terça-feira, 31 de julho de 2018

VERÓNICA / VERÓNICA (2017) - ESPANHA



FAMOSO CASO DE TERROR ESPANHOL
 
Verónica (Sandra Escacena), 15 anos, é uma jovem estudante em uma escola religiosa que compra uma Tábua de Ouija e, com as amigas rosa (Angela Fabian) e Diana (Carla Campra), resolve tentar encontrar em contato com Manolo, namorado falecido, de uma das jovens, em um momento que a terra passa por um eclipse solar. A conjunção dos dois fatores evoca uma criatura que passa a aterrorizar Verónica que descobre que tem que proteger seus três irmãos pequenos a qualquer custo.


Filmes que começam com os dizeres "baseados em fatos reais" dificilmente o são, por várias razões: mudam-se eventos, acrescentam-se personagens e preenchem-se as lacunas que ainda são um mistério, com o famoso "achômetro". Ok, é no final das contas um filme e acrescentar "umas coisinhas aqui e outras ali" faz parte da indústria de entretenimento, mas o espectador menos acostumado a essa manobra pensa estar levando um verdadeiro exemplar da fiel narração dos fatos. 



Mas o que sabemos sobre o famoso caso, descrito por um investigador de polícia ao chegar ao local? Bom, a história real é sobre Estefania Gutierrez Lázaro, 18 anos, que morreu em 1992, em um hospital,  de causas não completamente explicadas. O famoso "Caso Vallecas", que ocorreu na rua Luis Marin, 8 é cheio de controvérsias. Como em toda história "quem conta um conto, aumenta um ponto" os relatos revelam-se diferentes e, como sabemos que na internet é "CRTL C" + "CTRL V", a adição de um elemento aqui e outro ali transforma um evento em uma história e, na verdade, o que se sabe é pouco: Estafania vivia com sua mãe, Concepcion Lázaro, e seu pai Gutierres Palomares (Verónica não tinha um pai falecido? Como? Ele está vivo? Não são fatos reais? - pois é) mais cinco (!!) irmãos (ãs) Quando tentaram invocar o namorado recém-falecido de uma das jovens, teriam invocado uma entidade, mas foram descobertas por uma professora e a tábua fora quebrada (essa estória também é meio vaga - há sites dizendo que ela já praticava e outros que fora a primeira vez). A criatura passa assombrar Verónica até que, certa noite, é chamado um investigador da polícia que presencia (apenas ele) algo sobrenatural (os outros agentes correram com medo dos barulhos e sons estranhos). O relatório do inspetor não é minucioso, apenas cita ter visto algo "antinatural" (comenta-se que há um vídeo onde ele, recentemente, tenta esclarecer, mas não há muito mais, apenas que era cético e que hoje virou um homem de fé). Mas só há o relato do agente e entrevistas da mãe e pai. Não se sabe quem era (ou se houve) a professora que presenciou a sessão com a tábua, não se sabe quem são os outros agentes, as outras estudantes  e praticamente nada se sabe do que ocorreu com a jovem nesses 3 dias. Como preencher esses elementos? Especula-se, lança-se um filme, criando-se uma poderosa história que poucos irão verificar a fidelidade dos fatos. A verdade é que até hoje é um caso muito famoso na Espanha  por ter tido um boletim de ocorrência de uma autoridade policial que registrou o acontecimento, dando um status bem maior ao caso sobrenatural.



Não, não estou contando spoilers. O filme começa com o investigador chegando à casa a partir de uma chamada de socorro à central e fica assombrado. Daí descobriremos o que aconteceu naqueles três dias que antecederam ao evento. E nessas horas vem a famosa pergunta: o filme é bom ? Diria interessante. Não vou me ater a questão se é verdade ou não. Vou me ater ao filme dentro do gênero de terror. O diretor do filme, Paco Plaza sabe como prender o público sob um roteiro bem construído. É dele o famoso filme "REC" que gerou uma refilmagem americana com o nome de "Quarentena". Paco ainda faria o interessante "REC 2" e o completamente dispensável "REC 3". 


Nossa jovem é uma pessoa responsável que cuida dos três irmãos enquanto a mãe segura a barra de manter um bar aberto até altas horas da madrugada (o marido falecera). Como a maioria das pessoas que perde um ente querido há um desejo (oculto ou explícito) de saber como a pessoa querida estaria do outro lado. Agora Verónica (ou “Vero”) é irresponsável. Ela compra uma tábua de Ouija (acreditem ou não numa banca de jornais !!!???) e invoca algo do outro lado (a explicação é que durante o eclipse as trevas dominam a luz). Uma freira cega (a atriz Consuelo Trujillo) lhe explica o mal que acabara de fazer. 



Se você está desistindo e pensando que esse filme é uma droga, há coisas boas a se apreciar. O clima criado no filme é de apreensão e o jogo de luzes e sombras foi muito bem utilizado. Sempre prefiro filmes que apostem no terror psicológico, que instigam nossas mentes e preenchem as expectativas do que criar um ser maligno que se torne ridículo. Nossa mente é poderosa para criar medo. A partir do momento que esse medo é materializado algo se perde. Por isso (entre outros fatores, claro) que "O Exorcista" é um sucesso atemporal: uma mistura de terror com horror que nunca mostra quem se apossou da jovem, onde a imaginação de cada um cria a sua criatura pessoal. Aqui também não há um diálogo com a entidade. Não sabemos o que esta deseja (especula-se, na vida real,  que o avô seria a assombração), o porquê está atrás de Verónica e porque seus irmãos estão em ameaça. Essa criatura que, praticamente não se materializa, deixa o espectador em alerta, esperando a próxima investida. O cerco vai se fechando. Verónica está sozinha, sem saber como combater algo tão poderoso e o filme flui num ótimo ritmo.



Verónica, se assistido apenas como um simples filme de terror, é bem eficiente e vale a pena uma conferida. Mas se sua expectativa baseia-se somente na questão de serem fatos reais, talvez, saia decepcionado pela produção ter criado uma versão pouco fiel. Não é o melhor filme dos últimos anos no gênero, não é um novo "O Exorcista" (como virou moda toda vez que sai um novo filme comparar ao clássico), mas é uma opção interessante para aqueles que desejem curtir 105 minutos de tensão e expectativa. Um filme que funciona muito mais na telona do cinema, mas que perde um pouco da força o quanto menor for a tela de seu aparelho. Para assistir à noite e no escuro.

Trailer:





Trilha sonora:
Maldito Duende - Héroes del Silencio
Hechizo -  Héroes del Silencio
Entre dos tierras - Héroes del Silencio
Preludio ad un Dramma - Francesco de Masi 



Maldito Duende - Héroes del Silencio


 

 Entre dos tierras - Héroes del Silencio




Curiosidades:
Filme de estreia da atriz  Sandra Escacena

Não houve uma sexta-feira 13 em junho de 1991. Em 1991, os únicos meses com sexta-feira 13 foram setembro e dezembro.

O ano de 1991 teve 1 eclipse solar total, que foi em julho e não em junho. Esse eclipse era visível na América Latina e não em Madri.  

No Brasil o tabuleiro ou a tábua recebeu o nome de Jogo do Copo. 

O filme que Verónica assiste quando ela, as irmãs e o irmão dormem juntos na sala de estar é o clássico de terror espanhol de 1976, "Os Meninos" (1976), de Narciso Ibáñez Serrador.

Estefanía Gutiérrez Lázaro morreria em 14 de agosto de 1991, seis meses depois de jogar pela primeira vez o tabuleiro Ouija

No clímax, a pintura de um bando de lobos perseguindo um cervo é mostrada sem o cervo, o que significa que o cervo foi consumido pelos lobos que simbolizavam a situação de Verônica.

No final do filme pode ser visto uma série de fotografias antigas. Estas são fotos verdadeiras tiradas pelos agentes da polícia sobre a casa da real Estefanía Gutiérrez Lázaro quando a receberam depois de receber uma chamada de emergência em 15 de junho de 1991.  

Cartaz do Filme:













 




Premiações:
Cinema Writers Circle Awards, Spain 2018
Goya Awards 2018
Turia Awards 2018  


Fonte : IMDB

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