terça-feira, 5 de maio de 2026

O MORRO DOS VENTOS UIVANTES / "WUTHERING HEIGHTS" (2026)


NOVA PERSPECTIVA SOBRE UM CLÁSSICO

No final do século XVIII, o patriarca da família Earnshaw (Martin Clunes) retorna para casa acompanhado de um pequeno órfão, Heathcliff (Owen Cooper). Logo uma amizade se inicia com a pequena Cathy (Charlotte Mellington). O casal cresce e um forte elo começa a se estabelecer, até que Cathy (Margot Robbie) conhece seus novos vizinhos: Edgar (Shazad Latif) e Isabella (Alison Oliver), após sofrer um acidente na entrada da residência de Edgar sendo acolhida até sua recuperação. Ao retornar, mostra-se deslumbrada pela vida de seus ricos vizinhos. Edgar logo lhe faz uma proposta de casamento, deixando-a indecisa. Heathcliff, após ouvir uma conversa pela metade, parte sem rumo e desaparece na noite. Cinco anos depois, o até então pobre e maltratado Heathcliff, retorna rico, jurando se vingar de todos que lhe deram uma vida miserável e o afastaram de seu amor, enquanto Cathy, agora casada, não consegue mais esconder seus sentimentos por aquele que sempre amou. 

Se o espectador, que leu a obra, que originou dezenas de versões para o cinema e a televisão, espera uma adaptação fiel, poderá ter uma surpresa: ainda que o filme proponha uma atmosfera semelhante a O Morro dos Ventos Uivantes, é difícil, considerar que estamos diante de "O Morro dos Ventos Uivantes". Personagens como o irmão de Cathy, são suprimidos sem cerimônia enquanto o pai, que morre no início do livro, permanece vivo em boa parte da trama. Se isso já é um problema, visto que o irmão é, no livro, o grande algoz de Heathcliff, durante uma fase crucial de sua vida, e o livro transfere essa característica para o pai (originalmente um homem respeitável), preciso avisar que a segunda parte do livro é completamente ignorada. A diretora Emerald Fennell optou por uma releitura livre, buscando oferecer algo novo à obra, uma reinterpretação. Não por acaso, o título foi emoldurado com aspas no cartaz para indicar que o filme não seria uma adaptação fiel.



Centrar a trama no amor físico dos personagens, em detrimento do livro, na qual não há consumação desse amor, acrescentada de muitas pitadas de erotização (leia-se sexualização), pode fazer sentido no cinema contemporâneo (o sucesso de bilheteria sugere isso), ainda que em alguns momentos o filme possa parecer um videoclipe estilizado com figurinos extravagantes, pouco condizentes com a ambientação de transição entre o período georgiano tardio e o início da era vitoriana; paisagens deslumbrantes; design de produção caprichado, além de um forte apelo sensorial e dramático. A música do compositor Anthony Willis e as canções originais de Charli XCX colhem merecidos elogios.


No romance original, porém, a proposta é muito mais ampla e complexa. A obra de Emily Brontë articula múltiplas camadas que se entrelaçam: a crítica à divisão de classes, que impede a união entre Catherine e Heathcliff; o ciclo de vingança, que se estende para além da primeira geração; e a dinâmica entre pais e filhos, que revela como traumas são herdados e, eventualmente, transformados. Soma-se a isso o contraste entre natureza e civilização (representado pelos ambientes opostos das propriedades) e uma profunda investigação sobre identidade, expressa na fusão entre os protagonistas. O romance não trata apenas de uma história de amor, mas de um estudo sobre pertencimento, exclusão e destruição emocional.


A adaptação cinematográfica, opta por minimizar essa estrutura ao eliminar elementos fundamentais da narrativa original. A ausência do narrador inicial e da construção em camadas (com destaque para o papel de Nelly Dean como mediadora) transforma a história em uma linha direta de acontecimentos, reduzindo o mistério e a ambiguidade. Além disso, a famosa cena inicial envolvendo o visitante e a presença sobrenatural de Catherine é suprimida, retirando do filme a atmosfera gótica e simbólica que marca o início da obra literária.

No caso de adaptações como O Morro dos Ventos Uivantes, quando mudamos aspectos do livro na transposição às telas há uma mudança nas motivações, até no rumo dos acontecimentos. Vejamos a personagem Nelly. No livro ela é vista como falha, mas não manipuladora. No filme Nelly vira figura ativa no erro. Com isso, no livro a tragédia nasce de um mal-entendido, impulsividade e até o timing errado, ninguém controla a situação. Mas ao colocar Nelly como figura central e modificadora da realidade (ao só avisar Cathy no dia seguinte), Nelly vira peça ativa no erro numa tragédia que poderia ser parcialmente evitável.


Quanto ao elenco, Margott Robbie (de Barbie) entrega uma Cathy dividida entre dois mundos, conflito que a consome enquanto Jacob Elord (o Frankenstein de Gulhermo del Toro) possue uma forte química com sua parceira de cena, o que torna o filme atraente para parte do público, ainda que este Heathcliff seja simplificado em suas intenções e emoções. A atriz vietnamita-americana Hong Chau (“A Baleia”) se destaca como Nelly. Shazad Latif (O Exótico Hotel Marigold 2), de ascendência paquistanesa, interpreta um Edgar consistente; e Alison Oliver traz uma Isabella bastante distinta da versão literária. Martin Clunes interpreta um Mr. Earnshaw amplificado em sua existência e modificado em sua essência. Owen Cooper (da minissérie Adolescência) como o jovem Heathcliff, está muito bem, assim como seu par em cena, a atriz mirim Charlotte Mellington. Outro bem modificado é o mordomo, interpretado por Ewan Mitchell (da série “A Casa do Dragão”)


O Morro dos Ventos Uivantes parece privilegiar a intensidade emocional imediata e a centralidade dos personagens em detrimento das camadas estruturais e simbólicas que definem o romance. Essa escolha aproxima a obra de um drama romântico contemporâneo, mais acessível e direto, porém menos ambíguo e complexo em suas implicações. Não é necessariamente o melhor, nem o pior, mas é certamente o mais distante do livro.

 

Trailer:

 


 

Curiosidades:

Quanto  a Jacob Elordi, seu Heathcliff gerou um debate entre os fãs literários porque o romance sugere que o personagem tem origens não inglesas. Emily Brontë descreveu Heathcliff em diferentes pontos como um “cigano de pele escura”, mas em outros momentos se refere a ele como pálido, deixando sua ascendência puramente ambígua.

Os estúdios se envolveram em uma guerra de licitações pelo filme no final de 2024. Embora a Netflix tenha oferecido uma quantia maior, prevista em cerca de 150 milhões de dólares, Emerald Fennell e Margot Robbie finalmente escolheram a Warner Bros., que prometeu um lançamento completo nos cinemas apesar de uma oferta menor

O filme foi rodado em grande parte no VistaVision, tornando-se uma das poucas produções do século 21 para usar o formato revivido.

Quarta colaboração ente Margot Robbie  e Emerald Fennell . Robbie já havia produzido os filmes de Fennell como Bela Vingança (2020) e Saltburn (2023) , e as duas também apareceram juntas em Barbie (2023)

O filme foi rodado na Inglaterra do final de janeiro ao início de abril de 2025. As filmagens foram realizadas em Yorkshire Dales, incluindo o Parque Nacional de Yorkshire Dales, os vales de Arkengarthdale e Swaledale e a vila de Low Row, enquanto a filmagem em estúdio ocorreu no Sky Studios Elstree, em Borehamwood, Hertfordshire.

Durante eventos publicitários, Margot Robbie usou uma réplica de uma pulseira vitoriana feita de cabelos reais pertencentes a Emily Brontë e Anne Brontë.

O vestido vermelho de “látex” de Cathy não foi feito de látex verdadeiro. Em vez disso, foi construído com um tecido sintético brilhante projetado para combinar visualmente com o piso vermelho do Thrushcross Grange.

O elenco do filme inclui três indicados ao Oscar: Margot Robbie, Jacob Elordi e Hong Chau.

Esses dois parágrafos contêm spoliers:

Em “Wuthering Heights”, a história não começa com Cathy nem com Heathcliff. Ela começa com Mr. Lockwood, (inquilino de Thrushcross Grange); Lockwood chega à propriedade; vai até Heathcliff; passa a noite na casa e ocorre o famoso episódio: o fantasma de Catherine Earnshaw na janela. Esse acontecimento que mistura realidade e sobrenatural, nos mostra que o passado ainda “vive” ali e desencadeia uma reação desesperada de Heathcliff. A supressão desses acontecimentos cria uma perda do mistério. O filme começa com um enforcamento e Heathcliff como “quase animal doméstico”. Trata da desigualdade e relação de poder desde o início, mas perde a construção lenta do vínculo entre eles que o livro faz. O livro não quer que apenas vejamos a história, mas quando o filme remove isso transforma uma obra ambígua e perturbadora em algo mais emocional e acessível, porém menos profundo. Ao transformar a morte inicial de Cathy em “revelação final”, o roteiro enfraquece o elemento quase sobrenatural e aproxima a história de um romance trágico tradicional. Com isso, o filme “esconde a morte” para criar um impacto final, no que no livro nos deixa claro que o foco é na obsessão de Heathcliff após a morte de Cathy.

Há outros três elementos fundamentais modificados nesta versão cinematográfica que podem desagradar aos mais exigentes: a ausência de Hindley, irmão de Cathy, a manutenção do pai de Cathy na história (ele morre no início do livro) e a “segunda geração” que teria sua história retratada. Por que a presença de Hindley é importante? Porque ele e Heathcliff são dois homens moldados pelo mesmo ambiente, reagindo de formas opostas. Hindley se destrói (através do álcool e do jogo), perde tudo e entra em uma ruína pessoal, Heathcliff, se endurece (vingança), conquista tudo, mas entra em uma ruína emocional. Hindley é nobre (filho da casa), perde o afeto do pai e seu trauma se dará com o ciúme e a perda da esposa Frances.   Já   Heathcliff, recebe o afeto do pai (enquanto este vivo -  no livro); e ódio, desprezo e crueldade de Hindley que passará a administrar a fazenda (o filme incorpora as características de Hindley ao pai). Seu trauma se dará com a humilhação e a perda de Cathy. Sem Hindley não há a vingança de Heathcliff pela humilhação sofrida. Não há o filho de Hindley nas mãos de Heathcliff. Sem a filha de Cathy e o filho de Hindley não há todo um arco de vingança, ódio e redenção. Cabe destacar que o relacionamento entre Heathcliff e Cathy não é carnal, nem movido a traições. E Isabella é uma mulher bem mais contida.

 

Cartaz:









 






Filmografias Parciais:

Margott Robbie






Vigilante (2008), Questão de Tempo (2013), O Lobo de Wall Street (2013), Suite Francesa (2014), Os Últimos na Terra (2015), Golpe Duplo (2015), A Grande Aposta (2015), Uma Repórter em Apuros (2016), A Lenda de Tarzan (2016), Esquadrão Suicida (2016), Eu, Tonya (2017), Pedro Coelho (2018), A Vingança Perfeita (2018), Escola da Morte (2018). Duas Rainhas (2018), Dreamland: Sonhos e Ilusões (2019), Era Uma Vez em... Hollywood (2019), O Escândalo (2019), Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa (2020), Pedro Coelho 2: O Fugitivo (2021), O Esquadrão Suicida (2021), Amsterdam (2022), Babilônia (2022), Barbie (2023), A Grande Viagem da Sua Vida (2025), O Morro dos Ventos Uivantes (2026)


Jacob Elord






A Barraca do Beijo (2018), A Barraca do Beijo 2 (2020), 2 Corações (2020), A Barraca do Beijo 3 (2021), Águas Profundas (2022), Apostas & Segredos (2024), O Caminho Estreito para os Confins do Norte (2025 -5 episódios), Frankenstein (2025), O Morro dos Ventos Uivantes (2026), Euphoria (2019–2026 - 20 episódios)


Hong Chau




 



Pequena Grande Vida (2017), Vício Inerente (2014), Intimidade Forçada (2018), Driveways: Uma Amizade Inesperada (2019), American Woman (2019), Watchmen (2019 - 4 episódios), Homecoming: De Volta à Pátria (2018–2020 - 11 episódios), Artemis Fowl: O Mundo Secreto (2020), Esculturas da Vida (2022), A Baleia (2022), O Menu (2022), O Agente Noturno (2023 - 10 episódios), Asteroid City (2023), Tipos de Gentileza (2024), Os Provocadores (2024), O Morro dos Ventos Uivantes (2026)


Shazad Latif





 

Dupla Identidade (2002-2011 - 17 Episódios), Europa: A Trajetória de Worricker (2014), O Exótico Hotel Marigold 2 (2015), O Homem que viu o Infinito (2015), O Passageiro (2018), Perfil (2018), Star Trek: Discovery (2017–2019 - 25 episódios), Departure - A Investigação (2019 -episódios), O Cristal Encantado: A Era da Resistência (2019 - narração), Procurando Fígaro (2020), Minha Família Quer que Eu Case (2022), O Morro dos Ventos Uivantes (2026)


Alison Oliver





 

Conversas entre Amigos (2022), Saltburn (2023), A Ordem (2024), O Morro dos Ventos Uivantes (2026)


Martin Clunes






A Casa da Rússia (1990), Os Últimos Rebeldes (1993), Doce Vingança (1998), Shakespeare Apaixonado (1998), O Barato de Grace (2000), Aladdin (2000), Quebrando Todas as Regras (2002), O Morro dos Ventos Uivantes (2026)


Owen Cooper






Adolescência (2025), O Morro dos Ventos Uivantes (2026) 


Charlotte Mellington




 


O Morro dos Ventos Uivantes (2026)

Ewan Mitchell






Simplesmente Charlie (2017), O Último Reino (2017–2022 - 28 episódios), Mundo em Chamas (2019–2023 - 8 episódios), Saltburn (2023), A Casa do Dragão (2022–2024 - 11 Episódios), O Morro dos Ventos Uivantes (2026)

quarta-feira, 25 de março de 2026

O TANQUE DE GUERRA / DER TIGER (2025) - ALEMANHA

 

UM AVISO SOBRE A RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL

1943. Em meio à retirada alemã na Frente Oriental, um moderno tanque de guerra nazista Tiger se encontra no cerco de Stalingrado em uma situação que rapidamente foge ao controle e transforma a missão em um desastre iminente. Após escapar milagrosamente de um ataque aéreo em uma ponte sob o rio Dnieper, os cinco soldados da tripulação recebem uma nova missão, agora secreta, cujo real objetivo apenas o seu comandante Philip parece conhecer em sua plenitude: atravessar as linhas inimigas, em um território hostil, para localizar um oficial de alta patente que estaria planejando desertar, levando consigo segredos que o comando alemão deseja evitar que caiam em mãos soviéticas a qualquer custo. 

Confinados em um espaço de metal sufocante e isolados em campo inimigo, os soldados começam a presenciar situações inexplicáveis, como a presença de um poderoso blindado adversário que parece estar em seu encalço. A paranoia crescente envolve o grupo enquanto dilemas morais vêm à tona: o desejo de sobrevivência entra em conflito com uma máquina de guerra que se transforma, simultaneamente, em escudo e tumba. O isolamento dentro da blindagem começa a corroer a sanidade do grupo, sugerindo a presença de uma força sobrenatural que parece permear cada quilômetro avançado. 

Produção Alemã, distribuída pela Amazon, Der Tiger (que no Brasil recebeu o título de “O Tanque de Guerra”) pode, à primeira vista,  parecer um filme de guerra confuso. E essa sensação pode ser até certo ponto verdadeira dado ao roteiro que insere um forte componente sobrenatural à trama, utilizando uma grande quantidade de alegorias e pistas que convidam o espectador a decifrar seu enigma. O fato é que, infelizmente, os espectadores mais atentos ou com “anos de estrada” poderão antever a proposta da obra logo no início, o que talvez mitigue o impacto do final, que é mais sugestivo do que explícito. Contudo, como na vida, o encanto não está apenas no destino, mas na jornada, sendo a trajetória desses cinco homens que sustenta o interesse, ao utilizar o realismo fantástico para abordar o trauma profundo da guerra. 


Para um melhor aproveitamento da obra, é necessário dissecar suas analogias. Não me atererei a todos os aspectos, mas aos principais, deixando para quem lê essas linhas o deleite de descobrir outras camadas. Atenção: os três próximos parágrafos contêm spoilers inevitáveis.

A bússola enlouquecida sugere que a realidade geográfica já não se aplica; a aparição espectral do cervo, símbolo de guia espiritual em várias culturas, indica que a tripulação navega por um limbo. A interpretação de que os protagonistas já estão mortos é reforçada pela "combustão espontânea" do temido tanque inimigo SU-100 e pelo fato de terem sobrevivido a situações que seriam fatalmente letais. O Tiger torna-se um caixão de aço navegando pelo purgatório, imagem reforçada quando o veículo submerge nas águas (uma analogia à travessia do Estige, o rio dos mortos na mitologia). A fala da namorada de um dos protagonistas mencionando “espíritos” é o que os roteiristas chamam de foreshadowing (prenúncio). O filme deixa a resposta na cara do público, mas a gente só entende quando junta as peças. A narrativa deixa de ser sobre vencer a batalha e passa a ser sobre aceitar o próprio fim. Esses aspectos já são uma forte sugestão de que a missão possui um caráter metafísico. As transmissões de missas católicas em latim pelo rádio de comunicação, seriam um réquiem para os mortos ou uma liturgia fúnebre para os que ali estão, presos no limbo? 

Há outro momento muito interessante. Philip chega a um vilarejo e encontra um oficial que encurralou pessoas em um celeiro e ateou fogo. Ele observa, questiona, mas um de seus soldados diz que eles não podem interferir, pois são ordens. Talvez a cerne do filme seja essa submissão à autoridade na qual pessoas realizam (ou permitem) atos contrários aos seus princípios em nome de autoridade superior, no caso o Estado nazista. O filme “I Comme Icaro” trata sobre esse tema ao apresentar o "Experimento Milgram".

Para mim, Philip podia ter rejeitado a ordem ou impedido o massacre, mas preferiu apenas assistir assombrado. Esse ato o condenou ao inferno. Essa conexão explica por que o protagonista morreu moralmente ao se tornar um espectador passivo do horror. Ao aceitar que a "autoridade" (o Estado / a Ordem reinante) está acima da sua humanidade, ele abdica da sua alma, tornando-se um agente passivo do mal. O celeiro em chamas parece funcionar como o portal do inferno para eles. O fato de ele estar "assombrado", mas imóvel, é o que transforma o tanque em um caixão. No Direito e na Ética, isso é a "banalidade do mal" de Hannah Arendt em pleno campo de batalha. Indo um pouco mais além, eu poderia pensar que o massacre no vilarejo não é apenas um evento histórico na trama; é o julgamento espiritual do protagonista. O "caixão de aço" (o tanque) é a punição por ter assistido ao fogo sem usar o poder que tinha para apagá-lo. No final, apesar de toda a sua blindagem pesada, o Tiger não consegue protegê-lo da própria consciência. O tanque não está mais cruzando fronteiras geográficas, mas sim navegando pela eternidade de um trauma que não pode ser superado enquanto a culpa não for assumida. O rastro de cinzas deixado pelo tanque é o símbolo de uma geração que, ao escolher não interferir, transformou sua própria existência em um silêncio eterno. FIM DOS SPOILERS 

O elenco centrado em cinco personagens funciona muito bem. Temos o tenente (David Schütter); motorista (Leonard Kunz); o artilheiro e segundo em comando (Laurence Rupp); o dedicado operador de rádio e usando uma metralhadora (Sebastian Urzendowsky ) ; o jovem carregador de canhão (Yoran Leicher) . Todos confinados e lutando para conter o pânico, obedecendo às ordens na esperança de voltarem para suas vidas simples antes de uma guerra que os cooptou ao caos.

No cômputo final, “O Tanque” posiciona-se menos como um filme de guerra tradicional e mais como um estudo brutal sobre a desumanização no combate moderno, um verdadeiro laboratório de decomposição moral.  Sua premissa inicial, poderá remeter ao filme “O Resgate do Soldado Ryan”, mas o roteiro retira imediatamente o filme do campo do entretenimento militar e o coloca no campo da ética e da filosofia. O filme deixa de ser apenas um drama de combate moderno, e se consolida como um aviso sombrio sobre o peso das escolhas individuais. A obra sobrevive pela sua crueza e pelo incômodo que causa ao lembrar que o mal não reside apenas no ditador que ordena, mas no soldado que assiste. Não é, portanto, um entretenimento para todos os públicos. Seu principal problema talvez resida no fato de que muitos preverão o rumo da história cedo demais, destruindo parte do plot twist final. Infelizmente, há uma onda na indústria do cinema em que os roteiristas e cineastas sentem a necessidade de explicar o final em detalhes, algo que não acontecia com tanta frequência no passado. A indústria passou a explicar demais… ou se adaptou a um novo tipo de espectador?


Trailer:


Curiosidades:

O tanque Tiger apresentado no filme é uma réplica construída em um chassi soviético T-55. Para as filmagens, ele foi equipado com réplicas de rodas entrelaçadas para se assemelhar a um Tiger I, embora o espaçamento entre as rodas ainda revele a suspensão T-55 subjacente. O veículo está baseado no Museu da Linha de Demarcação em Rokycany, República Tcheca.

Historicamente, as equipes de tanques da Wehrmacht usavam jaquetas Panzer pretas adornadas com a insígnia do crânio Totenkopf. O design do crânio usado pela Wehrmacht diferia da versão SS, e o filme retrata com precisão a insígnia no estilo da Wehrmacht, não o design da SS

O diretor Dennis Gansel já dirigiu 11 episódios da série de televisão Das Boot. O filme também emprega uma tensão claustrofóbica prolongada, traduzindo o suspense submarino de Das Boot (O Barco) em um tanque Tiger preso em um ambiente fluvial.

As missas em latim pode ter o significado de uma extrema-unção antecipada.

Os primeiros tanques Tiger I (produzidos entre 1942 e 1943) possuíam uma capacidade rara para a época: o Deep Wading (vau profundo). Diferente de outros tanques que apenas atravessavam rios rasos, o Tiger foi projetado para submergir completamente em águas de até 4 metros de profundidade.

Em termos de poder de destruição, o SU-100 (lançado pelos soviéticos no final de 1944) foi projetado com um único objetivo: destruir a nova geração de tanques pesados alemães (Tiger e Panther). Enquanto o Tiger era um tanque de uso geral (com torre giratória), o SU-100 era um caça-tanques (sem torre, o canhão era fixo no chassi). O canhão de 100mm do soviético era devastador. Ele conseguia perfurar a blindagem frontal do Tiger I a uma distância de até 1.000 metros.

Por não ter torre e ser mais baixo que o Tiger, o SU-100 conseguia se esconder facilmente na vegetação ou na neve (as "estepes" que  mencionei). Ele não foi feito para lutar "limpo". Sua finalidade era esperar o Tiger aparecer e disparar um único tiro que atravessasse a blindagem frontal, geralmente incinerando a tripulação instantaneamente.


Cartaz:










terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

O INTRUSO / THE INTRUDER (1962) - ESTADOS UNIDOS

 


VENDEDOR DE ÓDIO

Adam Cramer (William Shatner) é um homem chegando de ônibus à cidade (fictícia) de Caxton, no Missouri, sul dos Estados Unidos. Vestindo um terno branco impecável e mostrando-se uma pessoa bem articulada, ele se regozija por encontrar um local onde poderá espalhar seu ódio, seu preconceito e sua intolerância contra a integração racial nas escolas. Grande parte não está feliz com a lei, mas aceitam que ela exista. Cramer alega representar uma organização social chamada "Patrick Henry", que contesta a decisão do governo e acredita que os cidadãos bem orientados podem opor resistência. E o modo como Cramer acredita que possa influenciar as pessoas é tudo menos democrático como alardeia. E é através de Verne Shipman (Robert Emhardt), um empresário rico e influente, que Cramer vê a chance de colocar seu nefasto plano em andamento.

Para entendermos o contexto na qual o filme se insere, precisamos entender que a integração foi aprovada em 17 de maio de 1954, quando a Suprema Corte dos EUA decidiu, no caso “Brown v. Board of Education”, que a segregação em escolas públicas era inconstitucional. Essa decisão derrubou a doutrina do "separados, mas iguais" que vinha desde 1896. Notemos a data do filme: 1962. Existe um intervalo de 8 anos entre a lei e a obra dirigida por Corman. O filme se passa justamente no período da "Resistência Massiva". Embora a lei existisse, muitos estados do Sul (como o Missouri, onde o filme foi rodado) se recusavam a cumpri-la ou faziam de tudo para atrasar o processo. E é aí que Adam Cramer se insere: exatamente nesse vácuo entre a lei e a aceitação social. 


Em 1962, Roger Corman abandonou momentaneamente seus monstros ficcionais para realizar um dos filmes americanos mais corajosos e ousados ​​de todos os tempos, entregando em "O Intruso" um estudo cirúrgico sobre a engenharia do ódio. Através da chegada de Adam Cramer, o filme desmascara o demagogo não como um fanático cego, mas como um técnico da manipulação que utiliza a retórica como ferramenta de ascensão. Ao evocar figuras como Sócrates, Hitler e Lênin tenta apresentar uma “genealogia intelectual”: ele possui o verniz dos letrados, a técnica de mobilização das massas e o pragmatismo amoral de quem sacrifica vidas, como a do padre ou a visão do editor local, em nome de uma narrativa de poder. É um vilão moderno, cujo ego inflado é alimentado pela capacidade de transformar o preconceito latente em uma arma política de destruição em massa. Corman resolveu mostrar que monstros podem ser de carne e osso e morarem ao seu lado (como em “Tiros em Ruanda”, na qual o vizinho que você cumprimenta todas as manhãs, sob a influência certa, pode se tornar seu carrasco).

Filmado em um preto e branco pelo talentoso Taylor Byars, a força da obra reside na interpretação de Shatner, que encarna uma serpente de terno e gravata, cuja sedução é proporcional à sua covardia. Bebendo diretamente da fonte de clássicos como "Consciências Mortas", o filme subverte a psicologia das massas ao mostrar que o "linchamento" não precisa de uma “causa justa”, apenas de um catalisador bem articulado. O confronto de Cramer com o personagem de Leo Gordon desmascara essa fragilidade: o demagogo é um parasita que murcha diante da integridade individual, provando que sua força não reside em convicções reais, mas na proteção que a turba lhe oferece. Ele olha para as plantações de algodão não com olhar nostalgico, mas com a frieza de um general que mapeia o combustível necessário para um incêndio social.

O curioso é que o filme, um drama inovador sobre os direitos civis, anos à frente de seu tempo, mas totalmente dentro de sua época, não encontrou ressonância do público em 1962. O filme foi o maior fracasso comercial de Corman, pois não deu lucro. Um dos motivos talvez resida no fato que, na época que o filme foi lançado, a América (principalmente a sulista) não queria abordar o racismo no Sul dos Estados Unidos. Já, "No Calor da Noite"(com Sidnei Poitier), com a temática “racismo sulista”, obteve um enorme sucesso de público apenas cinco anos depois. Quem não se lembra de “Mississipi em Chamas” abordado décadas depois. Só que O Intruso abordou essa temática no “olho do furacão”, época cujos direitos civis ainda gerariam diversas contendas.

Corman usou um artifício interessante para gravar seu projeto: distribuiu uma versão de roteiro suavizada (com outros diálogos), o que trouxe outra percepção aos moradores locais que ele colocou no filme, muitos realmente eram contra a decisão do governo, contra a integração. Quando o conteúdo real do filme foi descoberto, Corman e os envolvidos foram “convidados” a “se retirarem” rapidamente pelas forças policiais, recebendo até ameaças de grupos de ódio. O relançamento, mais de 40 anos depois, no mercado de vídeo doméstico na Inglaterra, trouxe algo inesperado: o investimento no filme foi recuperado. Um tema ainda relevante nos tempos atuais, pois o problema foi parcialmente resolvido, mas não completamente. Considerando o que está acontecendo nos EUA atualmente, este filme (passado na tevê brasileira) apenas reforça a mensagem e a necessidade de sua redescoberta. A destacar a trilha sonora pontuada nos momentos certos de Herman Stein, que não deixa o espectador relaxar, mesmo nas cenas de diálogo. 


As analogias são bem interessantes quando vemos o filme com um olhar mais apurado: Adam Cramer é retratado como um oportunista ideológico. Ele não chega à cidade com armas; ele chega com retórica. Ele não cria o racismo na cidade; ele simplesmente dá permissão para que o preconceito latente dos cidadãos se transforme em ação violenta. O perigo do personagem não está nos gritos, mas no sorriso. Ele é um "vendedor de ódio”. Para Cramer, a verdade não importa; o que importa é a narrativa. Ele sabe que a prisão o transforma em um símbolo.  O tema central pode ser interpretado como a facilidade com que um estranho articulado pode manipular a psicologia das massas; o foco não é o crime em si, mas a velocidade com que a racionalidade humana evapora quando o grupo se torna uma massa uniforme. Podemos até conjecturar se o filme critica os racistas ou critica a incapacidade das "pessoas de bem" em silenciar um demagogo antes que a violência comece? O espancamento de Tom (o editor) seria uma crítica de que a civilização (representada pela imprensa e pela lei) é extremamente frágil diante da força bruta. Quando o editor perde o olho, o filme está dizendo literalmente que a cidade "perdeu a visão" ou a perspectiva. Uma metáfora visual poderosa sobre a cegueira coletiva. Cramer é um homem de palavras. Ele domina quem ele pode seduzir ou intimidar intelectualmente. Quando ele encontra a força física bruta e a convicção moral de Griffin sem uma massa para protegê-lo, ele percebe que não é nada. O final é abrupto porque a vida real estava ameaçando a produção. O ódio que Adam Cramer semeava na tela estava começando a cercar a equipe de filmagem fora dela.  Ele não cita Hitler pelo antissemitismo, mas pela técnica. Ele admira a capacidade de transformar um "zé ninguém" em uma divindade através do palanque; ao citar Aristóteles, ele usa a filosofia clássica para dizer àquela população rural: "Eu sou a elite intelectual que veio validar o preconceito de vocês". Ele dá um ar de "ciência" e "ética" ao que seria apenas barbárie. Quanto a Lênin, seria a aceitação do método: "os fins justificam os meios". Se for preciso explodir uma igreja para manter latente o ódio, ele o fará. No final, podemos conjecturar se o preconceito permanecerá, dormente, esperando o próximo Adam Cramer (ou algo pior) chegar.


O desfecho do filme, muitas vezes criticado como um “deus ex-machina apressado pelas limitações orçamentárias de Corman, revela, sob um olhar mais atento, uma ironia perversa sobre a natureza humana. Quando a mentira que sustentava a fúria da cidade é desmascarada, a população não passa por uma catarse moral ou um arrependimento genuíno; eles simplesmente se dispersam em um silêncio covarde. A resolução abrupta serve como um espelho da conveniência social: as pessoas preferem fingir que foram "manipuladas" por um estranho do que enfrentar o fato de que as ideias de Cramer ecoavam perfeitamente em seus próprios corações. O palanque vazio onde Adam termina sozinho não simboliza a vitória da justiça, mas a solidão momentânea de um método que, em breve, poderá encontrar novos ouvidos em uma outra cidade, por exemplo. E o pior: em 1962, Cramer precisava de um ônibus e um terno; hoje, ele precisaria apenas de um algoritmo e um perfil verificado.

Quanto ao elenco, Shatner tinha 31 anos quando o filme estreou e já tinha trabalhos no cinema: "Os Irmãos Karamazov", "O Julgamento de Nuremberg" e "Geração Violenta", além de trabalhos na tevê e teatro. Sua atuação visceral deu uma força ao roteiro de Charles Beaumont, (cujo livro foi escrito e publicado em 1958. Beaumont escreveu também vários episódios do seriado “Além da Imaginação” / Twilight Zone) interpretando um personagem oportunista (um “forasteiro profissional’), inflamando o ódio e o ressentimento que já existiam naquela cidade, naquele Estado (não por acaso em um terno branco , cor da pureza, enquanto semeia a escuridão). Ironicamente, Shatner participou do primeiro beijo inter-racial da televisão aberta americana, quando beijou a Tenente Uhura em "Jornada nas Estrelas" no episódio “Os Senhores de Triskelion”. Assim como é irônico também seu personagem acusar Sam Griffin (Leo Gordon) de beijar uma afrodescendente já no final do filme. E, continuando com as ironias, vemos uma inversão de papéis entre o quase sempre mocinho Shatner e o quase sempre vilão Leo Gordon. O bom elenco deu o suporte que o filme necessitava e o uso de atores não profissionais (moradores locais desavisados misturados nas cenas) deu um ar de autenticidade a esse filme independente realizado por Corman. Beaumont fez uma participação especial interpretando o Sr. Paton (ele faleceria seis anos depois). Tom McDaniel (Frank Maxwell) interpretou o editor do jornal local, que se opõe à integração, lutando contra o movimento com inúmeros artigos. Ele não gosta da nova lei, mas não quer que sua filha adolescente seja exposta a esse tipo de ódio que Cramer começa a espalhar freneticamente a quem lhe dê ouvidos. E isso lhe custará caro. Charles Brown interpretou Joey é um dos estudantes afrodescendentes que se mostra determinado a frequentar o ensino médio, mesmo diante dos protestos contundentes dos que ali vivem. 


O Intruso se recusa a oferecer a redenção fácil que o público de drive-in da época poderia esperar, deixando as cicatrizes da violência expostas e sem cura. O editor continua cego e o racismo estrutural permanece intacto sob o tapete de uma suposta normalidade retomada pela cidade. Ao contrário de uma tragédia grega, onde o erro leva ao aprendizado, aqui o erro leva apenas ao constrangimento, sugerindo que o mal é cíclico e aguarda apenas o próximo "Adam" para despertar. É uma obra que sobrevive ao tempo por sua crueza independente, lembrando-nos de que, embora os manipuladores possam ser desmascarados, ainda há terrenos férteis para a ignorância e para o preconceito que raramente são arados.


Trailer:



Curiosidades:

Até a data desta postagem, dsiponivel no YouTube com legendas automáticas

Beverly Lunsford (1945-2019) que interpretou Ella, a filha do editor, participou de algumas séries de tevê . Sua carreira nos cinemas terminou em 1969. faleceu aos 74 anos de causas não reveladas

Robert Emhardt (1914-1994) faleceu de falência cardíaca aos 80 anos

Leo Gordon (1922-2000) faleceu de falência cardíaca aos 78 anos

Jeanne Cooper (1928-2013) faleceu aos 84 anos em decorrência de problemas pulmonares . Participou de diversos seriados ao longo da carreira

Depois que a equipe de filmagem foi expulsa de East Prairie, Missouri, pelo chefe de polícia da cidade (supostamente por serem "comunistas"), o produtor/diretor do filme, Roger Corman , percebeu que precisava de mais uma tomada panorâmica da escola. Ele e um assistente voltaram à cidade e filmaram a cena às pressas. O chefe de polícia, de alguma forma, deve ter descoberto a presença dos dois, pois Corman o viu dirigindo ao longe. Corman e seu assistente jogaram rapidamente a câmera e os equipamentos no carro e partiram na direção oposta, ilesos.

Em seu livro "Boldly Go" (2022), William Shatner relata que moradores locais foram contratados como figurantes durante a filmagem do discurso racista de Adam Cramer nos degraus do tribunal. Como Shatner havia gritado bastante no dia anterior, precisou poupar a voz durante a maior parte das filmagens. O produtor e diretor Roger Corman instruiu-o a mímica do discurso enquanto orientava a plateia sobre como reagir, filmando por cima do ombro de Shatner. Ao final do dia, a voz de Shatner havia se recuperado o suficiente para que ele interpretasse o discurso em seus closes. A essa altura, a maioria dos figurantes já havia deixado o set por conta própria. No dia seguinte, um jornalista local abordou Corman e Shatner e disse-lhes que haviam sido espertos em não recitar o diálogo do discurso diante da plateia. Ele explicou-lhes que uma árvore no pátio do tribunal havia sido usada para linchamentos pelo menos 20 anos antes, e que alguns dos figurantes na multidão haviam participado desses linchamentos. Se tivessem ouvido o discurso, não se sabia como teriam reagido.

O filme foi inteiramente rodado em locações no sudeste do Missouri, com moradores locais atuando como figurantes. Sabendo o quão incendiário era o roteiro, o produtor/diretor, Roger Corman , fez questão de não mostrá-lo na íntegra para eles, por medo de ser expulso da cidade à força.

William Shatner afirmou que, durante a produção deste filme, tanto a vida do elenco quanto da equipe de filmagem foram ameaçadas, os equipamentos foram sabotados e a permissão para filmar no pátio de uma escola local foi revogada.

O filme estreou em Londres, Inglaterra, na semana do assassinato do presidente John F. Kennedy, com o título "The Stranger". Foi então relançado nos EUA com o título "Shame" e, posteriormente, relançado novamente nos EUA com outro título, "I Hate Your Guts!".

O produtor/diretor do filme, Roger Corman , disse que ele mudou muito sua visão sobre cinema. O filme foi exibido em festivais e recebeu ótimas críticas, mas foi o primeiro filme que ele fez a dar prejuízo. Depois de analisar o motivo, ele percebeu que a lição que tentava transmitir ao público era excessiva. A partir daquele momento, ele se concentrou mais em entreter o público. Ele disse que sempre tentou inserir uma moral em seus filmes depois disso, mas de forma sutil, sem martelá-la na cabeça do público, porque esse não era o motivo pelo qual as pessoas iam ao cinema.

Filmado com um orçamento de US$ 100.000,00 em locações em Charleston, Missouri.


Cartaz:












Filmografias Parciais:

William Shatner






Os Irmãos Karamazov (1958); Julgamento em Nuremberg (1961); Geração em Conflito / Geração Violenta (1961); O Intruso (1962);  Alexandre, O Grande (1963); As Quatro Confições (1964); Incubus (1966); O Ódio é Minha Lei (1968); Jornada nas Estrelas (seriado 1966-1969); O Único Sobrevivente (1970); O Cão do Inferno (1971): Incidente em um Rua Escura (1972) Batismo de Fogo (1974); A Mulher da Metralhadora / Grande Mamãe (1974); Acusado e Condenado / Indiciado e Condenado (1974); Suprema Decisão (1975); A Chuva do Diabo (1975); A Costa de São Francisco (1975); A Maldição das Aranhas (1977); Jornada nas Estrelas: O Filme (1979); Horário de Visitas (1982); Jornada nas Estrelas II - A Ira de Khan (1982); Jornada nas Estrelas III - À Procura de Spock (1984); Confissões de um Homem Casado (1984); Jornada nas Estrelas IV - A Volta para Casa (1986); Carro Comando (seriado 1982-1986); Jornada nas Estrelas V - A Última Fronteira (1989); Jornada nas Estrelas VI - A Terra Desconhecida (1991); Máquina Quase Mortífera (1993); Jornada nas Estrelas: Generations (1994); Miss Simpatia (2000); American Psycho II: All American Girl (2002); Miss Simpatia 2: Armada e Poderosa (2005); Everest: Um Desafio à Vida ( Minissérie 2007);  Justiça Sem Limites (seriado 2004-2008);  $#*! My Dad Says (seriado 2010-2011);  Horrorween (2011); A Christmas Horror Story (2015); Baby, Baby, Baby (2015); Bem a Tempo Para o Natal  (2015); Área 15 (2016);  Inseparáveis (2016); Creators: The Past (2019); Devil's Revenge (2019) Acelerando Para o Amor (2021);


Leo Gordon (1922- 2000)






Átila, o Rei dos Hunos (1954); Sangue de Bárbaros (1956); O Homem Que Sabia Demais (1956); Tarzan Vai à Índia (1962); O Intruso (1962); Quando um Homem É Homem (1963); Os Reis do Sol (1963); Beau Geste (1966); Alienator - A Exterminadora Indestrutível (1990); Maverick (1994).


Charles Barnes (1924-2005)






O Intruso (1962), Ídolo Dourado (1951), Papai Foi um Craque (1949)


Robert Emhardt (1914-1994)






Vingança Forçada (1982),  O Instituto da Vingança (1979), Aconteceu no Natal (1977), Alex e a Cigana (1976). Nasce um Monstro (1974), Jogo Sujo (1973), Mato em Nome da Lei (1971), Vamos Fazer a Guerra? (1970), Ele e as Três Noviças (1969), Rascal, o Amiguinho Travesso (1969), Onde Estavas Quando as Luzes Se Apagaram? (1968), Gatilhos do Ódio (1967), O Canhoneiro do Yang-Tsé (1966), Talhado para Campeão (1962), O Intruso (1962), A Lei dos Marginais (1961), Quartel não é Hotel (1960), Homens das Terras Bravas (1958). Galante e Sanguinário (1957), A Grande Chantagem (1955), Nenhuma Mulher Vale Tanto (1952)


Jeanne Cooper (1928-2013)






A Rainha dos Renegados (1953), O Vale do Medo (1953), O Salário do Pecado (1955), Bandoleiros de Houston (1956), Os Salteadores de Estradas (1957), A Loucura de Mimi (1958), Algemas Partidas (1960), Clamor de Vingança (1962), Prisão de Mulheres (1962), O Intruso (1962),  Feras Sanguinárias (1963), Assim Morrem os Bravos (1965), O Homem Que Odiava as Mulheres (1968), Ninho de Cobras (1970), Brutal Beleza (1972), Doce Refém (1975), Encontro com a Morte (1993), O Sequestro (2002), Ouro Negro (2003)