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terça-feira, 26 de novembro de 2024

PERSONA / QUANDO DUAS MULHERES PECAM / PERSONA (1966) - SUÉCIA


SOBRE CINEMA E SOBRE A ALMA HUMANA

Elisabet Vogler (Liv Ullmann) é uma atriz famosa que, durante uma récita da peça clássica de Electra, sofre um bloqueio psicológico em cena, no dia seguinte é encontrada em seu quarto imóvel e voluntariamente muda. É submetida a uma série de exames, que atestam possuir bom estado físico e mental, o que não justifica a sua mudez, sendo enviada, pela chefe da clínica psiquiátrica (Margaretha Krook), para descansar em uma casa de veraneio, à beira-mar, sob os cuidados de uma enfermeira chamada Alma (Bibi Andersson). Alma resolve elaborar uma estratégia: passa a recorrer à palavra por si e por Elisabeth. Surge uma grande amizade, a ponto de Alma revelar confidencias e intimidades. Vivendo isoladas, essas duas mulheres chegam a certa altura a dar a impressão de serem uma só pessoa, se estabelecendo de forma preocupante um gradual processo de identificação, relacionamento e transferência psicológica. 

Dirigido por Ingmar Bergman (1918-2007), um dos maiores expoentes da cinematografia mundial, Persona foi o 27º filme do diretor. No Brasil, deram à obra o infame título “Quando Duas Mulheres Pecam”, um título a fim de aguçar erroneamente a curiosidade para uma visão proibida, aquele velho embuste de se fabricar títulos como apelo de bilheteria, dando ênfase ao erotismo quando este é apenas um elemento incidental da obra, mudando a percepção de quem escolhe o filme para assistir. Praticamente uma defraudação da obra, pois pressupõe uma relação íntima entre duas mulheres, o que não ocorre. O título original se manteve na maioria dos países e se mostra mais adequado à proposta do filme. 

"Persona" não é fácil em termos de assimilação (irei me referir ao filme assim e, inclusive, o colocarei como primeiro nome no título da postagem). A sinopse cabe em um parágrafo, mas a verdadeira medida só se explica no fluir das imagens. Para um bom entendimento, não viso aqui fazer uma análise do ponto de vista da psicanálise (deixo para os profissionais da área). Persona deriva de uma palavra latina que quer dizer máscara; máscara do teatro antigo que designava as feições do personagem que o ator representava (ou quem a máscara ocultava). Também, aqui, poderia ser entendido como uma máscara de nossos sentimentos e pecados, aqueles nunca confessados e quase inconfessáveis. Persona também é um personagem da terminologia Jungiana (Carl Jung 1875-1961). Persona, enfim, é um filme sobre o cinema e sobre a alma humana.


NOS PRÓXIMOS PARÁGRAFOS, O TEXTO CONTERÁ INVEITÁVEIS SPOILERS

O filme se inicia no escuro. Lentamente surgem duas luzes: são os carvões de um projetor de cinema (os projetores a carvão não proporcionam uma luminosidade adequada). Então começa a projeção. Um projetor que nasce de outro projetor (um filme dentro do filme?). Imagens quase subliminares de frames por segundo (ou seja, "num piscar de olhos") surgem em tela (inclusive de dois órgãos genitais). Desenho animado, comédia muda ... aranhas, o olho de um cordeiro morto... cenas que lembram um cineasta que Bergman admirava: o cineasta Luis Buñuel (que se utilizava do recurso de dar um choque inicial para despertar a atenção do espectador). Vemos um menino procurando cobrir-se (calor = amor / afeto) sem consegui-lo; passando sua mão nas imagens de Elisabeth e Alma sem conseguir tocá-las (ambas negaram afeto aos filhos – rejeitaram o filho - cada qual em sua tragédia, como veremos à frente). Imagens também de um Bonzo se incendiando na rua e uma crucificação (a mão com o prego) poderiam ser entendidos como o tema do sacrifício da qual Elisabet se mostrará incapaz.

Lentamente, veremos uma estranha transferência de personalidades (fusão, transfusão de personalidade ou consciência) à medida que as duas mulheres se tornam íntimas. Elisabet deixará de ser doente e Alma (um nome sugestivo e não aleatório) passará a ser a vítima. Essa transferência será a estória de Persona. A dualidade entre o artístico e a realidade é a chave de persona. Alma se tornará um avatar de Elisabet ao tentar acessar o âmago da paciente, mas aos poucos começará a ter sua personalidade absorvida tornando-se a máscara (persona) sob a qual a atriz esconderá suas emoções. Passiva ou ativamente Elisabet se reflete em Alma. Quando Alma adormece, parece-lhe que Elisabet entra em seu quarto e há uma mistura de ternura com sensualidade (muitos consideram um sonho, consideram que a cena simboliza que Alma acreditou ter conseguido o afeto que esperava de Elisabeth ou que Bergman quis dar este conceito à cena). Ambas repartem a solidão e o sonho. Também realidade e sonho combinam-se. Há uma cena em que Elisabeth parece beijar o pescoço de Ana, mais à frente veremos ela beijar seu pulso. Há uma sutil analogia ao vampirismo: Elisabet suga a energia de Alma como um vampiro suga o sangue de suas vítimas.

O filme alcança o clímax, talvez, quando Alma, que sempre sentiu falta de uma irmã (possui sete irmãos) encontra em Elisabet (uma espécie de “heroína calada”), tardiamente, alguém que a ouça (por isso ela começa a falar por si e por ela). Ela conta o seu mais trágico segredo e reage a uma carta que Elisabeth, de proposito (com intenção de feri-la), deixa ao seu alcance (ela não sela a carta) sobre confidências feitas. O tom de ironia leva Alma a um estado de histerismo na qual se revela outra pessoa. O “não!”, mais grito do que palavra, marca um entreato. A mudez de Elisabet talvez nos revele que cada palavra, cada gesto possa ser uma mentira. Persona seria mais um papel que ela representa. Já Alma, parece uma pessoa sem problemas, mas percebemos que ela também tem um grande problema: o da insignificância, o de se considerar normal demais. Ela sofre de uma falta de percepção da individualidade. Percebemos a troca de personalidade quando o marido de Elisabet chega: é Alma quem o recebe. É a duplicidade, uma só pessoa em duas. Por isso a imagem de ambas, em determinado ponto, se funde em uma. É uma metáfora para o desdobramento da personalidade. A certa semelhança física entre as duas atrizes não foi por acaso.

Em um momento mais dramático, o rolo de filme rompe do projetor, exatamente como a estória. Elisabeth volta ao palco e Alma toma o ônibus para voltar ao seu cotidiano. Os carvões do projetor se afastam, a tela escurece, o filme termina. No começo e no fim existirá a mesma imagem, se apresentando exatamente ao inverso do que foi mostrada no começo, idêntica, mais invertida, projetada como um reflexo no espelho. Outro momento que Bergman nos traz algo de diferente é ao repetir uma sequência idêntica de diálogos a que foi anteriormente mostrada, parecendo um erro no filme. Uma ênfase do que levou Elisabet a rejeitar o filho desde a sua concepção.

FIM DOS SPOILERS

Quanto ao elenco, foi o primeiro trabalho de Ullmann para Bergman com a qual teve um romance e uma filha. Fez dez filmes com o diretor. Bibi Anderson fez 12 filmes com o cineasta. Nas cinematografias de ambas, esse filme aparece como referência de seus trabalhos.  

Persona é como uma sinfonia, é mais para ser sentida e apreciada do que interpretada. Não há como transmitir todo o seu sentido em alguns parágrafos. É uma experiência visual e uma experiência subjetiva. Um quebra-cabeças entre o autêntico e o falso, entre o bem e o mal, entre o real e o imaginário. O diretor criou um insinuante jogo de facetas e talvez queira nos dizer que Persona seja, no final das contas, as máscaras que todos usam. O famoso ditado “Nós representamos duas comédias, uma perante os outros e outra perante nós mesmos” poderia ser adequado. Persona para uns é uma sessão de psicanálise, outros o considerarão um amontoado de símbolos aleatórios, lançados à tela ao acaso. Persona é sobre cinema, é sobre o âmago humano.


Trailer:


Curiosidades:

Segundo ele mesmo, Ingmar Bergman se apaixonou por Liv Ullmann durante a produção deste filme.

Este filme é considerado um filme pictórico radical. Tanto Ingmar Bergman quanto seu diretor de fotografia Sven Nykvist acharam que os planos intermediários eram chatos; Portanto, o filme consiste em alguns planos amplos, planos intermediários ocasionais e muitos close-ups longos e intensos.

Na primavera de 1965, Ingmar Bergman foi internado no Hospital Sophia, em Estocolmo, por pneumonia. Enquanto estava hospitalizado, criou o roteiro básico deste filme. Inspirado na peça de um ato "The Stronger" de August Strindberg, uma existência que consistia em pessoas mortas, paredes de tijolos e algumas árvores sombrias do parque; e concebida como uma sonata para dois instrumentos.

O garoto no necrotério está lendo "Um Herói do Nosso Tempo". Um romance russo de 1839.

A escritora Susan Sontag escreveu que considerava Persona o melhor filme já feito.

Foi escolhido pela revista Premiere como um dos "100 Filmes que Abalaram o Mundo" na edição de outubro de 1998. A lista classificou os "filmes mais ousados ​​já feitos".

No site oficial de Ingmar Bergman, o verbete deste filme afirma que, de todos os filmes de Bergman, Morangos Silvestres (1957) é o mais imitado, O Sétimo Selo (1957) é o mais parodiado e este filme é o que é mais frequentemente discutido e analisado.

Ingmar Bergman comentou que fazer este filme literalmente salvou sua vida. Ele também disse que foi o primeiro filme que fez em que não se importou se o resultado seria um sucesso comercial ou não.

A montadora do filme Ulla Ryghe, que trabalhou em todos os filmes de Ingmar Bergman entre Através de um Espelho (1961) e Vergonha (1968), falou sobre a cena em que, durante um momento particularmente intenso entre os dois personagens principais, o filme parece queimar no projetor, que essa ilusão foi produzida de forma tão realista que criou dificuldades nas primeiras exibições, pois os projecionistas presumiram que o próprio celulóide estava pegando fogo e paravam o filme. Para evitar isso, uma etiqueta vermelha especial teve que ser afixada nas latas dos filmes para alertar os projecionistas sobre o fato de que, embora o filme pareça estar queimando, na verdade não está.

A versão americana, lançada pela United Artists, omite um breve close da genitália masculina no pré-crédito do filme.

A vida de Elisabet é, de certo modo, a da personagem Electra (de Eurípedes) que ela encena, a tragédia da vingança e do ódio


Cartazes:





Filmografias Parciais:

Liv Ullmann:






Paraíso do Pecado (1959), Curto é o Verão (1962), Quando Duas Mulheres Pecam (1966); A Hora do Lobo (1968); Vergonha (1968); A Paixão de Ana (1969); Visitantes na Noite (1970), O Visitante Noturno (1971), Os Emigrantes (1971), O Preço do Triunfo (1972), Joana, a Mulher que Foi Papa (1972), Gritos e Sussurros (1972); Horizonte Perdido (1973);  40 Quilates (1973), Cenas de um Casamento (1974), A Abdicação de uma Rainha (1974), A Flauta Mágica (1975)Hannah, A Esposa Comprada (1974); Face a Face (1976); O Ovo da Serpente (1977); Uma Ponte Longe Demais (1977), Sonata de Outono (1978); Amor em Jogo (1979), Prisioneiro Sem Nome (1983), Pato Selvagem (1983), Fora de Controle (1984), Virando Adulto (1984), Tomara Que Seja Mulher (1986), Gaby - Uma História Verdadeira (1987); O Jardim das Rosas (1989), Ponto de Mutação (1990); Sarabanda (2003); Duas Vidas (2012).


Bibi Andersson (1935–2019)






Senhorita Júlia (1951); Sorrisos de uma Noite de Amor (1955); O Sétimo Selo (1957); Morangos Silvestres (1957); No Limiar da Vida (1958);  O Rosto (1958); O Olho do Diabo (1960); A Praça dos Homens Sem Alma (1961); A Amante Sueca (1962); Curto é o Verão (1962); Para Não Falar de Todas Essas Mulheres (1964); Duelo em Diablo Canyon (1966); Quando Duas Mulheres Pecam (1966); Você é a Favor ou Contra o Divórcio? (1966); Palmeiras Negras (1968); O Sádico de Alma Negra (1969); A Paixão de Ana (1969); Entre Duas Paixões (1970); A Hora do Amor (1971); Cenas de um Casamento Sueco (1974); Chove Sobre Santiago (1975); O Inimigo do Povo (1978); Aeroporto 79: O Concorde (1979); Entre a Vida e a Morte (1983); Pobre Mariposa (1986); A Festa de Babette (1987); Anna (2000); Arn: O Cavaleiro Templário (2007);  Arn: Riket vid vägens slut (2008); The Frost (2009)


Ingmar Bergman (1918-2007 - diretor):






Mônica e o Desejo (1953); O Sétimo Selo (1957); Morangos Silvestres (1957); A Fonte da Donzela (1960); Através de um Espelho (1961); Luz de Inverno (1963); O Silêncio (1963); Quando Duas Mulheres Pecam (1966); A Hora do Lobo (1968); Vergonha (1968); A Paixão de Ana (1969); Gritos e Sussurros (1972); Face a Face (1976); Ovo da Serpente (1977); Sonata de Outono (1978); Da Vida das Marionetes (1980); Fanny & Alexander (1982).


domingo, 17 de dezembro de 2023

O MUNDO DEPOIS DE NÓS / LEAVE THE WORLD BEHIND (2023) - ESTADOS UNIDOS

METAFÓRICO

Amanda Sandford (Julia Roberts), uma executiva de publicidade e Clay (Ethan Hawke), professor, alugam uma luxuosa mansão em Long Island para passar o fim de semana junto com os filhos Rose (Farrah Mackenzie) e Archie (Charlie Evans). Na praia percebem-se sem sinal de celular, mas terminam por  presenciar algo insólito: um imenso navio cargueiro vem em direção aos banhistas atolando na areia. Ao anoitecer, eles ouvem uma batida em sua porta. G.H. Scott (Mahershala Ali) e sua filha Ruth (Myha'la) se dizem donos da casa e que precisaram retornar repentinamente devido a um blecaute que assolou Nova York. Amanda imediatamente desconfia, com Clay sendo mais receptivo à estória de Scott. Este não possui documentos para provar quem diz ser e mostra possuir dificuldades em abrir uma escrivaninha, pois não se lembra qual das chaves a abre. Amanda e Ruth imediatamente demostram antipatia mútua, mas Clay aceita a permanência da dupla no porão da mansão que possui acomodações. 

No dia seguinte, todos percebem que as comunicações não voltaram, nem a internet. As estações de TV estão fora do ar, apenas uma vaga mensagem emergencial. Clay resolve pegar seu carro e vai em busca de informações em algum local que tenha pessoas, mas apenas encontra uma senhora que fala apenas espanhol. Enquanto Clay presencia algo muito estranho, Scott confidencia a Amanda que seu trabalho inclui a convivência com pessoas muito ricas e poderosas e que uma destas lhe confidenciou a possibilidade de uma guerra de um modo que nunca imaginariam.  Enquanto Ruth fica desesperada por notícias da mãe, que estaria chegando em um voo, Archie resolve desfrutar do local e Rose passa a ver estranhos cervos rodeando a propriedade, mas sua principal necessidade é assistir o último capítulo de sua série favorita: Friends.

Adaptado do romance de Rumaan Alam e dirigido por Sam Esmail (do seriado "Mr Robot"), O Mundo Depois de Nós, vem colhendo tanto elogios quanto críticas pela forma como apresenta sua narrativa, bem como, o seu final. Se você for uma pessoa que não se importa com finais abertos que o leve a refletir profundamente tudo que foi assistido poderá apreciar, caso contrário poderá sair decepcionado. 

Mas afinal do que trata o filme? (este parágrafo conterá inevitáveis spoliers) Podemos dizer que a narrativa tenta assinalar os problemas de nossa sociedade moderna: o racismo de Amanda (ela não a acredita que o casal que bate à sua porta possa ser dono de uma mansão, já que ela mora em uma casa no Brooklyn); há uma clara diferença social entre as duas famílias que o filme deixa entrever; há a indiferença e falta de empatia de Clay com uma senhora sozinha no meio do nada que não fala o seu idioma e que apenas quer ir para casa (e limita-se a dizer que não fala sua língua); a própria senhora que mora em um país da qual não aprendeu a se comunicar; a dependência da tecnologia (Clay, em determinado ponto diz ser incapaz de dirigir sem um GPS – pensemos o seu futuro então com a IA), uma espécie de preguiça mental que nos faz abdicar de aprender coisas novas (deixe  que a tecnologia resolva !); há também uma crítica de como ao as comunicações caírem as pessoas se sentem aleijadas, sem possibilidade de reação, paralisadas. Os Teslas desgovernados (uma indicação do quanto é fraca a fé que colocamos na tecnologia que pode ser acessada a qualquer momento e ser posta contra nós). Quando Amanda declara: “Eu odeio as pessoas”, ela também está falando sobre si mesma. Quando dois personagens dançam é uma indicação de que o disco, a mídia física, ainda tem sua utilidade. O sentimento de pânico generalizado quando não temos acesso imediato a informação (nos dias atuais visualizar uma mensagem e não responder imediatamente pode deixar a outra pessoa tensa e até considerar uma ofensa – Scott fala da época de cartas que levavam semanas e meses para chegarem e serem respondidas – de imediato somente um telegrama, algo considerado como assunto sério). Duas famílias que não se conhecem sendo obrigadas a abrigar-se sob o mesmo teto é algo muito difícil num mundo da qual as pessoas cada vez mais sentem menos necessidade de criarem interações físicas, talvez nem percebam que estão perdendo a capacidade de se relacionarem (o filme utiliza essas seis pessoas como um painel da sociedade americana frente a um possível apocalipse). Há uma manada de alces que se reúne na floresta atrás da casa, pode ser uma alusão à estória contada pela menina sobre o envio de ajuda divina e o homem não aceitando / percebendo. Aqui pode ser uma referência a aliança com Deus que cada vez mais o homem rejeita - Há um grito por parte das mulheres (a rejeição?)- e os animais se dispersam, para não mais serem vistos – pode significar que agora eles estarão a sua própria sorte (no livro eles se juntam apenas porque percebem o eminente desastre – animais se juntam, seres humanos tendem a se dividirem). Muito interessante sabermos que o filme é da Netflix e que nesse mundo o streaming será um dos primeiros a ficar indisponível. Rose é a representação da geração que se adapta rápido. A jovem se mostra individualista (no bunker – pensando apenas em si) e novamente temos as mídias físicas (disco, cds, livros, dvds) como a única coisa capaz de ser utilizada. A série que Rose tanto ama seria o escapismo que muitos buscam para esquecerem da vida cotidiana? As mãos dadas das mulheres, perto do final, significa a percepção de que a sobrevivência depende da união.  A questão dos dentes pode ser uma emanação sônica ou a radiação que começa a fazer efeito. O personagem de Kevin Bacon simboliza aqueles que mantém uma cordialidade  aparente até o momento em que se sentem ameaçados. Para ele é cada um por si (individualista), não há essa coisa de conhecidos, colegas e amigos. É apenas ele e a família e pouco se importa com a carência alheia (desde que ele não precise também, aí tudo pode mudar. É isento de empatia, sempre foi, mas sempre escondeu para manter uma "boa vizinhança"). Claro que há outras referencias.... cabe a cada um refletir e descobrir as pequenas nuances escondidas na estória. 

É sobre como as pessoas abriram mão de relacionamentos (amizades, conversas, interações) para terem amigos virtuais, muitas vezes, da qual nunca conheceram pessoalmente e nem sabem se realmente são quem dizem ser. Hoje muitas pessoas gostam mais daqueles que "conhecem" no mundo virtual (como, por exemplo, celebridades com quem nunca tiveram um contato diário ou próximo - em contraponto provavelmente essas “celebridades” não terão o menor interesse na vida real de conhecer essas pessoas) do que os que participam de suas vidas. Na nossa sociedade atual muitas pessoas almoçam juntas no trabalho, mas cada uma conectada em seu celular (o mundo digital e impessoal). E há os inimigos habituais neste mundo globalizado: os estrangeiros (como na questão dos panfletos). Cogita-se também um possível ataque cibernético, radiação, armas sônicas, desastre ambiental, uma guerra civil impetrada um país inimigo em uma nação facilmente manipulável, a desconfiança no próprio vizinho. O filme coloca os personagens no dilema clássico. Eles devem se unir (Rousseau) ou suspeitar uns dos outros (Hobbes)? .

O elenco é muito bom: Julia Roberts e Ethan Hawke funcionam como um casal que vive junto, mas são muito diferentes, assim como Farrah Mackenzie que vive em um mundo próprio e Charlie Evans, um adolescente como tantos outros. Mahershala Ali e Myha'la tmbém estão muito bem, ele como um executivo bem sucedido e ela como uma adolescente de temperamento mais arredio. A presença de Kevin Bacon como o sobrevivencialista armado reforça que, quando o sistema cai, o homem volta a ser o lobo do homem e Vanessa Aspillaga a mulher na estrada. 

Na verdade, o título traduzido do original "Deixe o Mundo Para Trás" talvez ajudasse mais ao espectador brasileiro a saber o que melhor esperar do filme. É uma obra interessante, que foge das produções habituais, por apresentar uma estória bem reflexiva, mas não a isenta de poder ter sido realizada de um modo mais envolvente. No final, o perigo pode ser a nossa própria incapacidade de viver sem um roteador.


Trailer:



Curiosidades:

A imagem das ondas no quarto superior muda durante o filme. A maré está subindo. O mesmo se aplica à imagem em preto e branco na sala de estar, que lembra uma imagem mutável de Rorschach.

O sobrenome do vizinho de GH é Huxley, uma homenagem a Aldous Huxley, que escreveu Admirável Mundo Novo e outros romances que pintaram imagens de futuros distópicos onde a tecnologia se tornou aquilo que corrompe a humanidade e é usada como forma de prejudicar as pessoas.

O laptop de Amanda e os kits de emergência que Danny compra na loja são feitos pela E-Corp, uma corporação fictícia que foi central na trama do projeto anterior do escritor/diretor Sam Esmail, a série "Mr. Robô: Sociedade Hacker" (2015). Um livro "Toalha de Praia" escrito por outro Sr. O personagem robô, Irving, também aparece.

Denzel Washington foi escalado, mas desistiu e foi substituído por Mahershala Ali.

O personagem de Kevin Bacon é um preparador muito detalhado. Ele tem um salgueiro crescendo em seu quintal. O ácido acetilsalicílico (AAS/aspirina) é sintetizado a partir da casca do salgueiro.

A atriz Julia Roberts (Amanda) e sua filha Farrah Mackenzie (Rose) realmente se uniram ao fazer o filme. Roberts, famosa por ser uma “garota descalça” na vida real, passou boa parte do filme descalça, e Mackenzie fez questão de seguir o exemplo, ficando descalça diante das câmeras sempre que podia. Na cena em que Rose encontra pela primeira vez a matilha de veados no quintal da sala, ela insiste em andar descalça. (Ela até recomendou a foto que mostra um close de seus pés descalços andando pelo gramado.) Mackenzie fez isso porque sentiu que seria assim que Roberts teria feito a cena.

A arte da parede do quarto principal muda cada vez que o clima se intensifica, segundo o artista Adam Hall.

O filho Archie usa uma camiseta "Obey" com a imagem de Andre The Giant. Esta é uma obra de arte de Shepard Fairey, mais conhecido por sua obra de arte "Hope" de Barack Obama. Barack e Michele Obama atuam como produtores executivos deste filme.

Ruth afirma que assistir "Friends" foi "nostálgico por uma época que nunca existiu". Esta linha é quase literal de uma composição de Jello Biafra e Mojo Nixon, "Nostalgia for an Age That Never Existed", que foi lançada em março de 1994, apenas 6 meses antes da estreia de "Friends". Embora a letra descreva as tendências de romantização das décadas passadas, é também uma condenação da idealização dos tempos atuais, sendo vista aqui aos olhos do presente exatamente como a mesma coisa.

Tanto Julia Roberts quanto Mahershala Ali são vencedores do Oscar – um prêmio para Julia e dois para Mahershala Ali – enquanto Ethan Hawke foi indicado 4 vezes, mas nenhuma vitória.

Esta é a terceira colaboração de Sam Esmail e Julia Roberts depois de Gaslit (2022) e da primeira temporada de Homecoming: De Volta à Pátria (2018).

Neste filme, Rose, filha da personagem de Julia Roberts, é obcecada por Friends. Julia Roberts não apenas estrelou um episódio de Friends, ela também namorou Matthew Perry (que estrelou como Chandler Bing) por um curto período de tempo.

Julia Roberts e Kevin Bacon já apareceram juntos em Linha Mortal (1990)

O piloto morto na praia usa um crachá que diz: "Capitão Esmail" - ele é o diretor, Sam Esmail.

Quando a personagem de Julia Roberts (Amanda) está na cozinha exigindo saber o que Scott sabe, a pintura atrás dela lembra o momento em que os folhetos vermelhos flutuam do drone para o carro de Clay.

Ao tentar descobrir a causa do barulho agudo ouvido durante o filme e a origem da doença de Archie, um personagem menciona uma arma de micro-ondas, afirmando que foi usada em Havana, Cuba. Esta é uma referência à chamada série de doenças "Síndrome de Havana" que atingiu alguns EUA. e diplomatas canadenses, militares e outros funcionários do governo em Havana (e depois em outros lugares) a partir de 2016. Grupos de pessoas relataram uma variedade de sintomas (desde náuseas, dores de cabeça e outras dores, e zumbidos nos ouvidos até disfunção cognitiva) ; alguns relataram ter ouvido um som penetrante . Os meios de comunicação aproveitaram a ideia de que um inimigo estrangeiro dos EUA pode ter usado algum tipo de arma sônica ou de micro-ondas e relatado essa especulação tão amplamente que muitos no público em geral ainda acreditam e apresentam isso como um fato. Mas investigações realizadas por sete EUA diferentes agências de inteligência relataram em 2022 e 2023 que não há evidências confiáveis ​​de que um adversário estrangeiro como Cuba, Rússia ou China tenha sido responsável ou mesmo possua tal arma, e que entre mais de mil casos supostos, as causas de apenas cerca de duas dúzias os casos ainda eram desconhecidos.

Durante uma sequência dramática, a família Sandford é frustrada em sua tentativa de deixar Long Island por uma fila de carros parados. Mas eles logo percebem que o que parece ser um engarrafamento é mais complicado: na verdade, são centenas de Teslas que foram sequencialmente hackeados, dirigidos automaticamente e colidiram uns com os outros em uma manobra remota para inutilizar as estradas – uma clara mensagem de advertência Sobre a função autodrive, uma tecnologia que tem gerado polêmica na vida real. 

Rose, a filha, fica chateada durante todo o filme porque não consegue assistir ao último episódio de Friends, intitulado "The Last One". A Parte IV do filme é chamada de “O Último”.

Os carros brancos empilhados na rodovia são todos Tesla Model 3 (isso é sugerido por sua silhueta nos créditos iniciais). Embora as informações exibidas no adesivo de fábrica sobre a direção autônoma sejam totalmente precisas, essas informações não aparecem no adesivo real.


Cartaz:













Filmografia Parcial:

Julia Roberts







Três Mulheres, Três Amores (1988); Uma Linda Mulher (1990); Linha Mortal (1990); Dormindo com o Inimigo (1991); Tudo por Amor (1991);  Hook: A Volta do Capitão Gancho (1991); O Dossiê Pelicano (1993); Adoro Problemas (1994); Adoro Problemas (1994); O Segredo de Mary Reilly (1996); Michael Collins: O Preço da Liberdade (1996); O Casamento do Meu Melhor Amigo (1997); Um Lugar Chamado Notting Hill (1999); Noiva em Fuga (1999); Erin Brockovich: Uma Mulher de Talento (2000); Onze Homens e um Segredo (2000); Doze Homens e Outro Segredo (2004); Duplicidade (2009); Comer, Rezar, Amar (2010); Extraordinário (2017); O Mundo Depois de Nós (2023)


Mahershala Ali







O Curioso Caso de Benjamin Button (2008); Território Restrito (2009); Território Restrito (2010); O Lugar Onde Tudo Termina (2012); Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1 (2014); Jogos Vorazes: A Esperança - O Final (2015); Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016); Luke Cage (seriado / 2016); Estrelas Além do Tempo (2016); Um Estado de Liberdade (2016); Roxanne Roxanne (2017); Green Book: O Guia (2018), Homem-Aranha: No Aranhaverso (narração -2018), Rosa Salazar in Alita: Anjo de Combate (2019), Mahershala Ali in True Detective (2019), O Canto do Cisne (2021), Homem-Aranha: Através do Aranhaverso (narração - 2023), O Mundo Depois de Nós (2023)


Ethan Hawke







Sociedade dos Poetas Mortos (1989); Caninos Brancos (1991); Que Garota, Que Noite (1991); Vivos (1993); Caindo na Real (1994); Caninos Brancos 2: A Lenda do Lobo Branco (1994); Gattaca - Experiência Genética (1997); Newton Boys - Irmãos Fora-da-Lei (1998); Dia de Treinamento (2001); Assalto à 13ª Delegacia (2005); O Senhor das Armas (2005);  2019 - O Ano da Extinção (2009); Estranha Obsessão (2011); A Entidade (2012); Uma Noite de Crime (2013); Boyhood: Da Infância à Juventude (2014); O Predestinado (2014); A Entidade 2 (2015); Regressão (2015); Sete Homens e um Destino (2016); Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (2017).


Farrah Mackenzie






Sitter Cam (2014), Coat of Many Colors (2015), Alien Hunter (curta 2016), Selling Isobel (2016), Christmas of Many Colors: Circle of Love (2016), Fica Comigo (2017), Logan Lucky: Roubo em Família (2017), Tudo que Quero (2017), Lawless Range (2018), Ascension (2018), Utopia (série - 2020), Estados Unidos do Al (série 2021-2022), O Mundo Depois de Nós (2023)


Myha'la







Rehabilitation of the Hill (2018), Premature (2019), Plano B (2021), Morte, Morte, Morte (2022), Industry (serie 2020-2022), The Honeymoon (2022), Academy (2023), Dinheiro Fácil (2023), O Mundo Depois de Nós (2023)


Charlie Evans






Everything's Gonna Be Okay (serie 2020), O Mundo Depois de Nós  (2023)


Kevin Bacon






Sexta-Feira 13 (1980); Footloose - Ritmo Louco (1984); O Ataque dos Vermes Malditos (1990); Linha Mortal (1990); Questão de Honra (1992); O Rio Selvagem (1994); Apollo 13 - Do Desastre ao Triunfo (1995); Sleepers - A Vingança Adormecida (1996); Ecos do Além (1999); O Homem Sem Sombra (2000); Encurralada (2002); Sobre Meninos e Lobos (2003); Sentença de Morte (2007); Trilhos do Destino (2007); Frost / Nixon (2008); Olho por Olho (2011); X-Men: Primeira Classe (2011), Amor a Toda Prova (2011), O Carro de Jayne Mansfield (2012), R.I.P.D. - Agentes do Além (2013), A Viatura (2015), The Following (serie 2013-2015), Aliança do Crime (2015), A Escuridão (2016), O Dia do Atentado (2016)


Vanessa Aspillaga






Um Amor de Verdade (1993), Stringer (1999), A Mulher do Meu Melhor Amigo (2001), Aller simple pour Manhattan (2002), Lei & Ordem (4 episódios - 1990), Amor e Outras Drogas (2010), Uma Manhã Gloriosa (2010), As Golpistas (2019), Terror no Dia das Bruxas (2019), Câmera Indiscreta (2020), Um Diário para Jordan: Memórias de Amor e Perda (2021), O Mundo Depois de Nós (2023)

sábado, 28 de março de 2020

O CULTO / THE ENDLESS (2017) - ESTADOS UNIDOS


IDIOSSINCRASIAS SOMBRIAS
(o texto contém alguns spoilers)


"A mais velha e a mais forte emoção da raça humana é o medo, o mais velho e forte tipo de medo é o medo do desconhecido " H.P Lovecraft

Justin (Benson) e seu irmão mais novo Aaron (Moorhead) vivem presos a um cotidiano angustiante: possuem um emprego em que são mal remunerados, não possuem amigos, nem namoradas. A dupla frequenta semanalmente um psicólogo que tenta algum tipo de ajuda, mas o atrito entre os irmãos não diminui. Justin e Aaron perderam a mãe em um acidente, foram criados por uma comunidade chamada "Acampamento Arcádia" que segundo denuncias de Aaron cometeria suicídio coletivo, inclusive com castrações dos adultos.  Ele conseguiu fugir e levou seu irmão mais novo, denunciando o fato na imprensa como o “culto da morte UFO”, mas Aaron só consegue se lembrar de uma vida idílica, com comida saudável, brincadeiras e uma comunidade acolhedora. A situação começa a mudar quando Aaron recebe uma fita pelos Correios que mostra que a comunidade não cometeu nenhum assassinato coletivo e que todos parecem estar muito bem, inclusive na aparência, pois já se passaram mais de uma década do acontecido.



Justin, diante da frustração do irmão e a vontade deste de regressar à comunidade nas colinas da California, para rever velhos amigos, resolve acompanhar Aaron. Quando chegam ao local são bem recebidos e perdoados, principalmente Justin, por ter “disseminado mentiras” que criaram repulsa à comunidade. Os irmãos percebem que o local sobrevive através da venda de cerveja artesanal e trabalhos artísticos de seus integrantes. O que era para ser apenas uma noite de visita tornam-se dias com Aaron desejando permanecer definitivamente no local. Enquanto isso Justin percebe, no grupo e em seu líder (Tate Ellington), certo ar de descontentamento com a sua presença, ao mesmo tempo em que alguns fenômenos parecem ocorrer no local demostrando estarem em grande perigo.



O Culto (The Endless – algo como “O Infinito”) abre com uma citação do autor de terror cult H.P. Lovecraft e colheu críticas favoráveis da mídia especializada e público por ser um filme de ficção-científica independente, modesto, que prende pela ótima performance dos protagonistas e as reviravoltas que vão surgindo ao longo da estória. O filme é uma continuação de “Restoration” (2013), mas não se necessita assistir ao primeiro filme para compreender os fatos que aqui ocorrem. A dupla de diretores, que também atua como protagonistas e construtores da estória (Benson), foram estagiários na companhia do cineasta Ridley Scott (Aliens) e mostraram que aprenderam muito bem como desenvolver um filme que prende do início ao fim.


Enquanto tenta abordar o relacionamento de irmãos, a necessidade de se sentir pertencente e a questão de “perder a sua liberdade, mas se sentir feliz ou ter liberdade, mas não conseguir concretizar a vida sonhada”, os diretores inserem alguns elementos que fazem tudo fluir a contento: fenômenos inexplicáveis; uma estranha seita; um ritual noturno bizarro;física quântica, uma equação matemática obscura; looping temporal; uma possível entidade; uma maldição daqueles que ali se estabelecem e o que os membros da seita esperam: o que eles chamam de ascensão.


Há momentos muito curiosos que vão se explicando aos poucos: o ritual da corda gigante que se estende para um breu; a mulher que procura o marido; o homem enforcado; o minerador do século XIX que morre repetidamente em segundos em um angustiante ciclo; as duas luas, o estranho comportamento dos pássaros; pequenas esferas geográficas gerando distorções espaciais e temporais (um dos motivos dos jovens poderem se deslocar esteja no fato de que ainda não foram fixados em uma); uma presença opressiva e invisível... talvez tudo seja apenas confrontar o passado e abraçar o desconhecido, mas qual o preço a se pagar?


O Infinito é ficção científica, metafísico, disfarçado de drama cotidiano que fala sobre uma possível entidade que mexe com a estrutura do tempo / espaço a conduzir uma sombria sinfonia apocalíptica ao usar membros da comunidade como instrumentos para consecução dos seus objetivos. É um filme que segundo os cineastas dará todas as respostas, bastando uma apurada observação, que faz pensar e é direcionado aqueles que gostam de produções que espalham várias peças para depois o espectador juntar o quebra-cabeças. Um filme acima da média quando vemos como foi produzido e o valor investidos pelos envolvidos.

Trailer:



Curiosidades:
Os cineastas usam a música "House of the Rising Sun" por toda parte porque as letras são de domínio público, o que os ajudou a permanecer dentro do seu orçamento limitado.

O primeiro filme de gênero a ser exibido na Competição dos EUA no Festival de Cinema de Tribeca desde "Deixa Ela Entrar" (2008).

A decisão de Justin Benson e Aaron Moorhead também atuarem no filme foi em grande parte uma tentativa de manter o orçamento baixo

Na sala onde a equação matemática está no quadro-negro, há um globo no canto que mostra o sudeste da Ásia e a Austrália. Mas eles não são mostrados na configuração da geografia atual porque a Austrália no mundo está conectada à Papua Nova Guiné e à Tasmânia, o que aconteceu pela última vez há mais de 12.000 anos.



Filmografia:
Aaron Moorhead










Resolution (2012);  Contracted: Phase II (2015); O Culto (2017); I Blame Society (2020)

Justin Benson











Contracted: Phase II (2015);  Dementia (2015); O Culto (2017); After Midnight (2019); Nurse Hollings

Callie Hernandez









Machete Mata (2013); Sin City: A Dama Fatal (2014); ILa La Land: Cantando Estações (2016); Bruxa de Blair (2016); O Culto (2017); Alien: Covenant (2017);Graves (seriado 2016 a 2017); Under the Silver Lake (2018); Soundtrack (seriado 2019); One of These Days (2020)

Tate Ellington









The Elephant King (2006); Rastros de Vingança (2008); O Retorno de Um Herói (2009); O Primeiro Mentiroso (2009); Lembranças (2010); Straight Outta Compton: A História do N.W.A. (2015); A Entidade 2 (2015); Quantico (seriado 2015 a 2016); O Culto (2017); Wanderland (2018); A Patient Man (2019); Tone-Deaf (2019)