RÉQUIEM PARA UM LUTADOR
Randy
“O Carneiro” Robinson (Mickey Rourke) foi um grande profissional de WWE (ou Pro-Wrestling)
nos tempos áureos. Vinte anos depois ele é um homem que aceita lutas para, com
míseros trocados, poder pagar o aluguel do trailer e comprar substâncias proibidas
e perigosas que melhorem sua performance e lhe consigam trabalho. Sua vida se
resume a apresentações combinadas e idas diárias a um clube de streap tease
para ver Cassidy (Marisa Tomei), uma dançarina que, como ele, teve dias mais áureos
e sonha por uma nova vida. A dupla começa uma amizade que Randy quer
transformar em algo mais, mas o surgimento de problemas cardíacos pode por fim a única
coisa em que Randy sempre fora bom: a Luta Livre.
Impressionante
filme, de baixíssimo custo (para Hollywood), sobre um homem frente a
inexorável decadência e ostracismo que, por um desses mistérios da vida,
permitiu ao ator Mickey Rourke ressurgir das cinzas de uma carreira irregular,
quase relegada ao esquecimento e acompanhada
nos tabloides sensacionalistas.
O
filme tenta mostrar o Wrestling como um grande entretenimento (e realmente o é, principalmente
nos EUA) com resultados previamente combinados, mas para Randy deve
ter algo de real e seu corpo passa a ser a veracidade dessa mostra:
lesões, contusões, lacerações, mutilações, cicatrizes...Randy se auto flagela para manter a magia do show, para o público ovacioná-lo, para não ser visto
como “um velho”, para manter o mito, para poder se sustentar. Uma vida dura
onde a alegria deu lugar ao sofrimento e a amargura permanece escondida sobre
um sorriso. A vergonha de ser visto trabalhando em um mercado para quem já
esteve no topo de seu Olimpo (como muitos lutadores desse gênero).
Mas
se a vida de Randy flutua entre bebidas, drogas e rock 'n’ roll, a de Cassidy vai, aos poucos, revelando-se igualmente
tortuosa. Por baixo de suas máscaras revelam-se seres humanos frágeis, como
todos nós, dotados de medo, incertezas, insegurança e desamores. As corajosas
entregas de Rouke e Marisa transformaram o filme num reflexivo painel de vidas em um futuro incerto e indefinido. E o filme passa pela rejeição da idade, uso
de anabolizantes, bebida, suicídio, laços familiares fragmentados, culpa, vergonha, medo,
perda de prestígio, amizade, verdades e mentiras. Um roteiro riquíssimo que se revela na vida dos
envolvidos, no mundo dos que acordam sem saber como terminarão suas semanas. Uma metáfora da vida do diretor Darren Aronofsky
ao receber aclamados elogios por “Pi” e “Requeim para um Sonho” e depois ir parar no abismo de críticas diversas
por “Fonte da Vida” (2006), recebido com vaias no Festival de Veneza, o mesmo
que o ovacionaria com esta produção.
Com
o roteiro de Robert D. Siegel (do ótimo “Fome de Poder”) e a direção de Aronofsky
, um cineasta que consegue, como poucos, levar para telas roteiros considerados
de difícil transposição por serem altamente metafóricos (o caso de "Mãe!") e
altamente reflexivos como "Réquiem Para um Sonho" e "Cisne Negro". E Darren apostou
alto ao trazer um ator considerado problemático
(que posteriormente revelou ter sido realmente difícil dirigi-lo): Rourke,
que colhera ótimas críticas com “O Ano do Dragão” (1985), sendo uma das "grandes
promessas de Hollywood” e que começara misteriosamente a afundar a partir de “Orquídea
Selvagem” (1989). Sua atuação visceral e impactante em “O Lutador" lhe permitiu uma indicação ao Oscar (perdeu
para Sean Penn em “Milk”) e para Marisa (que perdeu para Kate Winslet - "O
Leitor"). A citar a ótima atuação de Evan Rachel Wood (do
seriado Westworld) como a filha do protagonista.
O Lutador, que foi taxado como um “anti-Rocky Balboa”, é um filme que toma o
espectador logo no início e o mantém ligado até, literalmente, o minuto final.
A dupla central dá um show, uma atuação de gala, algo que provavelmente não se
repetirá tão facilmente em suas carreiras. Filme
indicado ao público adulto por sua temática e cenas impactantes, com direito a
músicas de grupos como Quiet Riot, Ratt e Guns N’ Roses.
Trailer:
Curiosidades:
Mickey Rourke realmente corta sua própria testa com uma lâmina neste filme para adicionar realismo ao papel. Isso também é conhecido pelo termo wrestling como "getting color" ou "juicing".
Devido ao orçamento modesto do filme, Axl Rose doou gratuitamente o uso da música "Sweet Child O 'Mine" do Guns N' Roses para a luta final.
Scott Siegel, o ator que interpretou um traficante de esteroides no filme, foi preso alguns meses depois por posse de esteroides e agressão a policiais federais.
Darren Aronofsky revelou
que Mickey Rourke foi a primeira escolha a interpretar Randy "The Ram"
Robinson, mas o estúdio queria Nicolas Cage. Aronofsky lutou para ter Rourke como "The Ram", e acabou vencendo.
O filme supostamente mexeu tanto com o lutador Roddy Piper (Eles Vivem) que ele caiu em lágrimas após uma exibição.
Embora Darren
Aronofsky quisesse Mickey Rourke para o papel principal, Rourke inicialmente hesitou participar do filme, porque ele não era gostara do
roteiro nem de pro-wrestling. No entanto, depois de Aronofsky deixá-lo reescrever muito de seus diálogos, Rourke concordou em estar no filme.
Cassidy e Randy estão no bar e cantando juntos a música "Round and Round" do grupo Ratt
Randy "The Ram"("O Carneiro") Robinson
compartilha características dos dois maiores ícones de wrestling da
década de 1980: Hulk Hogan e Randy 'Macho Man' Savage (Randy Savage). O
visual de "The Ram", com o longo cabelo loiro e físico, assim
como o uso de esteroides, é obviamente de Hogan, enquanto o "Ram Jam" é
inspirado em "Flying Elbow" de Savage. Até mesmo para a pose antes de executá-lo. A
briga do Ram com "The Ayatollah" também imita a rivalidade que Hogan
teve com Khosrow Vaziri (vulgo "The Iron Sheik") que fez dele um
superstar de 1980 ao início dos anos 90.
Darren Aronofsky
considerou Sylvester Stallone para o papel principal, mas desistiu,
sentindo que era tematicamente semelhante ao até então recente "Rocky Balboa"
(2006).
A atriz Abbie Cornish foi originalmente escalada como Stephanie Robinson, mas desistiu no último minuto. Evan Rachel Wood a substituiu.
Durante a cena no club, Ram (Mickey Rourke) está mostrando a Cassidy (Marisa Tomei)
algumas das cicatrizes que ele acumulou ao longo de sua carreira e ela
diz a ele: "Ele foi ferido por nossas transgressões, ele foi esmagado
por nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe a
paz estava sobre ele, e por suas feridas nós fomos curados "- esta é
uma referência direta e palavra por palavra ao verso bíblico do Antigo
Testamento de Isaías 53: 5. O capítulo 53 do livro
de Isaías é a última de quatro canções sobre "O Servo Sofredor" e conta
a história de um "Homem das Dores"
Durante a maior parte do filme, "Metal Health (Bang Your Head)" do Quiet Riot é a introdução ao tema de "The Ram". "Sweet Child O' Mine" do Guns 'N' Roses foi tocado quando Ram fez sua entrada antes da luta final.
O roteiro deste filme foi apresentado na lista negra de 2007; uma lista dos scripts mais admirados e não filmados daquele ano.
Nome verdadeiro de Randy é Robin Ramzinski
Quando Cassidy deixa o clube de strip, outra dançarina diz que deixou seus sapatos. Deixar as botas no ringue é uma forma tradicional de um wrestler desistir.
Trilha Sonora:
Metal Health (Bang Your Head) - Quiet Riot
Don't Know What You Got (Till It's Gone) - Cinderella
Stuntin' Like My Daddy [Explicit] - Birdman & Lill Wayne
Don't Walk Away - Firehouse
Soundtrack To A War: Welcome To Hell - Rhinobucket
Blowin' Up - Solomon
Mirror - Dead Family
Round And Round - Ratt
Dangerous - Slaughter
I'm Insane - Ratt
Balls To The Wall [Explicit] - Accept
Animal Magnetism - Scorpions
Trilha Sonora:
Metal Health (Bang Your Head) - Quiet Riot
Don't Know What You Got (Till It's Gone) - Cinderella
Stuntin' Like My Daddy [Explicit] - Birdman & Lill Wayne
Don't Walk Away - Firehouse
Soundtrack To A War: Welcome To Hell - Rhinobucket
Blowin' Up - Solomon
Mirror - Dead Family
Round And Round - Ratt
Dangerous - Slaughter
I'm Insane - Ratt
Balls To The Wall [Explicit] - Accept
Animal Magnetism - Scorpions
Metal Health (Bang Your Head)
Cinderella - Don't Know What You Got (Till It's Gone)
Don't Walk Away - Firehouse
Cartazes:
Filmografia Parcial:
Mickey Rourke

1941 - Uma Guerra Muito Louca (1979); Escuridão da Morte (1980);Relação Violentada (1980); Portal do Paraíso (1980); Corpos Ardentes (1981); O Selvagem da Motocicleta (1983); O Ano do Dragão (1985); 9 1/2 Semanas de Amor (1986); Coração Satânico (1987); Barfly: Condenados pelo Vício (1987); Francesco: A História de São Francisco de Assis (1989); Orquídea Selvagem (1989); Horas de Desespero (1990); Harley Davidson E Marlboro Man - Caçada Sem Tréguas (1991); Areias Brancas (1992); A Colônia (1997); 9 1/2 Semanas de Amor 2 (1997); O Implacável (2000); Identidade Trocada: Uma Inocente em Fuga (2001); Era Uma Vez no México (2003); Chamas da Vingança (2004); Sin City: A Cidade do Pecado (2005); Domino: A Caçadora de Recompensas (2005); Alex Rider Contra o Tempo (2006); O Lutador (2008); 13: O Jogador (2010); Homem de Ferro 2 (2010); Os Mercenários (2010); Imortais (2011); Sin City: A Dama Fatal (20140; Marcas da Guerra (2015); Nightmare Cinema (2018); Tiger (2018); Berlim, Eu Te Amo (2019); O Legionário (2020); A Vingadora (2020); O Sequestro (2021); O Comando (2022)
Marisa Tomei
Flamingo Kid (1984); Oscar: Minha Filha Quer Casar (1991); Zandalee: Uma Mulher para Dois (1991); Meu Primo Vinny (1992); Chaplin (1992); O Jornal (1994); Grande Hotel (1995); De Bem com a Vida (1996); O Outro Lado de Beverly Hills (1998); Do que as Mulheres Gostam (2000); Alguém Como Você (2001); Tratamento de Choque (20030; Obsessão (2005); Baila Comigo (2005); Motoqueiros Selvagens (2007); Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto (2007); O Lutador (2008); Cyrus (2010); Virando a Página (2014); A Grande Aposta (2015); Capitão América: Guerra Civil (2016); Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017); Homem-Aranha: Longe do Lar (2019); A Family Vacation (2019); Homem-Aranha: Sem Volta para Casa (2021)
Evan Rachel Wood
Sangue Amargo (1994); A Procura de Grace (1994); Retrato de Coragem (1995); O Poder da Emoção (1997); Da Magia à Sedução (1998); Garotas Malvadas (2005); A Outra Face da Raiva (2005); O Rei da Califórnia (2007); O Lutador (2008); Um Caso de Amor (2013); Westworld (seriado 2016 - 2022)
Fontes:
Jornal O Globo
IMDB
1001 Filmes Para se Ver Antes de Morrer
Boa noite. Muito pertinente o uso do nome do personagem Rocky Balboa e é por essa observação é que começo minha opinião. Diferentemente de Balboa que consegue subir no ringue com uma idade elevada para um pugilista e ainda por cima fazer frente a um campeão mesmo estando aposentado há 16 anos, Rourke nos apresenta um lutador decadente em físico e movimentos e que, embora ainda almeje o sucesso de outrora, sabe que dificilmente alcançará o antigo nível. Tratado de forma verossímil, o filme é uma crua imagem dos antigos wrestlers que aceitavam a situação por falta de opções, ou simplesmente para defender alguns dólares (Réquiem por um Lutador), mesmo que isso atentasse contra sua saúde. Pela aparência já um tanto desgastada, Rourke casa muito bem com seu personagem, um homem amargurado, pobre, esquecido, rechaçado pela filha e a um passo do final da linha. Grande abraço.
ResponderExcluirBom dia Janerson. Ótima síntese desse filme que, como você bem citou, foi tratado de forma verossímil e com um ator que casou perfeitamente como o papel. Ótima observação na comparação do personagem de Stallone com o de Rourke. Obrigado por comentar mais este post e agregar informações. Um grande abraço.
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