Uma jovem (Cynthia Belliveau) tenta fugir em um
estacionamento subterrâneo com um homem a seguindo. Ela consegue escapar, mas, logo em seguida, o
seu carro acaba batendo e provocando uma explosão. Allan Strong (Robert Urich)
é encontrado inconsciente no local e levado a um hospital. Por causa da
explosão, sofreu uma concussão que lhe provocou amnésia. O detetive Carl Madsen
(Michael Ironside), responsável pelo caso, não tem dúvidas de que a mulher morta
foi vítima de um serial killer conhecido como “martelo” (“The Hammer”) e que
Allan provavelmente viu o rosto do assassino. Ele passa a pressionar Allan a
lhe revelar o que viu, acreditando que o mesmo não está revelando tudo que sabe.
A psicóloga da polícia, Karen
Hicks (Kay Lenz), é a encarregada de ajudar Allan a se readaptar a sua nova
situação e a recuperar sua memória perdida. A única coisa que Allan descobre é que era um artista recluso, que
praticamente ninguém conhecia e que possuía um restaurante na qual nunca se
apresentara aos seus funcionários. A medida que os dias passam, Allan se
questiona quem ele era e o porquê de ter se tornado uma pessoa distante de todos. A
aproximação com Karen faz com que ambos desenvolvam um relacionamento, porém
Karen revela já ter sido esposa de Carl. Allan está em uma situação na qual não
sabe quem era e em quem pode confiar. De repente, se vê em situações que
parecem mostrar que talvez ele mesmo possa ser o assassino que o detetive
obstinadamente busca.
Houve uma época, nos anos 90,
dos VHS, que muitas distribuidoras passaram a distribuir telefilmes americanos que
chamavam (ou chamaram) a atenção do público ou mostrando-se um produto que geraria um significativo
número de locações. Condenado Pela
Memória foi um deles (distribuído pela CIC Video). Rodado no Canadá e exibido pela rede
americana USA, teve várias exibições na tevê brasileira. Sua estreia deu-se no
programa "Primeira Exibição" da Rede Globo em Julho de 1994. E saiu-se bem no
mercado de vídeo brasileiro.
Condenado pela Memória tem um
roteiro, a princípio, até trivial: homem desmemoriado precisa se lembrar de
quem era e do que presenciou, enquanto pode ser a próxima vítima do assassino ou
ele se descobrir o próprio. Provavelmente você já viu algo parecido, ou essas
situações, em separado, em vários filmes. Mas a produção tem algo mais. Foi dirigido por Paul
Lynch, um cineasta pouco conhecido por aqui, mas que tem alguns trabalhos conhecidos: "Ameaça
Terrorista: Acesso Negado" (1996), "Baile de Formatura" (1980), "Amanhecer Violento" (Bullies -1986) e 5 episódios do seriado "Robocop" (1994). Já o roteiro ficou a
cargo de Alan B. McElroy, este mais atuante e responsável por desenvolver as
estórias para "Halloween 4: O Retorno de Michael Myers" (1988), "Rodas da Morte" (1990), "Rajada de fogo" (1992), "Spawn" (1997), "Fratura" (2019) e 8 episódios de "Star Trek Discovery" (2019-2024). Talvez, por isso, o desenvolvimento da estória se torna interessante de acordo com que o telefilme avança. Os envolvidos começam a
criar situações que fazem o espectador conjecturar como tudo se resolverá.
Logo, teremos os suspeitos eventuais (o espectador também não sabe quem é) e
uma reviravolta aqui e outra ali, com um final interessante, ainda que para os
espectadores experts em decifrar estes tipos de filme talvez não seja muito
difícil de se prever o final, mas as motivações do assassino, pelo menos, serão bem difíceis do
espectador acertar em sua totalidade.
E, talvez, o filme funcione bem,
não só pelo seu visual mais apurado do que o normal (há uma boa fotografia no
filme e uma trilha sonora incidental de bom gosto), mas pelo bom elenco
escalado. Robert Urich fez muitos telefilmes nessa época e muitos devem se lembrar
de seus trabalhos nas séries "SWAT" e "Vega$'. O ator entregou um personagem convincente, que se mostra confuso, desamparado e que começa a preferir não se lembrar quem
ele era, e até duvidar de sua sanidade. Quanto a Kay Lenz, uma
atriz com muitos papéis em seriados, pode ser lembrada pelos filmes "A Iniciação de Sarah" (1978) e "Inferno no Asfalto" (1975). A atriz interpreta uma
profissional que se envolve com o paciente, o deixa ainda mais confuso e o
ex-marido com ciúmes. Já Michael Ironside tem uma extensa filmografia que inclui
filmes como "Top Gun: Ases Indomáveis", "Scanners - Sua Mente Pode Destruir" e o seriado e
minissérie “V”. O ator, como sempre, mostra uma composição bem interessante. Jim
Metzler interpreta Kevin Carlisle, o único elo de Allan com o seu passado.
Condenado pela Memória, apesar de algumas inconsistências, é um
telefilme acima da média, o que justificou ter sido lançado em VHS. Pode ser
visto no YouTube (com legendas automáticas). Funciona como um passatempo
descompromissado e é indicado aos que gostavam dessas produções que passavam sábado
à noite, nos anos 90, em nossas emissoras ou em suas reprises posteriores nas
madrugadas.
Trailer:
Curiosidades:
Robert Urich faleceu aos 55 anos de câncer
Kay Lenz esteve no videoclip "Infatuation" de Rod Stewart
Cartaz:
Filmografia Parcial:
Robert Urich (1946 -2022)
Magnum 44
(1973); S.W.A.T (1975-1976); Deixe Ontem para Trás (1978); Fighting Back:
The Story of Rocky Bleier (1980); Vega$ (seriado 1978-1981); Emboscada no
Rio da Morte (1981); A Morte Vem do Céu (1982); Piratas das Galáxias
(1984); Convite Para o
Inferno (1984); Jovem de Novo (1986); A Amante (1988); O Retorno (1988); A Senha
(1989); Condenado Pela Memória (1989); Testemunha Por Acidente (1989); Parceiros do Medo (1991); Naufrágio no Pacífico (1992); Sangue do Meu Sangue (1993); Bode Expiatório (1994);
Aterrissagem De Alto Risco (1997); O Trem Desgovernado (1999); Love Boat:
The Next Wave (seriado 1998-1989); O Homem do Presidente 2 (2002); Night
of the Wolf (2002); Aftermath (2003).
Kay Lenz
Loucura de Verão
(1973); Interlúdio de Amor (1973); Inferno no Asfalto (1975); No Oeste Muito
Louco (1976); A Iniciação de Sarah (1978); O Drama de Sarah Burns (1979); A Casa do Espanto (1986); Desejo de
Matar 4 - Operação Crackdown (1987); Momentos de Terror (1988); Álibi para um
Suspeito (1989); O Retorno (1992), Armadilha do Espaço (1994); Prisão de
Mulheres (1994); Desafio de um Pistoleiro (1995); The Tick (seriado 1994-1996);
Uma Arma, Um Carro, Uma Loira (1997); The Secret Lives of Dorks (2013); More
Beautiful for Having Been Broken (2019);
Michael Ironside
Scanners - Sua Mente Pode Destruir (1981); Horário de Visitas (1982); Caçador
do espaço: Aventura na Zona Proibida (1983); V: A Batalha Final
(Minissérie 1984); V: Os Extraterrestres no Planeta Terra (serie
1984-1985); A Traição do Falcão (1985); Top Gun: Ases
Indomáveis (1986); O Limite da Traição
(1987); Baile de Formatura 2 (1987); Noite dos Reféns (1988); O Limite do
Terror (1988); Condenado Pela Memória (1989); O Vingador do Futuro (1990); Highlander II: A Ressureição
(1991); Dívida de Sangue (1991); Expresso para Neon City (1991); Psicose
Mortal (1992); Howard & Anita - Jovens Amantes (1992); Liberdade em Nome da
Lei (1993); Armadilha Noturna (1993); Free Willy (1993); Um Pai Fujão
(1993); Fazendo Justiça (1994); Jornada Mortal (1994); Karatê Kid 4: A
Nova Aventura (1994); Escorpião Vermelho 2 (1994); A Máquina Mortal
(1994); Os Jovens Cavaleiros da Távola Redonda (1995); SeaQuest (seriado
1995-1996); Tropas Estelares (1997); Possuído pelo Ódio (1999); Omega Code
(1999); Mar em Fúria (2000); O Elevador da Morte (2001); Colheita Maldita 7: A
Revelação (2001); Próxima Vítima (2001); Contagem Regressiva
(2001); Velocidade do Vento (2003); O Operário (2004) Pânico no Deserto
(2005); A Guerra dos Vampiros (2005); No Topo do Mundo (2005); Abduction of
Jesse Bookman (2008) O Assassino do Alfabeto (2008); O Exterminador do
Futuro - A Salvação (2009); Invasor de Mentes (2009); Eva (2010) Operação: Salvem
os Golfinhos (2010); Pânico no Lago 3 (2010); X-Men: Primeira Classe
(2011); Soldados do Gelo (2013); Lutando por uma chance (2014); Children
of the Fall (2016); O Enviado Do Mal (2017); Sozinho com o Inimigo (2018);
Sedenta de Sangue (2020); Segredos de Família (2020); Anônimo (2021); Dracula:
The Original Living Vampire (2022)
Kevin Carlisle
Amigos para Sempre (1981),
Tex: Um Retrato da Juventude (1982), Para Lembrar um Grande Amor (1985),
Juventude Assassina (1986), A Estrela de Natal (1986), Álamo - 13 Dias de
Glória (1987), O Cavalo Falante (1988), Força Demoníaca (1988), Vampiros em
Fuga (1989), Condenado Pela Memória (1989), Gringo Velho (1989), O Homem
Eletrônico (1990), Desastre Aéreo (1990), Uma Carona para a Morte (1991), Um
Passo em Falso (1991), Perdidos no Tempo (1992), Sedução Assassina (1994),
Circuitry Man 2 - A Volta de Plughead (1994), Jornada nas Estrelas: Deep Space
Nine (seriado -1995 - 2 episódios), Colheita Maldita 3: A Colheita Urbana
(1995), Texas - A Última Chance (1996), Apollo 11 (1996), O Preço da Conquista
(1997), Los Angeles: Cidade Proibida (1997), Uma Arma, Um Carro, Uma Loira
(1997), Cidade Fantasma (1999), Anel de Corrupção (1999), Proteção à Testemunha
(1999), Megiddo (2001), O Mundo de Leland (2003), Graça e Perdão (2010)
Popeye Doyle (Gene Hackman),
único capaz de identificar Alain Charnier (Fernando Rey), conhecido como "The Frog", chega em Marselha,
França. Sua missão é cooperar com a força policial francesa para capturar um
traficante da qual eles desconhecem a real identidade. A chegada já se mostra
conturbada com Popeye percebendo que sua permanência não é bem-vinda: ele não
pode interferir nas investigações e não pode portar armas. O investigador
americano não fala uma palavra da língua local e o único que conversa com ele
em inglês é Barthélémy (Bernard Fresson) exatamente o maior opositor de sua permanência
na operação. O que Popeye não sabe é que ele foi enviado por seus pares como
uma isca para que Charnier “saia da toca”. E não tarda ao francês perceber a
presença de Popeye. E ele não permitirá que este atrapalhe novamente sua
operação de drogas.
Popeye passa a ser acompanhado
de perto por agentes da polícia francesa, não apenas por seu comportamento
arredio e de insubordinação, mas também para sua própria segurança. Ao
conseguir escapar do monitoramento da polícia, termina sendo capturado e levado
para um local desconhecido. Popeye descobre que seu inimigo está à sua espera e
que este, na verdade, não visa eliminá-lo. Ele deseja destruí-lo de dentro para
fora. Popeye fica semanas cativo sendo drogado até que revele tudo o que sabe para
ser finalmente devolvido, em estado precário, mas Popeye não voltará derrotado
para a América. Ele ressurgirá ainda mais determinado e desta vez ele não vai
apenas em busca de uma captura, ele vai em busca de vingança.
Operação França foi um sucesso
de crítica e de público, além de receber cinco Oscars e o seu ousado final forneceu
as condições para um segundo exemplar tardio, feito 4 anos depois. Mas nem
todos os elementos foram utilizados novamente nesta sequência. O diretor William
Friedkin (1935-2023) foi substituído por John Frankenheimer (1930-2002) que era
conhecido principalmente pelo filme “Sob o Domínio do Mal” (1962). Gene Hackman
e Fernando Rey, do elenco principal, foram os únicos que retornaram e a ação passou
de Nova York para Marselha. E se o primeiro filme era baseado em fatos reais e
adaptado para um roteiro aos moldes de Hollywood, o segundo filme foi
praticamente todo ficcional (apenas o fato de que a heroína apreendida fora roubada nos
depósitos guardados pela polícia constituía um fato real). Frankenheimer quis
fazer um filme diferente, não uma mera continuação sugada do filme de 70 e foi
uma escolha acertada. O roteiro resolveu explorar as diferenças culturais e linguísticas
(Popeye não fala uma palavra do francês) entre os dois países e as animosidades
entre franceses e americanos. Para a polícia francesa, Popeye é visto como um cowboy
que chega ditando regras em um lugar ao qual não pertence, vindo de um lugar
cuja corrupção e modo de atuar contra o crime são reprováveis. Já para Popeye,
a polícia francesa é amadora e lenta não tendo capacidade de prender um homem
como Charnier (que nem consta em seus registros).
Se o primeiro filme tinha a famosa
cena de perseguição como a mais lembrada, nesse segundo filme será o sequestro
de Doyle e suas posteriores consequências (as sequências de vício e abstinência
de Popeye são bem reais). É uma longa sequência feita para Hackman ter uma
atuação solo e brilhar. Ficou parecendo que o ator acreditava em uma nova
indicação ao Oscar por sua performance (conseguiu uma para o Globo de Ouro). A sequência
sequer estava no roteiro, sendo incluída quando o destino do parceiro de Doyle
(que seria morto em Marselha) foi descartado. Frankenheimer preferiu não
legendar os diálogos franceses deixando o espectador com a sensação que Doyle
tinha no filme: um peixe fora d’agua e sempre que o ator espanhol Fernado Rey
falava era dublado por um ator francês. Cada filme feito é como um arremesso de
dados do ponto de vista financeiro. Se um filme sensibiliza o público, uma
segunda parte pode ser um investimento lucrativo, mas não há uma formula para o
sucesso contínuo e Operação França 2 é um bom exemplo de 4 milhões de Orçamento
rendendo pouco mais de 12 milhões. Muitos diriam que foi um sucesso ao render 3
vezes, mas o estúdio considerou um grande fracasso (ao compará-lo com a arrecadação
do primeiro filme). Mas o filme foi conduzido de uma forma eficiente com uma
produção bem cuidada em uma continuação que se sustenta sozinha (ainda que seja
melhor ter visto o primeiro filme), pois a ousadia de ampliar a estória e levar
o personagem central em um novo estágio deve ser vista como algo a ser
elogiado.
Quanto ao elenco, Gene Hackman
quase não fez o filme, pelo tempo passado entre as duas produções, uma das
razões que considerou posteriormente como um dos motivos da baixa bilheteria.
Mas o velho Popeye continua em forma: língua ferina, sarcástico, desobediente,
obstinado e acreditando que seu jeito é o jeito certo. Ver seu personagem perambulando
pelas ruas da cidade francesa tentando se comunicar sem sucesso trouxe um ar de
novidade. E vê-lo sofrer, ter seu ego humilhado, para se recuperar das sequelas
de seu sequestro nos mostra como Hackman é um ator muito acima da média. O
ator, sem dúvida carregou o filme nas costas e as melhores cenas sempre são as
que ele está presente. Fernando Rey continua com aquele ar aristocrático, um “cidadão
acima de qualquer suspeita”, escorregadio e metódico quanto aos seus planos. Faltou
um pouco do jogo de gato e rato do primeiro filme, mas as cenas que
compartilham juntos, principalmente a final, deve ter ficado na memória de
muitos. Bernard Fresson fez um Barthélémy que precisa lidar não apenas com o
problema das drogas em seu país, mas também com a presença indisciplinada de
alguém que não deseja ali, mas que se solidariza com o mesmo a partir de determinado
ponto. O filme investe na forma sarcástica como Barthélémy e Popeye dirigem-se
um ao outro e da incapacidade inicial de trabalharem juntos. Ed Lauter (General
Brian) surgiu rapidamente em cena talvez apenas para lembrar que a droga que
chega à América tem vários caminhos. Philippe Léotard interpreta Jacques, um
dos homens de Charnier e Cathleen Nesbitt (1888-1982) fez idosa que conversa
com Popeye em seu cativeiro. André Penvern fez o Bartender francês que não entende
o que seu cliente deseja beber, mas entende perfeitamente quando este lhe
oferece drinks de graça.
Operação França II (agora sem
o “The” French Connection) foi uma continuação que infelizmente poucos
viram e ainda nos dias atuais é pouco exibido. Tem sua narrativa
própria (de altos e baixos) e o mérito de não ser um filme preguiçoso, elaborado apenas para ser um caça-níqueis. Não se compara com o primeiro, mas como filme
policial está muito à frente de várias produções lançadas posteriormente
fazendo jus ao gênero policial. É um segundo round para aqueles que desejavam uma contenda definitiva
entre os personagens.
Trailer:
Curiosidades:
Este é o primeiro filme na
história de Hollywood a ter um título e apenas um número depois dele (ou seja,
2) – The French Connection II. O Poderoso Chefão Parte II foi a primeira
sequência a ter um número, mas isso foi precedido por "Parte".
Eddie Egan , o policial de
Nova York da vida real que foi a base para o personagem Jimmy Doyle, realmente
fez um teste para os Yankees em sua juventude e jogou ao lado de um então
desconhecido Mickey Mantle .
Depois deste filme, a
"20th Century Fox" estava planejando um terceiro filme "French
Connection". Gene Hackman interpretaria "Popeye" Doyle mais uma
vez e seria escalado com o comediante Richard Pryor como seu parceiro na tela.
Planejado para ser lançado em 1979, o filme nunca aconteceu - provavelmente
porque esta sequência foi um fracasso inesperado de bilheteria.
A cena no bar com Andre
Penvern como o Barman foi completamente improvisada. Foi também a cena final
filmada na última noite de filmagem.
A bebida verde que o barman
serve é um licor de Bayonne, França, chamado Green Izarra.
Ed Lauter e Gene Hackman foram
os únicos membros americanos do elenco.
O roteiro original envolvia
uma trama onde Doyle e Russo (Roy Scheider) viajavam para a França e quando
Russo fosse morto pelos homens de Charnier, Doyle buscaria vingança contra
Charnier. Roy Scheider, no entanto, já estava na produção de Jaws e, portanto,
não estava disponível, então o roteiro foi alterado e o enredo do vício em
heroína de Popeye foi introduzido no roteiro.
Gene Hackman e André Penvern
trabalhariam juntos novamente em Marcha ou Morre (1977)
Doyle se refere aos dois
detetives que o seguem como Sacco e Vanzetti. Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti
foram anarquistas imigrantes italianos que foram condenados pelo assassinato de
dois homens durante um assalto à mão armada. Ambos foram executados na cadeira
elétrica, apesar de muitos apelos e evidências conflitantes. Em 1977, o
governador de Massachusetts, Michael Dukakis , emitiu uma proclamação de que
Sacco e Vanzetti haviam sido injustamente julgados e condenados.
Jean-Claude Killy foi um
esquiador francês que alcançou fama internacional quando ganhou 3 medalhas de
ouro nas Olimpíadas de Inverno de 1968. Ele também ganhou seis medalhas de ouro
no Campeonato Mundial - 2 em 1966 e 4 em 1968.
Ao planejar a perseguição em
que Doyle persegue Charnier por Marselha, o diretor John Frankenheimer não
sabia que Gene Hackman sofria de problemas no joelho. Apesar disso, Hackman foi
em frente e filmou a perseguição inteira sem um dublê, inflamando gravemente
seu joelho quando terminou. Ele disse que as expressões de dor e determinação
de Doyle conforme a perseguição progredia não exigiam muita atuação.
O laboratório de processamento
de heroína foi construído pela máfia corsa e era tão realista que todo o set
tinha que ser guardado pela polícia francesa quando não estava sendo usado pela
equipe de filmagem. A máfia também aconselhou sobre os métodos usados por
traficantes de drogas para obter heroína nos EUA (escondendo a droga em pesos
de cargueiros) e, de acordo com John Frankenheimer , organizou as autorizações
para o engarrafamento durante a perseguição no final do filme.
Foi exibido nos cinemas brasileiros
em janeiro de 1976 como “Operação França nº 2”
Houve um filme feito para a tevê,
em 1986, chamado no Brasil de “Operação Oriente Médio” (“Popeye Doyle”), com Ed
O'Neill (do seriado “Um Amor de Família”) no papel principal. Muitos o chamam
de “French Connection 3”
Cartazes:
Filmografias Parciais:
Gene Hackman
Bonnie e Clyde -
Uma Rajada de Balas (1967); Meu pai, um Estranho (1969);Operação França (1971); O Destino do Poseidon
(1972); A Conversação (1974); Operação França II (1975); Superman: O Filme
(1978); Superman II - A Aventura Continua (1980); Sob Fogo Cerrado (1983); De
Volta Para o Inferno (1983); Superman IV: Em Busca da Paz (1987);
Inimigo do Estado (1988), Entrega Mortal (1989); Mississipi
em Chamas (1989); De Frente Para o Perigo (1990); Os
Imperdoáveis (1992); A Firma (1993); Geronimo
- Uma Lenda Americana (1993); Rápida e Mortal (1995); Maré Vermelha
(1995); Medidas Extremas (1996); Poder Absoluto (1997); Os Excêntricos
Tenenbaums (2001); Atrás das Linhas Inimigas (2001); O Júri (2003).
Fernando Rey (1917-1994)
Rainha Santa
(1947); Delírio de Amor (1948); Senhora de Fátima (1951); Marcelino
Pão e Vinho (1955); Os Amores de Dom Juan (1956); Horas de
Pânico (1957); Os Últimos Dias de Pompéia (1959); A Revolta dos Escravos
(1960); Golias Contra o Gigante (1961); Odisseia de um Bravo (1963); O Califa
de Bagdá (1963); Cerimônia Macabra (1963); A Nova Cinderela (1964); O Filho do
Pistoleiro (1965); Viva Gringo (1965); A Volta dos Sete Homens (1966); O Jovem
Rebelde (1967); A Revolta dos Sete Homens (1969); O Preço do Poder (1969);
Tristana, Uma Paixão Mórbida (1970); O Farol do Fim do Mundo (1971); Operação França (1971); À Sombra das Pirâmides (1972); O Discreto Charme da Burguesia
(1972); Presas Brancas (1973); Operação França II (1975); A Viagem dos
Condenados (1976); Jesus de Nazaré (1977); Esse Obscuro Objeto do Desejo
(1977); Quinteto (1979); A Dama das Camélias (1981); Monsenhor (1982); O
Cavaleiro Estelar (1985); Luar sobre Parador (1988); 1492: A Conquista do
Paraíso (1992); Madregilda (1993)
Bernard Fresson (1931-2002)
Hiroshima, Meu Amor (1959), O
Testamento do Dr Cordelier (1959), Mulheres na Vitrina (1961), Torneio de Amor
(1961), O Mais Longo dos Dias (1962), A Guerra Acabou (1966), Paris Está em
Chamas? (1966), Espionagem Internacional (1966), A Bela da Tarde (1967), A Flor
da Vida (1968), Eu te Amo, Eu te Amo (1968), Adeus, Amigo (1968), A Prisioneira
(1968), Z (1969), Ó, Sol (1970), O Chefão (1970), A Garota no Automóvel - Com
Óculos e um Rifle (1970), Sublime Renúncia (1971), Um Pouco de Sol na Água Fria
(1971), Não Há Fumaça sem Fogo (1973), Operação França II (1975), Chove Sobre
Santiago (1975), Caninos Brancos (1976), O Inquilino (1976), Mado, um Amor
Impossível (1976), Madame Claude 2 (1981), Garçom! (1983), Clash (1984), Margem
Direita, Margem Esquerda (1984), Doces Mentiras (1987), Uma Rua Sem Volta
(1989), Sem Tempo Para a Justiça (1990), O Poder do Dinheiro (1991), Germinal
(1993), Meu Homem (1996), Juliette (1999), O Pacto dos Lobos (2001), O
Adversário (2002)
Ed Lauter
(1938–2013):
A Fúria dos 7
Homens (1972); Os Novos Centuriões (1972); Assassinato de um Presidente (1973);
Golpe Baixo (1974); O Triângulo do Diabo (1975); Operação França II (1975); King Kong (1976); O
Grande Búfalo Branco (1977); Clone Master (1978); Jim Jones: A Tragédia da Guyana (1980); Operação
Vingança (1981); Perseguição Mortal (1981); O Cavaleiro do Tempo (1982);
Lassiter - Um Ladrão Quase Perfeito (1984); Desejo de Matar 3 (1985); Jogo Bruto
(1986); Nascido em 4 de Julho (1989); Despedida em Las Vegas (1995); Rastro de
Pavor (1996); O Preço da Traição (1996); Treze Dias Que Abalaram o Mundo
(2000); Não é Mais um Besteirol Americano (2001); Golpe Baixo (2005); Número 23
(2007); Camille - Um Amor do Outro Mundo (2008); O Artista (2011); Assassino
Invisível (2014).
Philippe Léotard (1940-2001)
Domicilio Conjugal (1970),
Sublime Renúncia (1971), As Duas Inglesas e o Amor (1971), Uma Jovem tão Bela
Quanto Eu (1972), O Dia do Chacal (1973), Ferida Aberta (1974), Amantes no Meio
do Mundo (1974), Operação França II (1975), Sanguinários E Corruptos (1977), A
Primeira Comunhão (1977), Um Olhar Para a Vida (1980), Tangos - O Exílio de
Gardel (1985), A Obra em Negro (1988), Tem Dias de Lua Cheia (1990), Sem Tempo
Para a Justiça (1990), Nos Olhos da Serpente (1990), Morte na Bósnia (1990), A
Carne (1991), Elisa, Em Sua Honra (1995), Os Miseráveis (1995), Pandora (1995)
Cathleen Nesbitt (1888-1982)
O Desconhecido (1935),
Pigmalião (1938), Quarto dos Horrores (1940), Amor nas Sombras (1944), César e
Cleópatra (1945), As Vidas e Aventuras de Nicholas Nickleby (1947), Jassy, A
Feiticeira (1947), Loucuras do Coração (1949), Angústia de uma Alma (1950), A
Fonte dos Desejos (1954), A Viúva Negra (1954), Désirée, o Amor de Napoleão
(1954), Tarde Demais para Esquecer (1957), Vidas Separadas (1958), O Grande
Amor de Nossas Vidas (1961), A Deliciosa Viuvinha (1966), O Triângulo Mortal
(1966), Os Delicados (1969), O Vilão (1971), Operação França II (1975), Trama
Macabra (1976), Demônio Com Cara de Anjo (1977), Júlia (1977)
Em Marselha (França), um investigador da polícia é assassinado. Em Nova
York, os detetives Jimmy “Popeye” Doyle (Gene Hackman) e Buddy Russo (Roy
Scheider) estão em uma batida policial. Eles ainda não sabem, mas em breve
estarão investigando a maior operação de contrabando de heroína naquele país
Alain Charnier (Fernando Rey),
um “homem de negócios”, e seu pistoleiro contratado Pierre Nicoli (Marcel
Bozzuffi) elaboram um esquema para contrabandear, um carregamento
de $ 32 milhões de heroína de alta qualidade para os Estados Unidos,
persuadindo um famoso ator da TV francesa (Frédéric de Pasquale), em
dificuldades financeiras, sem que este saiba, a transportar por navio, um
veículo para uso em um documentário que ele está fazendo. Enquanto isso, em uma
boate, a dupla observa atentamente Sal Boca (Tony Lo Bianco) que parece torrar
dinheiro no local. Investigando, descobrem que Sal e sua esposa Angie (Arlene
Farber), são proprietários de uma pequena loja de conveniência e lanchonete cujos
rendimentos não sustentariam seus gastos, além de que ambos já tiveram
problemas com a lei no passado. Popeye desconfia que o local é uma fachada para
atividades criminosas. Poucos dias depois, os detetives percebem que Charnier e
Sal estão se encontrando, mas o francês se mostra muito escorregadio.
Extraído do livro “The French
Connection: A True Account of Cops, Narcotics, and International Conspiracy”
(1969) de Robin Moore, Operação França surpreendeu muitos críticos, ao se
mostrar um filme policial conquistando cinco Oscars (Melhor Ator, Melhor Diretor,
Melhor Filme, Melhor Roteirista e Montador - dos sete indicados, que incluía
ainda Melhor Fotografia e Som) e brigando com filmes como “A Laranja Mecânica”
e “A Última Sessão de Cinema”. O diretor William Friedkin ainda era apenas um diretor
promissor e Gene Hackman era mais conhecido por papeis de coadjuvantes, na qual
chegara a ser indicado duas vezes: “Bonnie e Clyde: Uma Rajada de Balas” (1968)
e “Meu Pai, um Estranho” (1971). Tudo isso numa época em que normalmente um
filme com grande orçamento era sinônimo de várias estatuetas. Operação França
fora rodado em um custo estimado de US$ 1.800.000 (gerando uma receita mundial
de US$ 51.702.099). Hoje o filme possui o seu lugar no panteão dos grandes
filmes dos anos 70 sendo conhecido principalmente por ter a melhor sequência de
perseguição de carro da história do cinema – um título desde então ainda não
superado e pela maneira como foi concebido, muito longe de perder sua posição.
Operação França se inicia de
uma forma mais cadenciada e, aos poucos, acelera, tornando a história (baseada
em fatos reais) cada vez mais intensa e interessante. Frente ao livro, o roteiro
(de Ernest Tidyman – de “Shaft” e “O Estranho Sem Nome”) alterou nomes e fez
alguns ajustes na história, mas, em linhas gerais, manteve o escopo central.
Freidrick considerou ter filmado uma “impressão do caso” e que sua inspiração narrativa
e estética pseudodocumental veio do filme “Z” (1969) do diretor Costa-Gavras, assim
como a famosa sequência de perseguição elaborada sobre a música “Black Magic Woman”
(Santana - A música não aparece no filme). Mas é na montagem da fantástica cena de perseguição de Popeye, ao
trem no elevado (em simultaneidade), que o filme se destaca. Apesar dessa cena
ser a mais lembrada e celebrada, temos ótimas cenas adicionais como o jogo do “vai
e vem” no metrô com Doyle e Charnier (um ótimo enquadramento de cada um deles
por cima do ombro do outro, quase que copiando um “pas de deux”); a do atirador
no telhado; e a cena do tiro na escada. Claro que não há como deixarmos de
citar a cena final que se encerra com uma amarga nota de ironia, ao impor ao
espectador um final tão desalentador. Essa ousadia deu ao filme uma quebra na
convencionalidade, fugindo dos finais que seus congêneres não tiveram coragem
de transpor para as telas.
Não há como não deixar de abrir
um hiato e falar sobre a famosa cena de “Popeye” em perseguição ao personagem Pierre
Nicoli,explicando sua metodologia e sua
difícil concepção. Friedkin e Greenberg nos presentearam com dois desastres
diferentes, mas praticamente acontecendo de forma simultânea como pedia a estória.
A cena começa com “Popeye”, confiscando o carro de um motorista e iniciando uma “caçada sem tréguas”, com um olho no trafego e transeuntes à frente e outro fixando-se ao
objeto de sua perseguição. Uma cena tensa, complexa em sua feitura e que merece
ser apreciada de uma forma especial pelos fãs da sétima arte. Observem como
essas (várias) cenas foram difíceis de serem concebidas: foram feitas em separado
(algumas com as câmeras posicionadas em ângulos diferentes) e depois montadas
na sala de edição na sequência que vemos. Nada feito de forma digital, tudo feito
através de criatividade, realismo (poucas foram as cenas de estúdio em todo o
filme), muito empenho e uma incrível competência para pensar as cenas,
filmá-las, conjecturando como se encaixariam na tela. A perseguição foi filmada sem
obter completa autorização das autoridades de Nova York (o diretor anos depois disse me entrevista que foi uma sorte não ter ocorrido um acidente grave), pois apesar de
isolarem o tráfego por aproximadamente cinco quarteirões em cada direção e controlarem
os semáforos nas ruas por onde passava o carro de perseguição (com um “giroflex” no topo do carro para alertar que estivesse assistindo a cena na
rua), a produção continuou outras cenas sem autorização, em locais sem o controle
do tráfego, com isso eles tiveram que fugir do tráfego real e de pedestres.
Muitas das (quase) colisões no filme foram, portanto, reais e não planejadas
(com exceção, claro, do quase acidente da senhora com o carrinho de bebê). No
para-choque, foi colocado uma câmera para as tomadas do ponto de vista do carro.
Um dublê fez as cenas mais perigosas, com Friedkin filmando sozinho do banco de
trás, visto que os outros operadores de câmera eram casados e tinham filhos, e
ele não. A câmera foi reduzida para 18 quadros por segundo para aumentar a
sensação de velocidade (vejam a cena de um carro em um sinal vermelho cujo escapamento
está soltando fumaça em uma taxa acelerada). Já a cena do acidente, não foi
planejada e foi incluída por causa do seu realismo. O motorista, cujo carro foi
atingido, tinha acabado de sair de casa e não sabia que uma perseguição estava
sendo filmada. Os produtores mais tarde pagaram a conta dos reparos. Havia duas
câmeras Arriflex, uma no banco de trás para filmar o motorista de um ponto de
vista ligeiramente acima dos ombros e outra, no banco da frente, para filmar o
motorista em close, de perfil.
Quanto ao elenco, há
curiosidades interessantes (aproveitem para pensar como seriam os outros atores
nos papéis). Quanto ao papel de “Popeye”, Adam West e Charles Bronson foram
considerados. Friedkin quase escalou Rod Taylor (A Máquina do Tempo), uma
escolha aprovada pelo estúdio. Steve McQueen foi sondado, mas não queria atuar
em papéis policiais depois de Bullitt (1968). Lee Marvin também foi convidado,
mas ele o rejeitou porque não gostava de filmes policiais (apesar de já tê-los
feito) e desejava que seu personagem tivesse problemas / atritoscom as autoridades. Friedkin disse que Paul
Newman era outra de suas principais escolhas, mas os produtores disseram que
ele estava fora do orçamento. Robert
Mitchum afirmou ter recusado o papel porque odiava a história. Jackie Gleason
era uma das escolhas de Freidrick, mas a 20th Century Fox não o queria devido ao fracasso
de bilheteria de “Gigot” (1962). Já Gene Hackman, aos 40 anos, não acreditava que
conseguiria o papel principal (nem seu agente). Compôs um personagem
inesquecível, um policial com comportamentos morais dúbios (se apresenta como
racista, intransigente e violento em suas abordagens e coloca em perigo as
pessoas durante a cena de perseguição), mas com uma vontade férrea de
desbaratar a organização criminosa mesmo que implique em sua integridade
física. Um personagem a provar para outros e a si mesmo que sua carreira não
era um fracasso, mas ainda assim falho. Seu papel lhe deu um Oscar e uma
carreira posterior com grandes atuações em ótimos filmes. Roy Scheider (“Tubarão”
e “Trovão Azul”) estava convencido de que havia perdido o papel de “Cloudy”
Russo (Parceiro de “Popeye”) quando saiu furioso de sua audição. Essa, de fato,
foi a razão pela qual ele foi escalado. E pensar que William Shatner foi
considerado para o papel. Já Fernando
Rey foi escalado por engano; Friedkin queria o ator de “A Bela da Tarde” (1967),
e o diretor de elenco pensou que era Fernando Rey. Somente ao chegar ao
aeroporto para encontrar Rey foi que Friedkin constatou que não era o ator que desejara;
para sua grande consternação, Rey era espanhol e não falava francês. Friedkin
ligou para o diretor de elenco, e percebeu que ele o havia confundido com o
ator Francisco Rabal. Friedkin pensou em demitir Rey, mas mudou de ideia quando
soube que Rabal não estava disponível e não falava inglês. Os verdadeiros Eddie
Egan (como o capitão Walt Simonson) e Sonny Grosso (o agente Clyde Klein)
aparecem rapidamente no filme e atuaram também como consultores. Embora seus
nomes reais tenham sido alterados para Jimmy “Popeye” Doyle e “Buddy” Russo
respectivamente, Egan e Grosso foram na verdade apelidados de 'Popeye' e “Cloudy”
como seus colegas no filme.
Um dos melhores filmes dos
anos 70, que influenciaria várias outras produções ao longo dos anos, Operação
França é um daqueles casos em que os prêmios conquistados são plenamente
justificáveis. Após assistirmos ao filme, todas as cenas de filmes com perseguição
de carros parecem uma tentativa de sobrepor a sequência desse filme, mas nesse
quesito talvez Bullitt, feito três anos antes, seja o outro mais lembrado. Teve
uma sequência bem interessante, com outro diretor, mas inferior ao original. Se
o Exorcista (considerado “O” Filme de Terror) foi realizado, podemos dizer que
foi porque a competência de Friedkin impressionou aqui a todos. Em pensar que o
estúdio não gostou do título e insistiu em chamar o filme de
"Popeye". A sorte foi que o diretor insistiu que o título original do
livro fosse mantido. Houve também uma continuação disfarçada, pouco conhecida
em nosso país, chamada “The Seven-Ups” com Roy Scheider e Tony Lo Bianco e baseado
nas façanhas reais de Sonny Grosso e Eddie Egan.
Trailer:
Curiosidades:
O filme ganhou o Globo de Ouro
nas categorias Melhor Filme, Diretor e Ator
William Friedkin (1935-2023)
faleceu aos 87 de problemas cardíacos e pneumonia
Roy Scheider sofria de mieloma
múltiplo há vários anos e morreu de complicações de uma infecção estafilocócica,
aos 75 anos
Fernando Rey faleceu de câncer
de Bexiga aos 76 anos
Tony Lo Bianco faleceu aos 87
anos de câncer de próstata
Marcel Bozzuffi faleceu aos 59
anos de câncer
Eddie Egan (1930-1995) saiu da
polícia e chegou a fazer alguns filmes e participar de séries como "Police
Woman", "Carro Comando", "Mike Hammer" e "Missão Huston". Faleceu aos 65 anos de câncer
de cólon
Sonny Grosso (1930-2020)
esteve em filmes como "O Poderoso Chefão" (1973) e "Parceiros da Noite" (1980).
Faleceu aos 89 anos de causas não reveladas
Eddie Egan achava que Gene
Hackman não era adequado para ser escalado como "Popeye" Doyle. O
principal motivo era que Hackman não era de Nova York.
De acordo com Friedkin, o
significado do chapéu de na janela traseira do carro de Doyle e Russo foi que,
naquela época, era um sinal universal no Departamento de Polícia de Nova York
de que havia policiais disfarçados no carro, de serviço.
A cena inicial em que Doyle e Russo perseguem
um traficante de drogas enquanto Doyle está vestido com uma fantasia de Papai
Noel foi baseada em uma tática da vida real usada por Eddie Egan e Sonny Grosso.
Enquanto estavam em vigilância em Bedford-Stuyvesant, Egan e Grosso descobriram
que traficantes de drogas podiam facilmente localizar policiais disfarçados, e
eles frequentemente fugiam da cena antes que os policiais pudessem prendê-los.
Em um Natal, Egan teve a ideia de se vestir com uma fantasia de Papai Noel,
imaginando que os traficantes nunca suspeitariam que ele fosse um policial.
Conforme retratado no filme, Egan andou pelas ruas do bairro como Papai Noel,
cantando canções de natal com crianças locais. Quando viu um negócio de drogas
acontecendo, Egan cantou "Jingle Bells" como um sinal para seus
parceiros se trocarem e fazerem a prisão. A tática funcionou perfeitamente, e
Egan e seus parceiros fizeram dezenas de prisões de Natal ao longo de vários
anos.
Roy Scheider e Gene Hackman
patrulharam com Eddie Egan e Sonny Grosso por um mês para entender os
personagens. Hackman ficou enojado com as cenas que viu durante essa patrulha.
Em um incidente, ele teve que ajudar a conter um suspeito no carro da polícia e
depois ficou preocupado que seria processado por se passar por um
policial.
Ao filmar a lendária cena de
perseguição de carro, Friedkin precisava da aprovação da Autoridade de Trânsito
de Nova York. Ele expôs exatamente o que precisava, ao que o funcionário da TA
(algumas fontes dizem que foi o condutor) respondeu que, "para aprovar
isso, preciso de quarenta mil dólares e uma passagem só de ida para a
Jamaica". Quando perguntado por que só de ida, ele respondeu "porque,
Sr. Friedkin, quando seu filme for lançado, serei demitido". O diretor
William Friedkin e os produtores atenderam ao pedido do homem. A cena acabou se
tornando uma das mais notoriamente perigosas já filmadas, após o que o
funcionário da TA foi prontamente demitido por negligência. Seu paradeiro atual
é desconhecido.
De acordo com Friedkin em seu
comentário do DVD, a cena em que o químico de Weinstock testa a pureza da
heroína, ele usa heroína de verdade, e não farinha, amido de milho ou algum
outro substituto comumente usado
O caso real, narrado pelo
livro, ocorreu entre 7 de outubro de 1961 e 24 de fevereiro de 1962. Os
detetives Jimmy Doyle (Gene Hackman) e Buddy Russo (Roy Scheider) foram
baseados nos verdadeiros policiais do caso
O condutor do trem do metrô
era um condutor real, cujo nome era Bob Morrone. O ator que deveria interpretar
o condutor não apareceu no dia em que a cena seria filmada, mas a Autoridade de
Trânsito se recusou a permitir que um ator operasse um trem do metrô. Além
disso, o maquinista, William Coke, era um maquinista real da NYCTA
A principal cena de
perseguição de carro foi amplamente considerada a melhor já feita em filme na
época, ultrapassando "Bullitt" (1968), também produzido por Phillip D' Antoni. William Friedkin mais tarde tentou se superar com uma
sequência de perseguição em "Viver e Morrer em Los Angeles" (1985) .
Gene Hackman teve grande
dificuldade em entrar na mentalidade rabugenta 'Popeye' Doyle, então o diretor
Friedkin empregou várias táticas para provocar a raiva de Hackman. Uma técnica
era mostrar insatisfação com Hackman suspirando pesadamente, repetidamente, e
balançando a cabeça após uma tomada, mesmo quando Hackman tinha feito uma ótima
performance. O truque quase funcionou bem demais, pois Hackman ficou tão bravo
que, segundo relatos, quase desistiu no segundo dia de filmagem.
Para o lançamento do Blu-ray
de 2009, William Friedkin alterou controversamente o tempo de cor do filme para
dar a ele uma aparência mais fria. O diretor de fotografia do filme, Owen
Roizman, ficou indignado com isso e chamou a nova transferência de
"atroz".
William Friedkin chamou o
romance original de "cabeça-dura" e se recusou a lê-lo
William Friedkin credita sua
decisão de dirigir o filme a uma discussão com o diretor de cinema Howard
Hawks, cuja filha estava morando com Friedkin na época. Friedkin perguntou a
Hawks o que ele achava de seus filmes, ao que Hawks respondeu sem rodeios que
eles eram "ruins".Hawks
recomendou que ele "Fizesse uma boa perseguição. Uma melhor do que
qualquer um já fez."
A colisão dos dois trens do
metrô foi feita por meio de movimento de câmera e truques fotográficos, já que
a produção não teve permissão para realmente colidir dois trens elevados.
Antes da cena de perseguição
começar, Doyle tenta parar dois carros: um Volkswagen verde e um cupê Mercury
azul claro. Durante a perseguição, o mesmo Mercury bate no carro de Doyle.
Com a morte do ator Tony Lo
Bianco em 11 de junho de 2024, aos 87 anos, apenas Gene Hackman é o último
membro sobrevivente do elenco principal.
Popeye dobra sua fatia de
pizza antes de comê-la, na melhor tradição de Nova York. Isso seria visto mais
tarde em Os embalos de Sábado à Noite (1977), feito por John Travolta como Tony
Manero.
A cena em que Jimmy Doyle (Hackman),
atira em Pierre Nicoli (Bozzuffi), com este caindo escada abaixo, lembra uma
cena em Death for Sale (1961) da série de TV Os Intocáveis (1959) onde o
personagem Ed Getty, interpretado por Neil Rosso , é baleado por Eliot Ness (Robert
Stack) , e cai escada abaixo até uma estação ferroviária. Ambos os personagens
foram baleados de forma semelhante enquanto tentavam escapar de serem presos
por atividade ilegal de drogas.
O momento em que Nicoli
arranca e come um pedaço da baguete (bisnaga) do detetive segundos depois de
assassiná-lo não foi roteirizado e sim improvisado pelo ator.
No final dos créditos, um
aviso diz: "O evento, personagens e empresas retratados neste filme são
fictícios. Quaisquer semelhanças com pessoas reais, vivas ou mortas, ou eventos
ou empresas reais, são mera coincidência."
De acordo com Friedkin em sua
autobiografia, "The Friedkin Connection", embora Gene Hackman tenha
gostado do filme e do efeito positivo que ele teve em sua carreira, ele nunca
pareceu ter gostado de assistir ao filme e nunca disse a Friedkin se gostava ou
não.
Listado postumamente como um
dos 100 filmes favoritos de Akira Kurosawa.
Somente em 27 de dezembro de 1981 o filme foi exibido na tevê aberta, em duas partes (em dois dias consecutivos: 27 e 28). No dia 29, foi exibido Operação França 2 parte 1; no dia 30 Operação França 2 parte 2. Todos na Rede Bandeirantes
SPOILERS
DO FILME (SE NÃO VIU, NÃO LEIA)
No final do filme, uma legenda
sobreposta nos informa que Popeye e Cloudy foram transferidos da Narcóticos e
realocados. Eddie Egan sempre ficava chateado que o filme desse modo implicava
que isso aconteceu com ele e Sonny Grosso depois da Operação França; na
realidade, os dois policiais foram separados durante quatro anos e dois casos
de narcóticos igualmente grandes depois.
Na cena final, é revelado que
Charnier (Fernando Rey) escapou do país. O homem que foi a inspiração para
Charnier também escapou da justiça, fugiu do país e morreu pacificamente na
França (então Operação França II (1975) é uma continuação completamente
fictícia da história, e não baseada em eventos reais). Enquanto o personagem
Sal Boca (Tony Lo Bianco) é morto no final, sua contraparte da vida real foi
capturada, mas passou apenas um breve tempo na prisão. Friedkin afirmou que o
fato de um homem ter escapado de um cordão policial tão apertado e o outro ter
cumprido apenas um tempo mínimo de prisão sugere que houve "subornos
envolvidos nos mais altos níveis de aplicação da lei".
Nunca é explicado exatamente
por que Sal tirou da garagem o Lincoln Continental cheio de milhões de dólares
em heroína e o estacionou na rua, onde poderia ser vandalizado, como quase
aconteceu.
Popeye Doyle ( Gene Hackman)
atirando acidentalmente no agente Mulderig ( Bill Hickman), no final, não aconteceu
no caso da vida real. No entanto, o consultor técnico Eddie Egan, que foi a
inspiração para Doyle, concordou, pois ele supostamente odiava o verdadeiro
agente do FBI que Mulderig interpretou, e não se importaria em atirar nele de
verdade. O verdadeiro agente do FBI teria ficado bastante bravo quando viu o
que aconteceu com sua contraparte fictícia.
De acordo com William Friedkin
no comentário do DVD, muitos policiais, incluindo aqueles que foram
conselheiros do set do filme, se opuseram à cena em que Doyle atira em Nicoli
pelas costas como aparentando um assassinato, não em legítima defesa. No
entanto, o verdadeiro "Popeye" Doyle, Eddie Egan, estava no set
durante a maior parte das filmagens e deu a Friedkin sua aprovação. Quando o
filme foi exibido para uma audiência, a cena até recebeu uma ovação de pé,
então uma foto estática do tiro foi usada em anúncios para o filme.
Cartazes:
Filmografias Parciais:
Gene Hackman
Bonnie e Clyde -
Uma Rajada de Balas (1967); Meu pai, um Estranho (1969); Operação França (1971); O Destino do Poseidon
(1972); A Conversação (1974); Operação França II (1975); Superman: O Filme
(1978); Superman II - A Aventura Continua (1980); Sob Fogo Cerrado (1983); De Volta Para o
Inferno (1983); Superman IV: Em Busca da Paz
(1987); Inimigo do Estado (1988), Entrega Mortal (1989); Mississipi
em Chamas (1989); De Frente Para o Perigo (1990); Os Imperdoáveis
(1992); A Firma (1993); Geronimo
- Uma Lenda Americana (1993); Rápida e Mortal (1995); Maré Vermelha
(1995); Medidas Extremas (1996); Poder Absoluto (1997); Os Excêntricos
Tenenbaums (2001); Atrás das Linhas Inimigas (2001); O Júri (2003).
Roy Scheider
(1932–2008):
Klute, O Passado
Condena (1971); Operação França (1971); Tubarão (1975); Maratona da Morte
(1976); Comboio do Terrror (1977); Tubarão 2 (1978); O Show Deve Continuar (1979); Na Calada da Noite
(1982); Trovão Azul (1983); 2010 - O Ano Em Que Faremos Contato (1984); Nenhum
Passo em Falso (ou A Hora da Brutalidade) (1986); A Casa da Rússia (1990);
Mistérios e Paixões (1991); Drácula 2 - A Ascenção (2003); O Justiceiro (2004).
Fernando Rey (1917-1994)
Rainha Santa (1947); Delírio de Amor (1948); Senhora
de Fátima (1951); Marcelino Pão e Vinho (1955); Os Amores de Dom Juan
(1956); Horas de Pânico (1957); Os Últimos Dias de Pompéia (1959); A Revolta
dos Escravos (1960); Golias Contra o Gigante (1961); Odisseia de um Bravo
(1963); O Califa de Bagdá (1963); Cerimônia Macabra (1963); A Nova Cinderela
(1964); O Filho do Pistoleiro (1965); Viva Gringo (1965); A Volta dos Sete
Homens (1966); O Jovem Rebelde (1967); A Revolta dos Sete Homens (1969); O
Preço do Poder (1969); Tristana, Uma Paixão Mórbida (1970); O Farol do Fim do
Mundo (1971); Operação França (1971); À Sombra das Pirâmides (1972); O Discreto
Charme da Burguesia (1972); Presas Brancas (1973); Operação França II (1975); A
Viagem dos Condenados (1976); Jesus de Nazaré (1977); Esse Obscuro Objeto do
Desejo (1977); Quinteto (1979); A Dama das Camélias (1981); Monsenhor (1982); O
Cavaleiro Estelar (1985); Luar sobre Parador (1988); 1492: A Conquista do
Paraíso (1992); Madregilda (1993)
Tony Lo Bianco (1936-2024)
Operação França
(1971); Serpico (1973); A História de José e Jacó (1974); Goldenrod - O Campeão dos Rodeios (1977); Jesus de Nazaré
(1977); F.I.S.T. (1978); Irmãos de Sangue (1978); Rocky Marciano (1979);
Cidade Ardente (1984); Jessie (1984); A Dama de Ouro (seriado - episódio piloto); Um Policial Como Poucos (1991); Tyson, o
Mito (1995); Nixon (1995); A Jurada (1996); A Um Passo da Destruição (1997);
Máfia! (1998); Rocky Marciano (1999); Caçada Sem Trégua (2002); O Anel de
Noivado (2005); O Mafioso (2011); '79 Parts (2016)
Marcel Bozzuffi (1929-1988)
Os Amores do Filho de Carolina (1955), Antro do Vício (1955), Chantagem (1955), Noites de Bruma (1955), Correntes da Violência (1955), Ele, Ela... e o Outro (1956), Assassinato em Montmartre (1957), Gângsteres de Paris (1957), Escapada (1957), Asfalto (1959), Tintin e o Mistério do Tosão de Ouro (1961), O Dia e a Hora (1963), Crime no Carro Dormitório (1965), Crime no Asfalto (1966), Os Profissionais do Crime (1966), Z (1969), O Homem que Eu Amo (1969), Tempo de Lobos (1970), Vertigem de um Assassino (1970), Operação França (1971), Ange, O Gangster (1973), Morte ao Sol (1973), Valdez, o Mestiço (1973), A Grande Burguesia (1974), Profissão: Capanga (1975), O Cigano (1975), Cadáveres Ilustres (1976), Sanguinários E Corruptos (1977), Sanguinários E Corruptos (1977), Marcha ou Morre (1977), Passageiros do Inferno (1979), A Herdeira (1979), Luca, o Contrabandista (1980), A Gaiola das Loucas 2 (1980), Identificação de uma Mulher (1982)