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sábado, 9 de maio de 2026

OS LEGENDÁRIOS VIKINGS / THE LONG SHIPS (1964) - REINO UNIDO / IUGOSLÁVIA

VIKINGS E MOUROS

Em uma cidade no Oriente Médio, um homem, em troca de alguns trocados, narra a história da “Mãe das Vozes”, um sino lendário com a altura de três homens, feito com “metade do ouro do mundo” colhido em várias partes do globo e fundido por cristãos. Após um naufrágio no qual foi o único sobrevivente, ele teria sido salvo por monges e descoberto a lenda em um mural de um mosteiro. Sua narrativa não passa despercebida pelo príncipe mouro Aly Mansuh (Sidney Poitier), obcecado pela relíquia. Levado à sua presença, o forasteiro revela-se um viking chamado Rolfe (Richard Widmark) que, antes de ser torturado para revelar a localização do Sino de Ouro de St. James, consegue fugir da torre mergulhando nas águas profundas do local.

Em uma aldeia da Escandinávia, o construtor Krok (Oskar Homolka) termina a construção de um barco funerário para o Rei Harald (Clifford Evans). Em troca do trabalho, ele deveria receber uma quantia combinada, mas recebe apenas duas moedas de ouro em detrimento de uma antiga dívida de tributos. Rolfe retorna à aldeia viking na mesma noite e convence seu irmão Orm (Russ Tamblyn) a roubar o barco construído por seu pai, recrutar um grupo de homens e raptar a filha do rei, a princesa Gerda (Beba Loncar), como parte de um plano para recuperar o sino. Contudo, o navio naufraga e o grupo acaba capturado pelo exército de Mansuh, que os transforma em escravos, obrigando-os a consertar o barco viking para guiá-lo em busca do lendário artefato.

Produção anglo-iugoslava, filmada em Techniscope e dirigida por Jack Cardiff (indicado ao Oscar por Filhos e Amantes (1960)). Seu trabalho anterior como diretor de fotografia em Vikings, os Conquistadores (1958) o credenciou para dirigir este longa, produzido por Irving Allen (da série Matt Helm com Dean Martin), não confundir com Irwin Allen. O longa foi baseado no romance do escritor sueco Frans Bengtsson, “The Long Ships”, mas a adaptação pouco seguiu o livro, optando por um caminho mais comercial focado na aventura.

Ao contrário de Os Vikings, cuja influência é perceptível, Os Legendários Vikings não recebeu o mesmo cuidado que a produção de Kirk Douglas e Tony Curtis. O filme funciona como uma aventura leve e descompromissada sobre a rivalidade entre vikings e mouros, agradando parte da crítica, mas frustrando outra. O roteiro, por vezes confuso, de Berkely Mather (007 Contra o Satânico Dr. No) e Beverley Cross ("Jasão e o Velo de Ouro" e "Fúria de Titãs"), não desenvolveu personagens sólidos. Os vikings são retratados como farristas, beberrões e violadores (a cena do harém é amenizada em tom de comédia, mas o subtexto permanece evidente para o espectador mais atento). Há alguns bons confrontos de espada, típicos dos anos 60, com uma música em tom marcial a cargo do compositor Dusan Radic, que por vezes destoa do clima das cenas. A curiosa “Égua de Aço” acaba subaproveitada, provavelmente limitada pelas restrições da época quanto à representação explícita da violência em produções voltadas ao público familiar.

Podemos perceber que o roteiro centra em Mansuh e Rolfe ilustrando bem a “idolatria do efêmero'”: ambos arriscam seus reinos e a vida de seus homens não por um propósito elevado, mas por uma relíquia que simboliza apenas o poder bruto e a riqueza. O “destino dos personagens”' que se desenha não é uma glória épica, mas uma perseguição frenética por um fantasma de ouro, mostrando que, quando a liderança perde sua bússola moral, o  desfecho inevitável é o naufrágio, literal e simbólico." Ainda que o roteiro conceda um “final feliz” para um dos lados, talvez um final pessimista trouxesse a obra o peso que lhe faltava, ampliando sua reflexão sobre moralidade, obsessão e busca por riquezas

Quanto ao elenco, o personagem de Richard Widmark (que recusou o papel quatro vezes) foi retratado como um contador de histórias pouco confiável, que consegue naufragar dois navios, mas ao menos poupa seus homens de confrontos sem chances. A crítica da época o considerou velho para o papel. Já Sidney Poitier (que não era o preferido do diretor, mas foi uma exigência de Widmark) curiosamente interpretou um vilão: um homem obstinado que larga seu reino e sua esposa à mercê de invasores para embarcar em uma viagem baseada em uma possível lenda. Poitier detestou filmar no clima da Iugoslávia. É interessante notar que Robert Taylor foi cogitado para o papel de Widmark e Ernest Borgnine recusou o papel que foi para Poitier. Rosanna Schiaffino interpretou Aminah, a bela esposa do imperador mouro. Igualmente bela estava Beba Loncar como a princesa Gerda. Russ Tamblyn fez algumas acrobacias em cena tentando defender a honra viking. O restante do elenco pouco influenciou e muitos funcionaram apenas como alívio cômico para evitar a violência explícita.

Os Legendários Vikings, apesar de vir na onda de sucessos como "Vikings, os Conquistadores" (1958) e "Simbad e a Princesa" (1958), é perceptivelmente inferior a estes em ambição e execução. Na TV dos anos 70, funcionava a contento; hoje, sobrevive, para alguns, pelo charme e nostalgia, mas o público jovem possivelmente terá uma percepção de filme envelhecido e pouco atraente. Vale como curiosidade para quem viveu essa época e para entusiastas do gênero de aventura clássico.


Trailer:

 

Curiosidades:

Estreou na teve aberta em 10 de março de 1974

Widmark e Poitier repetiriam a parceria em “O Caso Bedford” (The Bedford Incident) de 1965

A armadura de couro usada por Russ Tamblyn (Orm) é um dos figurinos mais reciclados da história do cinema. Foi usado por Russell Crowe em “Gladiador” (2000), bem como “Vikings” (2013), “A Última Tentação de Cristo” (1988) e muitos mais.

Após a era viking, os noruegueses lutaram nas Cruzadas de 1107 a 1110, sob o comando do rei Sigurd I. Obtiveram vitórias em Portugal, Sidon e Beirute.

Quando a Égua de Aço é demonstrada por um soldado mouro descendo suas costas, alguns segundos depois, Rolfe é informado de que é sua vez e ele é levado às escadas da Égua. No fundo, o leito de pontas na parte inferior do escorregador está limpo e sem corpo ou sangue. Um erro de continuidade

O diretor Jack Cardiff quis Ursula Andress como sua protagonista.


Cartaz:













Filmografias Parciais

Richard Widmark (1914-2008)






O Beijo da Morte (1947);  Capitães do Mar (1949); Sombras do Mal (1950); Pânico nas Ruas (1950); Almas Desesperadas (1952); Anjo do Mal (1953); Tormenta Sob os Mares (1954); Jardim do Pecado (1954); Santa Joana (1957); Minha Vontade é Lei (1959); O Álamo (1960); Os Legendários Vikings (1964); Crepúsculo de uma Raça (1964); O Caso Bedford (1965); Desbravando o Oeste (1967); Quando Morrem as Lendas Red Dillon  (1972); Assassinato no Expresso Oriente (1974); Uma Filha para o Diabo (1976); O Último Brilho do Crepúsculo (1977); Terror na Montanha Russa (1977); O Enxame (1978); A Invasão dos Cães de Guerra (1982); Paixões Violentas (1984); Blackout (1985); Lincoln (1992).


Sidney Poitier (1927-2022)






O Ódio é Cego (1950);  Sementes de Violência (1955);  Cruel Dilema (1956); Sangue Sobre a Terra (1957); Acorrentados (1958); O Sol Tornará a Brilhar (1961); Paris Vive à Noite (1961);  Uma Voz nas Sombras (1963);  Os Legendários Vikings (1964);  A Maior História de Todos os Tempos (1965); Ao Mestre, com Carinho (1967); No Calor da Noite (1967); Adivinhe Quem vem para Jantar (1967); Um Homem para Ivy (1968); Noite Sem Fim (1970); O Estranho John Kane (1971); A Organização (1971); Conspiração Violenta (1975); Atirando para Matar (1988); Espiões sem Rosto (1988); Quebra de Sigilo (1992); Ao Mestre, com Carinho 2  (1996); Mandela e De Klerk  (1997); O Chacal (1997); Rumo à Liberdade  (1998);  Construindo um Sonho (2001)


Rosanna Schiaffino (1939-2009)






Os Paladinos de França (1956), Um Pedaço de Céu (1958), A Provocação (1958), O Vingador (1959), A Longa Noite das Loucuras (1959), Teseu e o Minotauro (1960), O Milagre dos Lobos (1961), O Rapto das Sabinas (1961), Legenda Histórica (1961), Epopéia de Bravos (1962), A Cidade dos Desiludidos (1962), Os Vitoriosos (1963), A Corrupção (1963), Os Legendários Vikings (1964), Hong-Kong, Onde o Amor e a Morte Se Encontram (1965), A Mandragora (1965), O Mundo Jovem (1966), A Feiticeira no Amor (1966), Um Marido de Morte (1966), O Heróico Lobo do Mar (1967), O Preço de uma Missão (1967), Caprichos de uma Deusa do Amor (1969), Ettore, O Machão (1972), Os Heróis (1973), O Magnata (1973), Um Homem Chamado Noon (1973), O Assassino Reservou Nove Lugares (1974), Cagliostro (1975)


Beba Loncar (1943)






Quando Passa o Amor (1961), Mandragola (1962), Os Legendários Vikings (1964), La donna è una cosa meravigliosa (1964), O Trouxa (1965), Casanova 70 (1965), A Doce Vida de Giovanni (1965), As Aventuras Imprevisíveis do 7º Homem (1965), Confusões à la Italiana (1966), Desejos Amargos (1967), Massacre na Floresta Negra (1967), Desculpe, Façamos o Amor (1968), Sharon vestida de rojo (1969), Uma Gatinha por Dia (1970), Brancaleone nas Cruzadas (1970), A Máfia Sempre Mata! (1972), Aquelas Estranhas Ocasiões (1976), Amantes Sensuais (1980)


sexta-feira, 9 de maio de 2025

YOR - O CAÇADOR DO FUTURO / YOR - THE HUNTER FROM THE FUTURE / IL MONDO DI YOR (1983)

 

UMA SALADA DE GÊNEROS, AINDA QUE ADAPTADA DE UMA HQ ARGENTINA

Em tempos imemoriais, Kalaa (Corinne Cléry) e Pag (Luciano Pigozzi com o pseudônimo de Alan Collins) estão em apuros com o surgimento de um furioso Triceratops. A dupla é salva por Yor (Reb Brown), que dá cabo do dinossauro. O jovem caçador é convidado pela dupla para ir à aldeia e conhecer seu povo de caçadores/coletores. Pouco tempo depois, o local é invadido por um grupo hostil de Neandertais chamados “Homens Azuis” que mata a maioria dos aldeões e sequestra suas mulheres. O trio participa do confronto conseguindo escapar, mas o líder dos invasores, Ukan (Aytekin Akkaya), deseja o reluzente “amuleto” que Yor carrega no pescoço e Kalaa.

 

Yor é um guerreiro que vaga por terras desconhecidas em busca de sua origem e de seu povo. Ele se revela fisicamente diferente e sente que não pertence aquele lugar. Ao ficar sabendo que uma rainha de um povoado hostil carrega o mesmo tipo de amuleto, decide procura-la, na esperança de encontrar sua origem, sempre acompanhado da apaixonada Kalaa e do protetor desta, Pag. O trio terá que enfrentar vários obstáculos até encontrar o local que revelará muito mais do que a origem de Yor.

“Yor - O Caçador do Futuro” teve seu título brasileiro adaptado da versão internacional (“Yor: The Hunter From the Future”), pois o filme é uma coprodução entre Itália, França e Turquia, rodada nesta última (em Istambul, nos Estúdios A.F.M), cujo o nome é “Il mondo di Yor”, que faz mais sentido, pois veremos nos próximos parágrafos que o protagonista não veio do futuro através de uma máquina do tempo ou outra invenção criativa dos produtores.

Na verdade, o filme se baseia em uma HQ argentina, muito interessante, chamada “Henga, el Cazador” (1974) e que, na Itália, recebeu o nome de “Yor, il Cacciatore”. A estória foi escrita por Juan Zanotto (vivendo na Argentina, mas nascido na Itália - 1935-2005) e Ray Collins (nome de batismo do argentino Eugenio Juan Zappietro - 1936). Mas não é apenas isso. O filme é também uma condensação, em 89 minutos, de uma minissérie produzida em 4 capítulos, em torno de 46 minutos cada. Por isso, podemos entender porque o filme muitas vezes parece ter certa falta de continuidade. Esse corte, a partir de um original de 3h 30 min, se tivesse mais 10 minutos, ficaria mais coeso, mas não necessariamente melhor, visto que a minissérie estica demasiadamente certos eventos. Em compensação, as cenas de confronto são mais longas. Mas não se enganem, Yor é mal produzido, mal dirigido e com atuações bem abaixo, de todo o elenco. É um filme Trash, que por ser tão ruim, para muitos, ganhou um status cult.

Em comparação com a HQ, podemos dizer que os produtores até buscaram algumas sequências desta e fizeram o que podiam (ou o queriam) com o orçamento disponível, trocando um Tiranossauro por Triceratops; suprimindo um Mamute congelado (não havia dinheiro nem CGI na época), aranhas gigantes, crocodilos pré-históricos e um tigre dente de sabre, mas mantendo alguns arcos como: os dos “Homens Azuis” (devido a tinta que usavam no corpo ou é radiação); a rainha que Yor conhece (só que os súditos são “mutantes” com uma bandagens ao invés de pigmeus – mais econômico e prático – e Pag, na HQ, é bem pequeno, comparado a Yor e Kalaa); a queda de Yor no penhasco; como Yor salva Kalaa das garras de Ukan. Há até a cena com um Pterodáctilo, mas o que é levado às telas talvez seja a cena mais lembrada por sua criativa bizarrice. A briga de Kalaa e Roa e o surgimento dos remanescentes dos homens azuis também foram retratados, assim como o povoado da praia e o seu relato (ficou apenas no relato, infelizmente) sobre o confronto com “deuses que caíram do céu”. Entre a saída do trio desta última tribo à chegada na misteriosa ilha que Yor buscava, houve uma supressão inteira de um arco na qual a dupla é capturada e Yor e depois de acasalar com as guerreiras, seria sacrificado, mas escaparia (os produtores certamente não queriam aumentar a faixa etária do filme, que apesar do que possam imaginar, em nenhum momento, tal qual a HQ, há nudez). Mas é no ultimo arco, a “Cidade dos Deuses” (a cidade da HQ é altamente tecnológica) que muita coisa muda, conceitualmente, dos quadrinhos para as telas, pois os produtores resolveram dar um ar de “Star Wars”, com robôs tendo visual de Darth Vader (inspiração do filme "O Humanoide" de 1979?) e um vilão que lembra uma mistura do Imperador (na verdade me lembrou um Sith, mas eles não existiam na tela) com um Dr. Destino da Marvel. E dá-lhe tiros, com feixe de laser verde para os mocinhos e vermelhos para os vilões. Na HQ, Yor descobre se chamar Askar (nas telas colocaram Asgard) e ser descendente de uma raça que veio de outra galáxia (atlantes de Marte) para a terra selvagem, uma raça que tentou indiretamente evoluir o ser humano. Acabaram se acostumando a violência e aos vários defeitos humanos, sendo contaminados. Ao invés de ajudar a raça humana, o “Senhor Supremo” resolveu escraviza-la até que Thor, líder da resistência, resolveu confrontá-lo com o trio envolvido no conflito. A HQ realmente é muito boa.

Mas agora vou falar da minissérie. Em comparação com filme é mais completa, porém não é melhor. O contexto fica mais claro, as sequências fazem mais sentido, diálogos explicam uma coisa aqui e outra ali. Mostrada em capítulos, na TV italiana, deve ter agradado (dizem que a exibição da minissérie pela rede Rai italiana, veio anos depois do filme). Eis aqui alguns pontos constantes nessa minissérie: Logo após Yor matar um dinossauro e ir para aldeia, há uma celebração com música. As danças são mais longas, assim como a batalha e uma explicação de Yor ao chefe da tribo de que não se lembra de sua origem. A perseguição ao trio dura mais tempo. Yor quebra galhos e coloca um pedaço da roupa de Kalaa para direcionar seus perseguidores para outro caminho, fazendo com que alguns caiam em uma areia movediça. Há uma cena engraçada: Yor carrega Kalaa pelo pântano em seus braços e quando esta diz que esse costume em seu povo significa que a ama, ele a solta repentinamente com ela caindo nas águas (ficaria legal no filme). Há uma longa cena com Pag retornando à aldeia e fugindo de um grupo de azuis por dentro de um vulcão com um rio de lava, o que explica como parte do grupo reencontrou Yor.

Quando acordam, Yor e Kalaa seguem pelo pântano sendo atacados por uma criatura com tentáculos (dá para entender porque não entrou no corte final para o filme). Depois de se livrarem definitivamente dos Homens Azuis, há uma longa sequência na floresta, quando entram em uma caverna e encontram facas e roupas de frio, enquanto na versão dos cinemas, sobem escadas e saem direto em um local montanhoso e árido (já com as tais vestes, parecendo um erro de continuidade). Yor e a dupla se separam e, novamente, há uma longa sequência que ficou de fora com o guerreiro explorando um caminho. Há uma sequência na qual Yor dá um presente para Roa (Ayshe Gul), escolhendo-a em detrimento de Kalaa; a luta com o líder dos azuis é muito mais longa. Na versão dos cinemas, Pag diz a Yor que Kalaa pescou os peixes que estão na fogueira, mas na versão da minissérie, vemos que foi ele quem realmente pescou e falou para Yor para este valoriza-la mais. Tarita (Marina Rocchi), a jovem da aldeia de pescadores, celebra a união de Yor e kalaa em uma caverna.  Kalaa se despede de Arnita dizendo "vita longa i fellicci" que em inglês se transformou em "vida longa e próspera", uma citação direta ao Sr Spock de “Jornada nas Estrelas” e que foi retirada do filme; na minissérie, ao chegarem na praia, Pag e Kalaa veem uma nave voando e pousando, na versão do cinema eles só veem a nave pousada e soldados robôs saindo dela. 

ESTE PARÁGRAFO CONTÉM SPOILERS:

A versão cinematográfica de Yor se destaca por ter um ritmo mais ágil e frenético, mas antes de citar alguns absurdos, devo lhes dizer que o cartaz é chamativo, mas tal imagem não existe, nem o herói tem cabelo curto (o personagem está com uma peruca) e nem a mulher do cartaz está no filme. Vamos a alguns absurdos desta semi-adaptação indicada a três Razzie Awards (pior nova estrela, pior canção e pior partitura musical): A música "Yor's World" é definitivamente um diferencial do filme, provavelmente com o estilo sugado de Flash Gordon  (1980) do grupo Queen. Só faltou um “Yor! A-ah” nos momentos que o herói entra em ação (o filme já começa com a música, mas acho que ficaria melhor nos créditos finais, apesar de na minissérie, todos os capítulos começarem com a música com as cenas iniciais). Durante o salvamento de Kalaa, Yor inunda a caverna dos homens azuis sem se importar com as outras mulheres da tribo de Kalaa capturadas, ou seja, todas devem ter morrido (???!!!); aliás, esse elenco das cavernas tem um vocabulário bem moderno para a época em que viviam, conheciam até o termo proa (Ok, a revelação no arco final da estória pode ser uma explicação), fora que Yor pega numa arma laser, não se surpreende e ainda tem uma mira perfeita; há a cena de luta na caverna com os homens das espadas de fogo (tais espadas parecem inspiradas em Hercules -1983) que parece ter sido filmada em câmera lenta, mas se observarmos bem eles estão simulando estarem em câmera lenta !! Na cena mais bizarra, Yor abate o que seria algo próximo a um Pterodáctilo (na HQ), mas que se parece com um morcego gigante. O corpo da criatura enrijeceu instantaneamente, ao ponto do nosso herói utiliza-la como asa delta (acreditem !!! e com direito a tal música – me lembrou também “Doc Savage” – a partitura triunfal). Eles não conheciam aerodinâmica, nem aviões, mas asa delta pareceu algo muito natural de ser feito!!! Apesar de não vermos salões de belezas, as principais atrizes têm seus cabelos impecáveis, bem ao look anos 80, fora que Yor tem o rosto sempre impecavelmente barbeado. Nem vou me alongar nas criaturas, apenas confiram. A Cidade dos Deuses é nitidamente uma fábrica; e como Yor consegue o conhecimento para detonar uma bomba em escala nuclear, é um grande mistério. Kalaa e Roa lutando até a morte e depois Roa entregando seu amuleto para a rival foi muito forçado. E o que pareceu ser um Dimetrodon (o “lagarto”), é de um período diferente do Triceratops do início do filme, mas quem se importa? E o mais importante (se é que há tal coisa no filme) é que Yor não veio do futuro. Houve um holocausto nuclear, e a civilização se dividiu, com uma parte regredindo a uma era pré-histórica (não me perguntem como surgiram os dinossauros) e a outra parte com os conterrâneos de Yor se isolando em uma ilha, preservando sua tecnologia em seus últimos dias. Para terminar, descobrimos que o “amuleto” é um gravador (com imagens) de tudo que aconteceu na vida de Yor até então. Há um momento em que Yor diz algo tipo “este sou eu quando jovem, me recordo”. Só que não há um Yor jovem na cena, é o mesmo que se apresenta durante o filme (falta de grana é isso).

Quanto aos atores, Reb Brown já havia participado (como vilão) de “O Homem Cobra”, dos dois “Capitão América” feitos para a Tv e vinha de uma participação em “A Espada e os Bárbaros”. O ator está engraçado, pulando daqui para ali, empunhado uma espada de forma bem lenta, mas apesar do visual “Beastmaster” ou “Kazar” (como ninguém fez um filme na época?) foi mal dirigido (todos foram) e fez o que pode. A francesa Corinne Cléry vinha de “A História de 'O'” (1975) e de “007 Contra o Foguete da Morte” (1979). A atriz desfilou sua beleza em cena e funcionou melhor na versão minissérie. Outro que teve mais tempo de tela na minissérie foi Luciano Pigozzi (1927-2008) como Pag. Seu simpático personagem não comprometeu. A também francesa Carole André (Ena) participou de alguns episódios do famoso seriado “Sandokan” (1976) com Kabi Bedi e de produções italianas. O ator turco Aytekin Akkaya como Ukan, líder dos Neardentais esteve bem, só este filme da qual participou é conhecido no Brasil.  John Steiner interpretou de forma exagerada (proposital?) e caricatural o ditador megalomaníaco “Overlord” ou “Senhor Supremo” para nós. A atriz Ayshe Gul, que interpretou Roa, não comprometeu e participou apenas desta produção. Luigina Rocchi interpretou Tarita (a jovem do povo da praia). A atriz atuou até 1989. 

Dirigido por Antonio Margheriti (1930-2002) de filmes como “Apocalypse 2 - O Último Caçador” (1980); “Os Caçadores da Serpente Dourada” (1982) e “Tornado: A Missão Continua” (1983), Yor – O Caçador do Futuro é uma bagunça do começo ao fim. Nos anos 80, só haviam os trailers dos cinemas para divulgação, cartazes de próximos lançamentos expostos e pequenas resenhas em revistas especializadas que davam alguma visibilidade aos filmes. Logo, muitos iam para o cinema sem saber o que assistiriam, e subprodutos de Conan, Star Wars, Rambo e filmes de ficção cientifica proliferavam nas telas (e tinha público!). A Itália era um local fértil para injetar no mercado internacional produções de baixa qualidade, dubladas em inglês, com um título em língua inglesa e pseudônimos para confundir os críticos. Yor é tudo isso, mas se você curte assistir a um filme trash, esse pode ser uma ótima pedida. Para os menos exigentes e para aqueles capazes de ligar o modo “supressão voluntária da descrença” pode ser um passatempo bem divertido, assim como para aqueles que buscam produções que caíram no ostracismo. Leia a HQ, assista ao filme e depois a minissérie.

 

Trailer:

 


 

Curiosidades:

Triceratops







Dimetrodon






 

A HQ Italiana

 













A HQ Argentina

 












Trilha Sonora 

Yor's World - De Angelis Bros

 

 

Cartazes:





Filmografias Parciais:

Reb Brown






O Homem Cobra (1973); Strike Commando - Comando de Ataque (1986); Amargo Reencontro (1978); Capitão América (1979); Jogo Decisivo (1979); Hardcore - No Submundo do Sexo (1979); Capitão América II (1979); Goldie e o Pugilista em Hollywood (1981);  A Espada e os Bárbaros (1982); Yor - O Caçador do Futuro (1983); De Volta Para o Inferno (1983); Grito de Horror 2 (1985); Robowar - Robot da Guerra (1988); Lutadores da Liberdade (1988); A Jaula da Morte (1989); Intruder A-6: Um Voo Para O Inferno (1991); A Jaula 2 (1994); Night Claws (2012); Surge of Power: Revenge of the Sequel (2016) 

Corinne Cléry






Il sergente Rompiglioni (1973), A História de 'O' (1975), Um Blefe de Mestre (1976), E tanta paura (1976), E tanta paura (1976), O Fugitivo Sanguinário (1977), Striptease (1977), Insólito Encontro (1977), O Humanóide (1979), 007 Contra o Foguete da Morte (1979), Os Viajantes Noturnos (1979), Yor - O Caçador do Futuro (1983), Il mondo di Yor (Minissérie de televisão 1983), Divina Obsessão (1986), Paixão, Duelo e Morte (1988), Forever - Juntos para Sempre (1991), Erro Médico (1992), A Colônia (1995), Il diario di Matilde Manzoni (2002), Il peso dell'aria (2007), Beyond the Mist (2018), Free - Liberi (2020), De Volta ao Crime (2021), Ângela - O Anjo da Morte (2021) 

Luciano Pigozzi (1927-2008)






De Crápula a Herói (1959), Duas Mulheres (1960), As Últimas Aventuras de Dom Camilo (1961), A Face do Monstro (1961), A Freira de Monza (1962), O Chicote e o Corpo (1963), Seis Mulheres Para o Assassino (1964), O Castelo dos Mortos Vivos (1964), Império dos Espiões Assassinos (1965), Terror no Cemitério (1965), O Olho da Espionagem - O Agente Z-3 (1965), Fúria do Oriente (1965), O Mais Curto dos Dias (1965), Crime Quase Perfeito (1966), Mercenários do Crime (1966), Operação Ypotron (1966), Ray Master, Arrombador Internacional (1966), Golpe de Mestre a Serviço de Sua Majestade Britânica (1967), A Morte não Conta Dólares (1967), Os 7 de Ouro Assaltam o Banco Internacional (1967), Jovens, Malvados e Selvagens (1968), Sua Lei Era Vingança (1968), Caça aos Violentos (1968), Joko Invoca Deus... e Mata (1968), Os 5 Condenados (1969), Sabata, o Homem que Veio para Matar (1969), E Deus Disse a Caim (1970), O Alerta Vermelho da Loucura (1970), Encontro com a Desonra (1970), Sartana no Vale dos Gaviões (1970), O Fantástico Homem Invisível (1970), O Corsário Negro (1971), A Espada Normanda (1971), O Rei do Oeste (1971), O Pistoleiro do Inferno (1971), Que Assim Seja, Trinity (1972), Barão Sanguinário (1972), As Lágrimas de Jennifer (1972), Diário de um Gângster (1972), Sete Mortes nos Olhos de um Gato (1973), Fantasma de Biquini (1974), Mussolini - Ascensão e Glória de um Ditador (1974), A Lenda do Lobo do Mar (1975), A Cidade de um Justiceiro (1975), Os Amores e as Loucuras de Scaramouche (1976), Roma Armada (1976), Escapando do Inferno (1982), Os Caçadores da Serpente Dourada (1982), Yor - O Caçador do Futuro (1983), Os Exterminadores do Ano 3000 (1983), Tornado: A Missão Continua (1983), Il mondo di Yor (1983), Caçadores de Tesouro (1985), Missão Cobra (1986), Strike Commando - Comando de Ataque (1987), Comandos Mercenários (1987), Apache Branco (1987), Zumbi 3 (1988), Covil da Morte (1988), Robowar - A Caminho do Inferno (1988), Alien degli abissi (1989)

Carole André






Com Ele Cavalga a Morte (1967), Quando os Brutos se Defrontam (1967), Dillinger Morreu (1969), Satyricon de Fellini (1969), O Amor Faz Coisas Estranhas (1970), Morte em Veneza (1971), Uma Borboleta com as Asas Ensanguentadas (1971), Juventude Alucinante (1972), Um Verão Russo (1973), Sábado Infernal (1973), Caninos Brancos (1973), Superhuman (1979), Feliz Aniversário, Harvey (1980), Yor - O Caçador do Futuro (1983), Il mondo di Yor (1983), Missão Implacável (1984), Génération oxygène (1991)

Luigina Rocchi


 




As Mil e Uma Noites (1974), Busca sem Fim (1978), Holocausto Canibal (1980), Despido improcedente (1980), Fidelidade à Três (1982), Yor - O Caçador do Futuro (1983), Missão Implacável (1984), Os Executores (1989)

John Steiner (1941-2022)


 

 



Darling: A que Amou Demais (1965), A Perseguição e o Assassinato de Jean-Paul Marat Desempenhados Pelos Loucos do Asilo de Charenton Sob a Direção do Marquês de Sade (1967), O Diabo é Meu Sócio (1967), Eram 13... mas Faltava Uma (1969), Só Resta Esquecer (1971), O Monstro na Primeira Página (1972), O Carrasco de Roma (1973), Caninos Brancos (1973), Desafio ao Lobo Branco (1974), Bebê Infernal (1975), A Cidade do Crime (1975), Salão Kitty (1976), Gestapo - Esquadrão da Tortura (1976), Agente Duplo (1977), Calígula (1979), Apocalypse 2 (1980), A Salamandra (1981), Os Caçadores da Serpente Dourada (1982), Yor - O Caçador do Futuro (1983), Il mondo di Yor (1983), Inferno ao Vivo (1985), Berlin Affair (1985), Missão Cobra (1986), Contagem de Cadáveres (1986), Noite de Verão, com Perfil Grego, Olhos Amendoados e Cheiro de Manjericão (1986), Júlia e Júlia (1987), Striker - O Exército de um Homem (1988), Sinbad e os Sete Mares (1989), O Bordel de Paprika (1991)

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

MAYA (1966) - ESTADOS UNIDOS


O FILME QUE GEROU A SÉRIE

Terry Bowen (Jay North) é um menino americano que chega à Índia para viver com o pai Hugh Bowen (Clint Walker), um famoso caçador de animais de grande porte. Este, porém, não está na estação para recebê-lo, obrigando-o a caminhar por quilômetros. Ao chegar em casa, se depara com algo bem diferente do que imaginara: um local abandonado, sujo e com jaulas vazias. Hugh se surpreende, pois este chegara um dia antes, mas não demonstra muito entusiasmo com a visita do filho que diz ter vindo para ficar.

O outrora grande caçador, famoso no país, se transformou em um homem acovardado e amargurado, cujas posses vem se desfazendo aos poucos, após um confronto mal-sucedido contra um tigre. E conforme a tradição local, um homem marcado por um tigre se torna marcado para sempre.  Terry não compreende o que realmente aconteceu com o pai, enquanto faz amizade com um guepardo domesticado. Para sua surpresa e revolta, seu pai elimina o felino sem piedade. Terry resolve partir, mas quando o trem começa a seguir seu caminho resolve pular do transporte. Em seu caminho, encontra um menino indiano chamado Raji (Sajid Khan) cujo pai encontra-se nos momentos finais de vida. Raji recebe uma incumbência: levar a elefanta Maya e seu filhote albino Primo, que por sua cor, é considerado um animal sagrado a um local determinado. A dupla terá que fazer uma longa jornada, repleta de perigos, pois Primo é objeto de desejo de várias pessoas, além de que no caminho entrarão no perigoso vale dos tigres. Enquanto isso, Hugh, ao saber da notícia, parte para encontrar o seu filho, acompanhado de Gammu Ghat (Paidi Jairaj), um ajudante de caça. Ao saber que dois meninos, um deles, aparentemente americano, estão fazendo uma jornada com dois elefantes, Hugh não tem dúvidas de que Terry é um deles partindo ao seu encontro. Quando Hugh percebe que estão indo em direção ao temido vale dos tigres, descobre que terá que alcança-los o mais rápido possível.

Em épocas de “Ben, O Urso Amigo”, “Flipper”, “Lassie”, “Rin Tin Tin” e a leoa “Elza”, A 20th Century Fox resolveu aliar as belas paisagens da Índia com animais, em uma aventura orientada ao público infantil, com dois atores conhecidos do público da época:   Clint Walker do famoso seriado “Cheyenne” e filmes como “Os 12 Condenados” e Jay North, do seriado “O Pimentinha” dos anos 50. Dirigido por John Berry (1917-1999) de “Fibra de Campeão” – 1982, deste filme originou-se, no ano seguinte, uma série homônima que durou apenas 18 episódios com os mesmos Jay North e Sajid Khan. Quem assistiu ainda guarda com carinho na memória.

Maya, em dias atuais, pode ser considerado uma aventura bem inocente, o que faz com que apresente tantos pontos positivos quanto negativos. Há alguns pontos soltos como nunca sabermos o que realmente ocorreu com Hugh ou todos os indianos entenderem e falarem inglês sem dificuldade (tudo bem, a Índia foi colônia inglesa entre 1858 a 1947, mas ainda assim há uma sensação de estranheza), além de que nos dias atuais o conceito de grande caçador americano não gera simpatias. Outro ponto, é que apesar de Clint Walker ser o primeiro nome nos letreiros, a aventura centra-se em North e Sajid Khan, não que isso seja ruim, mas o filme fica melhor quando a dupla de paquidermes divide as cenas. O modo como os pequenos meninos conseguem libertar Maya e Primo de um confinamento soa falso: ninguém dá o alarme e ninguém tenta captura-los novamente. Em contrapartida é uma aventura movimentada, os animais são carismáticos, principalmente Maya, e as paisagens indianas são o grande atrativo da produção. O filme passou por aqui algumas vezes na Sessão da Tarde e muitos devem se lembrar do furioso confronto entre Maya e os tigres.

No elenco, Clint Walker fez o grande caçador em busca de redenção e já sabemos como essa situação termina. Jay North esteve bem em cena, mas ao meu ver Sajid Khan (1951-2023) esteve melhor. Khan tornou-se conhecido pelo filme estrangeiro indicado ao Oscar “Honrarás Tua Mãe” / Mother India (1957). Paidi Jairaj (1909-2000) fez o ajudante de Hugh de forma correta. Sonia Sahni apresentou uma beleza exótica, mas teve pouco tempo em cena.  Teve uma carreira voltada a filmes de seu país. I.S. Johar (1920-1984), comediante indiano, interpretou um golpista inescrupuloso que tenta capturar Primo para ficar rico.

Maya é um filme bem interessante se você gosta de filmes anos 60 e 70 de aventura com as belas e intensas cores do Technicolor. Filmado totalmente na Índia, foi baseado no livro "The Wild Elephant" de Jalal Din e Lois Roth. Uma aventura que exalta a coragem e a amizade, além de fazer o que é o certo. Mas, talvez, a grande estrela do filme seja a fotografia e as belas paisagens.

 

Trailer:


 

 

Curiosidades:

O veterano dublador Paul Frees fez overdubs em praticamente todos os atores indianos adultos, presumivelmente para lançamento nos Estados Unidos.

Uma das trilhas sonoras de Hollywood do famoso compositor italiano Riz Ortolani 

Até o momento desta postagem, o filme pode ser encontrado no Internet Archive com dublagem da época.

 

O SERIADO

 


 

 

 








Cartazes:





 

Filmografias Parciais:

Clint Walker (1927-2018) 






Os Dez Mandamentos (1956); O Rifle de 15 Tiros (1958); A Lei do Mais Valente (1959); Cheyenne (seriado 1955-1962); Os Bravos Morrem Lutando (1965); Satã, O Urso Cinzento (1966); Os Doze Condenados (1967); Sam Whiskey, o Proscrito (1969); O Grande Roubo do Banco (1969); Pancho Villa (1972); O Grito do Lobo (1974); O Facão Amigo (1976); O Grande Búfalo Branco (1977); A Fera das Neves (1977); Vingança Sangrenta (1977); The Serpent Warriors (1985); The All American Cowboy (1985); Pequenos Guerreiros (1998)

Jay North





Sindicato de Vigaristas (1959), Pepe (1960), O Pimentinha (seriado 1959–1963), O Menino e a Onça (1965), Maya (1966), Maya (seriado 1967–1968), Os Cavaleiros da Arábia (seriado 1968–1969), Grump, o Feiticeiro Trapalhão (seriado 1969–1970), Cavaleiros das Arábias (Banana Splits) (desenho 1968–1970 voz de Príncipe Turhan), Bam-Bam e Pedrita (desenho 1971–1972 - voz Bamm-Bamm), The Teacher (1974), Dickie Roberts, o Pestinha Cresceu (2003)

 

Sajid Khan (1951-2023)






Honrarás Tua Mãe (1957), Son of India (1962), Maya (1966), Maya (seriado 1967–1968), The Singing Filipina (1971), Savera (1972),, Mahatma and the Mad Boy (1974), Verão Vermelho (1983), Pilak (2001)