sábado, 17 de setembro de 2022

A MARCA DA PANTERA / CAT PEOPLE (1982) - ESTADOS UNIDOS


A BELA QUE É FERA

A jovem Irena Gallier (Nastassja Kinski) chega a Nova Orleans, vinda da Europa, para conhecer e morar com seu irmão, Paul (Malcolm McDowell), e a misteriosa governanta deste, Femole (Ruby Dee). A dupla foi separada quando criança, após o falecimento dos pais, em um misterioso suicídio.  Irena passa a frequentar o zoológico local, onde gasta horas desenhando felinos, em especial, uma pantera negra. O acaso faz com que conheça o zoólogo chefe, Oliver Yates (John Heard) pela qual se sente apaixonada, sendo correspondida.

Enquanto Paul passa a desaparecer frequentemente, surge uma onda de ataques que, segundo a polícia, parece ser obra de um enorme felino. Após um desses ataques, a fera é capturada sendo levada para o zoológico. A Pantera ataca o tratador e Oliver resolve sacrificar o animal, mas descobre junto com sua assistente Alice (Annette O'Toole) que misteriosamente este desapareceu. Para a surpresa de Irena, Paul reaparece em casa e lhe confidencial algo insólito: eles são os últimos descendentes de uma raça que durante o ato sexual, que não entre eles, se transformam em panteras assassinas normalmente matando seus parceiros para retornar a forma humana. Paul sugere a Irene que vivam juntos para controlarem a maldição, mas esta o repudia e foge de suas investidas evitando o relacionamento bizarro, gerando assim sua fúria.  Irena passa a acreditar que, se fizer amor, ela se transformará em uma pantera e matará Oliver.

A Marca da Pantera não é um remake do original, exceto no sentido técnico, tendo pouca ou nenhuma semelhança com o original: a ênfase é diferente, a história é diferente e os personagens são diferentes, mas é considerada uma sensual refilmagem de “Sangue de Pantera” (1942), cujo original do diretor  Jacques Tourneur era revestido de contenção e sutileza forçando o imaginário popular. Neste novo exemplar, há a introdução de uma mitologia do “povo-gato” (“cat people”) que se inicia com um prólogo antropológico na qual uma outrora milenar e desconhecida tribo, vivendo em um local inóspito, é vista amarrando suas donzelas no covil de panteras negras que pendem das árvores, sendo oferecidas como sacrifício, estabelecendo assim a herança de Irena e Paul. O diretor Schrader, formado em Teologia e Filosofia, atualizou e revestiu seu thriller de erotismo apostando que o público daria o aval, mas este não entendeu muito bem sua proposta e, assim, como “Enigma do Outro Mundo” (“The Thing”) de John Carpenter fez pouco dinheiro, mas o filme de Carpenter teve melhor acolhida na memória e no coração dos cinéfilos ao transcorrer das décadas. Quanto à crítica, a maioria fez a comparação ao original e as avaliações nem sempre foram as melhores.

A estória dos seres que metamorfoseiam-se em panteras durante o ato sexual, vivendo atrelados a uma maldição passada de geração para geração é bem interessante. A Marca da Pantera, como já dito, difere-se e muito do clássico dos anos 40, mostrando-se obras distintas cada qual com suas qualidades e defeitos. Há a percepção de certo virtuosismo estético que deu ao filme um ar cult e a repetição de certos elementos de “Sangue de Pantera”: a associação de sexualidade com maldição (só que aqui revestido de mais sangue e sexo anos 80) e  há uma manutenção (até certo ponto) da sugestividade psicológica do original. Só que este exemplar nos brinda com uma musica incidental “expressionista” (de Giorgio Moroder) dando tensão às cenas; possui efeitos especiais de última geração para a década de 80 (um contraste com as transformações efetuadas pelas graciosas sobreposições de imagens sucessivas das décadas anteriores) e um design geral bem perceptível. E o final marcado com “Putting Out the Fire” (Theme from Cat People)  de David Bowie - é surpreendentemente bem encaixado.

Paul Schrader (mais conhecido por ter sido roteirista de dois filmes clássicos de Martin Scorsese: “Taxi Driver” (1976) e “Touro Indomável” (1980)) transpôs para as telas (após a desistência de Roger Vadim, em 1980) o roteiro de Alan Ormsby (de "Cuidado com Meu Guarda-Costas" (1980) e "Porky's 2: O Dia Seguinte"  (1983))  revestido de duas narrativas paralelas: a primeira, envolve o aprofundamento das relações entre a irmã, o irmão e o curador do zoo. Temos um triângulo amoroso dos mais complexos: Irene teme Paul porque teme o incesto. Ela ama Oliver, mas amá-lo significa matá-lo, em contrapartida, Oliver percebe onde está se metendo, mas sente uma atração que o impede de fugir de Irena. A outra narrativa envolve a busca por um felino que vem aterrorizando em plena cidade grande: Irena sabe que é Paul, Oliver se surpreende com que Irena acredita, mas em algum momento essa estória de cunho insólito o levará para a constatação de uma realidade perigosa.

O elenco é muito competente: Nastassja Kinski, aos 21 anos,  funcionou para o que o roteiro pretendeu: fugir do erotismo subtextual anos 40 protagonizado pela atriz Simone Simon, atualizado para um erotismo mais explicito anos 80. Sua presença hipnotiza os personagens e a plateia e sua mudança gradativa de jovem tímida e recatada para uma pretensa felina devoradora de homens é convincente o suficiente (não há como não me lembrar da música “Maneater” de Hall and Oates: “Ooooh here she comes / She's a maneater!…” – “Oh aqui vem ela / Ela é uma devoradora de homens…”, apesar do filme e canção serem do mesmo ano, é apenas uma coincidência...ou, pelo menos, acredita-se que seja). O filme apostou na nudez da atriz em várias cenas, mas Kinski provaria ser uma grande atriz ao longo de sua filmografia. Malcolm McDowell apresenta novamente um personagem controverso, sombrio, intenso, esquisito e de brio ameaçador bem ao estilo de seus trabalhos anteriores como “A Laranja Mecânica”, mas nunca atingindo aquela icônica performance. Seu personagem que considera Irena sua tábua de salvação imprime uma aura de violência, muitas vezes implícita, impedindo o filme de cair na armadilha de fazer mais rir do que assustar, ruína de muitos filmes que se atrevem em temas controversos. Seu personagem foi um acréscimo que não existia na versão original. Annette O'Toole (“Smallville: As Aventuras do Superboy”), como Alice, é uma variação da personagem interpretada por Jane Randolph. Nesta produção revisitada, seu papel perde o destaque e fica mais para segundo plano, mas participa de uma das três sequências retiradas do filme original: a da piscina (a terceira é Irene no Zoológico desenhando e sendo perseguida). Já John Heard interpreta um personagem completamente distinto de seu paralelo na outra versão. Também funciona para o que o roteiro propôs, mas parece  que seu fetichismo interior foi pouco elaborado em prol da dupla central. A personagem Femole (na dublagem, e “Female” no original) de Ruby Dee (1922–2014) também não existia no original e tentou-se imprimir um suspense ou cumplicidade com o personagem de McDowell. Ed Begley Jr (do seriado “Better Call Saul”) tem uma cena de impacto ao ser atacado pela pantera na jaula e só. 

A Marca da Pantera é um filme que merece uma revisitação depois que foi lançado em Blu Ray nos Estados Unidos. Tem bons efeitos, uma ótima fotografia, mas revela-se em alguns momentos longo possuindo pouco mais de duas horas de projeção. Compará-lo com “O Sangue de Pantera” talvez não seja a melhor alternativa, visto que o filme dos anos 40 mudaria radicalmente o estilo dos filmes de terror na década de 1940: sairiam os horrores explícitos de Frankenstein, Lobisomen & Cia e entraria a imaginação da plateia compartilhando a estória dos filmes. A Marca da Pantera não foi um filme revolucionário ao seu tempo, mas pode ter sido subestimado como um interessante e macabro conto moderno. Há boas qualidades no filme como fotografia, efeitos e música. Hoje o filme é menos impactante que na época, chegando a passar nas emissoras americanas com um final alternativo.

 

Trailer:

 


 

Curiosidades (contém importantes spoilers )

A atriz Bo Derek (“Mulher Nota 10”) estava originalmente programada para desempenhar o papel principal que acabou indo para Nastassja Kinski.

William Hurt foi considerado para o papel de Oliver Yates.

As espécies de grandes felinos neste filme eram panteras negras, na verdade leopardos. O termo pantera é um termo genérico para qualquer gato grande. As panteras neste filme são leopardos, sua cor preta distinta é derivada de um traço genético recessivo conhecido como melanismo.

Kinski interpreta uma mulher-gato neste filme e ela é filha de Klaus Kinski, que ficou famoso por interpretar outra criatura da noite alguns anos antes, como o vampiro em Nosferatu: O Vampiro da Noite (1979).

“Putting Out the Fire” de Bowie foi utilizado pelo diretor Quentin Tarantino em uma sequência de Bastardos Inglórios ( 2009).

Schrader fotografou mais nudez de Kinski do que a atriz estava confortável. Ele então adicionou muito disso ao filme em retaliação por Kinski ter desistido de seu relacionamento turbulento durante a produção. Depois de terminar o filme, ela fugiu para Paris com Schrader em seu encalço.. Uma versão desta história está resumida no livro "Easy Riders, Raging Bulls", de Peter Biskind.

Filme final do atriz Berry Berenson, que interpretou a atendente da piscina da YWCA, Sandy. Ela se aposentou da atuação para se concentrar na vida de casada, na criação de seus filhos e em sua carreira na fotografia. Ela faleceu em 11 de setembro de 2001, como um dos passageiros do voo 11, que atingiu o World Trade Center.

Depois de concluir esse trabalho, o diretor Paul Schrader fez uma longa pausa nos filmes de Hollywood.

Lynn Lowry, que interpretou a prostituta Ruthie, disse que teve que fazer sua própria cena quando caiu da escada. Porque ela estava de calcinha, ela não podia usar estofamento. Ela acabou fazendo a cena 17 vezes até que Paul Schrader ficou satisfeito. Para piorar ainda mais, ele disse a ela que queria que seu sutiã se abrisse e revelasse seus seios quando ela chegasse ao fundo. Ela achou que era uma ideia ridícula, mas aceitou. Em uma entrevista a revista “Femme Fatales” anos depois, ela disse: "Basicamente, acho que Paul queria tirar uma foto dos seios de todas as mulheres do filme. Era ele ou o estúdio, mas alguém queria. Todas as mulheres de fora de Ruby Dee”

Aparentemente, o diretor Paul Schrader se arrependeu de usar o título de 'Cat People' após a reação negativa a este filme ocorrer comparando-o com o original Sangue de Pantera (1942).

Referências a Dante Alighieri e Beatrice são espalhadas no filme, refletindo a visão de Paul Schrader de que a obsessão de Oliver por Irena deriva de seu "complexo de Beatrice".

A personagem Alice Perrin interpretada por Annette O'Toole foi interpretada por Jane Randolph tanto no original Sangue de Pantera (1942) quanto em sua sequência A Maldição do Sangue da Pantera (1944), onde a personagem era conhecida como Alice Moore.

Em uma das cenas deletadas deste filme, a mãe da vida real de Nastassja Kinski interpretou sua mãe meio gata e meio humana.

Uma versão regravada da música-título do filme, "Cat People (Putting Out Fire)", de David Bowie, foi incluída em seu álbum de 1983 "Let's Dance", lançado pela EMI Americana. Originalmente, Bowie queria usar a versão cinematográfica da música, mas a MCA Records, que detinha os direitos da trilha sonora, recusou-se a licenciá-la, pois Giorgio Moroder estava sob contrato com eles na época, e eles não estavam dispostos a deixar a EMI usam a versão de uma música que foi composta por um de seus artistas no novo álbum de Bowie.

Malcolm McDowell (Paul) revelou que a cena em que ele pula na cama como um gato foi filmada com ele pulando da cama e andando de costas para fora do quarto e descendo as escadas. O filme foi então invertido. Esta técnica foi presumivelmente também usada para a cena em que Paul executa um chute do chão, depois pula para o parapeito da varanda antes de cair no chão para perseguir Irena.

Annette O'Toole (Alice) criticou o fato de usaram pumas tingidos de preto porque os leopardos são impossíveis de treinar.

A versão de TV americana tem algumas cenas adicionais e um final alterado. O final alternativo ocorre quando Oliver encurrala a pantera, que era Irena, na ponte. Na versão dos cinemas, a pantera (Irena) pula da ponte e foge. A pantera mata um amigo de Oliver para se tornar humana novamente e se esconde no barraco de Oliver. Oliver encontra Irena lá e os dois concordam em fazer amor uma última vez (sabendo que ela se tornará uma pantera novamente). A última cena do filme mostra Oliver acariciando e alimentando a pantera (Irena) em uma jaula no zoológico. A versão de TV americana termina na ponte quando Oliver atira na pantera (Irena) com um dardo tranquilizante, depois corta para a cena quando ele alimenta e acaricia a pantera (Irena) no zoológico. Isso eliminou a necessidade de editar a última cena de amor intensa. Outra cena adicional na versão da TV mostra Irena acidentalmente assustando um pássaro em uma gaiola até a morte apenas por sua presença. Essa versão também apresenta breves fotos dos leopardos animatrônicos que foram cortados no lançamento nos cinemas. Na versão dos cinermas, a música "Sunday Kind of Love" de Ella Fitzgerald toca ao fundo durante uma cena de jantar. Na versão da televisão, a música "Faraway Places" de Bing Crosby é tocada.

John Heard (Oliver) revelou como quase recusou o papel porque acreditava que era um filme pornô. Ele também lembrou que se sentiu muito estranho, principalmente durante as cenas de nudez.

Este remake de A Marca da Pantera (1982) foi feito e lançado na mesma época em que O Monstro do Ártico (1951) estava sendo refeito como O Enigma de Outro Mundo (1982). Ambos os originais eram clássicos de filmes de terror do RKO Studio.

O produtor Wilbur Stark comprou os direitos da biblioteca RKO (produtora e distribuidora de filmes) e pretendia refazer seus clássicos de terror com a Universal. No entanto, o relativo fracasso de bilheteria deste filme e de O Enigma de Outro Mundo (1982) acabou com quaisquer planos futuros de remake.

Na mesa de cabeceira de Oliver há uma cópia do livro "Mishima: A Biography". O diretor Paul Schrader, alguns anos depois, dirigiria Mishima: Uma Vida em Quatro Tempos (1985) baseado em parte nessa biografia.

Ruby Dee foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por "Gangster" (2008)

Vinte e seis minutos de filme: Irena desenhando o gato preto no zoológico é a cena com a qual o filme original começou. A única semelhança entre as cenas dos dois filmes é que é no mesmo local (embora horas depois) que ela conhece o protagonista.

Como a premissa dada para a raça de “Cat People” é que eles se transformam depois de fazer sexo com não-irmãos, não há razão na mudança final de Paul para sua forma de gato após a luta com Irena, pouco antes de ser baleado por Alice, pois há não havia sexo envolvido. Tampouco é dada qualquer explicação sobre como Irena foi capaz de mudar para sua forma felina, e rapidamente de volta ao seu estado humano (totalmente vestida) enquanto perseguia Alice na piscina.

Nos filmes "Tess - Uma Lição de Vida" (1979); "O Fundo do Coração" (1981) e  "A Marca da Pantera" (1982) a atriz assinava como Natassia Kinski

O ator Scott Paulin que interpretou Bill Searle fez o Caveira Vermelha no filme "Capitão América" (1990)


Putting Out the Fire (Theme from Cat People) - David Bowie



Nastassja Kinski no clip da banda U2 - Stay (Faraway, So Close!) - Dir: Win Wenders



Michael McKean e Annette O'Toole na canção indicada ao Oscar "A Kiss at the End of the Rainbow" do filme " Os Grandes Músicos" (2003)



Nastassja Kinski e Marcello Mastroianni em Tentação Proibida (1978)



Malcolm McDowell e David Warner em Um Século em 43 Minutos (1979)








Annette O'Toole em "It - Uma Obra Prima do Medo" (1990)










John Heard em Depois de Horas (1985)








Scott Paulin no seriado Castle (2009)








Ruby Dee e Sidney Poitier em O Sol Tornará a Brilhar (1961)








Ed Begley Jr. no seriado "Better Call Saul" (2015)








Cartazes:






Filmografia Parcial:

Nastassja Kinski


Movimento em Falso (1975); Uma Filha para o Diabo (1976); Tentação Proibida (1978); Tess - Uma Lição de Vida (1979); O Fundo do Coração (1981); A Marca da Pantera (1982); O Sinfonia da Primavera (1983); Entre a Vida e a Morte (1983); A Lua na Sarjeta (1983); Infielmente Tua (1984); Um Hotel Muito Louco (1984); Paris, Texas (1984); Os Amantes de Maria (1984); Harem (1985); A Revolução (1985); Correntes da Primavera (1989); Noites Com Sol (1990); Tão Longe, Tão Perto (1983); Resgate Suicida (1994); Velocidade Terminal (1994); O Segredo do Silêncio (1997); Por Uma Noite Apenas (1997); Corações Apaixonados (1998); Sem Perdão (1999); O Enigma do Tempo (1999); Cartas Marcadas (2000); Uma Rapsódia Americana (2001); Armadilhas da Sedução (2001); Rede de Intrigas (2002); O Clone (2004); Império dos Sonhos (2006); Sugar (2013); Die stillen Trabanten (2022)

Malcolm McDowell








Laranja Mecânica (1971); Calígula (1979); Um Século em 43 Minutos (1979); A Marca da Pantera  (1982); Trovão Azul (1983); Get Crazy - Na Zorra do Rock (1983); Merlin e a Espada (1985); Assassinato em Hollywood (1988); A Guerra dos Donos do Amanhã (1989); Estação 44 - O Refúgio dos Exterminadores (1990); Jornada nas Estrelas: Gerações (1994); Experiência Mortal (1995); Mar de Fogo (2004); Halloween - O Ínicio (2007); H2: Halloween 2 (2009); O Artista (2011); Silent Hill: Revelação 3D (2012); Esqueceram de Mim 5 (2012); Natal Sangrento (2012); Ricardo: Coração de Leão (2013); Ensina-me o Amor (2014); 31 (2016);  Mississippi Murder (2017); American Satan (2017); Experiment 77 (2018); Monster Butle (2019)

John Heard (1946–2017)








A Marca da Pantera (1982); Depois de Horas (1985); O Regresso para Bountiful (1985); Rebelião em Milagro (1988); A Sétima Profecia (1988); Quero Ser Grande (1988); Atraiçoados (1988); Entrega Mortal (1989); Esqueceram de Mim (1990); Tempo de Despertar (1990); Radio Flyer (1992); Gladiator - O Desafio (1992); Esqueceram de Mim 2 - Perdido em Nova York (1992); Na Linha de Fogo (1993); O Dossiê Pelicano (1993); 187: O Código (1997); Olhos de Serpente (1998); Jogo de Intrigas (2001); Edison - Poder e Corrupção (2005); Contrato de Risco (2005); O Grande Debate (2007); Sharknado (2013); Um Homem Contra Wall Street (2013); O Pacto Mortal (2015).

Annette O'Toole








O Pequeno Grande Homem (1970); Rei dos Ciganos (1978); A Marca da Pantera (1982) 48 Horas (1982); Superman III (1983); Ponte para Terabítia (1985); Armadilhas do Amor (1990); O Sonho de Oz (1990); O Beijo de um Assassino (1993); Crimes Imaginários (1994); Marcado Pelo Passado  (1996); Aterrissagem de Alto Risco (1997); Smallville: As Aventuras do Superboy (seriado 2011-2011); Fútil e Inútil (2018); Afunde o Navio (2019); Virgin River (seriado 2019-2022)

Ruby Dee (1922-2014)







A História de Jackie Robinson (1950);  O Ódio é Cego (1950); Um Homem Tem Três Metros de Altura (1957); O Sol Tornará a Brilhar (1961): O Balcão (1963); O Poder Negro (1968); Um por Deus, Outro pelo Diabo (1972); A Marca da Pantera (1982); Faça a Coisa Certa (1989); Armadilhas do Amor (1990); Febre da Selva (1991); Justa Causa (1995); O Preço da Fuga (1996); A História das Irmãs Delany (1999); Aos Olhos de Deus (2005); O Gângster (2007); Video Girl (2011); As Mil Palavras (2012); 1982 (2013).

Ed Begley Jr







Invencíveis e Invisíveis (1972); O Pássaro Ferido (1972); Um Anjo da Guarda Muito Especial (1973); O Guarda-Costas (1976); Nas Ondas do Rádio (1977); Vivendo na Corda Bamba (1978); Galactica: Astronave de Combate (1978); Galactica: Astronave de Combate (seriado 1978-1979); Elvis não Morreu (1979); Hardcore: No Submundo do Sexo (1979); Um Casamento de Alto Risco (1979); Aeroporto 79: O Concorde (1979); Uma Professora Muito Especial (1981); Tudo por Dinheiro (1982); Médicos Loucos e Apaixonados (1982); A Força do Destino (1982); Viajantes do Tempo (1982); Get Crazy: Na Zorra do Rock (1983); Ruas de Fogo  (1984); Trapalhadas na Casa Branca (1984); O Turista Acidental (1988); Luta de Classes em Beverly Hills (1989); Ela é o Diabo (1989); Até as Vaqueiras Ficam Tristes (1993); Os Puxa-Sacos (1994); Pagemaster, o Mestre da Fantasia (1994); Batman Eternamente (1995); Herói por Engano (1996); O Retorno da Família Addams (1998); Sétimo Céu  (seriado 1999-2003); Perfeitos no Amor (2004); A Sete Palmos (seriado 2001 a 2005); Por Trás das Câmeras (2006); Veronica Mars: A Jovem Espiã  (seriado 2006 a 2007); Segredos Fatais (2009); A Grande Luta de Muhammad Ali (2013); Dia da Namorada (2017); Chips: o Filme (2017); Portlandia (seriado 2012-2018); Do Jeito que Elas Querem (2018); Better Call Saul (seriado 2016-2022); Amsterdam (2022).

Scott Paulin








O Assassinato de Randy Webster (1981); A Marca da Pantera (1982); Os Eleitos: Onde o Futuro Começa (1983); A História de um Soldado (1984); O Garoto do Futuro (1985); Cilada Mortal (1988); Acusados (1988); Uma Dupla Quase Perfeita (1989); Alien - O Exterminador (1990); Capitão América (1990); A Exterminadora (1993); Uma Lição de Amor (2001); Infection (2005); Tales of an Ancient Empire (2010); Castle (seriado 2009-2014)


Fontes:

Starburst Magazine
Starlog
Famous Monsters of Filmland
Rue Morgue
Time
IMDB
N.Y Times
Empire
Slant
Newsweek
Revista Set
Jornal O Globo
Jornal do Brasil

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

FOME DE VIVER / THE HUNGER (1983) - REINO UNIDO

"QUE SEJA ETERNO ENQUANTO DURE"

Miriam Blaylock (Catherine Deneuve) é a última descendente de uma raça de seres que datam de uma antiga civilização egípcia e que possuíam o segredo da vida eterna.  Ela é o que podemos chamar de uma verdadeira vampira.  John Blaylock (David Bowie) é o atual amante de Miriam. Se conheceram na Inglaterra do século XVIII. Agora John parece ter atingido o limite de sua longevidade de 300 anos, artificialmente induzida pelo sangue de suas vítimas, começando a envelhecer anos em poucas horas. A promessa de Miriam de que viveriam um amor eterno não era completamente verdadeira.

Em seu desespero, John procura a Dra. Sarah Roberts (Susan Sarandon), uma jovem escritora e brilhante cientista engajada no estudo sobre o processo de envelhecimento acelerado (Chamado “Condição Projeria”). Em um primeiro momento, Sarah não acredita na insólita história de envelhecimento de John, tomando-o por louco e deixando-o à sua espera por duas horas. Tudo muda quando Sarah percebe que aquele senhor que falara com ela há pouco se mostra um John incrivelmente mais velho neste curto período, mas John resolve partir enfurecido. Já Miriam, busca um meio de salvar John, mesmo sabendo como tudo terminará. Ao conhecer Sarah, percebe que substituir John afinal não lhe afetará tanto enquanto para este será reservado o mesmo destino de seus antigos amantes: ser colocado em um caixão e viver o suplício de um morto-vivo consciente. Seduzida, Sarah descobre que seu sangue parece ter um potente agente cientificamente desconhecido e incontrolável, tentando entender com Miriam o que lhe ocorreu. A verdade não lhe soa nada agradável.

Fome de Viver, produção inglesa do até então estreante diretor Tony Scott (1944-2012), se tornou um cult instantâneo e, apesar de sua baixa bilheteria em seu lançamento americano (U$ 5,9 milhões), foi conquistando o público e a crítica com o seu misto de horror e estética moderna, em uma atmosfera visualmente hipnótica que foge do horror tradicional, carregado de uma pitada de erotismo. Tudo começou quando Ivan Davis e Michael Thomas roteirizaram o romance de Whitely Streiber a pedido do produtor Richard Shepherd (“A Árvore dos Enforcados”, “Bonequinha de Luxo”, “Robin e Marian”) que chegou a convidar Ridley Scott (irmão de Tony), mas este recusou. Como o empresário era o mesmo de ambos, surgiu a oportunidade de Scott fazer sua estreia em longa metragens principalmente após uma sondagem a Alan Parker (“O Expresso da Meia-Noite”) que indicou Tony por sua larga experiência e um apurado senso estético com comerciais, mas sua falta de experiência deixou Catherine Deneuve em dúvida sobre apostar no filme. Com a entrada de Bowie, tudo mudou. Um condicionou sua participação a presença do outro, com Sarandon também incorporada ao elenco.

Já nos créditos de abertura, a música "Bela Lugosi's Dead", da banda Bauhaus, é ouvida (Tony descobriu o grupo em uma boate de Londres e decidiu colocá-los no filme) em uma discoteca, local onde a dupla escolhe as vitimas, aliás, a música tem papel fundamental, pois no filme o casal é musicista. Mas, apesar das alegorias musicais e visuais, a estória é simples, sendo no fundo uma reflexão sobre vida e morte, juventude e velhice e o próprio tempo; uma ligação entre o fim da vida e do amor. A subtrama envolve o desejo de Miriam, que mora em uma casa na elegante zona leste de Manhattan, por uma bela gerontóloga (houve muita controvérsia enquanto o filme estava sendo feito), com seu amante mortal, John Blaylock, sendo posto de lado em sua luta contra o inexorável relógio do tempo. 

O mito do vampirismo como alegoria sexual não é novidade. O romance de Bram Stoker centra-se no desejo obsessivo que este sente pela inocente Mina Harker. A questão dos vampiros modernos foi algo que trouxe frescor ao gênero, na qual o diretor os transforma em uma síntese do comportamento pop da época (e por que não também atual em nossos dias?). Scott & Cia atualizariam e humanizariam o mito do vampirismo que o cinema parecia já ter esquecido em décadas passadas. E nesse “novo conceito”, alguns arquétipos clássicos dos sugadores de sangue foram retirados: não há aversão às cruzes, caminham durante o dia, não apresentam caninos à mostra, não moram em castelos e nem se transformam em morcegos, mas ainda assim tem um roteiro que precisa ser observado, uma narrativa tão estranha (muitos consideraram nebulosa) quanto fascinante, bem distante dos filmes cujo mote é apenas assustar, se o espectador não ficar entretido com as imagens que desfilam na tela. Tudo isso dois anos antes de “A Hora do Espanto” nos apresentar a "espantomania". Se realizado nos EUA, o filme provavelmente centraria nos efeitos de transformação como em “Um Lobisomem Americano em Londres” ou “Grito de Horror” (apesar desses filmes terem uma boa história que os ampare). E nenhuma menção à palavra “vampiro” aparece no filme, aparentemente na tentativa de evitar o rótulo “filme de terror”, que os cineastas temem ser indicativo de Filmes B. E houve que percebesse semelhanças com “A Marca da Pantera” (Cat People - 1982; ou o seu original “O Sangue de Pantera” (Cat People - 1952). Em ambos os filmes, somos apresentados a pessoas de aparência comum que, na verdade, são membros de uma raça antiga que deve se alimentar de humanos para sobreviver. E, em ambos, na nova versão de Cat People e neste filme, temos Bowie (na canção tema do filme de 1982 e atuando e compondo neste em questão). Não podemos deixar de observar também que as atrizes Deneuve e Nastassja Kinski são europeias; Bowie e Malcolm McDowell são atores britânicos


A maquiagem, fotografia e trilha sonora são aspectos a serem destacados. As criaturas parecidas com múmias foram projetadas por Dick Smith (cujos créditos incluem “O Exorcista”, “Taxi Driver” “Scanners:Sua Mente Pode Destruir”, “Histórias de Fantasmas”, “Amadeus”, “Starman”... e que envelheceu Dustin Hoffman em “O Pequeno Grande Homem” e Marlon Brandon em “O Poderoso Chefão”). Smith pesquisou sobre as múmias de Guanajuato, no México (que aparecem nas cenas de abertura do remake de Nosferatu, de Werner Herzog). Para a transformação de Deneuve, foram usados manequins em vez de próteses ou trajes corporais. A fotografia de Stephen Goldblatt (“O Enigma da Pirâmide”, “Máquina Mortífera 2”, “O Príncipe das Marés”, “Batman Eternamente”, “Histórias Cruzadas”, “Um Senhor Estagiário”...) pode ser citada como uma grande influência no estilo visual do filme. E o design de produção de Brian Morris também se destaca. Quanto a trilha sonora, temos Debussy, Ravel, Schubert ... e até a opera Lakme, de  Delibes, que embala a cena de sedução de Miriam com Sarah.

O elenco principal é um dos motivos do filme funcionar. A francesa Catherine Deneuve (indicada ao Oscar por “Indochina” (1992)) era considerada uma das atrizes mais belas do cinema e já possuía extensa filmografia que incluía “Repulsa ao Sexo” (1965) e “A Bela da Tarde” (1967). Sua personagem, que atravessa séculos indiferente ao tempo, surge revestida de uma “beleza fria” dando o charme e o toque de classe que o filme precisava. O inglês David Bowie (1947–2016) vinha de elogiáveis atuações em filmes como “O Homem Que Caiu na Terra” (1976) e “Furyo: Em Nome da Honra” (1983) disse que, para deixar sua voz adequadamente rouca para quando envelheceu tão drasticamente no filme, ficava na ponte George Washington todas as noites e gritava todas as músicas de punk rock que conhecia. E realmente aprendeu a tocar violoncelo para suas cenas musicais. Bowie entregou um personagem muito interessante no tempo que esteve em cena. A americana Susan Sarandon, ex-esposa de Chris Sarandon (de 1967 a 1979) que, por coincidência viria a protagonizar “A Hora do Espanto”, fez um ótimo personagem emprestando beleza e personalidade. Cliff de Young (Um Dia de Sol) interpretou o interesse amoroso de Sarah, que acabou sendo trocado por uma amiga mais exótica. Beth Ehlers, de 14 anos, fez Alice, a garotinha ao lado que se junta a John e Miriam em musicais improvisados ​​à tarde. Willem Dafoe (“Homem-Aranha”, “Platoon” e “Ruas de Fogo”) surge em uma ponta e foi uma conquista do diretor que lutou por sua presença no filme. Quem também aparece em uma rápida cena é  Sophie Ward (Enigma da Pirâmide) em uma cena na casa de Londres

Com locações no Reino Unido e Estados Unidos, “Fome de Viver” apresenta uma arquitetura de contornos góticos com vampiros modernos e inseridos dentro da época do filme. Tony Scott (“Top Gun”, “Maré Vermelha”, “Inimigo do Estado”, “O Sequestro do Metrô”, “Chamas da Vingança” (2004)...) estreava com uma edição minimalista e um impressionante domínio da linguagem cinematográfica nos brindando com vampiros aristocráticos, desgostosos pelo passar dos séculos, personagens tão atormentados quanto qualquer mortal. Muito se disse que o promissor diretor voltou-se a filmes menos estilizados e mais populares (leia-se lucrativos), mas seu filme mostrou ao mercado que o vampirismo ainda tinha muitos fãs, bastava investir nesse segmento abandonando o visual dos anos 50, 60 e 70. Em suma: um filme muito interessante. Muitos reclamaram da falta dos aspectos mais importantes da mitologia dos vampiros, outros observaram uma inovação bem-vinda. A única coisa que não deixa o espectador ficar é indiferente.


Trailer:



Curiosidades (contém spoliers):

Tony Scott dirigiu os clips Danger Zone (Kenny Loggins), One More Try (George Michael)

A adaga cruzada em miniatura é chamada de Ankh. Também é conhecida como "a chave da vida", "a chave do Nilo" e "crux ansata" (do latim que significa "cruz com cabo"). O Ankh é um antigo caractere hieroglífico egípcio que significa "vida", um sinal trilateral para três consoantes. O componente da faca é algo que foi fisicamente adaptado, a lâmina geralmente não existe como parte do símbolo. A faca Ankh apareceu com destaque em um dos principais cartazes do filme.

Um dia durante as filmagens, a figurinista Milena Canonero, desapareceu e não foi encontrada em lugar nenhum. Descobriu-se que ela havia voado para Roma para comprar tecido para um lenço que David Bowie deveria usar. Incapaz de encontrar o tecido de que gostava em Londres, Canonero voou para Roma às suas próprias custas para encontrar o tecido de que precisava.

David Bowie disse sobre este filme depois que foi feito: "Devo dizer, não há nada que se pareça com ele no mercado. Mas estou um pouco preocupado que seja perversamente sangrento em alguns pontos".

Este filme é dedicado em memória do irmão de Tony Scott, Frank Scott. O irmão mais velho de Tony, Ridley Scott dedicou Blade Runner: O Caçador de Androides (1982) a Frank.

David Bowie teria ficado um pouco intimidado por Catherine Deneuve, mas se deu bem com Susan Sarandon.

Em uma entrevista ao The Daily Beast no final de julho de 2014, Susan Sarandon revelou que teve um caso com David Bowie enquanto os dois trabalhavam neste filme.

A idade da vampira Miriam Blaylock (Catherine Deneuve) era de seis mil anos. A quantidade de tempo que ela foi amante de John Blaylock (David Bowie) foi de trezentos anos.

Tony Scott queria filmar todo o filme em Nova York, mas teve que se contentar em filmar a maior parte do filme em Londres, Inglaterra, porque o orçamento não era grande o suficiente para pagar a filmagem inteira em Nova York.

O cinegrafista Hugh Johnson se envolveu com Catherine Deneuve enquanto fazia o filme e eles viveram juntos por cerca de dois anos.

Tony Scott citou o fotógrafo norte-americano Irving Penn (1917-2009) como uma grande influência no estilo visual do filme.

Sob a direção do estúdio MGM, o final do filme foi alterado para permitir a possibilidade de sequências e uma franquia, algo comum ao gênero de filmes de terror, mas nenhuma sequência chegou a acontecer.

O romancista de origem Whitley Strieber escreveu duas sequências para seu romance "The Hunger". Eles foram "The Last Vampire" (2001) e "Lilith's Dream: A Tale of the Vampire Life" (2003), mas nenhum deles foi filmado.

Catherine Deneuve revelou que a famosa cena de amor entre ela e Susan Sarandon foi filmada em um set fechado e usando dublês. "Não toda a cena da cama, não, mas havia algumas imagens com dublês", disse ela.

O filme estimulou uma série de TV produzida pela HBO com o mesmo nome "The Hunger"  entre 1997 e 2000. A série, transmitida pela primeira vez quatorze anos após este filme, utilizou o mesmo título e tradição de vampiros, mas não teve conexões de enredo ou personagem com este filme. Durou 44 episódios e teve artistas como David Bowie e Terence Stamp ("Superman II" e "Sim Senhor")

A música clássica intitulada "Lakmé" (Viens Malika... Dôme épais le jasmine) de Léo Delibes apresentada neste filme de Tony Scott também faria parte do filme Perigo na Noite (1987), de seu irmão Ridley Scott, que foi feito e lançado por volta de quatro anos depois.

Uma participação especial de Willem Dafoe e John Pankow pode ser vista perto de uma cabine telefônica. Ambos estrelaram dois anos depois "Viver e Morrer em Los Angeles", de William Friedkin; ironicamente, nos créditos Willem Dafoe é identificado como "segundo jovem na cabine telefônica" ("2nd Phone Booth Youth"), embora ele seja o primeiro visto e ouvido na cena da cabine telefônica.

A música tocada ao piano é "The Flower Duet" (em francês: "Sous le dôme épais") da ópera Lakmé de Léo Delibes. O dueto tem sido frequentemente usado em comerciais; não sem surpresa, o diretor Tony Scott dirigiu comerciais antes de dirigir este filme.

"Funtime" de Iggy Pop aparece com destaque em uma cena. David Bowie co-escreveu e produziu a música, além de fazer backing vocals, guitarra, sintetizadores e piano.

Em setembro de 2009, o estúdio da Warner Brothers anunciou um remake deste filme com o roteiro a ser escrito desta vez pelo romancista fonte Whitley Strieber, mas até o momento não foi feito.

Ann Magnuson, que interpreta a garota da discoteca escolhida por Catherine Deneuve e David Bowie, ironicamente era uma musicista da banda indie "Vulcan Death Grip".

Dois do elenco tinham feito parte da indústria da música. Cliff De Young tinha sido vocalista do grupo de rock "Clear Light" dos anos 1960, enquanto David Bowie era um superstar pop internacionalmente conhecido.

John é representado como tendo 300 anos. Incluindo seu caixão, um total de sete caixões são mostrados. Se 300 anos é a expectativa de vida padrão, isso levaria as coisas de volta a aproximadamente 1.000 a.C., o que se correlaciona vagamente com a imagem do amante egípcio vista em um flashback. Isso significa que ao longo dos anos "Catherine" transportou os restos mortais de seus ex-amantes pela Europa e pelo Atlântico. Quanto a seus amantes anteriores, que remontavam a outros quatro milênios, pode-se supor que ela teve muito trabalho em transportá-los.

O filme Performance (1970), primeiro longa dos diretores Donald Cammell e Nicolas Roeg, teve grande influência neste filme, que foi o primeiro longa de Tony Scott.

O nome do livro acadêmico que a Dra. Sarah Roberts (Susan Sarandon) escreveu foi "Sono e Longevidade"."Sleep and Longevity".

As cenas de envelhecimento rápido de David Bowie foram comparadas a "O Retrato de Dorian Gray", de Oscar Wilde.

O personagem de David Bowie pergunta a de Catherine Deneuve se "Alice" seria sua próxima amante "eterna", que era sua jovem estudante de música, interpretada por Beth Ehlers. Isso pode ter um duplo significado para o motivo pelo qual o John de Bowie a mata: tentar permanecer jovem, o motivo usual, e impedir que ela cresça e, eventualmente, termine com Miriam.

Susan Sarandon foi indicada ao Oscar por "Atlantic City" (1980); "Thelma & Louise" (1991); "O Óleo de Lorenzo" (1992); "O Cliente" (1994) conquistando o Oscar por "Os Últimos Passos de um Homem" (1995).

Tony Scott cometeu suicídio aos 68 anos em 2012.


Cartazes:





O livro:












Trilha Sonora:

Bela Lugosi's Dead - Bauhaus



Funtime - Iggy Pop & David Bowie 




 "The Flower Duet (Lakmé)" - Léo Delibes



Le Gibet (Gaspard de la Nuit) - Maurice Ravel 



Piano trio No.2 in E-flat Major. Op.100. - Franz Schubert




Filmografia Parcial:

Catherine Deneuve







A Bela da Tarde (1967);  Tristana, Uma Paixão Mórbida (1970); Crime e Paixão (1975); O Último Metrô (1980); Fome de Viver (1983); Tomara Que Seja Mulher (1986); Indochina (1992); Dançando no Escuro (2000); A Vingança do Mosqueteiro (2001); Reis e Rainha (2004); Perigosa Obsessão (2007); Diário Perdido (2009); Astérix e Obélix: A Serviço de sua Majestad (2012); O Homem Que Elas Amavam Demais (2014); O Novíssimo Testamento (2015); O Ignorante (2016); O Reencontro (2017); A Última Loucura de Claire Darling (2018); Adeus à Noite (2019); Feliz Aniversário (2019); Enquanto Vivo (2021); Femminile Singolare (2022) 

David Bowie (1947–2016)








O Homem Que Caiu na Terra (1976); Apenas um Gigolô (1978); O Boneco de Neve (1982); Fome de Viver (1983); Furyo, Em Nome daHonra (1983); Um Romance Muito Perigoso (1985); Absolute Beginners (1986); Labirinto - A Magia do Tempo (1986); A Última Tentação de Cristo (1988); Romance por Interesse (1991); Twin Peaks: Os Últimos Dias de Laura Palmer (1992); Basquiat - Traços de Uma Vida (1996); O Segredo de Mr. Rice (1999); Zoolander (2001); O Grande Truque (2006); Reação Colateral (2008); Twin Peaks: O Mistério (2014)

Susan Sarandon







Joe - Das Drogas à Morte (1970); Quando as Águias se Encontram (1975); Rocky Horror Show (1975); Menina Bonita (1978); Rei dos Ciganos (1978); Atlantic City (1980); Troca de Esposas (1980); Fome de Viver (1983); As Bruxas de Eastwick (1987); Sorte no Amor (1988); O Calendário da Morte (1989); Loucos de Paixão (1990); Thelma & Louise (1991); O Jogador (1992); Bob Roberts (1992); O Óleo de Lorenzo (1992); O Cliente (1994); Os Últimos Passos de um Homem (1995);Fugindo do Passado (1998); Crônica de uma Certa Nova York (2000); Doidas Demais (2002); Dança Comigo? (2004); Alfie, o Sedutor (2004); Tudo Acontece em Elizabethtown (2005); Identidade Roubada (2006); Speed Racer (2008); Irmãos de Sangue (2009); Face Oculta (2010); Wall Street: O Dinheiro Nunca Dorme (2010);  A Negociação (2012); O Casamento do Ano (2013); A Última Aventura de Robin Hood (2013); Tammy: Fora de Controle (2014); Meu Nome é Ray (2015); Zoolander 2 (2016); The Death and Life of John F. Donovan (2018);  Ray Donovan (seriado 2017-2019); Ninguém Brinca com Jesus Quintana (2019); Besouro Azul (2023)

Cliff De Young







Um Dia de Sol (1973); Um Dia de Sol no Natal (1977); Vivendo na Corda Bamba (1978); Pressão Contínua (1980); Tratamento de Choque (1981); Fome de Viver (1983); Jovens sem Rumo (1984); Admiradora Secreta (1985); F/X: Assassinato sem Morte (1986); O Vôo do Navegador (1986); Estado de Alerta (1987); Choque Mortal (1988); Momentos de Terror (1988); Tempo de Glória (1989); Quase sem Destino (1990); Horas Violentas (1992); RoboCop 4 (1994); Carnossauro 2 (1995); O Substituto (1996);  Jovens Bruxas (1996);O Último Homem do Planeta Terra (1999); Em Busca da Justiça (2000); Promessa de Amor (2004); 2012 - O Ano da Profecia (2008); Caminho para o Nada (2010); Livre (2014);  Reality Queen! (2020)


Willem Dafoe







Ruas de Fogo (1984); Viver e Morrer em Los Angeles (1985); Platoon (1986); A Última Tentação de Cristo (1988); Mississipi em Chamas (1988); Nascido em 4 de Julho (1989); Coração Selvagem (1990); Corpo em Evidência (1993); Tão Longe, Tão Perto (1993); O Paciente Inglês (1996); Velocidade Máxima 2 (1997); Santos Justiceiros (1999); Psicopata Americano (2000); Homem-Aranha (2002); Era uma vez no México (2003); Homem-Aranha 2 (2004); O Aviador (2004); xXx 2 - Estado de Emergência (2005); Manderlay (2005); Homem-Aranha 3 (2007); Anticristo (2009); 2019 - O Ano da Extinção (2009); John Carter: Entre Dois Mundos (2012); Ninfomaníaca: Volume 2 (2013); O Grande Hotel Budapeste (2014); A Culpa é das Estrelas (2014); Pasolini (2014); De Volta ao Jogo (2014); Cães Selvagens (2016); Um Homem de Família (2016); A Grande Muralha (2016); Projeto Flórida (2017); Assassinato no Expresso do Oriente (2017); Aquaman  (2018); The Last Thing He Wanted (2019); O Farol (2019) 


Dan Hedaya

 







The Prince of Central Park (1977); A Vida Íntima de um Político (1979); Confissões Verdadeiras (1981);  Dançando como Loucos (1982); Fome de Viver (1983); Jovens sem Rumo (1984); Gosto de Sangue (1984);  As Aventuras de Buckaroo Banzai (1984);  Um Agente na Corda Bamba (1984);  Comando para Matar (1985);  Dois Policiais em Apuros (1986); Amor e Coragem  (1986);  Joe Contra o Vulcão (1990);  Morando com o Perigo (1990);  A Família Addams (1991); Benny & Joon: Corações em Conflito (1993); Lances Inocentes (1993); Por Amor ou por Dinheiro (1993); Um Amor de Verdade (1993); Acerto de Contas (1994); Maverick (1994); Os Suspeitos (1995); Um Sonho sem Limites (1995); As Patricinhas de Beverly Hills (1995); Nixon (1995); O Clube das Desquitadas (1996); O Preço de um Resgate (1996); Daylight (1996); As Filhas de Marvin (1996); Será que Ele é? (1997); Por uma Vida Menos Ordinária (1997); Alien, a Ressurreição (1997); A Qualquer Preço (1998); Preso ao Silêncio (1999); Hurricane, o Furacão (1999); Shaft (2000); Cidade dos Sonhos (2001); Onde Está Ally? (2006); O Último Ato (2014); Animais Fantásticos e Onde Habitam (2016); Funny Face (2020); Slapface (2021); The God Committee (2021)


Fontes:

Twilight Zone

Starburst Magazine

IMDB

Chicago Reader

Variety

The N. Y Times

Starlog

Jornal O Globo

Revista Set - Cinema e Video