedendo, nada ocorre de uma forma inesperada. Para quem está fora é apenas o absurdo do cotidiano, sem uma lógica aparente, mas para quem está acompanhando as situações diárias fica mais fácil de preencher as peças do quebra-cabeças.



O diretor belga Stephan Streker teve o grande mérito de mostrar o extremismo das tradições sem relacioná-las com o momento conturbado em que vive a Europa. A família de Zahira é como qualquer outra, no que se diz a viver em sociedade: são trabalhadores, mantém um negócio honesto e cumprem seus deveres como cidadãos. Não há uma citação sequer sobre a onda de medo que assola o país, não há terroristas envolvidos em causas. Apenas uma família que, mesmo distante de seu país natal, tem em seu patriarca o guardião dos costumes praticados naquele país. Esse pode ser sempre um grande problema para algumas culturas: sair de seu pais, morar fora e não aceitar criar seus filhos dentro de uma nova realidade.  Seja por falta de personalidade ou medo do que a mudança possa causar. Essa incapacidade de adaptação é muito forte no filme. Mansoor Kazim (Babak Karimi) é um homem, aparentemente,  bom. Para o ocidente é um cara duro, ultrapassado e sem capacidade de viver em uma sociedade livre e igualitária. Para ele, suas crenças e valores dizem que deva ser o guardião dos costumes, da moalidade. Não pode envergonhar o nome de sua família. Não pode visitar seus parentes com a humilhação nas costas. Ele é o patriarca, quem determina o que a família deve achar. Zahira é a ovelha negra. Ele a ama, mas até que ponto o amor deva ser sacrificado em prol da tradição ?




O elenco está muito bem. Lina El Arabi, atriz francesa de origem marroquina, conduz muito bem a história ainda que parece ter bem mais do que 18 anos (na verdade possui 22 anos). Ela consegue dar a dramaticidade necessária para o filme fluir. O ator / editor / produtor iraniano  Babak Karimi, que interpreta o pai de Zahira, é outro que consegue se destacar bem. Podemos citar ainda a atriz belga de origem africana (Ruanda), Aurora Marion, interpretando o papel de irmã mais velha da protagonista. O pouco tempo que fica em cena consegue se mostrar uma ótima atriz, mas a diferença física entre as duas é algo perceptível e o espectador ficará curioso do porquê são tão diferentes. A resposta está esclarecida. O restante do elenco saiu-se bem ao que foi proposto.


Garota ocidental, no Original "Noces" (Núpcias), é um filme para quem gosta de assistir produções europeias; para quem gosta de dar uma olhada sobre outras sociedades. Não é um excelente filme, candidato ao "Oscar de Filme Estrangeiro", é um bom filme, com uma estória que poderia acontecer em qualquer lugar do mundo, mudando um pouco a contextualização. A forma como é levada ao espectador é que faz essa produção merecer um olhar mais atento. Um filme bem produzido e  bem dirigido.


Trailer:


Curiosidades:
O filme se diz inspirado livremente em fatos reais.

O filme é falado em francês e Urdu. 

Nos Estados Unidos o filme recebeu  o nome de  "A Wedding".

domingo, 16 de julho de 2017

A ESPADA MÁGICA / AS SETE MALDIÇÕES DE LODAC (1962) - ESTADOS UNIDOS





A Princesa, O Herói e o Feiticeiro

A Jovem princesa Helene (Anne Helm) é sequestrada por um feiticeiro Lodac (Basil Rathbone) a ser sacrificada à um dragão como uma antiga vingança. O rei oferece, a quem resgatar sua filha, a sua mão em casamento e metade do reino.  Sir Branton (Liam Sullivan), o cavaleiro do rei, resolve resgatá-la, mesmo com a ameaça do feiticeiro de que sete maldições terríveis foram lançadas a quem ousar a tentar resgatar a jovem.  Sir George (Gary Lockwood) é um jovem apaixonado pela princesa, vivendo recluso com sua madastra Sybil (Estelle Winwood), uma feiticeira do bem, que acha George muito novo para casar. Ao apresentar os presentes que ganhará ao completar 21 anos, George consegue obtê-los e ir de encontro a sua amada. O destino fará com que Branton e George compartilhem o mesmo destino, apesar de  Branton perceber em George uma grande ameaça a seus objetivos.



Aventura de capa e espada da década de 60 pobre em recursos visuais, mas com estória interessante: George é um jovem de bom coração que pega seus presentes antes de seu aniversário, o que o ajudará a resgatar sua amada. Os objetos dados por sua madrasta são: uma espada mágica, um escudo e armadura impenetráveis, um cavalo super veloz e a companhia de seis guerreiros de seis nações congelados por um feitiço. 




Mas a produção pecou em alguns aspectos : Basil Rathbone (As Aventuras de Robin Hood 1938 e Sherlock Holmes), tido como um dos melhores espadachins do cinema,  esteve num papel fraco e quem assiste até duvida que seja um mago poderoso, assim como Gary Lockwood um mocinho muito do sem graça que ficou muito conhecido pelos fãs de Jornadas nas Estrelas ao estar no primeiro episódio da série clássica como um homem que se torna um ser poderosíssimo. Posteriormente apareceria no clássico 2001 – Uma Odisseia no Espaço. Lockwood até tenta dar alguma dramaticidade, mas os efeitos pobres e pouco criativos não ajudaram. Para dar seus utensílios mágicos foi convocada para a estória a atriz Estelle Winwood, muito famosa por suas participações em seriados, mas que lhe coube uma veia cômica que ficou até interessante, mas ficou parecida com a “Tia Clara” do seriado "A Feiticeira", que esquecia dos encantos ou os fazia errado. Coincidentemente, Estelle esteve em um dos episódios do seriado como a |"Tia Enchantra". Talvez o que melhor tenha se saído tenha sido o ator Liam Sullivan fazendo um Sir Branton de caráter e propósitos dúbios. Sullivan fez participações em vários seriados entre os anos 60 e 90.


 


Ambientado no século IV, As Sete Maldições de Lodac ou A Espada Mágica  é uma produção interessante voltada para aqueles que gostam de filmes de heróis que vão salvar princesas em castelos protegidos por uma feiticeiro e com um dragão. Não chega a ser tão bom quanto O Fabuloso Ladrão de Bagdá ou A Rosa Azul, mas para os saudosistas é um passatempo rápido e divertido sem violência e com o óbvio final feliz. 


Trailer:



Curiosidades:

Basil Rathbone  (1892–1967) foi indicado duas vezes ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por Romeu e Julieta (1936) e Se Eu Fora Rei (1938). o ator faleceu, aos 75 anos, de Ataque Cardíaco.

Estelle Winwood (1883–1984) faleceu aos 101 anos de causas naturais.

O último trabalho de  Anne Helm  no cinema / tv ocorreu em  1986. Em 2013 a atriz fez um curta.

Liam Sullivan (1923–1998) faleceu, aos 74 anos, de Ataque Cardíaco.  

Basil em As Aventuras de Robin Hood e Sherlock Holmes























Gary Lockwood em Jornadas nas Estrelas, no Episódio "Where No Man Has Gone Before"