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terça-feira, 7 de julho de 2026

UM ROSTO NA MULTIDÃO / A FACE IN THE CROWN (1957) - ESTADOS UNIDOS


O PODER MUDA DE PLATAFORMA. NUNCA DE NATUREZA.

Marcia Jeffries (Patricia Neal), uma jornalista de rádio do interior do Arkansas, visita uma cadeia local para entrevistar detentos e descobre Larry "Lonesome" Rhodes (Andy Griffith), um andarilho carismático que canta e filosofa com sarcasmo. O sucesso imediato de sua participação no programa transforma-o em uma celebridade local, e inicia uma trajetória que converterá popularidade em influência, influência em riqueza e riqueza em poder sobre a própria sociedade e a atenção de executivos da televisão de Nova York. Rapidamente, ele é moldado por publicitários, empresários e patrocinadores, tornando-se o astro de um programa de rede nacional, onde sua postura aparentemente simples, seu humor ferino e seus apelos emocionais conquistam a devoção de milhões de telespectadores. À medida que sua influência cresce, Rhodes ultrapassa o entretenimento e passa a interferir na política, aliando-se a um senador para influenciar a opinião pública. Nos bastidores, porém, revela-se um homem megalomaníaco, manipulador e profundamente cínico, que despreza justamente o público responsável por sua ascensão. Mais do que a ascensão de um homem, Um Rosto na Multidão acompanha o nascimento de um novo tipo de poder.

Dirigido por Elia Kazan (1909-2003) que vinha de dois sucessos, Sindicato de Ladrões (1954) e Vidas Amagas (1955), e tendo Budd Schulberg (1914-2009) como roteirista e oscarizado pelo filme de 1954, Um Rosto na Multidão revela-se um dos filmes mais visionários dos anos 1950, ao nos mostrar um estudo sobre comunicação de massas que antecipou fenômenos como celebridades midiáticas, marketing político, cultura dos influenciadores e a personalização do poder, além da facilidade com que uma democracia pode entregar enorme poder a um comunicador carismático. O filme praticamente antecipa como nasce um "influenciador digital", cinquenta anos antes da internet.

A dupla Kazan e Schulberg não condenam a televisão, esta é apenas o instrumento. Eles condenam a idolatria, nos mostrando que a tecnologia pode mudar constantemente, mas o comportamento humano permanece. E que o problema não é apenas do manipulador, é também da necessidade coletiva de encontrar alguém que pense por nós. Isso faz com que o verdadeiro protagonista talvez não seja Rhodes e sim a própria multidão (como no título que nos diz “...The Crown” – “Multidão”).

Kazan não filmou o futuro da televisão. Filmou o futuro da influência. E lembremos que em 1957, Hollywood vivia uma crise profunda. Depois da Segunda Guerra Mundial, a televisão entrou rapidamente nos lares americanos. Milhões de pessoas deixaram de frequentar o cinema com a regularidade dos anos 1940. Os grandes estúdios perderam público e dinheiro. Mas aqui a televisão não cria o problema. Ela o amplifica. Vejamos: Marcia utiliza a TV para dar voz ao povo. Rhodes utiliza a TV para alimentar seu ego. Os patrocinadores utilizam a TV para vender. Os políticos utilizam a TV para conquistar votos. É uma crítica ao nascimento de uma sociedade na qual tudo pode ser vendido, inclusive pessoas, candidatos e opiniões. Você pode dizer que o cinema não escaparia dessa lógica. Hollywood também fabricava estrelas, construía imagens públicas, escondia escândalos, transformava pessoas em mercadorias. Só que se o cinema criava estrelas, a televisão criava presença diária. Um astro do cinema aparecia algumas vezes por ano. Rhodes entra na casa das pessoas todos os dias, quase como um membro da família. Essa diferença é gigantesca.

Outra pergunta que o roteiro nos deixa e que é de suma importância para reflexão é: Por que milhões de pessoas querem tanto acreditar nesse homem? O fato é que Rhodes se torna famoso, passa a opinar sobre política, economia, comportamento e moral. E milhões passam a acreditar nele simplesmente porque ele é famoso (vejam o quanto esse filme é atual). Essa talvez seja a crítica mais visionária do filme, um filme de 1957, na qual Kazan e Schulberg já enxergavam esse fenômeno, que hoje poderíamos chamar de "autoridade por celebridade". Quando Rhodes se torna muito famoso, muitas pessoas passam a dar peso às suas opiniões sobre qualquer assunto. É como se a fama criasse uma falsa impressão de que aquela pessoa é competente em tudo. Sua competência em entreter passa a ser confundida com competência para orientar a sociedade. O filme pontua de uma forma bem coesa como uma sociedade fabrica seus ídolos, os transforma em deuses e, quando finalmente percebe quem eles realmente são, os destrói com a mesma velocidade com que os construiu. É um ciclo. E esse ciclo continua acontecendo até hoje.

Quanto ao elenco, Andy Griffith, em sua estreia, fez um personagem que, no início, se apresenta como uma pessoa sem passado definido, espontânea, engraçada, próxima do povo . Rhodes não entra oficialmente para a política, mas por ser um apresentador popular, controlando a percepção pública, passa a possuir mais influência que políticos tradicionais. Os índices crescentes de audiência lhe dão um imenso poder e acesso a um círculo social poderoso. O problema é que, na frente das câmeras, ele realmente possui carisma (carisma sem caráter se torna uma arma). Ele realmente fala o que as pessoas comuns querem ouvir. Ele realmente sabe improvisar. Outro problema é que ele é um homem sem princípios, percebido pelos que estão atrás das câmeras. E ele descobre que pode usar esse talento para dominar ou descartar quem o contrarie. E como seria o nosso Rhodes nos dias atuais? Provavelmente Rhodes surgiria: fazendo lives espontâneas; gravando vídeos curtos; comentando acontecimentos do dia; usando humor agressivo; ridicularizando figuras públicas. E sabemos que os algoritmos premiam emoção; indignação; polêmica; conflito; frases curtas ... certezas absolutas . E o nosso Rhodes moderno compreenderia isso intuitivamente. Hoje ele poderia transmitir durante horas sem qualquer editor. No início do filme, Rhodes é apresentado como "a voz do povo". No final, ele já não consegue ouvir o povo, ele ouve apenas a própria voz. Rhodes não mudou. O que mudou foi a nossa (leia-se o público do filme) percepção dele

Já Patricia Neal interpreta Marcia Jeffries, outro personagem bem complexo. Ela se apaixona de imediato por Rhodes, o que faz com que ela ajude a criar o fenômeno. Ela acompanha a ascensão meteórica do que achava ser seu pupilo, suporta suas explosões de temperamento e justifica seus excessos. Mas “Lonesone” não segue regras, não segue conselhos, não demonstra empatia com problemas alheios, nem se importa de magoar Marcia. Talvez ela nunca tenha conhecido Rhodes de verdade. Esta percebe que perdeu completamente o controle sobre sua criação, num quase paralelo com o mito de Frankenstein: ela construiu um monstro midiático e já não consegue detê-lo.  Quando ele finalmente revela arrogância e desprezo pelo público, muitos ficam chocados. Na verdade, ele apenas parou de representar. Márcia é sua criadora e, ao mesmo tempo, sua consciência moral.

Fechando a trinca de atores, temos Walter Matthau como Mel Miller, um roteirista cínico, mas sua importância talvez seja maior. Ele observa, comenta e compreende a tragédia antes dos demais personagens. Ele sabe quem é “Lonesone”. Só falta os outros descobrirem. Marcia enxerga Rhodes pelo prisma do amor. Os patrocinadores o enxergam pelo dinheiro. Os políticos o enxergam pelos votos. O público o enxerga pelo carisma. Miller é praticamente o único que o enxerga como um homem comum, cheio de vaidade. Ele conhece a máquina, o que o torna um observador privilegiado. Ele sabe que a publicidade vende ilusões; que a televisão fabrica personagens; que os patrocinadores compram influência e que a audiência compra poder. Ele vive dentro desse sistema e por isso há sempre um cinismo em suas falas. É um cinismo de quem já viu aquilo acontecer outras vezes. Talvez, para Miller, Rhodes seja apenas o caso mais extremo. A destacar, a estreia da jovem Lee Remick (A Profecia).

O filme faz outra pergunta muito atual: Por que alguém que é bom em entreter (ou comunicar), até mesmo fora da esfera televisiva, deveria saber em quem devemos votar ou como devemos pensar? Essa é uma crítica fortíssima, se percebermos, hipoteticamente, que um ator famoso pode falar sobre política; um cantor pode opinar sobre economia; um influenciador pode comentar sobre medicina. As pessoas muitas vezes acreditam neles não porque sejam especialistas, mas porque já gostam deles. Esse é o mecanismo que o filme antecipa. Outro fator seria que muitas pessoas preferem receber respostas prontas a enfrentar a responsabilidade de pensar por si mesmas. O ser humano tem uma tendência a confiar em figuras que lhe transmitam segurança, identidade ou esperança. Se realizado hoje, o final talvez fosse bem diferente. Se no filme um microfone aberto determina a derrocada, em tempos atuais talvez um vídeo vazado não bastasse. Parte do público diria que o vídeo foi tirado de contexto, que seria uma perseguição. Muitos diriam: "ainda assim continuo apoiando". Isso talvez tornasse o Rhodes atual ainda mais resistente, pois se no filme, ele precisava conquistar milhões para sobreviver, hoje ele poderia sobreviver com uma minoria extremamente fiel. "Lonesome" Rhodes realmente desapareceu ou apenas mudou de plataforma? 

Um Rosto na Multidão, em 1957, focou no rádio e televisão. Se realizado nos dias atuais, elegeria para seu alvo as redes sociais alicerceadas pelos algoritmos, influenciadores, deep fakes e a inteligência artificial. Hoje, a velocidade com que uma pessoa alcança milhares é quase instantânea. Celebridades são criadas da noite para o dia e muitas ditam o que as pessoas devem pensar; em quem acreditar; qual caminho seguir; quem é o inimigo; qual é a verdade... o que consumir ... A reflexão que lhes deixo é: Quem cria um ídolo? Quem transforma um apresentador em autoridade política? Quem entrega poder a alguém apenas porque ele é carismático? Hannah Arendt nos disse que o problema político não reside apenas no tirano, mas na estrutura que torna possível sua ascensão ... O mecanismo permanece. Só muda o meio. A reputação continua sendo construída e destruída pela exposição pública. Quem depende da aclamação coletiva vive igualmente sujeito à rejeição coletiva. Em tese, em 1957, o filme parecia dizer: “cuidado, a televisão pode criar e destruir pessoas." Em 2026, poderíamos atualizar essa frase para: ”cuidado, qualquer câmera ligada à internet pode criar e destruir pessoas”.


Trailer:



Curiosidades:

Elia Kazan e Budd Schulberg passaram meses pesquisando o mundo da publicidade, até mesmo tendo acesso a reuniões de agências de publicidade, a fim de entender a forma como a Madison Avenue abordava e moldava o pensamento do público americano.

Lee Remick, fazendo sua estreia no cinema como a sexy giradora de bastões, apareceu no set três semanas antes, para poder treinar com as majorettes da escola secundária local

O personagem Lonesome Rhodes foi baseado em várias personalidades da vida real, incluindo Arthur Godfrey, Huey Long, Will Rogers e até Billy Graham.

Marlon Brando recusou o papel de Lonesome Rhodes.

R.G. Armstrong, que interpretou o operador de teleprompter no filme, foi colega de classe de Andy Griffith na Universidade da Carolina do Norte e eles permaneceram bons amigos pelo resto de suas vidas. Armstrong apareceu em um episódio de The Andy Griffith Show (1960) e um episódio de duas partes de Matlock (1986).

O elenco inclui três vencedores do Oscar: Patricia Neal, Burl Ives e Walter Matthau; e quatro indicados ao Oscar: Anthony Franciosa, Lee Remick, Kay Medford e Rip Torn.

Lonesome Rhodes disse ao senador Worthington Fuller que 65 milhões de americanos assistem ao programa de Rhodes toda semana. Em 1957, esse público representava quase 40% da população dos EUA

Lee Remick tinha 21 anos na época da estreia deste filme. Sua personagem tinha 17 anos.

Patricia Neal (1926-2010) foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por A História de Três Estranhos (1969) e Venceu o Oscar de Melhor Atriz por  O Indomado (1963)

Anthony Franciosa (1928-2006) foi Indicado ao Oscar por Carcere Sem Grades (1957) e indicado 3 vezes ao Globo de Ouro

Walter Matthau venceu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por Uma Loura por um Milhão (1966). Também foi Indicado ao Oscar de Melhor Ator por Ainda Há Fogo Sob as Cinzas (1971)  e Melhor Ator Coadjuvante por Uma Dupla Desajustada (1975)

Lee Remick foi indicada ao Oscar por Vício Maldito (1962)


Cartazes:






Andy Griffith no seriado Operação Resgate / Salvage 1 (1979)









Filmografias Parciais:

Andy Griffith (1926-2012)






Um Rosto na Multidão (1957); Esse Sargento é de Morte (1958); Mau Tempo pela Proa (1958); Furacão de Saias (1961); The Andy Griffith Show (1960-1968); Um Anjo no Meu Bolso (1969); Pergunte a Alice (1973); Rezemos pelos Audazes (1974); Sangue na Neve (1974); Savages (1974); Do Oeste para a Fama (1975); A Sósia (1977); Jogo Mortal (1977); Raízes II (1979); Operação Resgate (seriado 1979); Assassinato no Texas (1981); O Exorcista do Demônio (1983); O Vaqueiro Cantador (1985); Crime da Inocência (1985); Aparências (1986); Matlock (1986–1995); Inesperado Reencontro (1995); Duro de Espiar (1996); O Último Pedido (1998); Uma Canção para Dois (1999); Tudo em Família (2001); Um Avô Sedutor (2009)


Patricia Neal (1926-2010) 






Cupido Faz das Suas (1949); Vontade Indômita (1949); Coração Amargurado (1949); Cinzas ao Vento (1950); Três Segredos (1950); Redenção Sangrenta (1950); Águas Traiçoeiras (1951); Escrava da Cobiça (1951); O Dia em que a Terra Parou (1951); Feitiço de Amor (1951); Missão Perigosa em Trieste (1952); A Indiscreta (1952); Falsa Verdade (1952); Um Rosto na Multidão (1957); Bonequinha de Luxo (1961); O Indomado (1963); Cega de Amor (1964); A Primeira Vitória (1965); A História de Três Estranhos (1968); Paixão e Crime (1971); O Estranho Mundo de Baxter (1973); A Love Affair: The Eleanor and Lou Gehrig Story (1977); Passageiros do Inferno (1979); Nada de Novo no Front (1979); A História de Patricia Neal (1981); Histórias de Fantasmas (1981); O Amor Mostra o Caminho (1984); Votos Quebrados (1984); Traída Pela Justiça (1992); A Fortuna de Cookie (1999)


Walter Matthau (1920-2000)






Homem Até o Fim (1955); A Um Passo da Morte (1955); Delírio de Loucura (1956); Um Rosto na Multidão (1957); Assassinato na 10ª Avenida (1957); Balada Sangrenta (1958); Párias da Vida (1958); Mau Tempo pela Proa (1958); Na Rota dos Proscritos (1958); O Nono Mandamento (1960); Sua Última Façanha (1962); Adorável Trapaceiro (1963); Charada (1963); O Barco do Desespero (1964); Limite de Segurança (1964); Um Amor do Outro Mundo (1964); Miragem (1965); Loura por um Milhão (1966); Maridos em Férias (1967); Um Estranho Casal (1968); Diário Íntimo de uma Mulher (1968); Alô, Dolly! (1969); Flor de Cacto (1969); O Caçador de Dotes (1971); O Hotel das Ilusões (1971); Ainda Há Fogo Sob as Cinzas (1971); Reencontro do Amor (1972); O Homem que Burlou a Máfia (1973); Matança em São Francisco (1973); O Sequestro do Metrô (1974); Terremoto (1974); A Primeira Página (1974); Uma Dupla Desajustada (1975); Garotos em Ponto de Bala (1976); Unidos por um Ideal (1978); Um Viúvo Trapalhão (1978); A Garotinha que Caiu do Céu (1980); O Espião Trapalhão (1980); Um Juiz Muito Louco (1981); Amigos, Amigos, Negócios à Parte (1981); Sonhando com a Fama (1982); O Negócio é Sobreviver (1983); Promessa é Dívida (1985); Piratas (1986); Uma Alucinante Viagem (1988); O Pequeno Diabo (1988); A Justiça Fala mais Alto (1990); O Cavalheiro de Branco (1991); JFK: A Pergunta que Não Quer Calar (1991); Dennis, o Pimentinha (1993); Dois Velhos Rabugentos (1993); A Teoria do Amor (1994); Ensina-me a Viver (1995); Dois Velhos Mais Rabugentos (1995); Rabugentos & Mentirosos (1996); Dois Parceiros em Apuros (1997); Meu Melhor Inimigo (1998); Amor Após a Morte (1998); Linhas Cruzadas (2000)


Anthony Franciosa (1928-2006) 






Esta Noite ou Nunca (1957); Um Rosto na Multidão (1957); Cárcere Sem Grades (1957); A Fúria da Carne (1957); O Mercador de Almas (1958); Calvário da Glória (1959); Drama na Página Um (1959); Nua no Mundo (1961); Desejo que Atormenta (1962); Contramarcha Nupcial (1962); Em Busca do Prazer (1964); Passaporte para o Perigo (1966); Assalto a um Transatlântico (1966); A Falsa Libertina (1966); Jogo Perigoso (1966); A Espiã que Veio do Céu (1967); Oferece-se Pistoleiro (1968); A Praia dos Desejos (1968); Os Audaciosos (seriado 1968–1970); Na Teia da Aranha (1971); Terra 2 (1971); A Máfia Nunca Perdoa (1972); Controle Remoto (seriado 1972–1973); O Fantasma do Sol de Meio-Dia (1974); A Piscina Mortal (1975); Matt Helm (seriado 1975–1976); A Maldição da Viúva Negra (1977); Poder de Fogo (1979); A Cigarra (1980); Desejo de Matar 2 (1982); Anjo ou Demônio? (1982); A Última Diligência (1986); Promessa de Sangue (1987); Corredor da Morte (1988); Backstreet - Sonhos de um Rebelde (1990); Dupla Ameaça (1992); City Hall: Conspiração no Alto Escalão (1996)


Lee Remick (1935–1991)






O Mercador de Almas (1958); Anatomia de um Crime (1959); Fama a Qualqur Preço (1959); Anatomia de um Crime (1959); Rio Violento (1960); Santuário (1961); Escravas do medo (1962); Vício Maldito (1962); A Sombra de uma Fraude (1963); Simpático, Rico e Feliz (1963); O Gênio do Mal (1965); O Mundo Marcha Para o Fim (1965); Nas Trilhas da Aventura (1965); Um Face Para Cada Crime (1968); O Crime Sem Perdão (1968); Sou Pago Para Matar (1969); Escondendo a Grana (1970); Amantes Infiéis (1971)); Uma Lição Para não Esquecer (1971); Um Equilíbrio Delicado (1973); Corações Atormentados (1975);   O Dia Fatal (1975); A Profecia (1976); O Telefone (1977); O Toque da Medusa (1978); Os Europeus (1979); A Competição (1980); Tributo (1980); A Carta Acusadora (1982);O Poder do Amor (195);  De Puro Sangue (1986); Conflitos Intímos (1987); Prática Ilegal (1988); Ponte do Silêncio (1989);Passaporte Para o Inferno (1989)  

sábado, 5 de outubro de 2024

O SALÁRIO DO MEDO / THE WAGES OF FEAR / LE SALAIRE DE LA PEUR (1953) - FRANÇA / ITÁLIA



EPOPEIA DA CORAGEM E DO MEDO

Em um país indefinido da América Central, aventureiros e párias de várias procedências ali se estabelecem à procura de trabalho, refúgio ou fortuna até não terem mais condições econômicas de retornarem aos seus respectivos países. O sonho dos que ali chegaram agora é evadirem-se da miséria, sordidez e do tédio da qual se encontram esperando uma oportunidade de saírem de seus próprios infernos. E a única maneira de voltar à civilização é de avião, cuja passagem é caríssima, as únicas rodovias disponíveis levam aos poços de petróleo e refinarias.


Quando um incêndio irrompe em um dos campos de petróleo, a empresa Shouthern Oil Company (empresa fictícia, mas que tem as mesmas iniciais da Standard Oil Company) resolve que a única forma de aplacar o incêndio é com nitroglicerina, um explosivo altamente volátil, mas utilizar os habitantes locais mostra-se um problema, pois, recentemente, muitos pereceram trabalhando para a empresa. A melhor alternativa mostra-se recrutar homens que não estejam vinculados à sindicatos ou que não possuam famílias, pessoas que ninguém virá reclamar. Quatro vagas são oferecidas junto com um vultoso pagamento. A missão: transportar por um caminho tortuoso de 500km dois caminhões carregados de quase meia tonelada de nitroglicerina. Os caminhões partirão com um espaço de tempo entre si, pois se um explodir, ainda há a esperança que o outro consiga completar o trajeto. Quatro homens são selecionados: Mario (Yves Montand) e Jo (Charles Vanel) que assumem a liderança e Luigi (Folco Lulli) e Bimba (Peter van Eyck) que seguirão meia hora atrás. Só que uma vez na estrada, a tensão nunca diminui, a promessa de salvação financeira se mostra imprevisível e angustiante para os quatro homens desesperados. Um dinheiro maldito para aqueles que aceitaram serem peças descartáveis.

Produção franco-italiana, “O Salário do Medo”, em seu lançamento original nos EUA, foi cortado em cerca de 50 minutos — segundo alguns, para eliminar o retrato desfavorável das empresas petrolíferas americanas que simbolizavam o imperialismo corporativo (mas foi dito que seria para atender necessidades comerciais de exibição, pois era “muito longo”). A bem da verdade, é que esse tempo inicial é dedicado a definição dos personagens tanto no plano social como no plano sentimental, sendo bem arrastado e desarticulado. Extraído do romance de Georges Arnaud – “Le Salaire de la Peur”, a produção conquistou o grande prêmio no Festival de Cannes ao criar um ambiente de constante tensão a partir da saída dos caminhões.

O diretor Henri-Georges Clouzot (1907-1977) criou uma obra simples, narrada de uma forma linear, mas cheia de elementos interessantes: retrata como as companhias americanas lidam com vidas humanas em países menos favorecidos; analisa a personalidade humana e faz um estudo do comportamento diante do medo, o medo angustiante e paralisador diante de uma eminente catástrofe; a alienação humana e social; uma notável indiferença às vidas humanas e como certas pessoas são tratadas e aceitam serem peças descartáveis por um preço. E essas pobres figuras humanas serão os heróis da estória. 

Obstáculos de toda sorte se interpõe na marcha dos veículos, sem qualquer segurança, numa estrada miserável. A angústia da plateia começa a ultrapassar a dos protagonistas. Metro a metro a perigosa carga avança para o seu destino. Uma hora a velocidade não pode diminuir, na outra devem ir muito devagar. Um balanço a mais, um buraco, uma pedra, um simples desnível na estrada, e tudo vai pelos ares. O medo progressivo transforma fortes em fracos e nos revela a riqueza que traz a miséria. Vícios e virtudes são exaltados. Clouzot nos coloca junto com os caminhoneiros, cujo o medo rouba até a dignidade de um dos protagonistas. Nervos à flor da pele. Quatro homens tentando ludibriar a morte com suas almas sendo descortinadas a cada situação limítrofe. Como não recordar da cena do estrondo apocalíptico? E a dos caminhões na plataforma de madeira frágil e inacabada? ou até mesmo a forte intensidade dramática na cena do caminhão preso em uma cratera de óleo (cenas que nos revelam muito sobre esses dois protagonistas)?. E o inesperado e irônico final, ousado, poderoso e reflexivo, que nos dias atuais, com um formato mais pasteurizado, que visa sempre o lucro e evita ao máximo o descontentamento da plateia, nenhum estúdio hollywoodiano ousaria arriscar?

O elenco central esteve muito bem. Yves Montand interpretou Mário, um jovem que se lança em uma empreitada sem medir suas reais consequências, apenas para sair daquele local. Que, com a chegada de Jo (Charles Vanel), francês como ele, passa a acompanhá-lo numa espécie de idolatria, mas que perceberá, na estrada, que seu ídolo tem pés de barro. Charles Vanel interpreta Jo, um homem de meia idade que gastou seus últimos trocados para chegar até ali. Uma pessoa que aparentemente já esteve envolvido em negócios escusos. Mostra-se um homem cheio de certezas, atrevido e ameaçador, mas quando consegue sua vaga no caminhão (de uma forma diferente dos demais) percebe que talvez tenha tomado a pior atitude de sua vida. Sua auto-alardeada coragem não se põe à prova quando ao seu lado existe um explosivo que poderá tirar sua vida antes mesmo que possa perceber. Um homem cuja maturidade o obriga a refletir qual é o seu limite. Sua interpretação rendeu-lhe, no Festival de Cannes, o prêmio de melhor interpretação masculina. Folco Lulli interpretou o italiano Luigi, um homem que recebe um diagnóstico que o torna desesperançoso quanto ao seu futuro. Entrar nessa "aventura" passa a ser a chance de aproveitar o pouco tempo que lhe resta bem longe dali. Já Peter van Eyck interpretou Bimba, um homem que sobreviveu ao trabalho forçado em um campo nazista e tornou-se uma pessoa que vê a vida em tons cinzas. William Tubbs interpretou Bill O'Brien, um homem sem escrúpulos, que conseguiu um emprego da qual não aceitará perder. Antigo conhecido de Jô, ele só deseja resolver o problema, as vidas que custarão nesse processo, para ele, é uma perda aceitável. Foi o último filme do ator, que morreu meses antes da estreia do filme. Véra Clouzot, nome artístico da brasileira Véra Gibson-Amado, foi atriz e roteirista. Casada com Georges Clouzot, atuou apenas em três filmes (todos do marido) e recebeu elogios por este filme e por “As Diabólicas” (1955). Vera interpretou Linda, a jovem apaixonada por Mário, que pouco lhe retribui afeto. Enquanto ela sonha em viver ali com seu grande amor, este a vê como um passatempo temporário. Ela simboliza o que ele menos deseja: permanecer naquele local.

 


Epopeia da coragem e do medo, ambientado no pós-Segunda Guerra Mundial, “O Salário do Medo” será sempre lembrado como um dos melhores filmes feitos nos anos 50 e cuja sua temática ou parte desta expandiu-se, de forma camuflada, para vários filmes. É um filme que muitos classificaram como cruel, mórbido, cínico, antiamericano e pessimista, mas é antes de tudo uma aula de cinema. Talvez seu maior defeito seja a longa metragem no primeiro arco (início) da estória, que define a ambientação e os personagens. Mas quando o filme “começa”, mostra-se uma obra única. Gerou também uma refilmagem elogiada pela crítica, dirigida pelo diretor de “Operação França” e “O Exorcista”: “O Comboio do Medo” (Sorcerer) em 1977. 

 

Trailer:

 


 

Curiosidades:

Yves Montand e Charles Vanel sofreram de conjuntivite após filmar em uma piscina de petróleo bruto e serem expostos a vapores de gás.

 As filmagens começaram em 27 de agosto de 1951 e estavam programadas para durar nove semanas. No entanto, vários problemas atormentaram a produção. O sul da França teve uma estação chuvosa incomum naquele ano, fazendo com que veículos atolassem, guindastes caíssem e cenários fossem destruídos. O diretor Henri-Georges Clouzot quebrou o tornozelo. Véra Clouzot adoeceu. A produção estava 50 milhões de francos acima do orçamento. No final de novembro, apenas metade do filme estava concluída. Com os dias ficando mais curtos por causa do inverno, a produção foi interrompida por seis meses. A segunda metade do filme foi finalmente concluída no verão de 1952.

Acusações de antiamericanismo levaram a censura dos EUA a cortar várias cenas importantes do filme.

Henri-Georges Clouzot planejou originalmente filmar o filme na Espanha, mas Yves Montand se recusou a trabalhar na Espanha enquanto o ditador fascista Francisco Franco estivesse no poder. As filmagens ocorreram no sul da França, perto de Saint-Gilles, na Camargue. A vila vista no filme foi construída do zero.

Este foi o primeiro filme a ganhar a Palma de Ouro no Festival de Cinema de Cannes e o Urso de Ouro no Festival de Cinema de Berlim.

Esta foi a estreia cinematográfica de Véra Clouzot . Ela era esposa do diretor Henri-Georges Clouzot . Ela atuou em apenas três filmes, todos para seu marido.

Yves Montand - na época mais conhecido como cantor - ficou bastante intimidado por seu colega de elenco mais experiente, Charles Vanel, que inevitavelmente arrasava nas cenas em apenas uma ou duas tomadas.

Foi o quarto filme de maior bilheteria do ano na França.

A opinião consensual, juntamente com fatos históricos, sugere que a Venezuela, rica em petróleo, era o país mais provável em que O Salário do Medo teria ocorrido logicamente. De fato, há cenas no filme em que os povos indígenas estão usando chapéus bombin (tipo coco), que são tradicionalmente usados ​​em certos países da América do Sul, como Bolívia e Peru, mas não na América Central. No livro sugere ser Guatemala.

O primeiro papel dramático de Yves Montand .

32 anos antes de Super Mario Bros. ser lançado para o NES, este filme apresenta dois personagens chamados Mario e Luigi.

Em 1:22, a melodia que Bimba toca em sua gaita é "Der Gut Kamerad", tradicionalmente associada a funerais militares alemães. Essa melodia também é usada em A Raposa do Mar (The Enemy Below), quando um marinheiro alemão é enterrado no mar.

Observem como o personagem Mario, de Yves Montand, ainda fuma seu cigarro permanente, mesmo sob efeito de nitro.

Colorido em 1996 com a aprovação da filha de Henri-Georges Clouzot .

A versão restaurada tem 153 minutos

O filme foi proibido na Guatemala  em 1955 e os livros retirados das livrarias. Livros também foram recolhidos na Argentina

Vera Clouzot era filha do embaixador brasileiro Gilberto Amado

Em seu lançamento original nos EUA (1955) foi cortado em cerca de 50 minutos.

Véra Clouzot faleceu aos 46 anos em decorrência de um ataque cardíaco


Cartazes:

 



 

Filmografias Parciais:

Ives Montand (1921-1991)






Estrela Sem Luz (1946), Portas da Noite (1946), Lembranças do Pecado (1950), Paris é Sempre Paris (1951), O Salário do Medo (1953), Nossos Tempos (1954), Napoleão (1955), Os Heróis Estão Cansados (1955), O Homem que Vendeu a Alma (1955), Homens e Lobos (1957), As Virgens de Salem (1957), A Grande Estrada Azul (1957), A Lei dos Crápulas (1959), Adorável Pecadora (1960), Santuário (1961), Mais uma Vez, Adeus (1961), Minha Doce Gueixa (1962), Crime no Carro Dormitório (1965), A Guerra Acabou (1966), Paris Está em Chamas? (1966), Grand Prix (1966), Viver por Viver (1967), Sr. Liberdade (1968), Laços Eternos (1968), O Diabo Pela Cauda (1969), Z (1969), A Confissão (1970), Num Dia Claro de Verão (1970), Os Guerreiros Pilantras (1970), O Círculo Vermelho (1970), Mania de Grandeza (1971), Tudo Vai Bem (1972), Estado de Sítio (1972), Ange, O Gangster (1973), O Amor e a Violência (1974), Sessão Especial de Justiça (1975), O Selvagem (1975), Calibre Python 357 (1976), O Grande Espertalhão (1976), Encurralado Para Morrer (1977), Um Homem, uma Mulher, uma Noite (1979), I... como Ícaro (1979), A Escolha das Armas (1981), Que Figura, Meu Pai (1982), Garçom! (1983), Jean de Florette (1986), A Vingança de Manon (1986), IP5 - A Ilha dos Paquidermes (1992)

 

Charles Vanel (1892-1989)






Alma de Artista (1924), A Agonia do Submarino (1926), Romance de uma Princesa (1927), A Escrava Branca (1927), Sua Última Noite (1927), Beijo de Apache (1927), Rainha Luiza e Napoleão (1928), Acusada, Levante-se! (1930), Cruzes de Madeira (1932), Em Nome da Lei (1932), Heróis Sem Pátria (1934), Os Miseráveis (1934), A Última Cartada (1934), Tripulantes do Céu (1935), Mulher Mascarada (1935), Vertigem de uma Noite (1936), Camaradas (1936), Abuso de Confiança (1937), S.O.S. Sahara (1938), A Brigada Selvagem (1939), A Lei do Norte (1939), Virgem e Pecadora (1945), Em Nome da Lei (1949), O Coração no Mar (1950), Os Implacáveis (1950), A Encruzilhada (1951), A Última Sentença (1951), O Salário do Medo (1953), Se Versalhes Falasse... (1954), As Diabólicas (1955), Ladrão de Casaca (1955), Defendo o Meu Amor (1956), A Morte no Jardim (1956), O Traficante Sinistro! (1957), Desforra (1958), Prisioneiros do Desejo (1958), O Gorila em Conflitos Alucinantes (1958), Os Barqueiros do Volga (1959), Ninho de Espiões (1959), A Verdade (1960), Tintin e o Mistério do Tosão de Ouro (1961), Rififi em Tóquio (1963), Sinfonia para um Massacre (1963), Um Homem de Confiança (1963), O Canto do Mundo (1965), Acerto de Contas (1971), Camorra (1972), A Mais Bela Noite da Minha Vida (1972), Receita para Sete Mortos (1975), Cadáveres Ilustres (1976), Boomerang (1976), Três Irmãos (1981) 

 

Folco Lulli (1912-1970)






O Bandido (1946), Delito (1947), Trágica Perseguição (1947), A Filha do Capitão (1947), Fora da Lei (1947), O Diabo Branco (1947), Sem Piedade (1948), Ao Diabo a Fama (1949), Totó Procura Casa (1949), Páscoa de Sangue (1950), Mulheres e Luzes (1950), Mercado Infame (1951), Os Filhos de Ninguém (1951), Outros Tempos (1952), O Salário do Medo (1953), Resgate (1953), Nós, Os Canibais (1953), A Pecadora da Ilha (1954), A Grande Esperança (1954), O Diabo do Deserto (1955), Arroz Maldito (1956), Todos Somos Necessários (1956), Rapto de Mulheres (1956), Londres Chama Polo Norte (1956), Olho por Olho (1957), Serenata dos Canhões (1958), O Escudo Romano (1959), A Grande Guerra (1959), Maria das Ilhas (1959), A Noite dos Perseguidos (1959), Sob Dez Bandeiras (1960), A Rainha dos Tártaros (1960), Esther e o Rei (1960), Os Bravos Tártaros (1961), Espadachim Mercenário (1961), O Rapto das Sabinas (1961), A Vingança dos Vikings (1961), Epopéia de Bravos (1962), Marte, Deus da Guerra (1962), Os Valentes não Se Rendem (1962), A Marca da Vingança (1963), Os Companheiros (1963), D'Artagnan Contra os 3 Mosqueteiros (1963), Marco Polo, O Magnífico (1965), O Incrível Exército Brancaleone (1966), A Fúria do Raio (1966), Analfabeto e Cabeçudo (1966), Um Roubo em Paris (1967), Inferno no Oeste (1968), Uma Viúva Toda de Ouro (1969)

 

Peter van Eyck (1911-1969)





Os Filhos de Hitler (1943), Noite Sem Lua (1943), Cinco Covas no Egito (1943), O Capanga de Hitler (1943), O Impostor (1944), Endereço Desconhecido (1944), Epílogo (1950), Furioso (1950), Dançarina Infernal (1950), Raposa do Deserto (1951), Amor de Casbah (1952), O Salário do Medo (1953), Marinheiro do Rei (1953), Ao Sul do Sahara (1953), A Sombra da Noite (1954), A Grande Paixão (1954), Tarzan e os Selvagens (1955), Cada Bala uma Vida (1955), Um Salto no Inferno (1955), Grilhões do Passado (1955), Crime na Madrugada (1955), O Vício Singra o Mississipi (1956), Dois Destinos se Encontram (1956), Morte sem Glória (1956), Os Covardes Também Amam (1957), Todos Podem Me Matar (1957), Ídolo do Pecado (1958), Meias Pretas, Noites Quentes (1958), Acorrentados pelo Pecado (1959), Crime Depois das Aulas (1959), Os Mil Olhos do Dr. Mabuse (1960), Emboscada no Cairo (1960), Quem com Ferro Fere... (1962), O Mais Longo dos Dias (1962), Cinco Homens a Desejavam (1963), Ronda de Amantes (1963), O Mistério da Ilha dos Thugs (1964), O Espião que Saiu do Frio (1965), A Outra Face da Felicidade (1966), O Homem que Valia Bilhões (1967), Rosas Vermelhas para Hitler (1968), Tarefa Sinistra (1968), Shalako (1968), A Ponte de Remagen (1969) 

 

William Tubbs (1907-1953)





Sinfonia fatale (1947), Ao Diabo a Fama (1949), Os Piratas de Capri (1949), 13º Homem (1950), Táxi de Noite (1950), A Sombra da Águia (1950), Vivamos Hoje (1951), 3 Passos ao Norte (1951), Quo Vadis (1951), Totò in Guardas e Ladrões (1951), O Filho de Outra Mulher (1952), A Máquina de Matar Pessoas Más (1952), A Carruagem de Ouro (1952), O Salário do Medo (1953)

 

Véra Clouzot (1913-1960)





O Salário do Medo (1953), As Diabólicas (1955), Os Espiões (1957)



quarta-feira, 21 de agosto de 2024

MARCADO PELA SARJETA / SOMEBODY UP THERE LIKES ME (1956) - ESTADOS UNIDOS


A VITÓRIA DO PERDEDOR

Thomas Rocco Barbella ou “Rocky Barbella” é filho de uma mãe dedicada (Eileen Heckart) e de um boxeador que não logrou sucesso na carreira (Harold J. Stone) tornando-se um pai alcoólatra e abusivo. O pequeno Rocky cresce num ambiente tumultuado e se transforma em delinquente juvenil praticando furtos e se envolvendo em conflitos com outros jovens. Suas atitudes desafiadoras e insolentes, frente as autoridades, inclusive em um julgamento, o levam a um reformatório. Ali, continua sua sina de provocar problemas sendo transferido para uma prisão. Logo descobrirá, através das palavras de um dos guardas, que ali eles não reformam ninguém, apenas punem, sendo logo conduzido para a solitária por 30 dias. Após uma visita de sua mãe à penitenciária, o jovem percebe que talvez ali não seja o seu lugar. Ele conhece Frankie Peppo (Robert Loggia) que lhe diz que seus punhos e agressividade poderiam ser melhor canalizados em uma academia de boxe, lhe indicando uma, caso se interessasse.

Rocky cumpre sua curta pena, mas, tão logo deixa as portas da penitenciária, é “convocado” para as forças armadas. Sua atitude não muda, terminando por agredir um oficial. Ele se ausenta sem licença e não retorna, indo na academia indicada por Peppo. Logo sua disposição com os punhos é percebida por Lou Stillman (Matt Crowley) e o jovem começa uma série bem-sucedida de lutas com o nome de Rocky Graziano (sobrenome de solteira da mãe), mas não tarda a ser descoberto recebendo uma pena de um ano e uma baixa desonrosa das forças armadas.

Graziano retorna com o mesmo ímpeto às lutas e conhece Norma (Pier Angeli), um doce jovem que não gosta de lutas, mas que se transformará em um porto seguro para o lutador. Após uma nova série de vitórias, Rocky sofre uma pesada derrota nas mãos do campeão dos médios Tony Zale (Courtland Shephard). Uma nova luta é marcada, mas o surgimento de Frankie Peppo pode destruir sua carreira. Peppo oferece suborno, mas Graziano prefere não lutar alegando lesão. A comissão de boxe suspeita da situação e cancela sua licença, suspendendo assim sua luta ao título.

Marcado pela Sarjeta foi a consagração de Paul Newman como ator. Até então vindo de papéis menores em series e da estreia no cinema  em um fiasco comercial, “O Cálice Sagrado” (1954), da qual nem sua atuação ficou imune de críticas. Caso sua atuação não lograsse sucesso, talvez o ator tivesse uma carreira menos promissora em Hollywood. E se em Vidas Amargas Paul Newman quase ganhou o papel de James Dean, aqui houve uma inversão. O papel da Cinebiografia de Rocky Graziano estava guardado para Dean, mas a morte precoce do ator possibilitou Newman de agarrar a oportunidade e o resto é história. Mas Newman não foi a primeira opção, Montgomery Clift foi uma primeira escolha, mas recusou. Rod Taylor também foi cogitado e seu teste agradou tanto que lhe ofereceram um papel significativo em “A Festa de Casamento” (1956). A bem da verdade é que Newman talvez não fizesse uma grande atuação em “Vidas Amargas” e Dean talvez não funcionasse como um boxeador (funcionaria como o jovem rebelde).

Muito se fala que Marcado Pela Sarjeta, cujo o título “Somebody Up There Likes Me” se traduziria por “Alguém Lá em cima Gosta de Mim” (alguém lembrou desse título brasileiro no filme de 1977 com George Burns e John Denver?), muito se deve ao diretor Robert Wise (1914-2005). Wise, conhecido por filmes como “O Dia em que a Terra Parou” (1951), “Amor, Sublime Amor” (1961), “A Noviça Rebelde” (1965) e “Jornada nas Estrelas: O Filme” (1979) já havia feito um filme de boxe celebrado pela crítica e público: “Punhos de Campeão” (1949) com Robert Ryan. O diretor pegou o livro escrito pelo próprio Graziano e coescrito com Rowland Barber (a MGM comprou os direitos antes mesmo de sua publicação) e sabiamente utilizou uma fotografia em preto e branco (de Joseph Rottenberg que levou o Oscar) que realçou Nova York e deu o tom certo à atmosfera da cidade. Podemos dizer que “Amor, Sublime Amor” (West Side Story) teve aqui o seu primeiro laboratório. Wise cobriu a infância de Graziano até sua vitória na segunda luta sobre Tony Zale (e omitiu a terceira luta em que Graziano perderia, assim como a seguinte que também perderia agora para Sugar Ray)

Mas o foco central do filme não é o boxe em si, ainda que tenhamos lutas bem coreografadas. É sobre um jovem que com uma infância problemática e fora de controle, tinha tudo para passar seus dias em uma penitenciária ou aguardando a cadeira elétrica (um azarão frente à vida com todas as probabilidades contra si) e como algumas pessoas tiveram um impacto em sua vida: sua mãe, sua esposa e seu treinador que nunca desistiram dele. O filme mostra que o maior instigador para continuar naquela vida era o próprio Graziano. Sua maior luta foi fora dos ringues contra seu maior inimigo: ele próprio e suas decisões equivocadas. Seu treinador dirigiu sua fúria para os ringues. Sua mãe sempre tentava aconselhá-lo a ter uma vida íntegra lhe advertindo, inclusive, que sua constante preocupação a tinha levado a um sanatório e que talvez um dia não a visse mais. E sua esposa, lhe deu o conforto da alma, apaziguando seu demônio interior e o transformando em um homem de verdade. Interessante sabermos que na vida real (não transposta para o filme) Graziano tornou-se amigo íntimo do futuro lutador Jake La Motta, e ambos, jovens problemáticos, frequentaram a mesma escola de reforma juvenil. La Motta teria sua própria filmografia com “O Touro Indomável” (1980) tendo Robert De Niro à frente do personagem. Talvez por possuir um personagem tão real, repleto de falhas, Marcado pela Sarjeta tenha agradado tanto. Claro que a direção eficiente de Wise (um outrora editor de filmes – por exemplo de Orson Wells), retratando o mundo pugilístico sem rompantes de exageros, e cercado de um grande elenco, fez toda diferença: uma cinebiografia vibrante e consistente, que traz o espectador para o lado de Graziano quando ele começa a mudar.

Muitos dizem que Rocky Balboa de Stallone nasceu neste filme, há certo sentido, quando percebemos certos aspectos: um imigrante italiano; um perdedor até então; o casamento com uma namorada judia; o rosto inchado dos golpes... Mas o filme é principalmente sobre um homem que cresceu com um ressentimento contra tudo e contra todos, mas que escapou de uma vida precoce de crimes triunfando no ringue de boxe. Graziano saiu do círculo vicioso que o cercava e o espectador vê, em determinado momento, que nem todos conseguiram, como seu melhor amigo Romolo (Sal Mineo) perdido nas misérias dos cortiços. Ao rever Rômulo, Graziano vê um possível futuro que lhe aguardava.

O elenco teve atuações inspiradas. Paul Newman (no melhor estilo da Actor's Studio) abraçou a chance que teve e entregou um personagem elogiável pela imprensa da época, que precisava expor várias camadas de sentimentos ao longo do filme, apesar de haver aqueles que achavam que copiava Marlon Brando e não convencia como ítalo-americano. Sua elogiada atuação foi a arrancada que precisava para se transformar em estrela. Quem apenas conhece o ator de filmes em que estava mais velho e em papéis mais comedidos poderá ter uma grata surpresa. E temos muitos atores fazendo suas estreias no cinema, sem serem creditados: Robert Loggia (com um personagem que quase destrói a redenção do pugilista), Steve McQueen (um dos delinquentes no alto do prédio), George C. Scott (em uma cena ao fundo na prisão) e Dean Jones. Harold Stone, como o pai desiludido e desagradável de Rocky, se sobressai nos escassos tempos em que aparece em cena. Everett Sloane interpreta o homem que ajuda Graziano em sua caminhada pelo mundo do boxe. Angela Cartwright (do seriado “Perdidos no Espaço”) faz a garotinha. Pier Angeli (que havia feito “O Cálice Sagrado” com Newman) entregou uma ótima atuação. Eileen Heckart interpretando a mãe de Rocky e Sal Mineo, como melhor amigo, trouxeram a gama de sentimentos que o filme precisava.

Marcado pela Sarjeta é sobre uma pessoa que acreditou que enfrentar o mundo era o único caminho. Um jovem que se blindou com uma armadura de insolência e revolta. Um rapaz que acreditava que suas companhias de vida delinquente eram a vida que estava destinado a ter. É sobre como ele se permitiu abraçar um futuro pelo esporte (e como o esporte salva vidas) e como encontrou pessoas certas pelo caminho dispostas a acreditarem nele, mesmo quando sofreu um revés. É um filme sobre a esperança, sobre não parar de acreditar, sobre enfrentar os momentos turbulentos que a vida apresenta para alguns. Há muitos “Grazianos” vagando no mundo, por isso o filme pode ser visto como inspirador para os que estão perdidos. Um filme acima da média em sua temática e realização.

Trailer:

 


 

 

Curiosidades:

Indicado a 3 Oscar conquistando 2: Melhor Fotografia em preto e Branco e Melhor direção de Arte Preto e Branco

O filme seria originalmente filmado em locações na cidade de Nova York em Technicolor, com James Dean no papel principal. No entanto, após a morte repentina de Dean e sua substituição por Paul Newman, foi decidido que o filme deveria ser em preto e branco e filmado em estúdio. O diretor Robert Wise achou que os cenários pareciam falsos e os usou apenas para cenas noturnas, enquanto filmava as cenas diurnas no local.

Houve alguma oposição à escalação de Paul Newman, pois aos 31 anos ele já era seis anos mais velho do que James Dean seria, e seu primeiro filme O Cálice Sagrado (1954) foi um desastre crítico e comercial. 

Eileen Heckart, que interpretou "Ma Barbella", era apenas seis anos mais velha que Paul Newman, que interpretou Rocky Barbella. Ela nasceu em 1919 e ele em 1925.

Paul Newman treinou muito para o papel com a ajuda de Tony Zale. Ele treinou tanto que Zale parou de brincar com ele e bateu nele. Zale explicou mais tarde que precisava mostrar quem era o chefe entre ele e Newman.

Os diretores Robert Wise e Paul Newman tentaram conversar com Rocky Graziano sobre si mesmo, mas não conseguiram; ele fez os dois falarem sobre si mesmos.

O recorde vitalício de Rocky Graziano no boxe foi 67(v)-10(d)-6(e) (52 KO). Ele está no Hall da Fama do Boxe e é listado pela Ring Magazine como um dos "100 melhores Punchers de todos os tempos".

Embora devessem ter a mesma idade, Paul Newman era na verdade 14 anos mais velho que Sal Mineo.

Al Silvani, que interpretou o cut man (uma pessoa que trata os lutadores durante os intervalos) de Rocky Graziano, interpretou o cut man em Rocky, um Lutador (1976).

Paul Newman (Rocky) e Sal Mineo (Romolo) apareceram mais tarde em Exodus (1960).

Sal Mineo (Romolo) e Harold J. Stone (Nick Barbella) apareceram mais tarde como pai e filho em um episódio de Havaí 5.0 (1968).


Rock Graziano & Paul Newman










Cartazes:



Filmografias Parciais:

Paul Newman  (1925–2008) 





O Cálice Sagrado (1954); Marcado pela Sarjeta (1956); O Mercador de Almas (1958); Gata em Teto de Zinco Quente (1958); Paixões Desenfreadas (1960); Exodus (1960); Desafio à Corrupção (1961); O Indomado (1963); Caçador de Aventuras (1966); Hombre (1967); Rebeldia Indomável (1967); Butch Cassidy (1969); Meu Nome é Jim Kane (1972); Golpe de Mestre (1973); Inferno na Torre (1974); Quinteto (1979); 41ª DP - Inferno no Bronx (1981); Ausência de Malícia (1981); O Veredicto (1982); Meu Pai, Eterno Amigo (1984); A Cor do Dinheiro (1986); O Início do Fim (1989); Blaze - O Escândalo (1989); Na Roda da Fortuna (1994); O Indomável - Assim É Minha Vida (1994); Estrada Para Perdição (2002)

Pier Angeli (1932-1971)





Amanhã Será Tarde Demais (1950), Amanhã É Outro Dia (1951), Teresa (1951), O Milagre do Quadro (1951), O Diabo, a Mulher e a Carne (1952), A História de Três Amores (1953), México de Meus Amores (1953), Melle. Não Me Toques (1954), Paixão e Carne (1954), O Cálice Sagrado (1954), Viva Las Vegas (1956), Marcado pela Sarjeta (1956), Vindima Trágica (1957), Viva o Palhaço! (1958), Momentos de Angústia (1960), Sodoma e Gomorra (1962), Mosqueteiros do Mar (1962), Pânico em Bangkok (1964), Uma Batalha no Inferno (1965), Abutres do Vale do Sol (1966), Caça aos Violentos (1968), Rosas Vermelhas para Hitler (1968), O Poderoso Frank Mannata (1969), Octaman (1971)  

Eileen Heckart (1919–2001)






Marcado pela Sarjeta (1956); Nunca Fui Santa (1956); Semente Maldita /Tara Maldita (1956); Uma Face para Cada Crime (1968); Liberdade para as Borboletas (1972); Hannah, A Esposa Comprada (1974); A Mansão Macabra (1976); Um dia de Sol no Natal (1977); O Clube das Desquitadas (1996). 

Sal Mineo (1939–1976) 





Dominado Pelo Crime (1955); Juventude Transviada (1955);  Rua do Crime (1956); Marcado pela Sarjeta (1956); Assim Caminha a Humanidade (1956); O Rei do Ritmo (1959); Exodus (1960); O Mais Longo dos Dias (1962); Crepúsculo de Uma Raça (1964); A Maior História de Todos os Tempos (1965); Cavalgada Sangrenta (1966); Krakatoa, O Inferno de Java (1968); 80 Passos para a Felicidade (1969); Fuga do Planeta dos Macacos (1971); A Família Rico (1972) 

Robert Loggia (1930–2015)

 




Marcado pela Sarjeta (1956); Clima de Violência (1957); Pistola do sertão (1963); A Maior História de Todos os Tempos (1965);  Resgate Fantástico (1976); Morte na Rua (1976); A Vingança da Pantera Cor-de-Rosa (1978); Casino (1980); A Força do Destino (1982); Psicose - 2ª Parte (1983); Scarface (1983); A Honra do Poderoso Prizzi (1985); O Fio da Suspeita (1985); Adoradores do Diabo (1987); Big - Quero Ser Grande (1988); Gladiator- O Desafio (1992); Inocente Mordida (1992); Apóstolo Pedro e a Última Ceia (2012).  

 

Steve McQueen (1930-1980)





Girl on the Run (1953); Marcado pela Sarjeta (1956); O Rei e Eu (1956);  Os Dez Mandamentos (1956); Anastacia, a Princesa Esquecida (1956); Lafite, o Corsário (1958); A Bolha Assassina (1958);  Crepúsculo Vermelho (1959); Salomão e a Rainha de Sabá (1959); O Testamento de Orfeu (1960); Sete Homens e um Destino (1960); Mais uma Vez, Adeus (1961); Fugitivos de Zahrain (1962; Taras Bulba (1962); Os Reis do Sol (1963); Sacrifício Sem Glória (1964); Convite a Um Pistoleiro (1964); A Mesa do Diabo (1965); À Sombra de um Gigante (1966); O Ópio também é Uma Flor (1966); A Volta dos Sete Homens (1966); Espionagem Internacional (1966); Os Turbantes Vermelhos (1967); Villa, o Caudilho (1968); Um Beatle no Paraíso (1969);  Sabata Adeus (1970); O Farol do Fim do Mundo (1971); Anna and the King (1972); Papillon (1973); Westworld: Onde Ninguém tem Alma (1973); O Guerreiro do Futuro (1975); Mundo Futuro: Ano 2003, Operação Terra (1976); Na Trilha da Morte (1976) 

 

George C. Scott (1927–1999).

Marcado pela Sarjeta (1956); Árvore dos Enforcado (1959); Anatomia de um Crime (1959), Desafio à Corrupção (1961), Dr. Fantástico (1964); A Bíblia (1966); Patton - Rebelde ou Herói? (1970); Os Novos Centuriões (1972); O Dia do Golfinho (1973); O Dirigível Hindenburg (1975); Hardcore - No Submundo do Sexo (1979); A Fórmula (1981); Toque de Recolher (1981); Oliver Twist (1982), A Rosa da China (1983), Chamas da Vingança (1984); Os Assassinos da Rua Morgue (1986); Os Últimos Dias de Patton (1986), O Exorcista III (1990); Anjo Decadente (1990), Malícia (1993), Tyson, o Mito (1995); Em Defesa da Honra (1996), 12 Homens e uma Sentença (1997); Rocky Marciano  (1999); Glória, a Mulher (1999), O Vento Será Sua Herança (1999). 

Harold J. Stone (1913-2005) 



 

 


Punhos de Campeão (1949), A Trágica Farsa (1956), Marcado pela Sarjeta (1956),  Homem Errado (1956), De Volta da Eternidade (1956), Calúnia Sangrenta (1957), Alucinado pela Vingança (1957), Clima de Violência (1957), A Casa dos Homens Marcados (1957), Fama a Qualquer Preço (1959), Spartacus (1960), Os Corruptos (1961), A Vida Íntima de Quatro Mulheres (1962), Abatendo um a um (1963), O Homem dos Olhos de Raio-X (1963), Culpado ou Inocente (1963), A Maior História de Todos os Tempos (1965), Louco por Garotas (1965), O Massacre de Chicago (1967), O Fofoqueiro (1967), Qual o Caminho para a Guerra? (1970), Os Sete Minutos (1971), O Flash da Morte (1974), A História de Rodolfo Valentino (1975), Um Trapalhão Mandando Brasa (1980) 

Everett Sloane (1909-1965)






Cidadão Kane (1941), Jornada do Pavor (1943), A Dama de Shanghai (1947), O Favorito dos Borgia (1949), O Príncipe Ladrão (1951), A Raposa do Deserto (1951), Ainda Há Sol em Minha Vida (1951), A Grande Chantagem (1955), Marcado pela Sarjeta (1956), Sede de Viver (1956), Até o Último Alento (1958), A Casa da Colina (1960), O Amor Tudo Vence (1961), Os Guerrilheiros (1962), O Otário (1964), O Bagunceiro Arrumadinho (1964) 

Angela Cartwright 

 






Marcado pela Sarjeta (1956), Sangue Sobre a Terra (1957), Lad: O Cão Maravilhoso (1962), A Noviça Rebelde (1965), Perdidos no Espaço (1965-1968), Dramático Reencontro no Poseidon (1979), Lutando pelo Futuro (1983), Perdidos no Espaço: O Filme (1998)