sábado, 14 de março de 2020

ERA UMA VEZ NO OESTE / C'ERA UNA VOLTA IL WEST / ONCE UPON A TIME IN THE WEST (1968) - ITÁLIA / ESTADOS UNIDOS


WESTERN SPAGHETTI COM UM MOLHO DIFERENTE

Três homens aguardam em uma isolada estação de trem um pistoleiro para um confronto. Um homem de negócios contrata um assassino para tirar do seu caminho colonos que se opõe aos seus negócios. Pai e filho são cruelmente assassinados e um bandido é falsamente acusado. Uma jovem mulher chega na cidade.
Um pistoleiro sem nome em busca de vingança (Charles Bronson), um cruel assassino (Henry Fond), um inescrupuloso e moribundo homem de negócios (Gabriele Ferzetti), um bandido (Jason Robards) e uma viúva (Claudia Cardinale). Todos têm um objetivo em comum e não medirão esforços para lograrem estes objetivos. Enquanto uma ferrovia é construída e um novo tempo se aproxima seus destinos se entrelaçam.




Dirigido pelo italiano Sergio Leone, responsável pela chamada "trilogia dos dólares": "Por Um Punhado de Dólares", "Por uns Dólares a Mais" e "Três Homens em Conflito",  Era uma Vez no Oeste é considerado por muitos como uma obra prima, o ápice do faroeste-spaghetti (que alguns classificavam como pseudo-western). Leone queria dirigir um filme de gângster (e o faria com "Era Uma Vez na América"), os Estúdios queriam mais um filme do gênero. Ao conseguirem Henry Fonda, um ator celebrado pelo diretor e vastos recursos financeiros frente a seus projetos anteriores, Leone não pensou duas vezes: faria um filme sobre o fim de uma era e a chegada de outra. Não por acaso esta análise vem logo após o filme "O Homem Que Matou o Facínora"e não por acaso Leone, assim como John Ford, nos daria uma versão da chegada do progresso através da rodovia e o fim dos pistoleiros e dos heróis solitários. Ainda que Leone homenageie os vários clássicos do gênero, sua visão vem amparada sob uma crítica à áurea romântica de Ford e outros do gênero apresentando personagens desprezíveis e paisagens mortas. Em entrevista publicada pelo Jornal do Brasil da época, Leone disse que Ford desmistificava o Oeste com certo romantismo, mas isso o afastava da verdade histórica, mas como não americano e sob um olhar estrangeiro Leone acreditava poder mostrar personagens mais lúcidos, conhecedores de seus destinos e sem ilusões, com isso ele glorifica um gênero, mas desconstrói, ao mesmo tempo, as histórias e mitos. É a morte do Velho Oeste onde um "Novo Oeste" está tomando forma, e Jill é a única personagem pertencente aos dois mundos.


Com argumento inicial de Bernado Bertolutti, o cineasta, de posse do esboço,  juntou-se  a Dario Argento (que foi crítico de cinema e fã de Leone) e criaram o roteiro, mais tarde solicitou também a colaboração de Sergio Donateli e terminaram por elaborarar um filme atípico, cheio de nuances, de poucos diálogos, com sons, ruídos, bela fotografia e uma trilha do consagrado mestre Enio Morricone que se destaca por toda a projeção. Clint Eastwood era uma das opções para o papel de Harmonica, mas acabou nas mãos de Bronson que decidira ir para a Europa e voltaria ao EUA, agora, como um astro (também por "Os Doze Condenados").




O filme se inicia com 15 minutos praticamente de sons incidentais (um modo do diretor de dizer as coisas sem verbalizá-las): um gotejamento de água, uma mosca zumbindo, o moinho de vento, o som de um telégrafo (os "sons do deserto") e Woody Strode (Stony), Jack Elam (Snaky) e Al Mulock (Knuckles), armados, numa estação ferroviária, aguardando a chegada de um trem. Um homem desembarca e a explosão de violência se inicia. Quatro homens chegaram à estação de trem, apenas um homem sai dela. Essa abertura é impactante e inesquecível. Os diálogos serão escassos (Leone dizia que um bom diálogo nesse gênero tinha que ser necessariamente mínimo"), os closes no rosto dos atores serão abundantes, os cortes não serão rápidos e os planos serão longos. Alguns personagens tem um tema próprio: há o som da gaita triste do enigmático Harmonica que reflete o sofrimento interno do protagonista e nos revela algo mais perto do final; um conjunto de cordas que mostra o bandido Cheyenne em cena (o "pouco" alívio cômico do filme) e Jill com uma melodia numa voz melancólica, no início, e mais forte ao final, mostrando a evolução da personagem em sua jornada.  Morricone fez a trilha antes do filme e o diretor a colocava nos sets de filmagem. É a música sendo usada como um poderoso instrumento para incrementar a narrativa. E o título do filme só aparece no fim, curioso percebermos que o título italiano original, "C'era una volta il West", significa: "Era uma vez o Oeste". Não é apenas um filme ambientado no Oeste, mas um filme sobre o Oeste, uma sutil diferença, pouco percebida, pelos exibidores de vários países, mas cuja mensagem é muito melhor entendida a partir de seu título original.



Os personagens são inesquecíveis. Começamos pelos três primeiros pistoleiros que se comunicam por olhares e gestos. Depois temos Harmonica (assim apelidado por Cheyenne), um pistoleiro que "toca a sua gaita quando deve falar e fala quando deveria tocar", um cavaleiro solitário movido pela vingança; temos Frank (Henry Fonda em seu único papel de bandido), cruel capanga de Morton, que ao invés de "espantar" a família McBain, como seu chefe ordenara, para ter suas terras o mais barato possível, resolve matá-las (seu pensamento é "as pessoas se assustam melhor quando estão morrendo"). Frank e seus asseclas se livram do crime usando a vestimenta de outro bandido: um fora da lei errante que agora ficou em mal lençóis, só que agora um problema bem pior: Harmonica e seu desconhecido motivo de vingança que só se descobrirá no final. Jill é a viúva de McBain, vinda da cidade grande para viver com o marido e o filho deste. Ela só encontra caixões. Esse quinteto composto de Bronson, Fonda, Robards, Cardinale e Gabriele Ferzetti estão ótimos: todos tem personagens bem desenvolvidos onde todos carregam dores do passado, são moralmente dúbios, e mantém um clima de expectativa constante quanto as suas ações. Harmonica, Morton, Cheyenne e Frank são filhos do velho oeste, uma era de pistoleiros que se finda. Jill funciona como a matriarca de uma nova nação a surgir. Leone criou para Cardinale uma personagem feminina em pé de igualdade aos brutos da época e a mais resilente deles. E não esqueçamos: ela é a protagonista do filme, mesmo que muitos achem que é Bronson.





Era Uma Vez no Oeste é um filme atemporal, dá pra se prever até o resultado, mas o melhor desse espetáculo está na forma como foi executado. Fala sobre o nascimento dos grandes especuladores, a chegada do progresso através da estrada de ferro e a derrocada de um mundo de brutos do oeste selvagem. Trilha sonora impactante, lindas locações, um grande elenco e direção inspirada. Um filme indispensável para quem é fã do gênero.



Trailer:





Curiosidades
Henry Fonda originalmente recusou o papel de Frank. O diretor Sergio Leone voou para os Estados Unidos e se encontrou com Fonda, que perguntou por que ele era procurado pelo filme. Leone respondeu: "Imagine isto: a câmera mostra um atirador da cintura para baixo, puxando a arma e atirando em uma criança correndo. A câmera se aproxima do rosto do atirador e ... é Henry Fonda" (até então, com uma exceção, Fonda só havia sido escalado para papéis de "mocinho". Leone queria que o público ficasse chocado).


Al Mulock, que interpretou um dos três homens armados na sequência de abertura, cometeu suicídio pulando da janela do hotel em traje completo após um dia de filmagem. O gerente de produção Claudio Mancini e o roteirista Mickey Knox, que estavam sentados em um quarto do hotel, testemunharam o corpo de Mulock passar pela janela. Knox lembrou em uma entrevista que, enquanto Mancini colocou Mulock em seu carro para levá-lo ao hospital, o diretor Sergio Leone disse a Mancini: "Pegue a fantasia! Precisamos da fantasia!" Mulock, que havia aparecido como o caçador de recompensas de um braço em Três Homens em Conflito (1966), estava usando a roupa que vestia no filme quando deu o salto fatal.





Henry Fonda se preparou para seu papel como o vilão "Frank", chegando na Itália com um par de lentes de contato de cor marrom e um bigode. Quando Sergio Leone os viu, ordenou que fossem removidos. Leone havia planejado um importante close da entrada de Frank e queria que o público reconhecesse Fonda instantaneamente com aqueles olhos azuis.

Para a sequência de abertura em que os três homens esperavam o trem cobriram levemente o rosto de Jack Elam com geleia e começaram a filmar close-ups enquanto deixavam uma mosca sair de um pote cheio de moscas, tentando obter a reação de Elam quando alguma aterrissaria. na bochecha dele.

Originalmente, Sergio Leone ofereceu o papel de gaita a Clint Eastwood, mas ele recusou, pois não estava mais interessado em trabalhar para Leone. James Coburn também foi abordado para o papel de gaita, mas exigiu muito dinheiro. O papel foi para Charles Bronson, que havia recusado papéis na Trilogia de Dólares (Eastwood em Por Um Punhado de Dólares (1964) e Lee Van Cleef em Por uns Dólares a Mais (1965) e Três Homens em Conflito (1966).

O duelo final entre Frank e Harmônica foi filmado quase exatamente como em O Último Por-do-Sol (1961) entre Rock Hudson e Kirk Douglas, filme do qual Bernardo Bertolucci era um grande fã.

Quando Henry Fonda estava tentando decidir se estava nesse filme, ele perguntou a seu amigo Eli Wallach, que acabara de fazer Três Homens em Conflito (1966) com Sergio Leone, se ele deveria assumir o papel de Frank. Wallach disse que precisava fazê-lo e disse a Fonda: "Você terá o melhor momento da sua vida". (Da mesma forma, foi Fonda, dizendo que considerava Leone um dos maiores diretores com quem já trabalhou, que convenceu James Coburn a fazer o papel de Mallory no segundo filme "Era uma Vez ...", When Explode in Vingança ( 1971).)

A fazenda McBain em Almeria apareceu em Indiana Jones e em Última Cruzada (1989).

O co-roteirista Bernardo Bertolucci diz no DVD do filme que, quando ele sugeriu ao diretor Sergio Leone que o personagem central do filme fosse uma mulher, Leone estava hesitante. Leone começou a se interessar nesse assunto, sugerindo que a foto introdutória de Jill seria embaixo da plataforma do trem, para que a câmera pudesse ver por baixo do vestido de Jill e mostrar que ela não estava usando roupas de baixo. Claudia Cardinale disse que nunca foi informada dessa idéia e disse que provavelmente não teria concordado em participar do filme se fosse necessária essa foto (sugerindo que Leone, felizmente, desistiu da ideia no processo de escrita).

Sergio Leone originalmente queria que Sophia Loren interpretasse Jill McBain, e Carlo Ponti, seu marido, estava disposto a fornecer uma quantia considerável de apoio financeiro se ela estivesse no filme. No entanto, Leone decidiu não escalá-la porque temia que ela tentasse ganhar muito domínio e influência sobre como o filme seria feito, dada a sua famosa personalidade de obstinada e temperamental. Em vez disso, ele escolheu Claudia Cardinale, uma amiga pessoal dele, a quem ele convenceu a interpretar Jill sem mostrar o roteiro.


A índia que foge da estação de trem na sequência de abertura foi interpretada pela princesa havaiana Luukialuana (Luana) Kalaeloa (Luana Strode). Ela era a esposa de Woody Strode.




Eventualmente, Leone decidiu criar outra trilogia, que começou com este filme, evoluiu para Quando Explode a Vingança (1971) e terminou com Era Uma Vez na América (1984). A trilogia 'Era uma vez', à qual é frequentemente referida, trata efetivamente de "três períodos históricos que endureceram a América".

O primeiro dia de filmagem de Claudia Cardinale foi sua cena de amor nua com Henry Fonda. Isso também marcou a primeira vez que Fonda fez essa cena. Sua esposa insistiu em estar no set durante as filmagens.

Sergio Leone fez centenas de referências a filmes que o influenciaram. Alguns eram bastante óbvios (como três homens esperando o trem como em Matar ou Morrer (1952)) e outros eram muito sutis, como a escolha do rifle Winchester serrilhado de Woody Strode, semelhante à arma que Steve McQueen carregava na série Wanted: Dead ou Alive (1958). McQueen se referiu a essa arma única como uma "perna da égua".

Na cena de abertura, quando Stony (Woody Strode) está embaixo do tanque de água, a água continua pingando na aba do chapéu, fazendo-o recuar, e Sergio Leone para de parar de filmar. Leone iria mover Strode, mas, por sugestão do ator, manteve-o no mesmo lugar. Strode queria que seu personagem fosse visto tão legal que não deixasse água pingando afetá-lo. No calor do momento, Leone mandou Strode tirar o chapéu e beber a água coletada.

o diretor John Landis foi um dos dublês deste filme.

Há uma cena deletada em que Harmonica, após o tiroteio de abertura, foi espancado pelo xerife e seus comandados. É por isso que há uma cicatriz em seu rosto.

Kirk Douglas, um admirador de Sergio Leone, fez lobby pelo papel de Cheyenne.

O  irmão de harmonica foi interpretado pelo gerente de produção Claudio Mancini.

Sergio Leone originalmente pretendia reunir as três estrelas de Três Homens em Conflito (1966) (Clint Eastwood, Lee Van Cleef e Eli Wallach) em papéis especiais como os três pistoleiros que aguardavam a gaita no início do filme, mas quando Eastwood estava indisponível, a ideia foi descartada.

John Carpenter, um grande fã de Sergio Leone e este filme, tocou "Jill's Theme" de Ennio Morricone enquanto caminhava pelo corredor em seu casamento com Adrienne Barbeau.

A história foi inventada entre Sergio Leone, Dario Argento e Bernardo Bertolucci durante sessões na casa de Leone, onde exibiam clássicos ocidentais como The Searchers (1956), O Cavalo de Ferro (1924), Os Comancheros (1961) e Matar ou Morrer. (1952).

Dos quatro membros principais do elenco, Henry Fonda e Jason Robards são os únicos que não compartilham uma cena ou tempo de tela juntos.

No duelo de abertura, Woody Strode carrega uma arma de "Mare's Leg" (Winchester Modelo 1892), em homenagem à série Wanted: Dead or Alive (1958), na qual o caçador de recompensas de Steve McQueen a usava como arma principal.


Morton, o chefe da ferrovia, desejava ver o Oceano Pacífico antes de morrer. Ele montou seu trem especial desde o Atlântico. Ambos os oceanos são preenchidos com sal. O "sal de Morton" (Morton's salt - na mesa do trem) é uma marca popular de sal de mesa. Na última cena de Morton, ele deita de bruços em água doce, fazendo um trocadilho por causa de seu nome que leva o nome da marca de sal. Também deve ser sugerido que, se ele adquirir a "Água Doce" da fazenda de McBain (água sem sal), ele figuradamente a preencheria de sal.

Cartaz do filme:



















Elenco e diretor















A Música do filme:





Ótima reportagem sobre o Velho Oeste (Revista Aventuras na História)

https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/a-vida-no-velho-oeste.phtml

Filmografia Parcial:
Claudia Cardinale










Os Eternos Desconhecidos (1958); Três Estrangeiras em Roma (1958); A Primeira Noite (1959); O Belo Antônio (1960); Rocco e Seus Irmãos (1960); 8½ (1963); O Leopardo (1963); A Pantera Cor-de-Rosa (1963); O Mundo do Circo (1964); Vagas Estrelas da Ursa (1965); De Olhos Vendados (1966); Os Profissionais (1966); O Dia da Coruja (1968); Era uma Vez no Oeste (1968); O Golpe de Papillon (1971); À Sombra do Vaticano (1972); Jesus de Nazaré (1977); O Prefeito de Ferro (1977); Fuga para Athena (1979); A Salamandra (1981); Fitzcarraldo (1982); Amor de Verão (1985); A Revolução Francesa (1989); Inverno de 54 (1989); Amantes & Infiéis (2002); O Fio (2009); O Gebo e a Sombra (2012); Twice Upon a Time in the West (2015); Rudy Valentino (2017); The Island of Forgiveness (2020); Keoma Rises (2020)

Henry Fonda (1905–1982)










Jesse James (1939); A Vida de Alexander Graham Bell (1939); A Mocidade de Lincoln (1939); A Volta de Frank James (1940); As Três Noites de Eva (1941); Vidas Sem Rumo (1941); Rua das Ilusões (1942); Consciências Mortas (1943); Paixão dos Fortes (1946); Noite Eterna (1947); Sangue de Heróis (1948); 12 Homens e uma Sentença (1957); O Homem dos Olhos Frios (1957); Quando a Esposa Peca (1959); Minha Vontade é Lei (1959); O Mais Longo dos Dias (1962); A Conquista do Oeste (1962); Os Nove Irmãos (1963); Uma Batalha no Inferno (1965); Os Impiedosos (1968); O Homem Que Odiava as Mulheres (1968); Era uma Vez no Oeste (1968); Assim Nascem os Heróis (1970); Meu Nome é Ninguém (1973); Mussolini - Ascensão e Glória de um Ditador (1974); A Batalha de Midway (1976); Terror na Montanha Russa (1977); Caravana de Intrépidos ou A Ultima Carga (1977); O Enxame (1978); Meteoro (1979); Num Lago Dourado (1981).

Jason Robards (1922–2000)









Crepúsculo Vermelho (1959); O Amor Tudo Vence (1961); Suave é a Noite (1962); Longa Jornada Noite Adentro (1962);  A Hora da Pistola (1967); Quando o Strip-Tease Começou (1968); Era uma Vez no Oeste (1968); A Morte Não Manda Recado (1970); Júlio César (1970); Tora! Tora! Tora! (1970); Johnny Vai à Guerra (1971); Pat Garrett e Billy the Kid (1973); O Menino e seu Cachorro (1975); Todos os Homens do Presidente 1976); Furacão (1979); Cabo Blanco (1980); O Resgate do Titanic (1980); Melvin e Howard (1980); A Lenda do Cavaleiro Solitário (1981); A Volta de Max Dugan (1983); The Day After: O Dia Seguinte (1983); O Mercador de Almas  (1985); O Preço da Paixão (1988); O Tiro que não Saiu pela Culatra (1989); Não Tenho Troco (1990); Mark Twain e Eu  (1991); As Aventuras de Huck Finn (1993); Filadélfia (1993); O Jornal (1994); Maré Vermelha (1995); Inimigo do Estado (1998); Magnólia (1999)

Charles Bronson  (1921–2003):









Vera Cruz (1954); Sete Homens e um Destino (1960); Fugindo do Inferno (1963); Os Doze Condenados (1967); Era uma Vez no Oeste (1968); O Passageiro da Chuva (1970); Assassino a Preço Fixo (1972); Desafiando o Assassino (1974); Desejo de Matar (1974); Lutador de Rua (1975); O Grande Búfalo Branco (1977); Desejo de Matar 2 (1982); Desejo de Matar 3 (1985); O Vingador (1986); Assassinato nos Estados Unidos (1987); Desejo de Matar 4 - Operação Crackdown (1987); Kinjite - Desejos Proibidos (1989); Desejo de Matar V (1994).

Gabriele Ferzetti (1925–2015)









Fabíola (1949); O Reverendo e o Ladrão (1950); O Cristo Proibido (1951); Três Histórias Proibidas (1952); A Provinciana (1953); Puccini (1953); Camilla (1954); Casanova, Amante Sublime (1955); Donatella (1956); Aconteceu na Itália (1957); Uma Vida e Dois Amores (1959); Aníbal, O Conquistador (1959); A Noite do Massacre (1960); Vênus Imperial (1962); Vidas Ardentes (1964); O Preço de um Resgate (1965); Três Quartos em Manhattan (1965); A Bíblia (1966); Condenado Pela Máfia (1967); Guerra aos Gangsters (1968); Era uma Vez no Oeste (1968); A Fúria dos Intocáveis (1969); 007 - A Serviço Secreto de Sua Majestade (1969); A Confissão (1970); Hitler - Os Últimos 10 Dias (1973); O Porteiro da Noite (1974); Corrupção no Palácio da Justiça (1975); Questão de Tempo (1976); Premonição (1977); Morte in Vaticano (1982); O Escarlate e o Negro (1983);Júlia e Júlia (1987);  Othello (1995)  Um Sonho de Amor (2009); Diciotto anni dopo (2010)

Woody Strode (1914–1994) 









Caçadores de Leões (1951); Androcles e o Leão (1952); Demetrius e os Gladiadores (1954); O Cálice Sagrado (1954); Os Dez Mandamentos (1956); Tarzan e a Tribo Nagasu (1958); Os Bravos Morrem de Pé (1959); Audazes e Malditos (1960); Spartacus (1960); Terra Bruta (1961); O Homem que Matou o Facínora (1962); Os Três Desafios de Tarzan (1963); Gengis Khan (1965); 7 Mulheres (1966); Tarzan e o Silêncio Mortal (1966); Shalako (1968); Era Uma Vez no Oeste (1968); A Colina dos Homens Maus (1969); Marcados Pela Vingança (1972); Keoma (1976); A Maldição das Aranhas (1977); Gritos na Noite (1981); Os Vigilantes (1982); Resgate no Vietnã (1982); O Regresso do Corcel Negro (1983); Cotton Club (1984); Assassinato na Louisiana (1987); Posse: A Vingança de Jessie Lee (1993); Rápida e Mortal (1995).

Jack Elam (1920–2003)









Areia Movediça (1950); Ódio Implacável (1950); O Diabo Feito Mulher (1952); Matar ou Morrer (1952); O Forasteiro (1952); Os Quatro Desconhecidos (1952); Almas Selvagens (1953); Os Bravos Não se Rendem (1954); Vera Cruz (1954); Tarzan e os Selvagens (1955); A Morte num Beijo (1955); O Tesouro de Barba Rubra (1955); O Rei do Laço (1956); Sem Lei e Sem Alma (1957); Assassino Público Número Um (1957); O Covil da Morte (1959); O Último Por-do-Sol (1961); Os Comancheros (1961);  Heróis do Texas (1963); Raça Brava (1966); Satã, O Urso Cinzento (1966); O Pistoleiro do Rio Vermelho (1967); Sartana não Perdoa (1968) Era uma Vez no Oeste (1968); Uma Cidade Contra o Xerife (1969); Rio Lobo (1970); Latigo, o Pistoleiro (1971); Pat Garrett e Billy the Kid (1973); Pony Express: A Saga de Jimmy (1976); O Viking (1978); Cactus Jack, o Vilão (1979); Quem Não Corre, Voa (1981); Um Rally Muito Louco (1984); De Volta ao Oeste (1988); Ouro Para Um Pistoleiro (1988); Comando Suburbano (1991); Os Indesejáveis (1993)

domingo, 8 de março de 2020

O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA / THE MAN WHO SHOT LIBERTY VALANCE (1962) - ESTADOS UNIDOS




"QUANDO A LENDA É MAIS INTERESSANTE DO QUE A REALIDADE, IMPRIMA-SE A LENDA"
(o texto contém muitos spoilers)

O idoso e famoso Senador Ransom Stoddard (James Stewart) e sua esposa Hallie (Vera Miles) retornam à cidade de Shinbone para o funeral de um amigo: Tom Doniphon (John Wayne). A sua inesperada chegada desperta a curiosidade de alguns moradores e da imprensa local que deseja saber quem seria Tom Doniphon e qual sua importância na vida do Senador. Ransom resolve contar a história de como se tornou um político influente a partir de sua chegada naquela cidade décadas atrás e qual o impacto que Tom trouxe para sua vida. Um longo flashback se inicia.


Analisar filmes de John Ford (1894–1973) não é uma das tarefas mais fáceis. Ford foi um dos raros poetas épicos do cinema, tão associado ao faroeste (mas atuante em outros estilos) como Hitchcock ao suspense. Em 51 anos de carreira dirigiu 133 filmes e conquistou quatro Oscar. Trouxe John Wayne e James Stewart que, sob sua batuta, criaram duas caracterizações memoráveis. Nunca tinham atuado juntos antes deste filme. Elevou Lee Marvin até então da categoria de "papéis de bandido" a ser conhecido como "o bandido". Trouxe Ken Murray (1903–1988), após 24 anos de inatividade, para viver o doutor Willoughby. Filmou em preto e branco quando os grandes Westerns já haviam sido exibidos em cores, houve rumores de que o apertado orçamento só comportava esse formato; que quisera mostrar o filme de uma maneira mais crua; ou até mesmo que fora para esconder a idade avançada de Wayne (1907–1979) e Stewart (1908–1997) que interpretavam personagens 20 anos mais novos - talvez seja tudo isso ou nada disso - Ford era imprevisível. O cineasta aqui exalta o herói e o condena quando não há mais uma razão de ser. Ford já tinha visto o auge e a decadência do faroeste e, aos 67 anos, com um olhar mais auspicioso, resolveu transportar para tela a queda de uma era e de um gênero, um revisionismo clássico. Ford (ou John Martin Feeney, nome de batismo) não merece uma análise, mas um estudo. Mas há muitos livros e artigos que já o fizeram e ainda o fazem. Então vamos dissecar um pouco o filme



O faroeste americano está inserido dentro da cultura americana porque sua origem propriamente dita começa com o branco americano desbravando o Oeste. Homens determinados; brutos; pistoleiros solitários da América selvagem, quase tudo era decidido no gatilho mais rápido ou poderio de fogo. Nesse contexto temos a chegada Ransom Stoddard, um homem urbano que se formou como advogado e, a conselho do pai, foi para onde seus serviços seriam melhor aproveitados: o Oeste Sem Lei. Próximo à cidade a diligência em que se encontra é assaltada e o advogado acaba por ser espancado por Liberty Valance, o bandido mais temido da cidade. Tom Doniphon o encontra bem ferido e o leva para a estalagem administrada por um casal sueco e uma jovem a quem Tom deseja constituir matrimônio e é correspondido: Hallie (Vera Miles). Ramson pede ao Xerife local que cumpra seu dever e prenda Liberty só que descobre que o homem da insígnia tem muito medo (temos aqui a impotência da lei). Tom lhe avisa que livros e leis não significam nada naquela localidade e que há duas opções para Ramson: comprar uma arma ou ir embora da cidade. Temos uma primeira impressão dos personagens: Tom acredita que tipos como Liberty só podem ser contidos na bala, no enfrentamento, Ramson luta pelo que considera certo, mantém-se firme aos seus ideais e quer que a lei seja feita. Ou seja: Não há um Estado a cuidar de seus cidadãos. Os donos de gados não querem o "território sem lei" incorporado ao Estado, o querem sob suas regras e Liberty é a mão que mantém os habitantes "na linha".




O filme é repleto de analogias, ironias e metáforas:
"O homem que matou Liberty Valance", não é o homem que matou Liberty Valance, uma ironia do destino na qual a lenda criada em torno do evento é rechaçada pelo seu beneficiário, que carrega permanente culpa de ter usurpado a glória e a mulher de outro;



Hallie pede auxílio ao homem que a ama (Tom) para salvar o homem que ela agora ama (Ransom);



Ford leva Tom à solidão e frustração amorosa por este não estar preparado para um novo período que vem surgindo. É a renúncia de seus sonhos para que os outros possam realizar os próprios. É queda do herói e a elevação do homem simples anteriormente desprezado. É a insólita exegese de um herói involuntário;

A chegada do progresso, representado pela linha férrea, empurra os gunfighters, gunslinger e os hired guns do velho oeste para o ostracismo. É a chegada do novo homem: uma alusão a substituição do Homo Erectus na Ásia e de Homo Neanderthalensis na Europa pelo Homo Sapiens. É o fim dos cavaleiros vagando pelos prados, no horizonte, como um símbolo (Shane, de Os Brutos Também Amam), a agir como um vingador solitário. Há uma nova ordem social não mais pelo meio de armas, mas por recursos jurídicos; A ironia trágica que Ford constrói é que o mundo idealista de progresso trazido pelo advogado só consegue se instalar na região porque o homem da força realizou o trabalho sujo nas sombras.

O domínio territorial do facínora é derrotado pelo voto, mostrando que nação o povo deseja ter, mas ainda é através da violência que Ramsom será obrigado a resolver sua questão, uma tremenda ironia, de que, no final das contas, um homem "moderno"(ou a América) resolva seus problemas pelas armas (basta ver as questões dos EUA - uma América que não consegue escapar de seu passado violento). As armas estão no cerne da cultura americana mesmo com as constantes transformações da sociedade;

A carruagem empoeirada em um velho galpão (no início do filme) e a chegada de Ramson em um trem mostram a transição do antigo para o moderno, o fim de uma era. É o enterro das diligências;



A personagem de Ransom não esboça um sorriso no rosto: é o pessimismo, a contrariedade de perceber-se em terras dominadas pelo medo, pelo atraso, pela indiferença política, sem lei, sem deveres e direitos onde a pistola era o que determinava o vencedor da contenda, o apaziguador da situação, mesmo que esta fosse, no fim das contas, injusta;

O editor do jornal diz: "Aqui é o Oeste, senhor. Quando a lenda é maior que o fato, publique-se a lenda". Ou seja: ”entre a lenda e a realidade publica-se a lenda" - a imprensa prefere a lenda para manter a ilusão de seus heróis sem defeitos ou mitos em prol do fato ou da verdade (alguém lembra do final de "As Aventuras de PI"?);



Tom é um homem de ação e poucas palavras que cuida de seus próprios assuntos, não se interessa por debates e retóricas: observe seu olhar de ódio à retórica, nos discursos da Convenção;



No momento em que Tom e Liberty se encaram no bar, reparem que há uma liga de sustentação ao fundo que funciona como uma linha que divide o bem do mal, posteriormente, Ramson fica no meio de ambos como que mostrando que uma nova ordem está surgindo para aqueles homens, que a lei começará a analisar as contendas;



 Mesmo com a ajuda de Tom para aprender a usar uma arma, Ramsom jamais conseguirá ser um bom atirador. Esse momento mostra qual o inevitável destino do advogado se resolver confrontar Liberty em seus termos;



As leis chegaram, o herói (Tom), como entidade mística, deve desaparecer, ficar no passado ou tentar se adaptar a um novo mundo que o assusta e na qual que não se percebe nele. Não por acaso, Tom está nas sombras quando atira: é um prenúncio do herói do velho Oeste indo para o ostracismo;



A frase de Hallie: "Este país costumava ser um deserto. Agora é um jardim. Você ajudou a fazê-lo" é uma alusão direta ao trabalho de Ford - ele ajudou a criar um gênero, o arquétipo do herói para o cinema (e John Wayne foi sua maior personificação), agora é hora do adeus ao Western clássico, pois os tempos mudaram (eram os anos 60 nos EUA, época de profundas transformações). E Ramson deseja voltar e descansar onde tudo começara. É Ford mostrando-se disposto a descansar de um gênero que o consagrou. Normal quando vemos que os filmes noir, neo-realismo, as matinês, a novelle vague também tiveram o seu ápice e sucumbiram silenciosamente frente ao passar dos novos modelos.




Ford sempre soube escalar muito bem seu elenco, que muitas vezes convocava os mesmos atores em várias produções. Escalar Wayne e Stewart, duas estrelas de Hollywood, cujos filmes lotavam os cinemas pode parecer uma bela estratégia de marketing e também algo perigoso: a idade avançada dos protagonistas poderia afastar o público, mas Ford sabia que esses atores, independentemente da idade, saberiam como agir em cena e num filme rico de alegorias era imprescindível ter ótimos atores. Lee Marvin está igualmente ótimo como o vilão, que desde a primeira cena passamos a odiar, e ainda tem como um dos companheiros o ator (aqui ainda compondo elenco) Lee Van Cleef que ficaria famoso em outro gênero do faroeste: o Faroeste Spagetti, outra ironia, visto que Cleef saía de uma era e entrava em outra nesse gênero: outros moldes, outros públicos, outros heróis. Vera Milles (Hallie) saiu-se muito bem como a mulher desejada por dois homens. Começa apaixonada por um homem "bruto" e acaba por se apaixonar por um homem culto, idealista e de boas maneiras. Woody Strode (Pompey), outro ótimo ator, mas subestimado por Hollywwod, foi protagonista de "Audazes e Malditos" também de Ford e pode ser lembrado por suas participações em filmes de Tarzan de Ron Ely, Jock Mahoney e Gordon Scott. Edmond O’Brien (já possuía um Oscar), como editor de jornais, rouba todas as cenas e tem atuação destacada. John Carradine, como o homem que declama seus princípios em prol dos donos de gado, é outro que rouba a cena. Seu modo de falar me pareceu muito como uma inspiração para o personagem Cyrus (Roger Hill), líder das gangues, assassinado no filme Warriors - Os Selvagens da Noite.


O Homem que Matou o Facínora (adaptado de uma história de Dorothy M. Johnson - também escritora de "Um Homem Chamado Cavalo") é um faroeste intimista, diferente, sem índios ou grandes espaços naturais que fala sobre a morte, sobre uma transição triste, mas inevitável, de uma antiga ordem social para a sociedade moderna como a conhecemos hoje. Narra a morte do velho oeste e de seus heróis, homens sacrificados às necessidades de uma sociedade em crescimento. É o adeus de Ford a um período da história americana que ele amava, um folclore que ele ajudou a criar, ao mostrar que todas as lendas foram mitificadas para se tornarem parte da história. Um filme atemporal e tipo por muitos como um dos melhores filmes do gênero.



Curiosidades:
Filmado totalmente em estúdio, sem locações

A Novela Roque Santeiro fez uma homenagem ao filme em uma de suas cenas



Quase nenhum vestígio do antigo Shinbone pode ser encontrado no início e no final do filme.

John Wayne sugeriu Lee Marvin para o papel de Valance depois de trabalhar com ele em "Os Comancheros" (1961).

John Wayne estava com 54, James Stewart com 53 e Woddy Strode com 47 anos

O único membro do elenco que conseguiu se safar de quase tudo no set foi Lee Marvin. John Ford o apreciou não apenas por sua atuação e pelo serviço da Segunda Guerra Mundial como fuzileiro naval, mas também pela genuinidade de Marvin como pessoa. Um dia, Ford entrou no set e Marvin assobiou alto entre os dentes. A tripulação congelou, certa de que haveria problemas. Em vez disso, Ford apenas sorriu, porque reconheceu que o que Marvin estava fazendo era apitar o almirante e mandar o diretor "a bordo".

John Ford considerou escalar um jovem ator como Stoddard, mas temia que isso destacasse o fato de John Wayne ser velho demais para interpretar Doniphon.

Durante as filmagens, John Wayne já sofria de câncer de pulmão, embora não tenha sido diagnosticado até 1964.

Edmond O'Brien disse: "Eu nunca vi John Ford mais feliz do que ele em fazer isso; ele entrava no set radiante positivamente todas as manhãs, e isso não era o habitual com ele". O'Brien também disse que todos os envolvidos pareciam gostar de fazer o filme.

De acordo com Woody Strode, John Wayne ficou tão chateado pelo abuso de John Ford que ele quase o feriu. Enquanto filmava uma cena exterior em uma carroça puxada por cavalos, Wayne quase perdeu o controle dos cavalos e empurrou Strode para longe quando este tentou ajudá-lo. Quando os cavalos pararam, Wayne tentou brigar com o jovem e mais apto Strode; Ford gritou: "Não bata nele, Woody, precisamos dele". Mais tarde, Wayne disse a Strode: "Temos que trabalhar juntos. Ambos temos que ser profissionais". Strode culpou Ford por quase todo o atrito no set. "Que filme miserável de se fazer", acrescentou.

Este foi o último filme de John Ford em preto e branco.

John Ford foi bastante duro com John Wayne durante as filmagens. Alguns atribuíram isso à idade de Ford e à crescente impaciência com o cinema. Outros dizem que ele se ressentiu de Wayne porque poucas cenas nas quais Ford trabalhou sem crédito para o filme de Wayne, O Álamo (1960), realmente chegaram às telas. Um dia, quando Wayne sugeriu casualmente uma pequena mudança de cena, Ford perdeu a paciência e gritou: "Jesus Cristo, eu te tirei dos Westerns de oito dias, eu te coloquei em grandes filmes e você me dá uma sugestão estúpida assim! "




Quando Dutton Peabody volta bêbado para o escritório de seu jornal, ele recita parcialmente o discurso de Saint Crispin's Day do "Henry V" de William Shakespeare. O discurso, dado pouco antes do exército de Henrique V derrotar uma força francesa superior, prenuncia a próxima batalha armada entre Ransom Stoddard e o pistoleiro Liberty Valance.

Lee Marvin (Liberty Valance), Strother Martin (Floyd) e Lee Van Cleef (Reese) já haviam aparecido juntos juntos no episódio do seriado Além da Imaginação: The Grave (1961), que foi ao ar em 27 de outubro de 1961.

Segundo Lee Van Cleef, John Wayne foi escalado por insistência do estúdio. John Ford ressentiu-se da intrusão do estúdio e retaliou provocando Wayne incansavelmente durante as filmagens. Van Cleef disse: "Ele não queria que Duke [Wayne] pensasse que estava fazendo algum favor a ele".

Sergio Leone disse que este era seu filme favorito de John Ford porque "era o único filme em que ele [Ford] aprendeu sobre algo chamado pessimismo".

Nos pôsteres promocionais do filme, James Stewart aparece primeiro; no entanto, no próprio filme, a personagem de John Wayne aparece primeiro, seguida pela de Stewart. Além disso, o estúdio ordenou que todos os gerentes de teatro colocassem o nome de Wayne antes de Stewart em seus letreiros.

John Ford preferiu fazer um mínimo de tomadas, dizendo que, após as primeiras, os atores se cansavam e suas atuações careciam de espontaneidade. Por isso, ele gostava de trabalhar com as mesmas pessoas várias vezes (a famosa "empresa de ações" da Ford)), porque podia contar com elas para saber o que ele queria com eficiência na primeira tentativa

No início do filme, na cena em que Vera Miles chega perto da casa queimada de John Wayne, é tocada a música de A Mocidade de Lincoln (1939), de John Ford.

James Stewart realmente gostava de John Ford e estava ansioso para trabalhar com ele novamente, especialmente porque ele estava menos do que feliz com o desenvolvimento de seu personagem improvável em Terra Bruta (1961), mas estaria interpretando um cidadão e idealista de destaque neste filme.

Este foi o terceiro filme de Woody Strode com John Ford, depois de Audazes e Malditos (1960) e Terra Bruta (1961). Ele sempre dava crédito à Ford por torná-lo ator e o chamava de "o melhor diretor para quem já trabalhei".

A certa altura, Dutton Peabody, editor de jornais que bebe muito, se refere aos bandidos como "Liberty Valance e seus Myrmidons". Os myrmídons eram figuras da mitologia grega antiga, guerreiros habilidosos na Ilíada de Homero, comandada por Aquiles. Por serem conhecidos por sua lealdade feroz ao líder, o termo passou a ser usado na Europa pré-industrial quase como "robôs" seriam hoje. De acordo com o Oxford English Dictionary, o termo passou a significar "contratado rufião" ou "um seguidor leal, especialmente aquele que executa ordens sem questionar, protestar ou ter piedade - seguidores inquestionáveis".

Existem fotografias de todo o elenco sentado ao redor de uma mesa para o que era uma tradição de John Ford: hora formal do chá no set.

É muito provável que seja a mesma diligência utilizada em Galante e Sanguinário (1957), emprestada à Paramount pela Columbia.

O elenco relativamente pequeno possui uma parcela impressionante dos vencedores do Oscar. Todos os quatro atores principais levaram para casa o Oscar por atuar durante suas carreiras, John Wayne, James Stewart, Lee Marvin e Edmond O'Brien.

Lee Van Cleef disse mais tarde que não tinha boas lembranças de trabalhar com John Wayne neste filme.

Embora se afirme que seria óbvio que Valance foi morto por uma bala de rifle, isso simplesmente não é verdade. Era muito comum - e econômico - os homens do velho oeste portarem uma pistola e um rifle de ação de alavanca que compartimentavam a mesma munição. Isso ainda é verdade nos tempos modernos, onde Winchesters e outros rifles do velho oeste estão disponíveis em uma variedade de calibres de pistola.

John Ford também dirigiu James Stewart e John Wayne em "Alcoa Premiere: Flashing Spikes" (1962). Stewart e Wayne apareceram juntos novamente no filme final de Wayne, "O Último Pistoleiro" (1976), e também estavam no elenco de "A Conquista do Oeste" (1962), mas em segmentos diferentes.

Este foi o segundo filme de John Ford com Vera Miles (Rastros de Ódio (1956)) e Jeanette Nolan (Terra Bruta (1961)).

Vera Miles foi casada com o ator Gordon ("Tarzan") Scott entre 1952 e 1959.

O cantor Gene Pitney  fez a música para o filme, mas acabou não sendo incluída 
















Bastidores:



Como seria se fosse colorido. Teria o mesmo impacto ?

O cantor James Taylor regravou a música:




Colaboração John Ford & John Wayne (Cinema e TV)
Minha Mãe (1927);  Quatro Filhos (1928); Justiça do Amor (1928);  A Guarda Negra (1929);  Em Continência (1929);  Galanteador Audaz (1930);  Homens Sem Mulheres (1930);  No Tempo das Diligências (1939);  A Longa Viagem de Volta (1940);  Fomos os Sacrificados (1945);  O Céu Mandou Alguém (1948);  Sangue de Heróis (1948);  Legião Invencível (1949);  Rio Bravo (1950);  Paixão de Toureiro (1951); Depois do Vendaval (1952);  Caminhos Ásperos (1953); Screen Directors Playhouse (1955–1956) - Episodio: Rookie of the Year (1955);   Rastros de Ódio (1956);  Asas de Águia (1957);  Wide Wide World (1955–1958) - Episodio: The Western (1958); Marcha de Heróis (1959); O Álamo (1960); Caravana (1957–1965) - Episódio: The Colter Craven Story (1960); . Alcoa Premiere (1961–1963) - Episodio: Flashing Spikes (1962); A Conquista do Oeste (1962); O Homem que Matou o Facínora (1962);

Colaboração John Ford & James Stewart (Cinema e TV)
Terra Bruta (1961);  Alcoa Premiere (1961–1963) - Episódio: Flashing Spikes (1962);  A Conquista do Oeste (1962);  O Homem que Matou o Facínora (1962); Crepúsculo de Uma Raça (1964)

John Ford & Woody Strode
Audazes e Malditos (1960); Terra Bruta (1961); O Homem que Matou o Facínora (1962);  7 Mulheres (1966)

Filmografia Parcial:

John Wayne (1907–1979)










No Tempo das Diligências (1939); Indomável (1942); Sangue de Heróis (1948); Legião Invencível (1949); Rio Bravo (1950); Sangue de Bárbaros (1956); Rastros de Ódio (1956); O Bárbaro e a Geisha (1958); Onde Começa o Inferno (1959); O Álamo (1960); Os Comancheros (1961); O Homem que Matou o Facínora (1962); A Conquista do Oeste (1962); Quando um Homem É Homem (1963); A Maior História de Todos os Tempos (1965); Os Filhos de Katie Elder (1965); El Dorado (1966); Os Boinas Verdes (1968); Heróis do Inferno (1968); Jamais Foram Vencidos (1969); Bravura Indômita (1969); Rio Lobo (1970);McQ - Um Detetive Acima da Lei (1974); Justiceiro Implacável (1975); O Último Pistoleiro (1976).

James Stewart (1908–1997)










Entre a Honra e a Lei (1935); Rose Marie (1936); Amemos Outra Vez (1936); Ciúmes (1936); Garota do Interior (1936); O Sétimo Céu (1937); O Último Gangster (1937); Que Papai não Saiba (1938); O Último Beijo (1938); Do Mundo Nada se Leva (1938); Nascidos para Casar (1939); A Mulher Faz o Homem (1939); A Vida é uma Comédia (1940); A Felicidade Não se Compra (1946); Sublime Devoção (1948); Festim Diabólico (1948); A Conquista da Felicidade (1948); Winchester '73 (1950); Flechas de Fogo (1950); Na Estrada do Céu (1951); O Maior Espetáculo da Terra (1952); E o Sangue Semeou a Terra (1952); O Preço de um Homem (1953); Sortilégio do Amor (1958); Anatomia de um Crime (1959); A História do FBI (1959); O Homem que Destrói (1960); Terra Bruta (1961); O Homem que Matou o Facínora (1962); A Conquista do Oeste (1962); Papai Não Sabe Nada (1963); Crepúsculo de Uma Raça (1964); O Voo do Fênix (1965); O Último Tiro (1968); O Preço de um Covarde (1968); Cheyenne (1970); O Último Pistoleiro (1976); Aeroporto 77 (1977); A Magia de Lassie (1978); Direito de Morrer (1983); Um Conto Americano: Fievel Vai para o Oeste (voz - 1991)

Lee Marvin (1924–1987) 










Conspiração do Silêncio (1955);  Taverna Maldita (1955); 7 Homens Sem Destino (1956);  A Árvore da Vida (1957); Os Comancheros (1961);  O Homem que Matou o Facínora (1962); O Aventureiro do Pacífico (1963); Dívida de Sangue (1965); Os Profissionais (1966); Os Doze Condenados (1967); Inferno no Pacífico (1968); Meu Nome é Jim Kane (1972); A Marca da Brutalidade (1972); O Imperador do Norte (1973); Agonia e Glória (1980); Perseguição Mortal (1981); Mistério no Parque Gorky (1983); Os Doze Condenados: A Nova Missão  (1985); Comando Delta (1986)

Lee Van Cleef (1925–1989) 










Matar ou Morrer (1952); Homens em Revolta (1952); A Volta dos Irmãos Corsos (1953); O Monstro do Mar (1953); Sua Lei é Matar (1953); Flechas em Chamas (1954); A Princesa do Nilo (1954); Dinastia do Terror (1954); Império do Crime (1955); O Salário do Pecado (1955); Sangue de Bárbaros (1956); O Rei do Laço (1956); Marcado para a Morte (1956); Sem Lei e Sem Alma (1957); O Homem dos Olhos Frios (1957); Os Deuses Vencidos (1958); Estigma da Crueldade (1958); O Homem que Luta Só (1959); Quadrilha do Inferno (1961); O Homem que Matou o Facínora (1962); A Conquista do Oeste (1962); Por uns Dólares a Mais (1965); O Dia da Desforra (1966); Três Homens em Conflito (1966); A Morte Anda a Cavalo (1967); Dias de Ira (1967); Sabata, o Homem que Veio para Matar (1969); Duelo dos Homens Maus (1971); A Fúria dos 7 Homens (1972); Cavalgada Infernal (1975); O Grande Golpe (1978); Octagon, Escola de Assassinos (1980); Fuga de Nova York (1981); O Mestre (seriado 1984); Resposta Armada (1986); A Corrida Maluca (1989) 

Vera Milles (1929 - )











A História de Rose Bowl (1952); Investida de Bárbaros (1953); Tarzan e os Selvagens (1955); Rastros de Ódio (1956); O Homem Errado (1956); Algemas Quebradas (1959); A História do FBI (1959); Quase um Criminoso (1960); Psicose (1960); Esquina do Pecado (1961); O Homem que Matou o Facínora (1962); Um Tigre Caminha pela Noite (1964); Somente os Fracos Se Rendem (1965); Nunca é Tarde para Amar (1966); Heróis do Inferno (1968); A Vida é um Desafio (1970); Uivos no Silêncio da Noite (1971); A Great American Tragedy (1972); O Pequeno Índio (1973); O Trem Desgovernado (1973); Live Again, Die Again (1974); Corrida Para a Vitória (1977); Psicose 2 (1983); Helen Keller, o Milagre Continua (1984); Um Romance Muito Perigoso (1985); Dupla Personalidade (1995)


Woody Strode (1914–1994) 











Caçadores de Leões (1951); Androcles e o Leão (1952); Demetrius e os Gladiadores (1954); O Cálice Sagrado (1954); Os Dez Mandamentos (1956); Tarzan e a Tribo Nagasu (1958); Os Bravos Morrem de Pé (1959); Audazes e Malditos (1960); Spartacus (1960); Terra Bruta (1961); O Homem que Matou o Facínora (1962); Os Três Desafios de Tarzan (1963); Gengis Khan (1965); 7 Mulheres (1966); Tarzan e o Silêncio Mortal (1966); Shalako (1968); Era Uma Vez no Oeste (1968); A Colina dos Homens Maus (1969); Marcados Pela Vingança (1972); Keoma (1976); A Maldição das Aranhas (1977); Gritos na Noite (1981); Os Vigilantes (1982); Resgate no Vietnã (1982); O Regresso do Corcel Negro (1983); Cotton Club (1984); Assassinato na Louisiana (1987); Posse: A Vingança de Jessie Lee (1993); Rápida e Mortal (1995).

John Carradine (1906–1988)











Os Miseráveis (1935); O Jardim de Allah (1936); No Tempo das Diligências (1939); O Cão dos Baskervilles (1939); Vinhas da Ira (1940); Vinhas da Ira (1940); Capitão Kidd (1945); Johnny Guitar (1954); Os Dez Mandamentos (1956); A Volta ao Mundo em 80 Dias (1956); A História da Humanidade (1957); As Aventuras de Huckleberry Finn (1960); Tarzan, O Magnífico (1960); O Homem que Matou o Facínora (1962); O Otário (1964); Crepúsculo de Uma Raça (1964); Na Trilha dos Homens Maus (1970); Sexy e Marginal (1972); A Sentinela dos Malditos (1977); O Grande Búfalo Branco (1977); Grito de Horror (1981); O Espantalho (1982); A Mansão da Meia-Noite (1983); Piratas das Galáxias (1984); Peggy Sue, Seu Passado a Espera (1986); Confusão nas Estrelas (1986); A Semente do Mal (1987); Enterrado Vivo (1990); Halloween - A Maldição Está de Volta! (1995)



Fontes:
Revista Cinemin nº 68
Guia de Video Nova Cultural
Jornal do Comércio
Jornal do Brasil
Jornal O Globo
1001 filmes Para se Ver Antes de Morrer
The Harvard Crimson
Tribuna da Imprensa
Variety
L.A Times
N. Y Times
New Yorker
IMDB
Wikipedia