A BELA QUE É FERA
A jovem Irena Gallier
(Nastassja Kinski) chega a Nova Orleans, vinda da Europa, para conhecer e morar
com seu irmão, Paul (Malcolm McDowell), e a misteriosa governanta deste, Femole
(Ruby Dee). A dupla foi separada quando criança, após o falecimento dos pais, em
um misterioso suicídio. Irena passa a frequentar
o zoológico local, onde gasta horas desenhando felinos, em especial, uma pantera
negra. O acaso faz com que conheça o zoólogo chefe, Oliver Yates (John Heard)
pela qual se sente apaixonada, sendo correspondida.
Enquanto Paul passa a
desaparecer frequentemente, surge uma onda de ataques que, segundo a polícia,
parece ser obra de um enorme felino. Após um desses ataques, a fera é capturada
sendo levada para o zoológico. A Pantera ataca o tratador e Oliver resolve
sacrificar o animal, mas descobre junto com sua assistente Alice (Annette
O'Toole) que misteriosamente este desapareceu. Para a surpresa de Irena, Paul
reaparece em casa e lhe confidencial algo insólito: eles são os últimos
descendentes de uma raça que durante o ato sexual, que não entre eles, se
transformam em panteras assassinas normalmente matando seus parceiros para retornar a forma
humana. Paul sugere a Irene que vivam juntos para controlarem a maldição, mas
esta o repudia e foge de suas investidas evitando o relacionamento bizarro,
gerando assim sua fúria. Irena passa a acreditar
que, se fizer amor, ela se transformará em uma pantera e matará Oliver.
A Marca da Pantera não é um
remake do original, exceto no sentido técnico, tendo pouca ou nenhuma
semelhança com o original: a ênfase é diferente, a história é diferente e os
personagens são diferentes, mas é considerada uma sensual refilmagem de “Sangue de Pantera” (1942), cujo original do diretor Jacques Tourneur era revestido de contenção e
sutileza forçando o imaginário popular. Neste novo exemplar, há a introdução de
uma mitologia do “povo-gato” (“cat people”) que se inicia com um prólogo
antropológico na qual uma outrora milenar e desconhecida tribo, vivendo em um
local inóspito, é vista amarrando suas donzelas no covil de panteras negras que
pendem das árvores, sendo oferecidas como sacrifício, estabelecendo assim a
herança de Irena e Paul. O diretor Schrader, formado em Teologia e Filosofia, atualizou
e revestiu seu thriller de erotismo apostando que o público daria o aval, mas este
não entendeu muito bem sua proposta e, assim, como “Enigma do Outro Mundo” (“The
Thing”) de John Carpenter fez pouco dinheiro, mas o filme de Carpenter teve melhor acolhida na
memória e no coração dos cinéfilos ao transcorrer das décadas. Quanto à
crítica, a maioria fez a comparação ao original e as avaliações nem sempre
foram as melhores.
A estória dos seres que metamorfoseiam-se
em panteras durante o ato sexual, vivendo atrelados a uma maldição passada de
geração para geração é bem interessante. A Marca da Pantera, como já dito,
difere-se e muito do clássico dos anos 40, mostrando-se obras distintas cada
qual com suas qualidades e defeitos. Há a percepção de certo virtuosismo
estético que deu ao filme um ar cult e a repetição de certos elementos de “Sangue
de Pantera”: a associação de sexualidade com maldição (só que aqui revestido de
mais sangue e sexo anos 80) e há uma
manutenção (até certo ponto) da sugestividade psicológica do original. Só que este exemplar nos
brinda com uma musica incidental “expressionista” (de Giorgio Moroder) dando
tensão às cenas; possui efeitos especiais de última geração para a década de 80
(um contraste com as transformações efetuadas pelas graciosas sobreposições de
imagens sucessivas das décadas anteriores) e um design geral bem perceptível. E
o final marcado com “Putting Out the Fire” (Theme from Cat People) de David Bowie - é surpreendentemente bem
encaixado.
Paul Schrader (mais
conhecido por ter sido roteirista de dois filmes clássicos de Martin Scorsese: “Taxi
Driver” (1976) e “Touro Indomável” (1980)) transpôs para as telas (após a desistência
de Roger Vadim, em 1980) o roteiro de Alan Ormsby (de "Cuidado com Meu Guarda-Costas" (1980) e "Porky's 2: O Dia Seguinte" (1983)) revestido de duas narrativas
paralelas: a primeira, envolve o aprofundamento das relações entre a irmã, o
irmão e o curador do zoo. Temos um triângulo amoroso dos mais complexos: Irene
teme Paul porque teme o incesto. Ela ama Oliver, mas amá-lo significa matá-lo,
em contrapartida, Oliver percebe onde está se metendo, mas sente uma atração
que o impede de fugir de Irena. A outra narrativa envolve a busca por um felino
que vem aterrorizando em plena cidade grande: Irena sabe que é Paul, Oliver se surpreende
com que Irena acredita, mas em algum momento essa estória de cunho insólito o
levará para a constatação de uma realidade perigosa.
O elenco é muito competente: Nastassja Kinski, aos 21 anos, funcionou para o que o roteiro pretendeu: fugir do erotismo subtextual anos 40 protagonizado pela atriz Simone Simon, atualizado para um erotismo mais explicito anos 80. Sua presença hipnotiza os personagens e a plateia e sua mudança gradativa de jovem tímida e recatada para uma pretensa felina devoradora de homens é convincente o suficiente (não há como não me lembrar da música “Maneater” de Hall and Oates: “Ooooh here she comes / She's a maneater!…” – “Oh aqui vem ela / Ela é uma devoradora de homens…”, apesar do filme e canção serem do mesmo ano, é apenas uma coincidência...ou, pelo menos, acredita-se que seja). O filme apostou na nudez da atriz em várias cenas, mas Kinski provaria ser uma grande atriz ao longo de sua filmografia. Malcolm McDowell apresenta novamente um personagem controverso, sombrio, intenso, esquisito e de brio ameaçador bem ao estilo de seus trabalhos anteriores como “A Laranja Mecânica”, mas nunca atingindo aquela icônica performance. Seu personagem que considera Irena sua tábua de salvação imprime uma aura de violência, muitas vezes implícita, impedindo o filme de cair na armadilha de fazer mais rir do que assustar, ruína de muitos filmes que se atrevem em temas controversos. Seu personagem foi um acréscimo que não existia na versão original. Annette O'Toole (“Smallville: As Aventuras do Superboy”), como Alice, é uma variação da personagem interpretada por Jane Randolph. Nesta produção revisitada, seu papel perde o destaque e fica mais para segundo plano, mas participa de uma das três sequências retiradas do filme original: a da piscina (a terceira é Irene no Zoológico desenhando e sendo perseguida). Já John Heard interpreta um personagem completamente distinto de seu paralelo na outra versão. Também funciona para o que o roteiro propôs, mas parece que seu fetichismo interior foi pouco elaborado em prol da dupla central. A personagem Femole (na dublagem, e “Female” no original) de Ruby Dee (1922–2014) também não existia no original e tentou-se imprimir um suspense ou cumplicidade com o personagem de McDowell. Ed Begley Jr (do seriado “Better Call Saul”) tem uma cena de impacto ao ser atacado pela pantera na jaula e só.
A Marca da Pantera é um
filme que merece uma revisitação depois que foi lançado em Blu Ray nos Estados Unidos. Tem bons
efeitos, uma ótima fotografia, mas revela-se em alguns momentos longo possuindo pouco mais de duas horas de projeção. Compará-lo com “O Sangue de Pantera” talvez
não seja a melhor alternativa, visto que o filme dos anos 40 mudaria
radicalmente o estilo dos filmes de terror na década de 1940: sairiam os horrores
explícitos de Frankenstein, Lobisomen & Cia e entraria a imaginação da plateia
compartilhando a estória dos filmes. A Marca da Pantera não foi um filme
revolucionário ao seu tempo, mas pode ter sido subestimado como um interessante
e macabro conto moderno. Há boas qualidades no filme como fotografia, efeitos e
música. Hoje o filme é menos impactante que na época, chegando a passar nas
emissoras americanas com um final alternativo.
Trailer:
Curiosidades (contém importantes
spoilers )
A atriz Bo Derek (“Mulher
Nota 10”) estava originalmente programada para desempenhar o papel principal
que acabou indo para Nastassja Kinski.
William Hurt foi considerado
para o papel de Oliver Yates.
As espécies de grandes
felinos neste filme eram panteras negras, na verdade leopardos. O termo pantera
é um termo genérico para qualquer gato grande. As panteras neste filme são
leopardos, sua cor preta distinta é derivada de um traço genético recessivo
conhecido como melanismo.
Kinski interpreta uma
mulher-gato neste filme e ela é filha de Klaus Kinski, que ficou famoso por
interpretar outra criatura da noite alguns anos antes, como o vampiro em
Nosferatu: O Vampiro da Noite (1979).
“Putting Out the Fire” de
Bowie foi utilizado pelo diretor Quentin Tarantino em uma sequência de
Bastardos Inglórios ( 2009).
Schrader fotografou mais
nudez de Kinski do que a atriz estava confortável. Ele então adicionou muito
disso ao filme em retaliação por Kinski ter desistido de seu relacionamento
turbulento durante a produção. Depois de terminar o filme, ela fugiu para Paris
com Schrader em seu encalço.. Uma versão desta história está resumida no livro
"Easy Riders, Raging Bulls", de Peter Biskind.
Filme final do atriz Berry
Berenson, que interpretou a atendente da piscina da YWCA, Sandy. Ela se
aposentou da atuação para se concentrar na vida de casada, na criação de seus
filhos e em sua carreira na fotografia. Ela faleceu em 11 de setembro de 2001,
como um dos passageiros do voo 11, que atingiu o World Trade Center.
Depois de concluir esse
trabalho, o diretor Paul Schrader fez uma longa pausa nos filmes de Hollywood.
Lynn Lowry, que interpretou
a prostituta Ruthie, disse que teve que fazer sua própria cena quando caiu da
escada. Porque ela estava de calcinha, ela não podia usar estofamento. Ela
acabou fazendo a cena 17 vezes até que Paul Schrader ficou satisfeito. Para
piorar ainda mais, ele disse a ela que queria que seu sutiã se abrisse e
revelasse seus seios quando ela chegasse ao fundo. Ela achou que era uma ideia
ridícula, mas aceitou. Em uma entrevista a revista “Femme Fatales” anos depois,
ela disse: "Basicamente, acho que Paul queria tirar uma foto dos seios de
todas as mulheres do filme. Era ele ou o estúdio, mas alguém queria. Todas as
mulheres de fora de Ruby Dee”
Aparentemente, o diretor
Paul Schrader se arrependeu de usar o título de 'Cat People' após a reação
negativa a este filme ocorrer comparando-o com o original Sangue de Pantera
(1942).
Referências a Dante
Alighieri e Beatrice são espalhadas no filme, refletindo a visão de Paul
Schrader de que a obsessão de Oliver por Irena deriva de seu "complexo de
Beatrice".
A personagem Alice Perrin
interpretada por Annette O'Toole foi interpretada por Jane Randolph tanto no
original Sangue de Pantera (1942) quanto em sua sequência A Maldição do Sangue da Pantera (1944), onde a personagem era conhecida como Alice Moore.
Em uma das cenas deletadas
deste filme, a mãe da vida real de Nastassja Kinski interpretou sua mãe meio
gata e meio humana.
Uma versão regravada da
música-título do filme, "Cat People (Putting Out Fire)", de David
Bowie, foi incluída em seu álbum de 1983 "Let's Dance", lançado pela
EMI Americana. Originalmente, Bowie queria usar a versão cinematográfica da música,
mas a MCA Records, que detinha os direitos da trilha sonora, recusou-se a
licenciá-la, pois Giorgio Moroder estava sob contrato com eles na época, e eles
não estavam dispostos a deixar a EMI usam a versão de uma música que foi
composta por um de seus artistas no novo álbum de Bowie.
Malcolm McDowell (Paul)
revelou que a cena em que ele pula na cama como um gato foi filmada com ele
pulando da cama e andando de costas para fora do quarto e descendo as escadas.
O filme foi então invertido. Esta técnica foi presumivelmente também usada para
a cena em que Paul executa um chute do chão, depois pula para o parapeito da
varanda antes de cair no chão para perseguir Irena.
Annette O'Toole (Alice) criticou
o fato de usaram pumas tingidos de preto porque os leopardos são impossíveis de
treinar.
A versão de TV americana tem
algumas cenas adicionais e um final alterado. O final alternativo ocorre quando
Oliver encurrala a pantera, que era Irena, na ponte. Na versão dos cinemas, a
pantera (Irena) pula da ponte e foge. A pantera mata um amigo de Oliver para se
tornar humana novamente e se esconde no barraco de Oliver. Oliver encontra
Irena lá e os dois concordam em fazer amor uma última vez (sabendo que ela se
tornará uma pantera novamente). A última cena do filme mostra Oliver
acariciando e alimentando a pantera (Irena) em uma jaula no zoológico. A versão
de TV americana termina na ponte quando Oliver atira na pantera (Irena) com um
dardo tranquilizante, depois corta para a cena quando ele alimenta e acaricia a
pantera (Irena) no zoológico. Isso eliminou a necessidade de editar a última
cena de amor intensa. Outra cena adicional na versão da TV mostra Irena
acidentalmente assustando um pássaro em uma gaiola até a morte apenas por sua
presença. Essa versão também apresenta breves fotos dos leopardos animatrônicos
que foram cortados no lançamento nos cinemas. Na versão dos cinermas, a música
"Sunday Kind of Love" de Ella Fitzgerald toca ao fundo durante uma
cena de jantar. Na versão da televisão, a música "Faraway Places" de
Bing Crosby é tocada.
John Heard (Oliver) revelou
como quase recusou o papel porque acreditava que era um filme pornô. Ele também
lembrou que se sentiu muito estranho, principalmente durante as cenas de nudez.
Este remake de A Marca da
Pantera (1982) foi feito e lançado na mesma época em que O Monstro do Ártico
(1951) estava sendo refeito como O Enigma de Outro Mundo (1982). Ambos os
originais eram clássicos de filmes de terror do RKO Studio.
O produtor Wilbur Stark
comprou os direitos da biblioteca RKO (produtora e distribuidora de filmes) e
pretendia refazer seus clássicos de terror com a Universal. No entanto, o
relativo fracasso de bilheteria deste filme e de O Enigma de Outro Mundo (1982)
acabou com quaisquer planos futuros de remake.
Na mesa de cabeceira de
Oliver há uma cópia do livro "Mishima: A Biography". O diretor Paul
Schrader, alguns anos depois, dirigiria Mishima: Uma Vida em Quatro Tempos
(1985) baseado em parte nessa biografia.
Ruby Dee foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por "Gangster" (2008)
Vinte e seis minutos de
filme: Irena desenhando o gato preto no zoológico é a cena com a qual o filme
original começou. A única semelhança entre as cenas dos dois filmes é que é no
mesmo local (embora horas depois) que ela conhece o protagonista.
Como a premissa dada para a raça de “Cat People” é que eles se transformam depois de fazer sexo com não-irmãos, não há razão na mudança final de Paul para sua forma de gato após a luta com Irena, pouco antes de ser baleado por Alice, pois há não havia sexo envolvido. Tampouco é dada qualquer explicação sobre como Irena foi capaz de mudar para sua forma felina, e rapidamente de volta ao seu estado humano (totalmente vestida) enquanto perseguia Alice na piscina.
Nos filmes "Tess - Uma Lição de Vida" (1979); "O Fundo do Coração" (1981) e "A Marca da Pantera" (1982) a atriz assinava como Natassia Kinski
O ator Scott Paulin que interpretou Bill Searle fez o Caveira Vermelha no filme "Capitão América" (1990)
Putting Out the Fire (Theme from Cat People) - David Bowie
Nastassja Kinski no clip da banda U2 - Stay (Faraway, So Close!) - Dir: Win Wenders
Michael McKean e Annette O'Toole na canção indicada ao Oscar "A Kiss at the End of the Rainbow" do filme " Os Grandes Músicos" (2003)
Nastassja Kinski e Marcello Mastroianni em Tentação Proibida (1978)
Malcolm McDowell e David Warner em Um Século em 43 Minutos (1979)
Annette O'Toole em "It - Uma Obra Prima do Medo" (1990)
John Heard em Depois de Horas (1985)
Scott Paulin no seriado Castle (2009)
Ruby Dee e Sidney Poitier em O Sol Tornará a Brilhar (1961)
Ed Begley Jr. no seriado "Better Call Saul" (2015)
Cartazes:
Filmografia Parcial:
Nastassja Kinski
Malcolm McDowell
Laranja Mecânica (1971); Calígula (1979); Um Século em 43 Minutos (1979); A Marca da Pantera (1982); Trovão Azul (1983); Get Crazy - Na Zorra do Rock (1983); Merlin e a Espada (1985); Assassinato em Hollywood (1988); A Guerra dos Donos do Amanhã (1989); Estação 44 - O Refúgio dos Exterminadores (1990); Jornada nas Estrelas: Gerações (1994); Experiência Mortal (1995); Mar de Fogo (2004); Halloween - O Ínicio (2007); H2: Halloween 2 (2009); O Artista (2011); Silent Hill: Revelação 3D (2012); Esqueceram de Mim 5 (2012); Natal Sangrento (2012); Ricardo: Coração de Leão (2013); Ensina-me o Amor (2014); 31 (2016); Mississippi Murder (2017); American Satan (2017); Experiment 77 (2018); Monster Butle (2019)
John Heard (1946–2017)
A Marca da Pantera (1982); Depois de Horas (1985); O Regresso para Bountiful (1985); Rebelião em Milagro (1988); A Sétima Profecia (1988); Quero Ser Grande (1988); Atraiçoados (1988); Entrega Mortal (1989); Esqueceram de Mim (1990); Tempo de Despertar (1990); Radio Flyer (1992); Gladiator - O Desafio (1992); Esqueceram de Mim 2 - Perdido em Nova York (1992); Na Linha de Fogo (1993); O Dossiê Pelicano (1993); 187: O Código (1997); Olhos de Serpente (1998); Jogo de Intrigas (2001); Edison - Poder e Corrupção (2005); Contrato de Risco (2005); O Grande Debate (2007); Sharknado (2013); Um Homem Contra Wall Street (2013); O Pacto Mortal (2015).
Annette O'Toole
O Pequeno Grande Homem (1970); Rei dos Ciganos (1978); A Marca da Pantera (1982) 48 Horas (1982); Superman III (1983); Ponte para Terabítia (1985); Armadilhas do Amor (1990); O Sonho de Oz (1990); O Beijo de um Assassino (1993); Crimes Imaginários (1994); Marcado Pelo Passado (1996); Aterrissagem de Alto Risco (1997); Smallville: As Aventuras do Superboy (seriado 2011-2011); Fútil e Inútil (2018); Afunde o Navio (2019); Virgin River (seriado 2019-2022)
Ruby Dee (1922-2014)
A História de Jackie
Robinson (1950); O Ódio é Cego (1950);
Um Homem Tem Três Metros de Altura (1957); O Sol Tornará a Brilhar (1961): O
Balcão (1963); O Poder Negro (1968); Um por Deus, Outro pelo Diabo (1972); A
Marca da Pantera (1982); Faça a Coisa Certa (1989); Armadilhas do Amor (1990);
Febre da Selva (1991); Justa Causa (1995); O Preço da Fuga (1996); A História
das Irmãs Delany (1999); Aos Olhos de Deus (2005); O Gângster (2007); Video
Girl (2011); As Mil Palavras (2012); 1982 (2013).
Ed Begley Jr
Invencíveis e Invisíveis (1972); O Pássaro Ferido (1972); Um Anjo da Guarda Muito Especial (1973); O Guarda-Costas (1976); Nas Ondas do Rádio (1977); Vivendo na Corda Bamba (1978); Galactica: Astronave de Combate (1978); Galactica: Astronave de Combate (seriado 1978-1979); Elvis não Morreu (1979); Hardcore: No Submundo do Sexo (1979); Um Casamento de Alto Risco (1979); Aeroporto 79: O Concorde (1979); Uma Professora Muito Especial (1981); Tudo por Dinheiro (1982); Médicos Loucos e Apaixonados (1982); A Força do Destino (1982); Viajantes do Tempo (1982); Get Crazy: Na Zorra do Rock (1983); Ruas de Fogo (1984); Trapalhadas na Casa Branca (1984); O Turista Acidental (1988); Luta de Classes em Beverly Hills (1989); Ela é o Diabo (1989); Até as Vaqueiras Ficam Tristes (1993); Os Puxa-Sacos (1994); Pagemaster, o Mestre da Fantasia (1994); Batman Eternamente (1995); Herói por Engano (1996); O Retorno da Família Addams (1998); Sétimo Céu (seriado 1999-2003); Perfeitos no Amor (2004); A Sete Palmos (seriado 2001 a 2005); Por Trás das Câmeras (2006); Veronica Mars: A Jovem Espiã (seriado 2006 a 2007); Segredos Fatais (2009); A Grande Luta de Muhammad Ali (2013); Dia da Namorada (2017); Chips: o Filme (2017); Portlandia (seriado 2012-2018); Do Jeito que Elas Querem (2018); Better Call Saul (seriado 2016-2022); Amsterdam (2022).
Scott Paulin
Starlog
IMDB























Luís, td bem?
ResponderExcluirAssiste A Marca da Pantera na TV, já sabendo algo, não foi uma completa descoberta.
Admito que ansiava por ver Natassya Kinski em pêlo ( de pantera ), só ela valia o filme. Mas o conjunto me impressionou na época.
Havia um visual bem resolvido, uma estória intrigante e — percebi melhor ao rever o filme — a trilha sonora contribuiu bem em criar um clima perturbador ( Giorgio Moroder está com mais de 80 anos atualmente e quase sempre colocava seus sons de sintetizador, até em filmes medievais ).
Creio que vendo como uma regravação, foi uma idéia acertada acrescentar uma origem perdida no tempo para o tal Cat People, uma mitologia ok. A questão da sexualidade ( reprimida em Irena e exacerbada beirando á insensibilidade em Paul ) era o motor do filme e dava mesmo um aspecto bizarro ao relacionamento dos irmãos. A grande falha de Paul foi ter ido com muita sede ao pote, faltou timing ao seu personagem, uma aula de como não abordar mulher alguma. Teríamos gatinhos para uma possível continuação se seu aproach fosse outro.
Interessante o papel implícito de Femole como quase uma devota sacerdotisa, num misto de adoração e subserviência.
Quanto ao elenco, John Heard e Annette O’toole estão ok ( esta, muito bonita, associei imediatamente com a Martha Kent do seriado ).
A maldição de Malcolm McDowell sempre será fazer tipos estranhos em qualquer filme e aqui não foi diferente. Creio que seu personagem poderia ter tido uma presença maior na estória, seu desespero era latente. Creio que a direção errou ao não olhar mais para isso.
Natassja Kinski estava lindamente bela e sensual. Simplesmente estar em cena já seduzia a platéia. Por isso o sucesso do filme muito se deve a ela. A conhecia — me encantava, o certo é dizer — desde Tess e O Fundo do Coração. Vi Paris, Texas muito por conta dela ( que filme chato! )
Creio que seu personagem intimamente já suspeitava que nela habitava uma outra natureza. Exatamente qual ela desconhecia, mas sua hesitação ao relacionamento íntimo vinha daí e a revelação abrupta de Paul acabou por degringolar tudo. Penso que — diferente de seu irmão — foram seus valores e sentimentos que a levaram á escolha de abandonar a vida humana ( onde viveria tentada e assediada ) e escolher a forma animal para viver seus dias. Uma decisão difícil, mas digna.
Uma pena as incoerências nas transformações de Paul e Irena como vc citou. Confundem realmente.
A Marca da Pantera não vejo como cult, um conceito difícil, seja pela geografia da cinefilia no mundo, seja pela consagração na mídia e na memória. É um filme muito interessante, creio que muito melhor que seu antecessor, e certamente tem potencial para um grande remake.
Luís, assiste também os dois predecessores desta obra. Farei um comentário em conjunto de ambos, pois acho que conversam entre si e permitem uma análise casada, vamos dizer.
Um abraço, fique bem.
Olá Mário. Tudo bem ?
ResponderExcluirTambém vi na tevê, há décadas. Na época, algumas percepções não ficaram tão claras como nessa revisitada ao filme. Pesquisar me trouxe a descoberta de que o material não era inédito, apenas sua abordagem. Já havia lido sobre Sangue de Pantera em alguma revista (Set ou Cinemin), mas passou despercebido. Era o momento de rever e constatar se o filme teria sobrevivido ao tempo. E chegamos nessa análise e nas duas outras versões.
Realmente, McDowell parece sentir-se mais confortável com personagens menos comuns. Natassja foi o grande chamariz do filme e ainda nos dias atuais, continua sendo citada por sua participação em determinados filmes. Também não considerei Paris Texas um grande filme. Quanto a questão do cult, muitos críticos passaram a classificá-lo como tal, não saberia dizer se para mim seria realmente um cult, penso que não.
A questão dos predecessores merecerem uma análise casada, creio que você possa fazê-lo, faz mais sentido . Interessante você ter buscado esses dois filmes, a maioria não se interessa nessa busca. Essa evolução do cinema, quando vemos um original e seus remakes, sempre me agradam. Um exemplo é essa nova abordagem de "O Morro dos Ventos Uivantes", uma abordagem bem diferente do livro e aberta a discussões: não se deve mexer tanto numa obra clássica ou se deve tentar criar um novo produto, atrativo e mais contemporâneo ? estou elaborando uma análise, mas condensar uma obra tão cheia de camadas em poucos parágrafos está se provando um desafio.
Mário, muito obrigado por mais esse comentário dentro das dezenas já feitas e que sempre agregam às postagens. Um grande abraço e até a próxima.