VIKINGS E MOUROS
Em uma cidade no
Oriente Médio, um homem, em troca de alguns trocados, narra a história da “Mãe
das Vozes”, um sino lendário com a altura de três homens, feito com “metade
do ouro do mundo” colhido em várias partes do globo e fundido por cristãos.
Após um naufrágio no qual foi o único sobrevivente, ele teria sido salvo por
monges e descoberto a lenda em um mural de um mosteiro. Sua narrativa não passa
despercebida pelo príncipe mouro Aly Mansuh (Sidney Poitier), obcecado pela
relíquia. Levado à sua presença, o forasteiro revela-se um viking chamado Rolfe
(Richard Widmark) que, antes de ser torturado para revelar a localização do
Sino de Ouro de St. James, consegue fugir da torre mergulhando nas águas
profundas do local.
Em uma aldeia da Escandinávia, o construtor Krok (Oskar Homolka) termina a construção de um barco funerário para o Rei Harald (Clifford Evans). Em troca do trabalho, ele deveria receber uma quantia combinada, mas recebe apenas duas moedas de ouro em detrimento de uma antiga dívida de tributos. Rolfe retorna à aldeia viking na mesma noite e convence seu irmão Orm (Russ Tamblyn) a roubar o barco construído por seu pai, recrutar um grupo de homens e raptar a filha do rei, a princesa Gerda (Beba Loncar), como parte de um plano para recuperar o sino. Contudo, o navio naufraga e o grupo acaba capturado pelo exército de Mansuh, que os transforma em escravos, obrigando-os a consertar o barco viking para guiá-lo em busca do lendário artefato.
Produção anglo-iugoslava, filmada em Techniscope e dirigida por Jack Cardiff (indicado ao Oscar por Filhos e Amantes (1960)). Seu trabalho anterior como diretor de fotografia em Vikings, os Conquistadores (1958) o credenciou para dirigir este longa, produzido por Irving Allen (da série Matt Helm com Dean Martin), não confundir com Irwin Allen. O longa foi baseado no romance do escritor sueco Frans Bengtsson, “The Long Ships”, mas a adaptação pouco seguiu o livro, optando por um caminho mais comercial focado na aventura.
Ao contrário de Os Vikings, cuja influência é perceptível, Os Legendários Vikings não recebeu o mesmo cuidado que a produção de Kirk Douglas e Tony Curtis. O filme funciona como uma aventura leve e descompromissada sobre a rivalidade entre vikings e mouros, agradando parte da crítica, mas frustrando outra. O roteiro, por vezes confuso, de Berkely Mather (007 Contra o Satânico Dr. No) e Beverley Cross ("Jasão e o Velo de Ouro" e "Fúria de Titãs"), não desenvolveu personagens sólidos. Os vikings são retratados como farristas, beberrões e violadores (a cena do harém é amenizada em tom de comédia, mas o subtexto permanece evidente para o espectador mais atento). Há alguns bons confrontos de espada, típicos dos anos 60, com uma música em tom marcial a cargo do compositor Dusan Radic, que por vezes destoa do clima das cenas. A curiosa “Égua de Aço” acaba subaproveitada, provavelmente limitada pelas restrições da época quanto à representação explícita da violência em produções voltadas ao público familiar.
Podemos perceber que o roteiro centra em Mansuh e Rolfe ilustrando bem a “idolatria do efêmero'”: ambos arriscam seus reinos e a vida de seus homens não por um propósito elevado, mas por uma relíquia que simboliza apenas o poder bruto e a riqueza. O “destino dos personagens”' que se desenha não é uma glória épica, mas uma perseguição frenética por um fantasma de ouro, mostrando que, quando a liderança perde sua bússola moral, o desfecho inevitável é o naufrágio, literal e simbólico." Ainda que o roteiro conceda um “final feliz” para um dos lados, talvez um final pessimista trouxesse a obra o peso que lhe faltava, ampliando sua reflexão sobre moralidade, obsessão e busca por riquezas
Quanto ao elenco, o personagem de Richard Widmark (que recusou o papel quatro vezes) foi retratado como um contador de histórias pouco confiável, que consegue naufragar dois navios, mas ao menos poupa seus homens de confrontos sem chances. A crítica da época o considerou velho para o papel. Já Sidney Poitier (que não era o preferido do diretor, mas foi uma exigência de Widmark) curiosamente interpretou um vilão: um homem obstinado que larga seu reino e sua esposa à mercê de invasores para embarcar em uma viagem baseada em uma possível lenda. Poitier detestou filmar no clima da Iugoslávia. É interessante notar que Robert Taylor foi cogitado para o papel de Widmark e Ernest Borgnine recusou o papel que foi para Poitier. Rosanna Schiaffino interpretou Aminah, a bela esposa do imperador mouro. Igualmente bela estava Beba Loncar como a princesa Gerda. Russ Tamblyn fez algumas acrobacias em cena tentando defender a honra viking. O restante do elenco pouco influenciou e muitos funcionaram apenas como alívio cômico para evitar a violência explícita.
Os Legendários Vikings, apesar de vir na onda de sucessos como "Vikings, os Conquistadores" (1958) e "Simbad e a Princesa" (1958), é perceptivelmente inferior a estes em ambição e execução. Na TV dos anos 70, funcionava a contento; hoje, sobrevive, para alguns, pelo charme e nostalgia, mas o público jovem possivelmente terá uma percepção de filme envelhecido e pouco atraente. Vale como curiosidade para quem viveu essa época e para entusiastas do gênero de aventura clássico.
Trailer:
Curiosidades:
Estreou na teve aberta em 10 de março de 1974
Widmark e Poitier repetiriam a parceria em “O Caso Bedford” (The Bedford Incident) de 1965
A armadura de couro usada por Russ Tamblyn (Orm) é um dos figurinos mais
reciclados da história do cinema. Foi usado por Russell Crowe em “Gladiador”
(2000), bem como “Vikings” (2013), “A Última Tentação de Cristo” (1988) e
muitos mais.
Após a era viking, os noruegueses lutaram nas Cruzadas de 1107 a 1110,
sob o comando do rei Sigurd I. Obtiveram vitórias em Portugal, Sidon e Beirute.
Quando a Égua de Aço é demonstrada por um soldado mouro descendo suas
costas, alguns segundos depois, Rolfe é informado de que é sua vez e ele é
levado às escadas da Égua. No fundo, o leito de pontas na parte inferior do
escorregador está limpo e sem corpo ou sangue. Um erro de continuidade
O diretor Jack Cardiff quis Ursula Andress como sua protagonista.
Cartaz:
Filmografias Parciais
Richard Widmark (1914-2008)
O Beijo da Morte (1947); Capitães do Mar (1949); Sombras do Mal (1950); Pânico nas Ruas (1950); Almas Desesperadas (1952); Anjo do Mal (1953); Tormenta Sob os Mares (1954); Jardim do Pecado (1954); Santa Joana (1957); Minha Vontade é Lei (1959); O Álamo (1960); Os Legendários Vikings (1964); Crepúsculo de uma Raça (1964); O Caso Bedford (1965); Desbravando o Oeste (1967); Quando Morrem as Lendas Red Dillon (1972); Assassinato no Expresso Oriente (1974); Uma Filha para o Diabo (1976); O Último Brilho do Crepúsculo (1977); Terror na Montanha Russa (1977); O Enxame (1978); A Invasão dos Cães de Guerra (1982); Paixões Violentas (1984); Blackout (1985); Lincoln (1992).
Sidney Poitier (1927-2022)
O Ódio é Cego (1950); Sementes de Violência (1955); Cruel Dilema (1956); Sangue Sobre a Terra (1957); Acorrentados (1958); O Sol Tornará a Brilhar (1961); Paris Vive à Noite (1961); Uma Voz nas Sombras (1963); Os Legendários Vikings (1964); A Maior História de Todos os Tempos (1965); Ao Mestre, com Carinho (1967); No Calor da Noite (1967); Adivinhe Quem vem para Jantar (1967); Um Homem para Ivy (1968); Noite Sem Fim (1970); O Estranho John Kane (1971); A Organização (1971); Conspiração Violenta (1975); Atirando para Matar (1988); Espiões sem Rosto (1988); Quebra de Sigilo (1992); Ao Mestre, com Carinho 2 (1996); Mandela e De Klerk (1997); O Chacal (1997); Rumo à Liberdade (1998); Construindo um Sonho (2001)
Rosanna Schiaffino (1939-2009)
Os Paladinos de França (1956), Um Pedaço de Céu (1958), A Provocação (1958), O Vingador (1959), A Longa Noite das Loucuras (1959), Teseu e o Minotauro (1960), O Milagre dos Lobos (1961), O Rapto das Sabinas (1961), Legenda Histórica (1961), Epopéia de Bravos (1962), A Cidade dos Desiludidos (1962), Os Vitoriosos (1963), A Corrupção (1963), Os Legendários Vikings (1964), Hong-Kong, Onde o Amor e a Morte Se Encontram (1965), A Mandragora (1965), O Mundo Jovem (1966), A Feiticeira no Amor (1966), Um Marido de Morte (1966), O Heróico Lobo do Mar (1967), O Preço de uma Missão (1967), Caprichos de uma Deusa do Amor (1969), Ettore, O Machão (1972), Os Heróis (1973), O Magnata (1973), Um Homem Chamado Noon (1973), O Assassino Reservou Nove Lugares (1974), Cagliostro (1975)
Beba Loncar (1943)
Quando Passa o Amor (1961), Mandragola (1962), Os Legendários Vikings (1964), La donna è una cosa meravigliosa (1964), O Trouxa (1965), Casanova 70 (1965), A Doce Vida de Giovanni (1965), As Aventuras Imprevisíveis do 7º Homem (1965), Confusões à la Italiana (1966), Desejos Amargos (1967), Massacre na Floresta Negra (1967), Desculpe, Façamos o Amor (1968), Sharon vestida de rojo (1969), Uma Gatinha por Dia (1970), Brancaleone nas Cruzadas (1970), A Máfia Sempre Mata! (1972), Aquelas Estranhas Ocasiões (1976), Amantes Sensuais (1980)












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