1943. Em meio à retirada alemã
na Frente Oriental, um moderno tanque de guerra nazista Tiger se encontra no
cerco de Stalingrado em uma situação que rapidamente foge ao controle e
transforma a missão em um desastre iminente. Após escapar milagrosamente de um
ataque aéreo em uma ponte sob o rio Dnieper, os cinco soldados da tripulação
recebem uma nova missão, agora secreta, cujo real objetivo apenas o seu
comandante Philip parece conhecer em sua
plenitude: atravessar as linhas inimigas, em um território hostil, para
localizar um oficial de alta patente que estaria planejando desertar, levando consigo
segredos que o comando alemão deseja evitar que caiam em mãos soviéticas a
qualquer custo.
Confinados em um espaço de
metal sufocante e isolados em campo inimigo, os soldados começam a presenciar
situações inexplicáveis, como a presença de um poderoso blindado adversário que
parece estar em seu encalço. A paranoia crescente envolve o grupo enquanto
dilemas morais vêm à tona: o desejo de sobrevivência entra em conflito com uma
máquina de guerra que se transforma, simultaneamente, em escudo e tumba. O
isolamento dentro da blindagem começa a corroer a sanidade do grupo, sugerindo
a presença de uma força sobrenatural que parece permear cada quilômetro
avançado.
Produção Alemã, distribuída
pela Amazon, Der Tiger (que no Brasil recebeu o título de “O Tanque de Guerra”)
pode, à primeira vista, parecer um
filme de guerra confuso. E essa sensação pode ser até certo ponto verdadeira
dado ao roteiro que insere um forte componente sobrenatural à trama, utilizando
uma grande quantidade de alegorias e pistas que convidam o espectador a
decifrar seu enigma. O fato é que, infelizmente, os espectadores mais atentos
ou com “anos de estrada” poderão antever a proposta da obra logo no início, o
que talvez mitigue o impacto do final, que é mais sugestivo do que explícito. Contudo,
como na vida, o encanto não está apenas no destino, mas na jornada, sendo a
trajetória desses cinco homens que sustenta o interesse, ao utilizar o realismo
fantástico para abordar o trauma profundo da guerra.
Para um melhor aproveitamento
da obra, é necessário dissecar suas analogias. Não me atererei a todos os
aspectos, mas aos principais, deixando para quem lê essas linhas o deleite de
descobrir outras camadas. Atenção: os três próximos parágrafos contêm spoilers inevitáveis.
A bússola enlouquecida sugere
que a realidade geográfica já não se aplica; a aparição espectral do cervo,
símbolo de guia espiritual em várias culturas, indica que a tripulação navega
por um limbo. A interpretação de que os protagonistas já estão mortos é
reforçada pela "combustão espontânea" do temido tanque inimigo SU-100
e pelo fato de terem sobrevivido a situações que seriam fatalmente letais. O
Tiger torna-se um caixão de aço navegando pelo purgatório, imagem reforçada
quando o veículo submerge nas águas (uma analogia à travessia do Estige, o rio
dos mortos na mitologia). A fala da namorada de um dos protagonistas mencionando
“espíritos” é o que os roteiristas chamam de foreshadowing (prenúncio). O filme
deixa a resposta na cara do público, mas a gente só entende quando junta as
peças. A narrativa deixa de ser sobre vencer a batalha e passa a ser sobre
aceitar o próprio fim. Esses aspectos já são uma forte sugestão de que a missão
possui um caráter metafísico. As transmissões de missas católicas em latim pelo
rádio de comunicação, seriam um réquiem para os mortos ou uma liturgia fúnebre
para os que ali estão, presos no limbo?
Há outro momento muito
interessante. Philip chega a um vilarejo e encontra um oficial que encurralou
pessoas em um celeiro e ateou fogo. Ele observa, questiona, mas um de seus
soldados diz que eles não podem interferir, pois são ordens. Talvez a cerne do
filme seja essa submissão à autoridade na qual pessoas realizam (ou permitem)
atos contrários aos seus princípios em nome de autoridade superior, no caso o
Estado nazista. O filme “I Comme Icaro” trata sobre esse tema ao apresentar o
"Experimento Milgram".
Para mim, Philip podia ter
rejeitado a ordem ou impedido o massacre, mas preferiu apenas assistir
assombrado. Esse ato o condenou ao inferno. Essa conexão explica por que o
protagonista morreu moralmente ao se tornar um espectador passivo do horror. Ao
aceitar que a "autoridade" (o Estado / a Ordem reinante) está acima
da sua humanidade, ele abdica da sua alma, tornando-se um agente passivo do mal.
O celeiro em chamas parece funcionar como o portal do inferno para eles. O fato
de ele estar "assombrado", mas imóvel, é o que transforma o tanque em
um caixão. No Direito e na Ética, isso é a "banalidade do mal" de
Hannah Arendt em pleno campo de batalha. Indo um pouco mais além, eu poderia
pensar que o massacre no vilarejo não é apenas um evento histórico na trama; é
o julgamento espiritual do protagonista. O "caixão de aço" (o tanque)
é a punição por ter assistido ao fogo sem usar o poder que tinha para apagá-lo.
No final, apesar de toda a sua blindagem pesada, o Tiger não consegue
protegê-lo da própria consciência. O tanque não está mais cruzando fronteiras
geográficas, mas sim navegando pela eternidade de um trauma que não pode ser
superado enquanto a culpa não for assumida. O rastro de cinzas deixado pelo
tanque é o símbolo de uma geração que, ao escolher não interferir, transformou
sua própria existência em um silêncio eterno. FIM DOS SPOILERS
O elenco centrado em cinco personagens funciona muito bem. Temos o tenente (David Schütter); motorista
(Leonard Kunz); o artilheiro e segundo em comando (Laurence Rupp); o dedicado
operador de rádio e usando uma metralhadora (Sebastian Urzendowsky ) ; o jovem
carregador de canhão (Yoran Leicher) . Todos confinados e lutando para conter o
pânico, obedecendo às ordens na esperança de voltarem para suas vidas simples
antes de uma guerra que os cooptou ao caos.
No cômputo final, “O Tanque” posiciona-se
menos como um filme de guerra tradicional e mais como um estudo brutal sobre a
desumanização no combate moderno, um verdadeiro laboratório de decomposição
moral. Sua premissa inicial, poderá
remeter ao filme “O Resgate do Soldado Ryan”, mas o roteiro retira imediatamente o filme do
campo do entretenimento militar e o coloca no campo da ética e da filosofia. O
filme deixa de ser apenas um drama de combate moderno, e se consolida como um
aviso sombrio sobre o peso das escolhas individuais. A obra sobrevive pela sua
crueza e pelo incômodo que causa ao lembrar que o mal não reside apenas no
ditador que ordena, mas no soldado que assiste. Não é, portanto, um
entretenimento para todos os públicos. Seu principal problema talvez resida no
fato de que muitos preverão o rumo da história cedo demais, destruindo parte do
plot twist final. Infelizmente, há uma onda na indústria do cinema em que os roteiristas
e cineastas sentem a necessidade de explicar o final em detalhes, algo que não
acontecia com tanta frequência no passado. A indústria passou a explicar
demais… ou se adaptou a um novo tipo de espectador?
Trailer:
Curiosidades:
O tanque Tiger apresentado no filme é uma réplica construída em um chassi soviético T-55. Para as filmagens, ele foi equipado com réplicas de rodas entrelaçadas para se assemelhar a um Tiger I, embora o espaçamento entre as rodas ainda revele a suspensão T-55 subjacente. O veículo está baseado no Museu da Linha de Demarcação em Rokycany, República Tcheca.
Historicamente, as equipes de tanques da Wehrmacht usavam jaquetas Panzer pretas adornadas com a insígnia do crânio Totenkopf. O design do crânio usado pela Wehrmacht diferia da versão SS, e o filme retrata com precisão a insígnia no estilo da Wehrmacht, não o design da SS
O diretor Dennis Gansel já dirigiu 11 episódios da série de televisão Das Boot. O filme também emprega uma tensão claustrofóbica prolongada, traduzindo o suspense submarino de Das Boot (O Barco) em um tanque Tiger preso em um ambiente fluvial.
As missas em latim pode ter o significado de uma extrema-unção antecipada.
Os primeiros tanques Tiger I (produzidos entre 1942 e 1943) possuíam uma capacidade rara para a época: o Deep Wading (vau profundo). Diferente de outros tanques que apenas atravessavam rios rasos, o Tiger foi projetado para submergir completamente em águas de até 4 metros de profundidade.
Em termos de poder de destruição, o SU-100 (lançado pelos soviéticos no final de 1944) foi projetado com um único objetivo: destruir a nova geração de tanques pesados alemães (Tiger e Panther). Enquanto o Tiger era um tanque de uso geral (com torre giratória), o SU-100 era um caça-tanques (sem torre, o canhão era fixo no chassi). O canhão de 100mm do soviético era devastador. Ele conseguia perfurar a blindagem frontal do Tiger I a uma distância de até 1.000 metros.
Por não ter torre e ser mais baixo que o Tiger, o SU-100 conseguia se esconder facilmente na vegetação ou na neve (as "estepes" que mencionei). Ele não foi feito para lutar "limpo". Sua finalidade era esperar o Tiger aparecer e disparar um único tiro que atravessasse a blindagem frontal, geralmente incinerando a tripulação instantaneamente.
"AGORA EU ME TORNEI A
MORTE, O DESTRUIDOR DE MUNDOS"
1920, Oppenheimer é um jovem estudante
americano de física quântica em Cambridge (Reino Unido). Em uma palestra, chama
a atenção do físico Niels Bohr (Kenneth Branagh) pela segunda vez (a primeira
acontecera em Harvard). O conselho deste é que o jovem estudante abandone
aquele lugar e parta a Alemanha estudar com o físico Max Born. Posteriormente, por
sugestão de seu futuro colega Isidor Rabi (David Krumholtz), viaja para Holanda,
na qual conhecerá Werner Karl Heisenberg (Matthias Schweighöfer) físico teórico
alemão (que ganharia o prêmio Nobel em 1932). Na década seguinte, o veremos lecionando
teoria quântica em Berkeley (Califórnia) e construindo um centro para estudos. Ali
conhece Ernest Lawrence (Josh Hartnett) que vem construindo uma acelerador de elétrons,
o cíclotron. No “tempo presente”, Lewis Strauss é questionado sobre as
atividades de Oppenheimer fora da sala de aula: apoio aos que lutavam contra
ditadura de Franco (na Espanha) e a permissão de reuniões comunistas em suas
classes. Seu irmão fazia parte do partido comunista e a arrecadação de fundos
para a Guerra Civil Espanhola passava por este partido a um grupo afiliado, ainda que o físico não tivesse
interesse em se afiliar. Oppenheimer apoiava simultaneamente várias causas (como
o apoio financeiro para que judeus escapassem do nazismo) e a Guerra Civil
espanhola era uma delas. O que ele não sabia seria que essas atitudes lhe
prejudicariam no futuro. A informação de que cientistas alemães conseguiram
dividir o átomo surpreende Oppenheimer e seus colegas na universidade, mas eles
também conseguem o intento. A descoberta torna-se óbvia: o inimigo está construindo
uma bomba.
Em 1942, a trajetória da vida
de Oppenheimer começa a mudar dramaticamente, após a notícia de que a Alemanha
invadira a Polônia. Conhece o chefe militar do Projeto Manhatan, Leslie Groves
(Matt Damon), que o torna diretor do Projeto Manhattan em Los Alamos, Novo
México, apesar de desconfianças sobre as causas esquerdistas que apoiara no
passado
Baseado no livro de 2006 “Oppenheimer:
O triunfo e a tragédia do Prometeu Americano” (Ed. Intrínseca 2023) dos autores
Kai Bird e Martin J. Sherwin, Oppenheimer dirigido por Christopher Nolan (( A Origem, Interestelar, Dunkirk, Batman - O Cavakeiro das Trevas, Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge, Amnésia ...)) nos mostra que a maior contribuição do físico para a humanidade foi criar
uma arma capaz de aniquilá-la.
O filme se divide em duas
linhas narrativas: temos duas audiências governamentais: aquela em que
Oppenheimer tenta renovar a sua autorização de segurança após a guerra e a de Strauss,
mais à frente no tempo, que tenta ser aprovado para o gabinete de Eisenhower.
E, no meio dessas histórias, os perigos que surgem quando a ciência, a ambição
e o poder político se misturam. Filmes não lineares como estes, na qual a narrativa
não segue um fluxo contínuo na história, exige que se tenha que acompanhar com
muita atenção logo no início, posteriormente, haverá um clareamento na narrativa
que nos permitirá entender em qual época cada história está sendo contada. Essa
construção narrativa quase que em forma de mosaico nos revelará os vários
períodos da vida do físico – sua ascensão, seu esforço no programa da
construção da primeira bomba atômica (sendo conhecido como “O Pai da Bomba
Atômica), as consequências de seu trabalho, a perda de prestígio – ao conectá-lo
continuamente à sua aproximação inicial com a esquerda e o seu pacifismo
posterior com as atribulações da era McCarthy.
E o filme se inicia em cores (significa
que o tempo narrativo engloba Oppenheimer – uma visão mais subjetiva da
história narrada por este) com a citação do mito de “Prometeu Acorrentado” e
sua punição por este ter dado o fogo aos homens. Surge na tela o termo “Fissão”
(uma divisão em partes). Vemos o físico Julius Robert Oppenheimer (Cillian
Murphy) depondo em uma audiência de autorização de segurança em 1954. Em
seguida (em preto e branco – uma visão mais objetiva da história com Lewis
Strauss), veremos surgir na tela o termo “Fusão” (uma fusão de elementos) com o
Almirante Lewis Strauss mencionando rapidamente a investigação que Oppenheimer sofrera
em uma conversa e se dirigindo para o Senado Americano para que seja ratificada
sua nomeação pelo presidente americano Eisenhower como Ministro do Comércio
Exterior. Enquanto uma narrativa nos mostra os investigadores questionando
Oppenheimer de forma implacável e humilhante sobre o seu passado (real motivo
da investigação) através de seu irmão Frank (Dylan Arnold), sua esposa Kitty
(Emily Blunt) e sua ex-amante Jean Tatlock (Florence Pugh), todos com ligações
com o partido comunista, a outra comissão (agora em tempo presente) deseja extrair
de Strauss o motivo pela qual dera emprego a Oppenheimer e porque este se
mostra tão descontente com o físico. O espectador descobrirá que ambos
compartilharam um passado, cada qual com um papel distinto, mas suas ações os
colocaram em lados opostos (ainda que o físico não saiba). E o espectador, em determinado ponto, compreenderá
os motivos que criaram tal inimizade.
As motivações de Oppenheimer e
seus comandados mostram-se à princípio legítimas: os militares americanos
precisam do sucesso do Projeto Manhattan para vencer a Segunda Guerra Mundial,
de preferência antes que os alemães desenvolvam a sua própria versão, conseguindo
detonar uma bomba. E há a suspeita de que um espião infiltrado esteja
repassando informações cruciais à Rússia para que ela também possa se
desenvolver neste campo. A bomba é criada, os testes são um sucesso. Só que a
Alemanha não é mais ameaça, perdera a guerra. Resta o Japão, mas este já
estaria às portas de uma rendição ou a resistência permaneceria? Oppenheimer apoia
a detonação da bomba nas cidades de Hiroshima e Nagasaki, convencido de que tal
ação não só poria fim à guerra no Pacífico, mas em todas as guerras futuras. Mas
o apetite de aniquilação se desencadeia na humanidade. O rosto vazio e
assombrado de Oppenheimer se amplia. O mundo de Oppenheimer é literalmente
abalado pelas ondas de choque da reação que foi desencadeada. Milhares de pessoas
mortas instantaneamente com a bomba. A divisão do poder estará agora na mão de
duas potências: Estados Unidos e a (Antiga) União Soviética. Uma nova corrida
armamentista surgirá com a chamada Guerra Fria. O serviço prestado ao governo durante
a guerra não pode salvá-lo do jogo político, da vaidade de homens mesquinhos e
do flagrante “medo vermelho”. A ascensão da Rússia na divisão do poder incomoda
os americanos. O agora “inimigo” está desenvolvendo suas próprias armas
nucleares. Os EUA precisam criar uma nova bomba: a escolhida é a de Hidrogênio
(1000 vezes mais letal). Oppenheimer renuncia ao seu cargo no Projeto
Manhattan. Pouco depois, entre 1947 e 1952, ele se torna assessor da Comissão
de Energia Atômica dos Estados Unidos — e passa a defender ainda mais o
controle internacional para o uso da tecnologia nuclear. Ele sustenta o uso da
energia nuclear para fins pacíficos, mas o governo pensa assim? O mundo rapidamente
passou dos horrores da guerra para abraçar a bomba. O país começou uma
verdadeira caça às bruxas contra pessoas acusadas de serem simpatizantes do
comunismo, subversão ou traição da pátria (mesmo em outra conjectura, mesmo que
num passado distante). Qualquer coisa que as ligasse à Rússia. Oppenheimer foi
um deles.
Openheimer talvez seja o
trabalho mais maduro até agora de Nolan. Funciona como filme e como relato
histórico. Ainda que permeado de jargões do meio científico e fórmulas matemáticas
(que evita dissecar) pode ser assistido pelo grande público. Para aqueles que
conhecem o tema Segunda Guerra Mundial muito será facilitado. Para aqueles
formados em física e química muita informação conhecida. Mas o mérito de Nolan
é nos apresentar o horror da guerra sem necessariamente mostrá-lo. O espectador
não verá os bombardeios, nem cenas do que isso causou na população. Tudo é citado,
o que não é menos assustador. O diretor deixa
que a mente do espectador conjecture a destruição causada pelas bombas, mas o horror
dos bombardeios, a magnitude do sofrimento podem ser plenamente percebidas.
O filme nos mostra um homem
cativado pelas possibilidades ilimitadas da ciência, percebendo tarde demais
que sua criação tem uma capacidade ilimitada de destruição. O filme nos revela
os bastidores da criação da bomba, os amores de Oppenheimer, os meandros da
política da época e a falta de escrúpulos dos envolvidos. Oppenhiemer sofre uma
“sabatina” para conseguir uma renovação de segurança, na verdade um ardil para
tentar enquadrá-lo como comunista. Na audiência, seu advogado não tem acesso
aos documentos que acusam o seu cliente “não é um julgamento, é uma audiência”,
dizem. Seus colegas surgem para depor, uns o defendem outros o acusam e há
aqueles que preferem ficar omissos. A forma de tratamento é humilhante, mas
Oppenheimer não se rebela: há uma sensação de autopunição por sua criação. Ao
mesmo tempo que Strauss (em um tempo mais à frente) arquiteta a queda
definitiva de seu desafeto. Strauss é para Oppenhiemer o que Saliere foi para
Amadeus (no filme homônimo de 1984 – se esse filme conta a realidade ou não é
papo para outra análise). O que fica é uma reflexão do que as guerras nos
trazem. Não é o avanço da ciência que cria armas, são os inescrupulosos que
percebem uma chance de triunfarem usando este artificio para subjugarem os
demais. O som e fotografia (alternada em preto e branco e cores) utilizados no
filme impressionam e contribuem para um espetáculo visual impressionante.
O elenco estelar é muito bom e
surpreende com alguns atores que surgem em cena. Cillian Murphy está ótimo no
papel do físico, sua construção do papel impressiona e deve ser indicado ao
Oscar. Outro que está excelente e pode leva uma indicação é Robert Downey Jr
como Strauss, um homem amargurado e desejoso de vingança. Emily Blunt, como a
esposa Kitty, terá o seu momento, mostrando-se mais forte do que aparentava.Florence
Pugh, como Jean Tatlock, interpreta a amante do físico. Kenneth Branagh faz
rápidas aparições com a eficiência contumaz. Outro que se destaca é Matt Damon como
o oficial Leslie Groves. Rami Malek ("Mr. Robot" e "Bohemian Rapsody") também terá
o seu momento. Gary Oldmansurge em uma cena memorável comoHarry Truman. Tom Conti interpreta Eisntein com
pouco tempo de cena, mas importante na narrativa. Jason Clarke (o novo “Cemitério
Maldito” e “Planeta dos Macacos: A Guerra”) e Tony Goldwyn (o vilão de "Ghost")
interpretam aqueles que interpelam Oppenheimer. Dane DeHaan ("O Espetacular
Homem-Aranha 2" e "Valerian e a Cidade dos Mil Planetas") surge como um dos
oficiais. Josh Hartnett ("Falcão Negro em Perigo) faz um dos cientistas. Podemos
ver também Matthew Modine ("Bird" e "Nascido para Matar"), James Remar ("Warriors,
Os Selvagens da Noite" e "O Fantasma") entre outros
Openheimer é um drama sobre a genialidade,
a arrogância e o erro. Um Frankenstein moderno que perdeu o controle sob sua
criatura. O filme não imputa culpa ao físico além daquela que ele mesmo assume,
mas também não o isenta. Nos mostra a fragilidade de um ser humano preso a amizades
e romances que ajudaram a sustentá-lo, mas de certa forma também ajudaram a desestabilizá-lo.
É um filme projetado para o cinema, para a tela gigante, mas com uma construção
narrativa que pode necessitar, para alguns, voltar-se ao início (ou voltar certas
cenas) para melhor compreendê-lo em sua plenitude (o que o torna ideal também
para o Streaming). Um filme para ser visto e revisto.
Trailer:
Curiosidades:
O "julgamento" a que Oppenheimer foi submetido em 1954, foi de ser um agente da União Soviética. O "perdão" à Oppenheimer só foi inteiramente concedido após 68 anos, ou seja, décadas após de sua morte.
O físico já era acompanhado pelo FBI, comandado por J. Edgar Hoover, desde antes da guerra, quando ele ainda era professor em Berkeley - período em que se tornou próximo a membros do Partido Comunista, do qual sua esposa e seu irmão faziam parte. Os órgãos de defesa suspeitavam fortemente que ele fosse membro do partido. Desta forma, o monitorava com escutas telefônicas ou até mesmo abrindo suas correspondências.
O FBI também passou a fornecer aos inimigos políticos de Oppenheimer evidências de que ele poderia ser um comunista. Entre eles estava Lewis Strauss, empresário, filantropo e oficial naval americano que fazia parte da Comissão de Energia Atômica dos Estados Unidos (AEC).
Em 21 de dezembro de 1953, Strauss informou Oppenheimer que sua autorização de segurança havia sido suspensa, devido às acusações descritas em uma carta. Ele também solicitou a rescisão do contrato do físico com a AEC, mas Oppenheimer optou por não renunciar e solicitou uma audiência.
Entre abril e maio de 1954, após 19 dias de audiências secretas, a Comissão de Energia Atômica revogou a autorização de segurança de Oppenheimer. O físico não só teve suas credenciais bloqueadas — que lhe davam acesso aos segredos atômicos do governo — como o fato também levou ao fim sua carreira, devido à grande humilhação que sofreu.
Antes considerado um herói da ciência, Oppenheimer passou a viver como um homem de reputação manchada e morreu de forma melancólica em 1967, aos 62 anos, de câncer de garganta (devido, dizem, a grande quantidade de cigarros que fumava)
Conforme publicado pelo The New York Times, em 2014, o governo de Barack Obama tornou pública as centenas de páginas recentemente desclassificadas das audiências secretas contra Oppenheimer. O testemunho demonstrou que elas não foram nem um pouco leais.
Historiadores e especialistas nucleares estudaram o processo e constataram que não havia nenhuma evidência contundente contra Oppenheimer. Além disso, concordaram que, de maneira geral, a medida certa teria sido inocentá-lo.
Em 16 de novembro de 2022, a secretária de energia dos EUA, Jennifer Granholm, escreveu em um comunicado alegando que a decisão original da AEC sobre a autorização de segurança de Oppenheimer fazia parte de um "processo falho que violou os próprios regulamentos da Comissão". Com o passar do tempo, mais evidências surgiram do viés e da injustiça do processo ao qual o Dr. Oppenheimer foi submetido, enquanto as evidências de sua lealdade e amor ao país só foram confirmadas", prosseguiu. A última marca negativa sobre a vida e carreira de Julius Robert Oppenheimer havia sido limpa. "Estou emocionado", disse Kai Bird conforme registrado pelo The Guardian. Vencedor do Pulitzer de 2005, sua obra junto de Sherwin serviu como base para o filme de Nolan.
Oppenheimer tentou, em vão, travar a subsequente corrida armamentista nuclear entre os EUA e a União Soviética. Ele foi prontamente silenciado usando-se uma das ferramentas de opressão política mais apreciadas da América – a histeria anticomunista.
Filmado em filme Imax e e película de 65mm (o normal é 35mm)
O filme é baseado em “American Prometheus: The Triumph and Tragedy of J. Robert Oppenheimer"
Edward Teller (interpretado por Benny Safdie), físico teórico, ficou conhecido como o “pai da bomba de hidrogênio”.
Eisntein publicou a sua teoria da relatividade geral em 1915.
Oppenheimer zombou de Strauss sobre isótopos. No filme, a perseguição de Strauss é justificada pela humilhação que o ex-oficial naval sofreu pelo físico durante uma sessão da Comissão de Energia Atômica dos Estados Unidos (AEC) em 1949.
Werner Karl Heisenberg foi um físico teórico alemão que recebeu o Nobel de Física de 1932, "pela criação da mecânica quântica, cujas aplicações levaram à descoberta, entre outras, das formas alotrópicas do hidrogênio".
Hoyte van Hoytema foi o diretor fotografia deste filme
Harry Truman, foi o presidente dos EUA que ordenou o lançamento da bomba atômica sobre Hiroshima e Nagasaki
"Agora me tornei a morte, destruidor de mundos" é uma frase retirada do livro "Bhagavad Gita"
Cartazes:
Filmografias Parciais:
Cillian Murphy
Clube dos Suicidas (2001); Extermínio (2002); Cold Mountain (2003); Batman Begins (2005); Vôo Noturno (2005); Ventos da Liberdade (2006); Sunshine - Alerta Solar (2007); Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008); A Origem (2010); O Preço do Amanhã (2011); Poder Paranormal (2012); Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012); Transcendence: A Revolução (2014); No Coração do Mar (2015); Dunkirk (2017); Anna: O Perigo Tem Nome (2019); Um Lugar Silencioso: Parte II (2020); Peaky Blinders: Sangue, Apostas e Navalhas (2013-2022), Oppenheimer (2023)
Robert Downey Jr
Mulher Nota Mil (1985); Abaixo de Zero (1987); Justiça Corrupta (1989); O Céu se Enganou (1989); Air America - Loucos Pelo Perigo (1990); Soapdish: Segredos de uma Novela (1991); Chaplin (1992); Short Cuts - Cenas da Vida (1993); Assassinos por Natureza (1994); O Outro Lado da Nobreza (1995); U.S. Marshals - Os Federais (1998); Na Companhia do Medo (2003); Santos e Demônios (2006); Zodíaco (2007); Homem de Ferro (2008); O Incrível Hulk (2008); Trovão Tropical (2008); Sherlock Holmes (2009); Homem de Ferro 2 (2010); The Avengers: Os Vingadores (2012); Homem de Ferro 3 (2013); Vingadores: Era de Ultron (2015); Capitão América: Guerra Civil (2016); Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017); Vingadores: Guerra Infinita (2018); Vingadores: Ultimato (2019) Dolittle (2020); Oppenheimer (2023)
Emily Blunt
A Rainha da Era do Bronze (2003); Meu Amor de Verão (2004); Identidade Roubada (2006); O Diabo Veste Prada (2006); O Clube de Leitura de Jane Austen (2007); A Mente que Mente (2008); A Jovem Rainha Victoria (2009); O Lobisomem (2010); As Viagens de Gulliver (2010); Looper: Assassinos do Futuro (2012); No Limite do Amanhã (2014); Sicario: Terra de Ninguém (2015); O Caçador e a Rainha do Gelo (2016); A Garota no Trem (2016); Um Lugar Silencioso (2018); O Retorno de Mary Poppins (2018), Gnomeu e Julieta 2: O Mistério do Jardim (2018), O Retorno de Mary Poppins (2018), Um Lugar Silencioso: Parte II (2020), Além das Montanhas (2020), Oppenheimer (2023), Máfia da Dor (2023)
Florence Pugh
Lady Macbeth (2016), O Passageiro (2018), King Lear (2018), Legítimo Rei (2018), A Maldição dos Esquecidos (2018), Lutando Pela Família (2019), Midsommar: O Mal Não Espera a Noite (2019), Adoráveis Mulheres (2019), Viúva Negra (2021), O Milagre (2022)
Kenneth Branagh
Henrique V (1989); Voltar a Morrer (1991); Os Últimos Rebeldes (1993); Os Últimos Rebeldes (1993); Frankenstein de Mary Shelley (1994); Othelo (1995); Othelo (1996); As Loucas Aventuras de James West (1999); Geração Roubada (2002); Harry Potter e a Câmara Secreta (2002); Operação Valquíria (2008); Operação Sombra: Jack Ryan (2014); Dunkirk (2017); Assassinato no Expresso do Oriente (2017), A Pura Verdade (2018), Coração de Fogo (2022), Morte no Nilo (2022), Oppenheimer (2023), A Noite das Bruxas (2023)
Gary Oldman
Sid & Nancy 1986, Henry & June - Delírios Eróticos (1990); JFK - A Pergunta que Não Quer Calar (1991); Drácula de Bram Stoker (1992); Amor à Queima Roupa (1993); O Profissional (1994); Minha Amada Imortal (1994); Assassinato em Primeiro Grau (1995); A Letra Escarlate (1995); O Quinto Elemento (1997); Perdidos no Espaço: O Filme (1998); Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban (2004); Batman Begins (2005); Harry Potter e o Cálice de Fogo (2005); Harry Potter e a Ordem da Fênix (2007); Batman: O Cavaleiro das Trevas (2008); Alma Perdida (2009); O Livro de Eli (2010); Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 2 (2011); Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012); RoboCop (2014); Planeta dos Macacos: O Confronto (2014); O Destino de Uma Nação (2017), Fúria em Alto Mar (2018), Assassinos Anônimos (2019), A Possessão de Mary (2019), A Lavanderia (2019), A Mensageira (2019), Crise (2021), A Mulher na Janela (2021), Dupla Explosiva 2: E a Primeira-Dama do Crime (2021), Oppenheimer (2023), Slow Horses (seriado 20222-2023)
Matt Damon
Código de Honra (1992); Geronimo - Uma Lenda Americana (1993); Coragem Sob Fogo (1996); Procura-se Amy (1997); Gênio Indomável (1997); O Resgate do Soldado Ryan (1998); O Talentoso Ripley (1999); Onze Homens e um Segredo (2001); A Identidade Bourne (2002);Confissões de Uma Mente Perigosa (2002); Eurotrip - Passaporte Para a Confusão (2004); A Supremacia Bourne (2004); Doze Homens e Outro Segredo (2004); Os Irmãos Grimm (2005); Os Infiltrados (2006); O Bom Pastor (2006); Treze Homens e um Novo Segredo (2007); O Ultimato Bourne (2007); Invictus (2009); Zona Verde (2010); Além da Vida (2010); Bravura Indômita (2010); Compramos Um Zoológico (2011); Minha Vida com Liberace (2013), Elysium (2013), O Teorema Zero (2013), Caçadores de Obras-Primas (2014), Interestelar (2014), Perdido em Marte (2015), Jason Bourne (2016), A Grande Muralha (2016), Pequena Grande Vida (2017), Suburbicon: Bem-vindos ao Paraíso (2017), Thor: Ragnarok (2017), Distúrbio (2018), Deadpool 2 (2018), Ford vs Ferrari (2019), Nem um Passo em Falso (2021), Stillwater: Em Busca da Verdade (2021), O Último Duelo (2021), Thor: Amor e Trovão (2022), Air: A História Por Trás do Logo (2023), Oppenheimer (2023)
Rami Malek
Uma Noite no Museu (2006); Uma Noite no Museu 2 (2009); Larry Crowne: O Amor Está de Volta (2011); Battleship: A Batalha dos Mares (2012); O Mestre (2012); A Saga Crepúsculo: Amanhecer - Parte 2 (2012); Need for Speed: O Filme (2014); Uma Noite no Museu 3: O Segredo da Tumba (2014); Papillon (2017); Bohemian Rhapsody (2018); Mr. Robot: Sociedade Hacker (seriado 2015 a 2019), Os Pequenos Vestígios (2021), 007: Sem Tempo para Morrer (2021), Amsterdam (2022), Oppenheimer (2023)
Tom Conti
Who Fought Alone: Epitaph on a Scottish Soldier (1958); Galileu (1975); Os Duelistas (1977); Demônio Com Cara de Anjo (1977); Eclipse (1977); Furyo: Em Nome da Honra (1983); As Aventuras de uma Sonhadora (1984); Um Divórcio Complicado (1986); Caçadores de Nazistas (1986); No Rastro da Violência (1987); A Princesa e o Plebeu (1987); Something to Believe In (1998); A Magia do Amor (1999); Fora de Rumo (2005); O Jerusalem (2006); Intenções Ocultas (2009); A Tempestade (2010); Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012); Murder on the Orient Express (2017); Peripheral (2018), Openheimer (2023)
Jason Clarke
Dilemma (1997); Fugindo do Passado (1998); Praise (1998); Paixão e Sedução (2000); Confusão na Austrália (2000); Geração Roubada (2002); Uma Cilada de Mestre (2008); Corrida Mortal (2008); De Caso com o Inimigo (2008); Inimigos Públicos (2009); Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme (2010); Confiar (2010); A Hora Mais Escura (2012); O Grande Gatsby (2013); O Ataque (2013); Planeta dos Macacos: O Confronto (2014); Cavaleiro de Copas (2015); Crimes Ocultos (2015); O Exterminador do Futuro: Gênesis (2015); A Maldição da Casa Winchester (2018); O Primeiro Homem (2018); Cemitério Maldito (2019); O Diabo de Cada Dia (2020), Silk Road: Mercado Clandestino (2021), Guerra Oculta (2022), Oppenheimer (2023), The Caine Mutiny Court-Martial (2023), Lakers: Hora de Vencer (seriado 2022–2023)
Tony Goldwyn
Sexta-Feira 13 Parte 6: Jason Vive (1986); Gaby, uma História Verdadeira (1987); Passaporte Para o Inferno (1989); Ghost: Do Outro Lado da Vida (1990); Um Tira por Acaso (1992); A Última Palavra (1995); Aconteceu no Natal (1995); Nixon (1995); O Pacto (1998); O 6º Dia (2000); Uma Rapsódia Americana (2001); O Último Samurai (2003); Desejos & Traições (2005); Pesadelo Americano (2005); A Última Casa (2009); Assassino a Preço Fixo (2011); Divergente (2014); A Série Divergente: Insurgente (2015); O Experimento Belko (2016); Dia de Trabalho Mortal (2016), O Melhor Presente é o Amor (2017), Felt: O Homem que Derrubou a Casa Branca (2017), Escândalos: Os Bastidores do Poder (seriado 2012–2018), King Richard: Criando Campeãs (2021), Hot Zone: A História do Ebola (2019), Os Odiados do Casamento (2022), Alerta Máximo (2023), Mistério em Paris (2023), Oppenheimer (2023)
Dane DeHaan
Poder Sem Limites (2012); Lincoln (2012); Sem Evidências (2013); Vida Após Beth (2014); O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro (2014); Life: Um Retrato de James Dean (2015); A Cura (2016); Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (2017), Billy the Kid: O Fora da Lei (2019), The Stranger (seriado 2020), A Escada (Minissérie 2022), Oppenheimer (2023)
Josh Hartnett
Halloween H20: Vinte Anos Depois (1998); Prova Final (1998), As Virgens Suicidas (1999), Seu Amor, Meu Destino (2000), De Cabelos em Pé (2001), Pearl Harbor (2001), Falcão Negro em Perigo (2001), 40 Dias e 40 Noites (2002), Paixão à Flor da Pele (2004), Sin City - A Cidade do Pecado (2005), Loucos de Amor (2005), Xeque-Mate (2006), Dália Negra (2006), O Resgate de Um Campeão (2007), 30 Dias de Noite (2007), Reação Colateral (2008), Fugindo do Inferno (2009), Uma Cidade sem Lei (2010), As Garotas Vão ao Bar (2011), Cavalos Selvagens (2015), Amor em Tempos de Guerra (2017), O Poder e o Impossível (2017), Vale dos Deuses (2019), O Herdeiro das Drogas (2019), Infiltrado (2021), Esquema de Risco - Operação Fortune (2023), Oppenheimer (2023)
Matthew Modine
O Exército Inútil (1983); Um Hotel Muito Louco (1984); Asas da Liberdade (1984); Em Busca da Vitória (1985); Nascido Para Matar (1987); De Caso com a Máfia (1988); Memphis Belle - A Fortaleza Voadora (1990); Morando com o Perigo (1990); Short Cuts - Cenas da Vida (1993); E a Vida Continua (1993); A Ilha da Garganta Cortada (1995); Blackout (1997); Carga Explosiva 2 (2005); Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012); Medo Profundo (2017); Soldado (2017).
James Remar
Warriors - Os Selvagens da Noite (1979); Parceiros da Noite (1980); Cavalgada dos Proscritos (1980); Dois Tiras Meio Suspeitos (1982); A Tribo da Caverna do Urso (1986); Quadrilha da Mão (1986); De Médico e Louco Todo Mundo Tem um Pouco (1989); Drugstore Cowboy (1989); Contos da Escuridão (1990); Caninos Brancos (1991); Aliança Mortal (1991); Blink - Num Piscar de Olhos (1994); O Fantasma (1996); Mortal Kombat - A Aniquilação (1997); K-Pax - O Caminho da Luz (2001); Mais velozes, Mais Furiosos (2003); Duplex (2003); Atirador de Elite (2007); Alma Perdida (2009); Red: Aposentados e Perigosos (2010); X-Men: Primeira Classe (2011); Django Livre (2012); Amaldiçoado (2013); Dexter (seriado 2006 -2013); A Anatomia de Grey (seriado 2013-2014); Homens de Coragem (2016); The Night Watchmen (2017); Gotham (seriado 2017)
Casey Affleck
Um Sonho sem Limites (1995); Procura-se Amy (1997); Gênio Indomável (1997); Hamlet: Vingança e Tragédia (2000); American Pie 2: A Segunda Vez é Ainda Melhor (2001); Onze Homens e um Segredo (2001); Doze Homens e Outro Segredo (2004); O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford (2007); Medo da Verdade (2007); Roubo nas Alturas (2011); Interestelar (2014); Manchester À Beira-Mar (2016); Light of My Life (2018), Oppenhiemer (2023)
Ilha de Java, Indonésia, Segunda Guerra Mundial. Um grupo
de soldados encontra-se preso em um campo de concentração japonês. O local é liderado
pelo Capitão Yonoi (Ryuichi Sakamoto) pertence à linha de comando conservadora,
cujos métodos são vistos como obsoletos. Seu assistente, Sargento Hara (Takeshi Kitano), é um militar pronto
a dar a vida pelo seu país e considerado encaixado dentro dos novos padrões.
Hara ora mostra-se simpático e divertido e ora parece ter práticas que beiram o
sadismo. O Coronel John Lawrence (Tom Conti) é o único que fala a língua
japonesa com desembaraço e tenta usar de certa diplomacia para negociar a sobrevivência
de todos, inclusive do orgulhoso comandante Hicksley (Thompson) que considera
Lawrence muito próximo e empático de seus captores. Lawrence se empenha em traduzir
não apenas as palavras, mas os valores das duas raças e desenvolve uma amizade
improvável e complicada com Hara, o que ameniza o ambiente. A chegada do Major
Jack Celliers (David Bowie), um oficial britânico rebelde, capturado em uma
missão suicida, que carrega um grande sentimento de culpa do passado, muda a situação
de equilíbrio entre as relações que será modificada principalmente por conta da atração
que este passa a exercer no jovem
comandante Yanoi.
Produção anglo-japonesa, "Furyo – Em Nome da Honra" (Feliz
Natal, Sr. Lawrence – no Original) é
diferente de qualquer outro filme de prisioneiros de guerra, o que o torna
singular. O filme dirigido por Nagisha Oshima (1932-2013) do polêmico “O Império dos Sentidos” foi livremente
baseado na trilogia de livros autobiográficos do escritor sul-africano Laurens
van der Post (The Seed and the Sower) pautados em sua estadia em um campo de prisioneiros de guerra japonês
durante a Segunda Guerra Mundial. Apesar de se passar em Java, o filme foi
rodado na ilha polinésia de Rarotonga, com algumas outras partes na Nova
Zelândia e no Reino Unido.
Muitos críticos, na época, viram uma certa similaridade entre
"Furyo" (que significa “prisioneiro de guerra”) e "A Ponte do Rio kwai", mas tal
aspecto não se justifica se considerarmos que o único elemento que os aproxima
seria um campo de concentração japonês.Oshima se mostrou um crítico da violência, seja ela de cunho intra ou intercultural, onde questionou valores culturais e éticos; um estudo psicológico sobre o confronto de duas
culturas (e que apenas porforças das circunstâncias (razões políticas) se tornaram inimigos). O filme nos revela o terrível alívio que
a guerra pode significar para pessoas atormentadas pela culpa; a delicada
abordagem sobre a questão do suicídio que para os militares japoneses era uma questão de
honra e para os ingleses, uma covardia; ser prisioneiro significava desonra para
os japoneses enquanto os britânicos encaravam como um infortúnio reflexo da
guerra. Há um estranho e tácito vínculo entre o quarteto Hara
& Lawrence e Yonoi & Celliers. Enquanto Hara, sem consciência ou
espirito critico, segue ordens e mantém contínuas discussões filosóficas com o
Coronel Lawrence, numa tentativa de racionalizar suas próprias ações violentas,
Yonoi tem seu próprio código de honra baseado nos antigos samurais, mas é traído
por suas próprias convicções ao desenvolver uma obsessão pelo major. Já Lawrence, que fora diplomata no Japão, antes da guerra, serve de intermediário e interprete
em um frágil equilíbrio de compreensão, ao contrário de Celliers que não se
importa em confrontar quem esteja no poder e dizer e fazer o que considera
correto.E para os japoneses o castigo
tem o simbolismo de uma expiação algo com que Celliers compactua. É nesse inevitável ambiente de choquede culturas e estilos de serviço militar distintos
(patriótico versus pragmático) que até mesmo estes inimigos convencionais podem
descobrir motivos para sorrir, e no meio da insanidade reinante buscar alguma
boa lembrança que dará o título ao filme.
Certamente Oshima pôs um subtexto em jogo, mas o filme não se
utiliza da relação entre Celliers e Yonoi como foco principal. Uma das
mensagens principais do filme está na frase "agora você é a vítima dos
homens que pensam que estão certos, assim como você, certa vez, pensou estar
absolutamente certo". No momento em
que ela é dita, nos leva a uma profunda reflexão de que muitos se tornam
marionetes no eterno jogo da guerra e a triste constatação só é percebida ao
final. A mensagem central da futilidade
da guerra não envelheceu nem um pouco. E se o diretor expôs a brutalidade
japonesa, também não se omitiu de visitar o outro lado e nos mostrar os absurdos
ocidentais através de lembrança de Celliers no internato inglês, um ambiente
que teoricamente simbolizaria o auge da civilização moderna, mas que se mostra de
uma violência equivalente. Oshima mergulhou um pouco mais profundamente na
psicologia de seus personagens ao nos revelar que os oficiais mais rígidos de
cada lado (Celliers e Yonoi) têm uma espécie de admiração mútua, que se
transforma em uma disputa de vontades. E ambos são atormentados por seus
passados onde tomaram atitudes erradas que não puderam ser corrigidas.
Quanto ao elenco, David Bowie foi o principal argumento de venda do
filme e a razão pela qual este não caiu na obscuridade total. Ainda que
subtenda-se que Bowie é o astro do filme, John Lawrence (Tom Conti) é o verdadeiro foco.Bowie se mostrou um ator preparado para
filmes sérios ainda que muitos se lembrem de filmes como “Labirinto” e o cult “O
Homem Que Caiu na Terra”. Tom Conti é o fio condutor da narrativa e funciona
muito bem com um homem sensato em meio a insensatez reinante. Poucos sabem, mas
Conti fez o papel do prisioneiro que cura as costas de Bruce Wayne na prisão de
Bane em O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Ryuichi Sakamoto (também responsável pela bela
trilha sonora do filme) era um astro da música no Japão e sua atuação como Yonoi
funcionou dentro do que o filme propôs.Sakamoto também fez trilhas
para "O Último Imperador" e "O Pequeno Buda". O rosto de Takeshi Kitano, como Hara,
é a imagem que abre e fecha o filme, mas o contexto entre as duas tomadas nos mostrará
uma transformação considerável de seu personagem.
Disfarçado de filme de guerra, “Furyo-Em Nome da Honra",
cujo título original explica-se no fim, é um intenso estudo de personagens mostrando
um imenso abismo onde soldados japoneses
não entendiam a mentalidade de seus cativos e soldados europeus presos que ignoravam o
passado cultural de seus inimigos e o modo como viam o mundo e em particular o
ocidente.Oshima posiciona com maestria
e sensibilidade seus personagens tal qual peças de xadrez e, pacientemente, permite que suas naturezas individuais floresçam trazendo-os a um inevitável conflito.
Trailer:
Curiosidades:
Segundo David Bowie, Nagisa Ôshima dirigiu os atores japoneses com grande detalhamento. Mas quando se tratava dos atores britânicos, eles foram instruídos a "fazer tudo o que vocês fazem".
Tom Conti não falava uma palavra em japonês. Ele aprendeu seu diálogo japonês foneticamente.
Primeiro filme em inglês dirigido por Nagisa Ôshima
O ator e compositor japonês Ryuichi Sakamoto desmaiou ao ver o filme pela primeira vez.
Lourens van der Post, o autor do romance original deste filme "The Seed and The Sower", disse uma vez sobre esta adaptação filmada de seu romance: "Este é um grande e profundamente comovente filme. O único filme de guerra que eu já vi que o faz não explora o drama superficial e os horrores da guerra, mas penetra nas origens e no significado da guerra no espírito humano. Além disso, é honesto e corajoso e olha com os mesmos olhos imperturbáveis e fixos para o caráter de japoneses e europeus.
A trilha sonora e a trilha sonora distintas deste filme são notáveis. Foi composto por Ryuichi Sakamoto e é considerado o filme inovador pelo qual ele e sua música se tornaram conhecidos em todo o mundo.
Ryuichi Sakamoto disse sobre sua atuação neste filme: "Não pude acreditar como minha atuação foi ruim".
Este filme se destaca pela escalação de duas estrelas do rock, Ryuichi Sakamoto e David Bowie, respectivamente, uma do Oriente e outra do Ocidente.
Ryuichi Sakamoto foi persuadido a atuar neste filme quando lhe foi oferecida a chance de compor e interpretar a trilha sonora do filme.
Da entrevista com Yûya Uchida e palestra de Nagisa Ôshima: O cantor / ator Kenji Sawada foi a primeira escolha para o capitão Yonoi. Depois de sugerir David Bowie para Celliers, Sawada desistiu devido à agenda de turnês. Tomokazu Miura foi então considerado para Yonoi brevemente, antes de Oshima ver uma coleção de fotos e notar a androginia semelhante que Ryuichi Sakamoto compartilhou com Sawada. Shintarô Katsu, lendária estrela da chambara que já causava discórdia no set de Kagemusha de Akira Kurosawa, a Sombra de um Samurai (1980), foi a primeira escolha do sargento. Hara. Oshima concebeu Yonoi à imagem de Yukio Mishima. Celliers foi moldado a partir do personagem de Peter O'Toole em Lawrence da Arábia (1962).
David Bowie foi escalado para o papel do Major Jack Celliers depois que a diretora Nagisa Ôshima viu uma performance sua no palco em uma produção da Broadway de 'The Elephant Man'.
Um campo inteiro de prisioneiros de guerra foi construído para o filme, mas apenas pequenas porções dele são mostradas no filme. Nagisa Ôshima queria que os atores realmente se sentissem como se estivessem em um campo de prisioneiros de guerra.
Takeshi Kitano entrou sorrateiramente para assistir a uma exibição para ver como o público japonês reagiria ao seu papel de ator dramático. No entanto, o público que se encontrava riu quando seu personagem foi apresentado, o que ele deixou sem graça (ele era um notável comediante na época).
A música do filme "Forbidden Colors" é uma referência ao romance de Yukio Mishima onde tem como tema a incompatibilidade da homossexualidade com os ideais do samurai.
Como Celliers está usando um chapéu desleixado típico das tropas australianas, pode-se presumir que ele está no Exército australiano. No entanto, a mancha colorida no puggaree (faixa do chapéu) é dividida verticalmente (as manchas australianas foram divididas horizontalmente) e não tem o fundo cinza que as manchas australianas tinham. Também é notado que as tropas britânicas na Índia também usavam um chapéu semelhante.
Este filme foi lançado em 1983 e é neste ano que David Bowie teve três filmes em cartaz. Bowie em 1983 também estrelou Fome de Viver (1983) e apareceu em uma participação especial em O Pirata da Barba Amarela (1983). Fome de Viver (1983) e Furyo: Em Nome da Honra (1983) estreou com uma diferença de quinze dias, a primeira nos EUA (10 de maio) e a segunda no Festival de Cannes em França (29 de abril).
Ambos os personagens, Lawrence e Celliers, são baseados no autor Lourens van der Post, que falava japonês e foi forçado a se render durante uma missão das Forças Especiais em Java. Van der Post até usou a versão em inglês de seu nome de batismo para o sobrenome de um personagem.
O personagem Coronel John Lawrence (interpretado por Tom Conti) compartilha o mesmo sobrenome que T.E. Lawrence (interpretado por Peter O'Toole) em outro filme de guerra britânico Lawrence da Arábia (1962). Em ambos os filmes, o sobrenome Lawrence aparece nos títulos dos dois filmes. No entanto, é o personagem de Jack Celliers (David Bowie) em Furyo: Em Nome da Honra (1983) que se assemelha a T.E. Lawrence de acordo com Nick Nobel da Austin Film Society. Ambos os personagens têm cabelos loiros, são magros, têm um ligeiro ceceio e têm conflitos sobre a guerra e outros homens. Além disso, esses dois filmes são conhecidos por apresentarem elencos masculinos e sem mulheres.
Os atores que interpretam os prisioneiros de guerra usam seus nomes reais na cena da chamada do hospital.
O filme é conhecido como Furyô (ou Furyo) em vários países estrangeiros de língua não inglesa, como Alemanha, Itália, França, Brasil e Turquia. Furyô (ou Furyo) se traduz como delinquente juvenil. Da mesma forma, de acordo com o livro "Japanese Beyond Words", Furyoo pode ser traduzido como mau, patife, canalha. As traduções japonês-inglês traduzem Furyo como um cativo ou prisioneiro de guerra.
Este filme se passa em um acampamento de prisioneiros de guerra em Java, Indonésia, na Segunda Guerra Mundial de 1942.
Ryuichi Sakamoto - Merry Christmas Mr. Lawrence
David Sylvian & Sakamoto - Forbidden Colours
Cartaz:
Filmografia Parcial:
David Bowie (1947–2016)
O Homem Que Caiu na Terra (1976); Apenas um Gigolô (1978); O Boneco de Neve (1982);
Fome de Viver (1983); Furyo, Em Nome da Honra (1983); Um Romance Muito Perigoso
(1985);Absolute Beginners (1986); Labirinto - A Magia do Tempo (1986); A Última
Tentação de Cristo (1988); Romance por Interesse (1991); Twin Peaks: Os Últimos
Dias de Laura Palmer (1992); Basquiat - Traços de Uma Vida (1996); O Segredo de
Mr. Rice (1999); Zoolander (2001); O Grande Truque (2006); Reação Colateral
(2008); Twin Peaks: O Mistério (2014)
Ryuichi Sakamoto
Furyo: Em Nome da Honra (1983); O Último Imperador
(1987); Enigma do Poder (1998);
Tom Conti
Who Fought Alone: Epitaph on a Scottish Soldier
(1958); Galileu (1975); Os Duelistas (1977); Demônio Com Cara de Anjo
(1977); Eclipse (1977); Furyo: Em Nome da Honra (1983); As Aventuras de uma
Sonhadora (1984); Um Divórcio Complicado (1986); Caçadores de Nazistas (1986);
No Rastro da Violência (1987); A Princesa e o Plebeu (1987); Something to
Believe In (1998); A Magia do Amor (1999); Fora de Rumo (2005); O
Jerusalem (2006); Intenções Ocultas (2009); A Tempestade (2010); Batman: O
Cavaleiro das Trevas Ressurge (2012); Murder on the Orient Express (2017);
Peripheral (2018)
Takeshi Kitano
Manon (1981); Furyo: Em Nome da Honra
(1983); Policial Violento (1989); Johnny Mnemonic, o Cyborg do Futuro
(1995); O Massacre (1995); Fogos de Artifício (1997); Tabu (1999);
Batalha Real (2000); Zatoichi (2004); Consumido pelo Ódio (2004); Glória
ao Cineasta! (2007); Aquiles e a Tartaruga (2008); O Ultraje (2010); A
Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell (2017); Outrage Coda (2017)
Jack Thompson
Pelos Caminhos do Inferno (1971); Human Target
(1974); Marcado Para Morrer (1976); O Canto de Jimmie Blacksmith (1978); A
Jornalista (1979); A História de uma Vida (1980); Herança de um Valente (1982);
A Carta Acusadora (1982); Furyo: Em Nome da Honra (1983); Conquista
Sangrenta (1985); Um Robô em Curto Circuito (1986); O Preço da Justiça
(1987); Rumo ao Sol (1988); Paraíso em Chamas (1989); After the Shock (1990);
Praia dos Sonhos (1992); Viagem ao Grande Deserto (1993); A Última Ameaça
(1996); Pássaros Feridos: Os Anos Ausentes (9196); Meia-Noite no Jardim
do Bem e do Mal (9197); Star Wars, Episódio II: Ataque dos Clones (2002); O
Assassinato de um Presidente (2004); O Homem-Coisa: A Natureza do Medo (2005);
O Segredo de Berlim (2006); Um Verão para Toda Vida (2007); O Amor Não tem
Regras (2008); Austrália (2008); O Ultimo Dançarino de Mao (2009); O Grande
Gatsby (2013); A Luz Entre Oceanos (2016); A Última Escapada (2020)