segunda-feira, 17 de junho de 2019

AS AVENTURAS DE HÉRCULES / LE AVVENTURE DELL'INCREDIBILE ERCOLE (1985) – ITÁLIA / ESTADOS UNIDOS


HÉRCULES, KING KONG E GODZILA

O filme começa com um prólogo, no qual, antes da criação do mundo, existia uma figura angelical chamada Empheria e, de sua luz, formaram-se os planetas e constelações (esqueça o surgimento do universo narrado no filme anterior, não colou). Aí veio a criação, então os deuses deram vida a uma poderosa criatura na terra (não, os "deuses" não vivem na lua, alguém não deve ter acho muito legal essa ideia do primeiro filme) chamada (claro!!!) Hércules. Aí o filme resolve colocar uma trilha sonora (até legal) com várias imagens do primeiro filme, mostrando as façanhas do nosso herói (também ficou legal, tipo um "The very Best of Hercules"). Ah, os letreiros que surgem na tela são uma cópia de Superman de 1978 (o roteirista mantém sua condição de admirador do filme). Se você perdeu o primeiro filme não tem problema, eles deram um bom resumo. A música é tocada completamente (com direito a bis!). Depois de uns sete e tantos minutos, de encheção de linguiça, o nosso filme começa. 
  


Hércules conquistou seu espaço entre os deuses por seus feitos e Zeus (novamente Claudio Cassinelli) governa tranquilo a humanidade com seus "sete raios de trovão", mas nem todo mundo concorda com o seu reinado. Hera (Maria Rosaria Omaggio), Aphrodite (Margie Newton), Flora (Laura Lenzi) e Poseidon (Nando Poggi) se revoltam contra a sua falta de tirania (só pode ser), lhe furtando e escondendo seus raios, que libertam a maldade e o caos.


Uma jovem é sacrificada em um altar para uma criatura, feita de energia, chamada "Antius". Acreditem, criaram uma criatura de desenho dentro do filme. Senti-me assistindo novamente aquele desenho antigo muito legal: "As Aventuras de Huck Finn", em que três adolescentes fugiam do "Índio Joe" indo parar dentro de um desenho, onde eram perseguidos pelo vilão. 


Uma jovem chamada Urania (Milly Carlucci) presencia o sacrifício, comunicando a sua amiga Glaucia (Sonia Viviani) que esta será a próxima. Urania vai até aos "Pequenos Seres" (para economizarem grana foram interpretados pela mesma atriz, Christina Basili) amigos de Zeus, em busca de conselho e ajuda (e dá-lhe efeitos em desenho tipo Sitio do Pica-Pau Amarelo) e estes lhe revelam que os corpos celestiais saíram de sua órbita original e que a Lua colidirá com a Terra (!!!). Quem poderá nos salvar? Antes de Chapolim Colorado existia Hércules. O cara dividiu os continentes e criou constelações com sua força (se você não viu o primeiro filme, não sabe o que perdeu) e agora terá que encontrar os tais sete raios, acompanhado das duas jovens, enfrentando o Rei Minos (aquele mesmo do primeiro filme) ressuscitado por Hera e seus amigos renegados e ajudado por Dedalus (novamente Eva Robins), cujo conhecimento de ciência, aliado aos poderes dos deuses, deseja mais do que vingança contra Hercules, ele deseja dominar os próprios deuses.


Nosso herói parte em busca dos raios que darão a Zeus paz e controle do universo. Ele encontra Urania e Glaucia e precisa enfrentar uns monstros (uma mistura ruim do “Monstro do Pântano” da DC com Pé-Grandes, fazendo o som dos Sleestaks do seriado “Elo Perdido”). Para cada bordoada deferida por Hercules pisca uma cor meio psicodélica na tela (é verdade!). Depois de derrotar as criaturas, o trio entra em uma caverna e encontram Euryale que lhes propõe conduzi-los em segurança do outro lado. Só que estátuas de pessoas, em estranhas posições, alertam Hércules de que ele está no reino da Medusa. Se você viu “Fúria de Titãs” (1980) sabe como terminará essa história, até porque foi um plágio mais do que descarado, além da Medusa ser quase igual  a composição (só que pobríssima) Stop-Motion de Ray Harryhausen (incrível não terem recebido nenhum processo nesse filme).


Nosso trio avança e enfrenta o “Senhor das Almas” (ou o que quer que seja). Dá-lhe bordoadas e vamos para o próximo desafio. Ah, cada desafio vencido é um raio conquistado (daria um ótimo game). Após vencer o terceiro desafio (e ganhar o terceiro raio) Dadelus (que é o “caos”) dá a Minus  a “Espada de Gelo” para que seu poder seja ampliado. Minus usa a ciência como arma para destruir os deuses (finalmente algo de interessante). Hércules vai ao fundo mar (mas não encontra Namor ou Aquaman) atrás do reino de Thetis e de um tal “bálsamo sagrado” que o protegerá do fogo de Antius (nem precisa dizer que o confronto foi bizarro).  


 
Continuação de Hércules 85 (1983), dirigido pelo mesmo Luigi Cossi (e novamente usando o pseudônimo de Lewis Coates), essa nova aventura tem mais ação, mais efeitos toscos e ainda assim consegue ser menos interessante. O maior defeito dessas duas produções foi não conseguir trazer o espectador para dentro do filme. Se a Cannon Group (que A América Vídeo, no Brasil, distribuía seus filmes com o slogan “Nós somos a América Vídeo e nossos filmes explodem como dinamite!” e, ao fundo, a música “Winner Takes it All” do Sammy Hagar) quis fazer um Hércules diferente daqueles dos anos 60, repaginando a estória aos anos 80, pouca coisa funcionou. Para as crianças desse período, tudo bem, era o início dos efeitos especiais e não foram poucos os filmes que trocaram roteiros e bons atores para investir em “tecnologia”, qualquer que fossem suas qualidades. Como era algo “novo”, o espectador se encantava, mas ao longo dos anos podemos ver quem sobreviveu e o que se tornou trash. A produção abandonou conceitos do filme de 1983, mas continuou com sua criatividade (isso não é um elogio). Os cenários horrorosos permanecem, inimigos que pouco metem medo idem. Até os transformados em pedra pela Medusa não se transformam efetivamente (estavam sem grana, pediram para os atores fingirem que eram estátuas e nem todos conseguiram, reparem).



 
Mas há um ponto nesse filme que há de ser destacado. Desculpem-me meio que contar o final, porém não há como não comentar esse momento mais do que constrangedor. Sabe-se lá porque o diretor acreditou que o público vibraria com essa ideia. Lá pelas tantas o inevitável confronto acontece entre Minus e Hercules. Começa com uma animação (leia-se desenho) em que se enfrentam, até que Minus vira ... um dinossauro (???!!!) e Hércules um gorila gigante (??!!!!), tipo aquele “Karas” do “Spectreman” (só que pior) ou você pode achar que é king Kong vs Godzila (será que King Kong de 2005 copiou a ideia?). Esse talvez seja um dos momentos mais bizarros que vi em filmes do gênero. Tanto que qualquer coisa que viesse depois não poderia ser pior e até Hércules crescendo (de novo) e salvando o mundo deu para aceitar. Claro que não posso deixar de citar o momento Darth Vader e Luke  (“Luke, I’m Your Father”) quando Hera manda um “Urania, Eu Sou Sua mãe" .



Quanto aos atores, Lou Ferrigno (novamente dublado) é a composição física de Hércules e novamente digo que apenas fisicamente. Agora temos Athena (Carla Ferrigno, esposa do ator), Hera (agora interpretada por outra atriz) e Eva Robin's (nascido Roberto Maurizio Coatti (!!!) como Dedalos). As belas atrizes Milly Carlucci (como Urania), Sonia Viviani (como Glaucia) e Margie Newton (como Afrodite). Nenhuma grande atuação destacar.


As Aventuras de Hércules foi uma segunda tentativa de emplacar Ferrigno como o lendário herói mitológico. O tom família (que o ator queria no primeiro filme) permanece, sendo direcionado às crianças (talvez elas gostem) e aqueles que sentem vontade de ver seus filmes de infância com aquela sensação de nostalgia. Um filme que pode ser visto como uma comédia involuntária e que pode até ser divertido se não for levado em nenhum momento a sério. Ligue a famosa “supressão voluntária da descrença”  e divirta-se.

Trailer:




Curiosidades:

Milly Carlucci (Passado e Presente)











Sonia Viviani (Passado e Presente)

 









Margit Evelyn Newton (Margie Newton ) (Passado e Presente) 

 









Poster:


















Hercules 1963 (Desenho - Abertura)



As Aventuras de Huck Finn (Episódio Completo)



Filmografia Parcial:

Lou Ferrigno

 











O Incrível Hulk (piloto); O Incrível Hulk (seriado 1977-1982); Hércules 85 (1983); Os Sete Magníficos Gladiadores (1983); As Aventuras de Hércules (1985); A Volta do Incrível Hulk (1988); Sinbad e os Sete Mares (1989); O Julgamento do Incrível Hulk  (1989); Arena da Morte (1989); A Morte do Incrível Hulk (1990); A Vingança dos Sapos Assassinos (1992); Arena da Morte 2 (1994); Hulk (2003); O Incrível Hulk (2008); The Avengers: Os Vingadores (voz - 2012); Escorpião Rei 4: Em Busca do Poder (2015); Vingadores: Era de Ultron (voz 2015); Sharknado 3: Oh, Não!  (2015); Instant Death (2017); Purge of Thrones (2018)


William Berger (1928–1993)












O Expresso de Von Ryan (1965); A Grande Noite de Ringo (1966); Gringo (1967) O Harém (1967); Se Encontrar Sartana, Reze pela sua Morte (1968); Sabata, o Homem que Veio para Matar (1969); Sartana no Vale dos Gaviões (1970); Eu Sou Sartana (1971); O Carrasco da Mão Negra (1972); O Justiceiro de Deus (1973); Karatê no Oeste Selvagem (1973); O Preço da Ousadia (1974); Terminal (1974); Keoma (1976); Esposamante (1977); Santa Lucia (1979); A Garota de Trieste (1982); O Escarlate e o Negro  (1983); La guerra del ferro: Ironmaster (1983); Hércules (1983);  Hanna K. (1983); Shark: Rosso nell'oceano (1984); As Aventuras de Hércules (1985); A Estória de Bill Johnson  (1985); Tex Willer e os Senhores do Abismo (1985); Berlin Affair (1985); O Submarino da Morte  (1986); Les amazones du temple d'or (1986); A Morte de Empédocles (1987); Django - A Volta do Vingador (1987); Grite por Socorro (1988); Maya, O Ritual do Fogo (1989); Dr. Mabuse e o Seu Destino (1990); A Morte Veste Vermelho  (1990); A Amante do Rei (1990); Jungle of Fear  (1993)

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