domingo, 12 de fevereiro de 2023

CONRACK / CONRACK (1974) - ESTADOS UNIDOS

A LUTA DE UM PROFESSOR CONTRA UM SISTEMA DE ENSINO 

Pat Conroy (Jon Voight) é um jovem professor que chega para lecionar a alunos de uma turma da quinta a oitava série, em uma ilha isolada, na costa da Carolina do Sul, em 1969. Para a sua surpresa, a turma, composta exclusivamente de crianças afrodescendentes, não consegue pronunciar o seu nome chamando-o de “Conrak”, além disso, não sabem contar nos dedos, não sabem em que Estado residem e desconhecem que o seu país é chamado de Estados Unidos da América.  Crianças incapazes de qualquer raciocínio que as possibilite situar-se no mundo em que vivem. “Conrack” descobre que a diretora da escola, Mrs. Scott (Madge Sinclair), dirige o local com mão de ferro, não aceitando nenhum comportamento que considere inapropriado, pronto a castigar quem desobedecê-la.  Conrack começa a implantar um sistema que acredita irá funcionar, mas Mrs. Scott passa a ter reservas quanto a ele, ao mesmo tempo em que o contratante de Conrack, o superintendente Skeffhington (Hume Cronyn), sugere de forma indireta que prefere um modelo tradicional ou que as coisas permaneçam como estão. 


“Conrack” foi roteirizado a partir do livro “The Water is Wide", uma autobiografia escrita por Conroy, que se tornaria autor de romances famosos, entre eles  “O príncipe das Marés", “Guardiões da Honra” e "O Grande Santini" que também foram adaptados para o cinema. Conroy descreveu suas experiências em uma comunidade afrodescendente em 1969, assim como o convívio diário com crianças expostas ao imobilismo social presente nos idos de 1969. Talvez para alguns compreenderem melhor o filme seja necessário conhecer o cenário americano em ebulição da época: a luta dos negros pelos direitos civis, que se intensificava a partir da segunda metade dos anos 60; a entrada dos EUA na Guerra do Vietnã (1965) até o final em 1974 (época do lançamento deste filme); Woodstock (agosto de 1969); a contracultura (oposição aos padrões culturais da sociedade, que pregava um rompimento das diferenças sociais, econômicas e de grupos distintos), fora os protestos contra a guerra (muitos de jovens, cada vez mais intenso e que dividiu o país naqueles que viam como algo válido e outros como antipatriótico (Billy Jack é um filme dentro deste contexto)). E Conroy, com o seu cabelo cumprido, lembrava os jovens pacifistas (tudo indica que não foi à Guerra) e modos diferentes para muitos seria um símbolo daqueles que apoiavam a contracultura numa América cujo o Sul, fortemente escravocrata e agrícola, perdera a Guerra de Secessão (1861-1865) para o Norte que combatia a escravidão e se apoiava no modernismo. E, mesmo após, gerações terem passado, muitos ainda mantinham um racismo declarado (O filme "Mississipi em Chamas" ilustra bem essa situação) e uma separação social. 

Ainda que Conroy tenha dito em entrevista que não gostara de como seu livro fora levado às telas, o diretor Martin Ritt (1914-1990) de filmes como: "A Grande Esperança Branca"; "Lágrimas de Esperança"; "Testa-de-Ferro Por Acaso"; "Norma Rae", "Querem me Enlouquecer" ... fez um drama social bem interessante que questionou os métodos retrógrados de ensino e a cruel máquina que operava por trás tornando tudo isso possível. Qualquer iniciativa de motivação pedagógica fora dos limites das normas estabelecidas era visto como rebelião e rebeldia, algo temido pelos conservadores que viam certa parte da juventude contrária à guerra e o movimento Woodstock como uma implosão dos preceitos morais que a  América propagava (mas, por de trás da cortina de moralismo havia segregação, racismo, intervenção militar em outros países ...).

Conrack chega e percebe que modelos arcaicos como a palmatória e o chicote de Mrs. Scott não ensinariam as crianças, mas levá-las ao campo e jogar maçãs de árvores para ilustrar a teoria da gravidade; um jogo de Football Americano para incentivar o trabalho em grupo; ensinar as crianças a nadar (num local onde praticamente nenhum dos moradores o sabe e muitos morrem nas águas que rodeiam a ilha), mostrar a música de Beethoven e apresentar o cinema aquelas crianças praticamente ignorantes tinham resultados mais válidos do que se obtivera antes, mas tudo que o professor, um confesso ex-racista, faz chega aos ouvidos de Skeffhington que começa a se sentir incomodado. Tudo piorará quando Conrack comunica a seu chefe que levará as crianças pela primeira vez para a cidade em uma celebração dos Dias das Bruxas. Quando ele resolve ilustrar o “Mito da Caverna de Platão” é a gota d’agua para a hierarquia governante que criara um muro de distanciamento (a ilha) e o professor lhes mostrará o que havia por cima deste muro. Agora Skeffhington e seus pares não poderão mais virar o rosto para o lado sem se importarem com o que acontece com aquelas pessoas isoladas.


ATENÇÃO SPOLIER: Pule este parágrafo se não assistiu ao filme. Infelizmente não há como deixar de citar o final do filme repleto de lirismo e certo cinismo. Conrack recebe uma demissão por suas ousadias sendo visto como um subversivo pelos que comandam o ensino local. Conrack cheio de idealismo e amor a sua profissão, luta contra um sistema imperante e cuja mentalidade arcaica entra em conflito com o ele pratica: revolucionar o ensino e fornecer uma vida digna e de oportunidades aos que ali estão com o futuro programado para perderem. Só que em sua inocência percebe tarde demais que os métodos retrógrados estão ali para manter aquelas crianças praticamente ignorantes. Até porque o surgimento de novos “Conracks” poderia abalar essas estruturas enraizadas. Silenciá-lo e afastá-lo significa reduzir qualquer possibilidade de ele se tornar um exemplo para a nova geração. A indignação de Conrack não tem o eco que esperava e só lhe resta ir embora. O final, partindo em um barco ao som da Quinta Sinfonia de Beethoven é repleto de nuances: Conroy seguindo seu caminho pelas mesmas aguas que o trouxeram, parece uma comparação à morte que aqueles que ali estão sentem com a sua partida, é um sentimento genuíno de perda de algo que nunca terão novamente deixando seus destinos indefinidos para o espectador, mas que receberam algo precioso: a possibilidade encarar a vida com liberdade e sem medo. Uma percepção de que a educação é a chave para mudar as suas vidas e que o conhecimento liberta. Muitos críticos reclamaram que Conrack ensina várias coisas, mas quase nada daquela cultura formada na ilha, como se eles não tivessem sua cultura própria ou raízes, mas os envolvidos optaram por centrar na questão no modelo arcaico do ensino e naqueles que perpetuavam tal situação. Condensar um livro inteiro em quase duas horas é quase impossível, logo certos aspectos foram deixados de lado. FIM DO SPOILER.

Quanto ao Elenco, Jon Voight foi a escolha adequada, Seu personagem repleto de entusiasmo que improvisa dia após dia para captar a atenção dos alunos, que ajuda a compreender o mundo e até os orienta em seus cotidianos foi muito bem delineado e o ator deu vigor a um personagem que precisava disso.  Madge Sinclair (de "Comboio" e "Um Príncipe em Nova York") teve um papel ingrato: uma personagem áspera, intolerante e reticente, que inflige punição corporal como que os educando para um mundo da qual precisam saber o seu lugar. Mrs Scott não teve a mesma chance de seus alunos. Viúva, teve uma vida difícil, de uma época mais complicada ainda que a atual. Lutou e conseguiu se educar.  Apendeu, em suas palavras, a “jogar o jogo dos brancos” e "não irritá-los", o que possibilitou permanecer como diretora da escola, mas isso tem um preço: ela deve notificar tudo que ali acontece e seguir o que Skeffington deseja. Ela simpatiza pelo jovem professor, mesmo sem entender o motivo que o levou ali e quais são suas motivações. Para Mrs. Scott, Conrack é um problema que pode afetar a todos. Ela já está tão enraizada no sistema vigente que prefere mantê-lo, acreditando que ajuda aquelas crianças. Para aqueles que lembram do ator Hume Cronyn como um dos simpáticos velhinhos de "Cocoon", podem se surpreender. Seu Skeffington é um personagem que se mostra  simpático, que diz desejar dar alguma educação aquelas crianças, mas uma educação que o seu lado da sociedade considera o certo, nada de inovações, se não funciona a culpa é dos alunos, afinal ele lhes envia professores e se algo lhe incomoda, como Conrack, ele simplesmente o despede e mantém as coisas do jeito que sempre foram. A atriz Tina Andrews que fez Mary, tinha 22 anos na época e em determinados momentos, como no início do filme, realmente não aparentava ter os 15 anos atribuídos ao seu personagem. A atriz recebeu um personagem difícil e saiu-se muito bem. Andrews continuou na carreira com participações em vários seriados como “Days of Our Lives” (1975-1977), Assim como ela, a maioria das crianças escolhidas não tinha experiência em atuações no cinema. Paul Winfield (Cão BrancoJornada nas Estrelas II - A Ira de Khan  A Cidade dos Anjos) fez o homem que vive recluso e que pede que Conrack o ensine em troca de whisky clandestino. Seu personagem, desaparece em determinado momento do filme sem muita explicação.


 

Conrack hoje é um filme com poucas exibições. É um filme humanitário e idealista com um Jon Voight que interpreta um Conrack provido ora de desalento e ora de entusiasmo, que encontra crianças maltrapilhas, ignorantes e apáticas e lhes dá vida. Um professor que encoraja seus alunos a terem curiosidade em aprender, que lhes tira do isolamento e de sua própria indiferença, que os trata com dignidade, carinho e amor. Um filme que mostra que um professor pode fazer a diferença na vida de seus alunos, que o ensino transforma vidas e que o conhecimento liberta. Conrack abre propostas, leva a reflexões, mas, acertadamente, não as encerra.

 

Trailer:


 

Curiosidades: 

As águas que separam a ilha do continente podem ser vistas como  uma interessante metáfora à ausência cultural dos pequenos alunos em relação ao mundo que os cerca.

Segundo o "New York Times", Conroy viveu uma infância "brutal", sob o controle do pai, um homem "sádico" que agredia a esposa e educava seus sete filhos com uma rotina militar,  "abusando deles de maneira desumana", especialmente Pat, o mais velho.(fonte g1)

The “Water is Wide” (título do livro), “A Agua é Larga”, refere-se a uma pequena travessia ao continente cercada por águas do Oceano Atlântico.

Em uma entrevista de 2007 no “Dennis Miller Radio Show”, Jon Voight relembrou uma reunião que aconteceu vinte anos após o lançamento do filme, com todos os atores e atrizes disponíveis. Dos vinte e um atores e atrizes que retratavam alunos, na época do reencontro, três se tornaram professores.

Tina Andrews, que interpreta a relutante estudante Mary, tinha 22 anos quando as filmagens começaram em 1973.

O filme de pirata que Conrack está mostrando para seus alunos em sala de aula é "O Cisne Negro" (1942), com Tyrone Power e Maureen O'Hara.


O Livro:





 






Cartazes:

 



Filmografias Parciais

John Voight 


 

 




Perdidos na Noite (1969); O Dossiê de Odessa (1974); Amargo Regresso (1978); O Campeão (1979); Expresso Para o Inferno (1985); Fogo Contra Fogo (1995); Missão: Impossível (1996); O Massacre de Rosewood (1997); Anaconda (1997); Procurado (1997); Inimigo do Estado (1998); Pearl Harbor (2001); Ali (2001); Sob o Domínio do Mal (2004); A Lenda do Tesouro Perdido (2004); Transformers (2007); A Lenda do Tesouro Perdido: Livro dos Segredos (2007); Drácula - O Príncipe Das Trevas (2013); Animais Fantásticos e Onde Habitam (2016); Somos Todos Iguais (2017)


Madge Sinclair (1938–1995)







Conrack (1974);  Loucuras do Matrimônio (1976); Raízes (seriado 1977);  Comboio (1978); Jim Jones: A Tragédia da Guyana (1980); Jornada nas Estrelas IV - A Volta para Casa (1986); Um Príncipe em Nova York (1988); Quem Falará por Jonathan? (1992).


Hume Cronyn (1911-2003)







A Sombra de uma Dúvida (1943); O Fantasma da Ópera (1943);  A Cruz de Lorena (1943); Um Barco e Nove Destinos (1944); A Sétima Cruz (1944); E o Marinheiro Casou (1945); Uma Carta para Eva (1946); Anos de Ternura (1946); O Destino Bate à Porta (1946); Emoção Secreta (1946); O Fim ou o Princípio (1947); Anjo Sem Asas (1948);  O Bom Velhinho (1949); Spartacus (1960); Cleópatra (1963); Hamlet (1964); Movidos pelo Ódio (1969); Conrack (1974); A Trama (1974); O Mundo Segundo Garp (1982);  Chuva de Milhões (1985); Cocoon (1985);  O Milagre Veio do Espaço (1987); Cocoon: O Regresso (1988); Os Senhores do Holocausto (1989);  O Dossiê Pelicano (1993); As Filhas de Marvin (1996);  12 Homens e uma Sentença (1997);  Minha Vida na Outra Vida (2000);  A Separate Peace (2004)


Paul Winfield (1939–2004)


 





Com os Minutos Contados (1969); R.P.M.: Revoluções por Minuto (1970); O Estranho John Kane (1971); Lágrimas de Esperança (1972);  O Terrível Mister T (1972); Horror nas alturas (1973); A Guerra de um Homem (1973); Conrack (1974); Huckleberry Finn (1974); Olhos Verdes (1977); O Último Brilho do Crepúsculo (1977); Herança Nuclear (1977); A Cidade dos Anjos (1980);  Jornada nas Estrelas II - A Ira de Khan (1982); Cão Branco (1982); O Exterminador do Futuro (1984); Cidade Corrompida (1986); O Injustiçado (1987); Terror no Oriente Médio (1987); A Maldição dos Mortos-Vivos (1988); O Homem da Máfia (seriado 1989); Acima de Qualquer Suspeita (1990); Dennis, o Pimentinha (1993); Risco Total (1993); Tyson (1995); Marte Ataca! (1996); Comando Estratégico (1997).


Fontes

The New York Times

O Globo

Jornal do Brasil

G1

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

NÃO ADORMEÇA / DON'T GO TO SLEEP (1982) - ESTADOS UNIDOS

AMÁLGAMA DE THRILLER DE TERROR PSICOLÓGICO COM MISTÉRIO SOBRENATURAL

Phillip (Dennis Weaver), um engenheiro espacial, com sua esposa Laura (Valerie Harper) mudam-se para uma casa de campo com seus filhos Kevin (Oliver Robins) e Mary (Robin Ignico), após a morte da filha mais velha Jennifer (Kristin Cumming), em busca de uma vida melhor e uma nova oportunidade de emprego para o matriarca. Para desgosto de Phillip, a mãe de Laura, Bernice (Ruth Gordon), também irá morar com a família e até mesmo os netos não se mostram muitos simpáticos a ela, pois, para Bernice, Jennifer era a neta predileta.

Com o passar dos dias estranhos acontecimentos começam a ocorrer na casa de número 13666, na qual apenas Mary parece perceber. Certos brinquedos parecem tomar vida e uma voz insiste em gritar por seu nome durante a madrugada. Após a cama de Mary sofrer um misterioso incêndio, que Phillip considera um descuido de sua parte, a menina passa a dormir no quarto do irmão, que começa a presenciar seus estranhos pesadelos. Depois de algumas noites, Mary finalmente descobre a voz que a chamava: Jennifer, que lhe sorri. Ela começa a passar os dias com o fantasma de sua irmã, feliz em vê-la novamente, mas Jennifer demonstra querer mais do que a companhia de Mary, convencendo-a em se tornar o instrumento de sua cruel vingança.

Telefilme produzido por Aaron Spelling (dos seriados “A Ilha da Fantasia”, “As Panteras” ...), para a Rede ABC, em dezembro de 1982. No Brasil, estreou em 25 de maio de 1985 pela Rede Globo no Programa Supercine. Uma época em que as produções para a TV eram muito comuns e abrangentes tanto lá fora como em nosso país. E “Não Adormeça” mostrou-se uma daquelas produções que desapareceram das programações ao longo dos anos, não sendo lançada em DVD, mas que permaneceu na memória de muitas pessoas que nem se lembram mais do nome da produção.

Dirigida por Richard Lang (1939-1997), diretor de seriados como “Kung Fu” (16 eps. -1973-1974) e  Melrose (17 eps. - 1993-1997), o episódio piloto de “A Ilha da Fantasia”, além de telefilmes como “Kung Fu: O Filme” de 1986 e um de seus trabalhos mais conhecidos "Lamentos na Noite" ("Night Cries"), recebeu o reforço do inteligente roteiro de Ned Wynn (1941-2020), que fez uma ponta como Paramédico, que nos deixa algumas hipóteses quanto ao que o filme sugere estar acontecendo: a irmã voltou para se vingar; Mary adquiriu um quadro grave e perigoso de esquizofrenia (ou algo a ser explicado por profissionais da área) ao não conseguir lidar com  morte da irmã ou há algo de enorme malignidade naquela casa (o número 13666, não por acaso, é mostrado em close várias vezes) que está influenciando a pequena menina. Na cena final, o diretor deixa que cada espectador crie o seu argumento (se você tiver o seu, coloque-o nos comentários). Mas não há como negar perceptíveis influências de filmes como “Semente Maldita”, “Psicose”, “Amityville”... com alguns momentos que ficaram na memória: o lagarto “Joe” na cama da avó; o menino tentando pegar  o disco de frisbee no telhado; Mary descendo as escadas com um cortador de pizza; a visita ao psiquiatra; a sinistra voz que a menina escuta: “Mary! Marrryyyyy!”; a sessão de hipnose; a cena de flashback que explica muita coisa (particularmente a teria fragmentado e mostrado aos poucos durante a projeção) ... e os estranhos sorrisos de “Jennifer”.

O elenco é muito bom. Dennis Weaver (“Encurralado”) fez um pai que precisava se adaptar ao trabalho, mas se mostrou uma pessoa com problemas sérios com o álcool. Valerie Harper, uma atriz com 4 Emmys (O ”Oscar da Tv”) na carreira, famosa pelos seriados “Mary Tyler Moore” e “Rhoda”,  fez a mãe enlutada, que tentava dar conta da família, mas cuja a tragédia com a filha minou suas forças. Ruth Gordon (Oscar por “O Bebê de Rosimere” e com outras quatro indicações na carreira) interpretou uma avó com problemas senis e que se tornou a primeira vítima da dupla Mary / Jennifer. Oliver Robins está muito bem como o menino que gosta de pregar peças. O ator faria em seguida “Poltergeist: O Fenômeno” e sua continuação. E foi a única criança do famoso filme que sobreviveu (as que fizeram suas irmãs em Poltergeist faleceram prematuramente). Robin Ignico fez muito bem Mary. Parou a carreira em 1987 após participação em alguns seriados como “Voyagers” e filmes. Reapareceu em um filme de 2015, não tendo mais trabalhos até o momento. Kristin Cumming, no papel de  Jennifer, motivo de todos os problemas, fez esse telefilme e teve rápidas participações em 4 séries. Sua filmografia vai até 1987. Claudette Nevins, como a psiquiatra no final do filme, poderá ser lembrada por aqui por sua participação em um seriado que passava no SBT: “Mulher Elétrica e Garota Dínamo”(1976), como a “Imperatriz do Mal” (que foi homenageada por Cindy Lauper em uma apresentação onde cantou o tema da série se vestindo como o personagem de Claudette). Teve uma extensa carreira entre filmes, telefilmes e seriados, encerrando em 2005. Robert Webber (“Os DozeCondenados”, “Doze Homens e uma Sentença” ...) fez o psicólogo que tenta ajudar Mary.

“Não Adormeça” pode não ser um grande telefilme, mas foi ousado em mostrar uma menina eliminando a família, algo pouco comum em produções televisivas dos anos 80. É uma estória de remorsos e memórias assustadoras, de uma família enlutada que pode ter sido vítima de algo sobrenatural, demoníaco ou apenas mundano. É uma clássica estória de fantasmas, sombria e sem esperanças, que deve ter assustado crianças e pré-adolescentes na época.  Pode ser encontrado no YouTube dublado ou legendado (com imagens razoáveis). Um filme indicado para aqueles que gostavam dos filmes passados sábado à noite ou nas madrugadas da tevê aberta. Teve muitas reprises, desaparecendo a partir de 1997 das grades de programação.


Curiosidades:

Dennis Weaver lê um artigo sobre uma casa "feita inteiramente de garrafas". Sua própria casa famosa foi feita de pneus, latas e garrafas recicladas.

Dennis Weaver faleceu aos 81 anos em decorrência e complicações de um câncer

Robert Webber faleceu aos 64 anos de Esclerose Lateral Amiotrófica

Claudete Névis atriz que também atuou na Broadway faleceu aos 82 anos

Ruth Gordon faleceu aos 85 anos após um derrame

Robert Webber  faleceu aos 64 anos de Esclerose Lateral Amiotrófica)

Valerie Harper faleceu aos 80 anos de câncer no cérebro


Dennis Weaver em Encurralado









Valerie Harper no seriado  Mary Tyler Moore









Ruth Gordon em O Bebê de Rosimere









Robert Webber em 12 Homens e uma Sentença









Claudette Nevins no seriado Mulher Elétrica e Garota Dínamo











Oliver Robins em Poltergeist - O Fenômeno









Robin Ignico em Annie (1982)








Cindy Lauper em uma homenagem a Mulher Elétrica e Garota Dínamo



Cartaz:













Filmografia Parcial


Dennis Weaver (1924-2006)







Império do Pavor (1952); Bando de Renegados (1952); A Rainha dos Renegados (1953); Com a Lei e a Ordem (1953); Jornada Sangrenta (1953); 7 Homens Enfurecidos (1955); O Grande Guerreiro (1955); Ódio Entre Irmãos (1955); A Marca da Maldade (1958); O Amanhecer da Glória (1960); Gunsmoke (seriado 1955 a 1964); Duelo em Diablo Canyon (1966); Um Biruta em Órbita (1966); Ben, o Urso Amigo (seriado 1967 a 1969); Obsessão Sinistra (1971); Encurralado (1971); Terror na Praia (1973); McCloud  (seriado 1970 a 1977); Não Adormeça (1982); A Mentira (1987); A Vingança de um Pistoleiro (2000); Resgate nas Profundezas (2000); Wildfire (seriado 2005)


Valerie Harper (1939-2019)








O Jogo de Quinta-Feira (1974); Duas Ovelhas Negras (1974); Night Terror (1977); Mary Tyler Moore (1970-1977); Valerie Harper in Rhoda (1974-1978); Capítulo Dois: Em Busca da Felicidade (1979); O Último Casal Casado (1980); Quero Apenas meus Direitos (1980); A Caixa de Surpresas (1980); Não Adormeça (1982); Feitiço do Rio (1984); Lembrança do Passado (1985); A Família Hogan (seriado 1986-1987);  Adeus, Supermãe (1988); O Outro Lado do Lago (1988); A Idade do Lobo (1990); Fixação Mortal (1994); A Troca de Identidade (1995); O Melhor Amigo do Cão (1997); Mary and Rhoda (2000); O Meu Namorado do Futuro (2011); Stars in Shorts: No Ordinary Love (2016)


Oliver Robins








Poltergeist: O Fenômeno (1982); Não Adormeça (1982); Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu 2 (1982); Poltergeist II: O Outro Lado (1986) Man Overboard (2008); Celebrity Crush (2019); The Rideshare Killer (2021)


Ruth Gordon (1896-1985)







O Libertador (1940); A Vida do Dr. Ehrlich (1940); Comboio Para o Leste (1943); À Procura do Destino (1965); O Bebê de Rosemary (1968); A Mansão dos Desaparecidos (1969); Ensina-me a Viver (1971); As Incríveis Peripécias do Ônibus Atômico (1976); Veja o que Aconteceu ao Bebê de Rosemary (1976); Doido para Brigar... Loucopara Amar (1978); Flores e Espinhos (1979); Scavenger Hunt (1979); Cuidado com Meu Guarda-Costas (1980); Punhos de Aço: Um Lutador de Rua (1980); Alienígenas do Rock (1984); Delta Pi (1984); Maxie (1985); Agente Zero-Zero Nada (1987)


Robin Ignico








Simon & Simon (1981), Annie (1982); Não Adormeça (1982); Cry for the Strangers (1982); A Dama de Vermelho (1984)


Robert Webber (1924-1989)







12 Homens e uma Sentença (1957); O Sargento e a Freira (1962); The Paradine Case (1962); Venus à Venda (1963); O Terrível Pesadelo (1965); Adeus às Ilusões (1965); O Terceiro Dia (1965); O Agente Secreto Matt Helm (1966); O Caçador de Aventuras (1966); O Ladrão Conquistador (1966); Não Faça Onda (1967); Os Doze Condenados (1967); Cartada para o Inferno (1969); A Grande Esperança Branca (1970); O Horror do Passado (1970); Ladrão que Rouba Ladrão (1971); Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia (1974); Caçada Mortal (1975); A Batalha de Midway (1976); Unidos por um Ideal (1978); A Vingança da Pantera Cor-de-Rosa (1978); Mulher Nota 10 (1979); As Ruas de Los Angeles (1979);  A Recruta Benjamin (1980); S.O.B. Nos Bastidores de Hollywood (1981); As Duas Vidas de Carol Letner (1981);  O Homem com a Lente Mortal (1982); A Invasão dos Cães de Guerra (1982); Não Adormeça (1982); Rota do Perigo (1983); Caçado pelos Cães de Guerra (1985); Força Diabólica (Minissérie 1988)

 

Claudette Nevins (1937-2020)







A Máscara Maldita (1961); Senhora Sundance (1974); De Volta ao Planeta dos Macacos (desenho - narração - 1975); The Dark Side of Innocence (1976);Mulher Eletrica e Garota Dínamo (1976); The Possessed (1977); Mais do que Amigos (1978);  Duras na Queda (1981); Não Adormeça (1982); Tuff Turf: O Rebelde (1985);  Dormindo com o Inimigo (1991); Filho do Bem, Filho do Mal (1991); Três Garotas e um Destino (1991); Abandono do Lar (1995); O Beijo da Viúva Negra (1996); Jornada nas Estrelas: Insurreição (1998); JAG: Ases Invencíveis (seriado - 6 episódios - 1995).