O ÓDIO DERROTA A TODOS
Vencedor
de 6 prêmios no II Festival Paulínia de Cinema, Olhos Azuis , filme brasileiro,
com atores nacionais e estrangeiros é uma grata surpresa apesar de pouco
conhecido.
O filme aborda, de uma forma bem dramática, a tentativa de um grupo de pessoas, de várias nacionalidades, de tentar entrar em solo americano, passando antes pelo setor de imigração no aeroporto JFK. Neste ambiente encontra-se o agente da imigração Marshall Stevens (David Rasche, conhecido entre nós pelo popular seriado oitentista “Na Mira do tira” e do filme com Tom Selleck “A Revanche Final”) e o brasileiro Nonato (Irandhir Santos de “Tropa de Elite 2” e “Cinema, Aspirinas e Urubus”) principais protagonistas deste ensaio sobre o xenofobismo americano.
O filme aborda, de uma forma bem dramática, a tentativa de um grupo de pessoas, de várias nacionalidades, de tentar entrar em solo americano, passando antes pelo setor de imigração no aeroporto JFK. Neste ambiente encontra-se o agente da imigração Marshall Stevens (David Rasche, conhecido entre nós pelo popular seriado oitentista “Na Mira do tira” e do filme com Tom Selleck “A Revanche Final”) e o brasileiro Nonato (Irandhir Santos de “Tropa de Elite 2” e “Cinema, Aspirinas e Urubus”) principais protagonistas deste ensaio sobre o xenofobismo americano.
A
ação alterna-se entre Estados Unidos e Brasil, no presente, passado e
futuro de Marshall. Este vai ao interior do Brasil, sem falar
português, tentar localizar uma menina chamada Luiza conseguindo a ajuda
da prostituta Bia (a ótima Cristina Lago) . O filme segue uma ordem
cronológica: a primeira cena é de Marshall em uma penitenciária pensando em
suas atitudes, depois, seu último dia como chefe na imigração, bêbado,
rancoroso em ter que se aposentar, humilhando a todos. E, posteriormente, no
Brasil já com falência renal. O filme mostrará várias dessas cenas e o
espectador, aos poucos, começará a entender a lógica do filme.
Entre os viajantes humilhados daquele dia está Nonato, brasileiro,
professor, nordestino, com residência fixa em solo americano, que conseguiu
vencer no país das grandes oportunidades, tornando-se empresário e voltando de
nosso país onde fora rever a filha. Marshall fará de tudo para que o brasileiro
não entre no solo americano, destilando todo o seu ódio, arrogância, xenofobia,
sadismo, crenças e valores sobre a decadente sociedade americana e o papel que
os imigrantes nela tem, além da paranoia a respeito do 11 de setembro
americano. Nonato, diante da pressão exercida por Marshall e da impotência dos
ajudantes em conter o fiscal, será levado a um stress imediato, violentíssimo,
que o espectador a certa altura conseguirá perceber o seu resultado.
O grande mérito de Olhos Azuis está dividido em vários pontos:
primeiro, o trio de atores David Rasche, Irandhir Santos e Cristina Lago
carregam a dramaticidade perfeita para a trama. A atuação de Rasche é visceral
e talvez este seja um dos melhores papéis de sua carreira. Irandhir está
perfeito como o incrédulo brasileiro que teve sua vida transformada
instantaneamente em um inferno sem saber o porquê. Cristina Lago mostra-se uma
excelente atriz, revelando angústia e compaixão, necessários às cenas em solo
brasileiro. Erica Gimpel e Frank Grillo, como os atônitos assistentes de
Marshall, deram consistência a trama. E, claro, o excelente roteiro de Paulo
Halm e a direção segura de José Joffily (Dois Perdidos em uma Noite
Suja) que teve a seu dispor apenas 1, 8 milhão, quantia irrisória, frente as
produções americanas de centenas de milhões.
O filme é uma tentativa de se discutir não se os Estados Unidos estão
certos ou errados, mas sim o modo como são tratadas as pessoas que por lá
passam, alguns não tão honestos em seus propósitos, como ilustrado no filme,
que mostra, paralelamente, outros visitantes aguardando o visto de entrada .
Conforme entrevista de seu diretor, foi baseado em um fato acontecido com um
amigo que foi extraditado mesmo tendo residência nos Estados Unidos e, por ter
vendido sua casa no Brasil, ficou sem moradia, sendo acolhido pelo cineasta. Os
atores que contracenaram no "aquário", ou seja, na locação onde seria
posto de imigração, até o início das gravações, não haviam se comunicado o que
contribuiu para os diálogos mais ásperos, necessários à trama. A ida de Marshall,
moribundo, à pobre cidade de Petrolina em Recife, conhecendo a dura realidade
da qual Nonato viera, coloca abaixo todos os seus preconceitos e teorias que
destilou sobre o brasileiro, inclusive a de que os latinos tinham inveja dos
americanos por terem “olhos azuis”. Não há como confrontar a realidade.
Marshall busca redenção, uma forma de compensar toda a sua loucura daquele dia.
Ele sabe que nada quer fizer mudará as atitudes que cometeu. Bia passa a ser
sua guia e anjo da guarda, sua tão desejada redenção. A jovem, que ajuda
Marshall e serve como tradutora, procura algo na vida que não encontrou quando
foi embora de casa a acabou prostituindo-se. No meio da viagem com Marshall,
volta à casa do avô e encontra desesperança. Em uma ótima cena, Marshall
resolve explicar tudo o que aconteceu e o motivo de sua chegada. Bia absorve e
resolve traduzir a história do modo que acredita ser mais humano e menos
prejudicial.
No
cômputo final vale a muito a pena ser conferido, pois é um filme que levanta
discussões em vários aspectos sendo muito bem realizado.
Trailer:
Premiações:
Festival do Cinema Brasileiro de Miami: Melhor ator (Irandhir Santos) e Melhor Direção de Fotografia
Festival do Cinema Brasileiro de Miami: Melhor ator (Irandhir Santos) e Melhor Direção de Fotografia
12º festival do Cinema Brasileiro em Paris: Irandhir Santos e David Rasche dividiram o prêmio de melhor ator, o chamado ex aequo, uma expressão oriunda do latim que significa de igual mérito
2º
Festival de Paulínia (2009): Melhor Filme; Melhor Ator Coadjuvante (Irandhir
Santos); Melhor Atriz (Cristina Lago); Melhor Roteiro, Melhor Montagem e Melhor
Som
Grande Prêmio Cinema Brasil (2011): Melhor Trilha Sonora Original (Jaques Morelenbaum)
Curiosidades:
David
Rasche se surpreendeu por ser tão popular no Brasil com seu personagem Sledge
Hammer (Na Mira do Tira), uma série que parodiava Clint Eastwood e seus “Dirty
Harry”. O ator também achou curioso o fato do país da Bossa Nova não ter locais
onde se possa ouvir o estilo
Na Mira do Tira 1986 -1988 |
Breve filmografia:
Irandhir Santos:
Cinema, Aspirinas e Urubus (2005); Baixio das Bestas
(2006); Besouro (2009); Tropa de Elite 2: O Inimigo Agora é Outro (2010); A
Febre do Rato (2011); O Som ao Redor (2012); Obra (2014); Permanência (2014); A Luneta do Tempo (2014); Aquarius (2016); Velho Chico (novela 2016); Redemoinho (2016); A Mesma Parte de Um Homem (2021); Amor de Mãe (seriado 2019-2021); Enquanto o Céu Não Me Espera (2021)
David Rasche:
A Melhor Defesa É o Ataque (1984); Stallone Cobra (1986); A Revanche
Final (1989); Guerra dos Sexos (1997); Recém-Casados (2003); Sentinela (2006);
Vôo United 93 (2006); A Conquista da Honra (2006); MIB³: Homens de Preto 3
(2012); O Casamento do Ano (2013); Freedom (2014); Paper Spiders (2020); The Good House (2021); Succession (seriado 2018-2021)
Bruna
Surfistinha (2011); Éden (2013); Malhação (seriado 2016); Pacto de Sangue (série 2018); Magnífica 70 (série 2018); Na Corda Bamba (novela portuguesa -2019); Silence of the Rain (2020)
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