sexta-feira, 25 de maio de 2018

O MENSAGEIRO DO DIABO / NIGHT OF THE HUNTER (1955) - ESTADOS UNIDOS


IMAGÉTICO

Durante  a depressão um pai de família assalta um banco e é baleado.  Ao chegar em casa, perseguido pela polícia, Ben Harper (Peter Graves) resolve esconder o fruto do roubo e comunica ao seu filho e filha que jamais deverão revelar onde o dinheiro fora escondido. Já preso, durante um sono, Ben acaba deixando escapar em voz alta que seus filhos sabem o destino de vultosa soma. Harry Powell (Robert Mitchum), companheiro de cela, um homem perigoso, serial killer não revelado, que se denomina um reverendo, preso por roubo de um carro, cumprindo seis meses de prisão, elabora um plano após a execução de seu companheiro de cela: ir até a casa de Ben, desposar sua outrora esposa e arrancar dos filhos a localização do dinheiro.


O Mensageiro do Diabo é um filme bem curioso, tanto pela obra em si como suas histórias de bastidores.  Em sua estreia não foi bem recebido pela crítica, o que gerou um fracasso comercial,  tanto que o ator britânico Charles Laughton (1899–1962) revelou que jamais dirigiria outro filme. Hoje o filme é reverenciado, consta da maioria da lista de melhores filmes e  Robert Mitchum (1917–1997) teve seu melhor desempenho na carreira, conforme o próprio revelaria em sua autobiografia.


O tema, um homem que utiliza a fé para fazer  o mal assustava muito. Atualmente diante do panorama que vivemos, isso pode ser considerado até como factível.  E o filme utiliza isso com supremacia. Ben Harper se apresenta (aos incautos) como um religioso que "ajudava presos" e que resolveu liderar outros rebanhos. Chega na cidade e conquista a simpatia dos habitantes. Casa e humilha tanto a esposa (negando-se a cumprir matrimônio), Willa Harper (Shelley Winters), que esta fica tão desnorteada passando a acreditar no marido e não nos próprios filhos. Cerca as pequenas crianças e as ameaça. Usa sua fala mansa para convencer os vizinhos que "suas crianças" são muito difíceis. As crianças pedem ajuda à mãe, mas sua devoção cega ao novo marido é uma barreira.  Só que Willa descobre quem Ben realmente é (na verdade nem chega perto do que ele é) e agora era virou uma peça descartável nesse perverso jogo de caçador e caça. Sua capa de pastor protestante o torna um cidadão que as pessoas não pensam em duvidar. Suas conversas, em particular, com Deus, são de amor e ódio. Talvez o que carregue na alma seja o que  demonstre tatuado em seus dedos: na direita a palavra love (amor) e na esquerda hate (ódio). Um binômio expresso de forma poderosa. Quatro letras para quatro dedos e uma história criada para justificar aos outros as inscrições e tentar convencer a si próprio que no fim não refere-se a si próprio.


A singularidade deste filme apresenta-se em vários momentos: a transformação em imagens do livro de Davis Grubb que pinça, em elementos centrais, fortes vertentes (muitas vezes díspares) como: a defesa da família, moralismo, culpa, pobreza,  religiosidade, referências bíblicas; a excelente fotografia em preto e branco que realça as luzes de forma soberba;  uma cena de um impacto assustador: a da mulher no fundo do lago; a estória escrita em forma de um conto de fadas perverso com as inquietudes humanas;  o canivete como símbolo de um objeto fálico, a misoginia do personagem, a coruja (Ben) caçando o coelho (as crianças); Ben (a serpente) invadindo o paraíso, (de Rachel - o refúgio das crianças), uma interessante analogia bíblica; uma alegoria entre o  bem (Rachel) e o mal (Ben); as locações externas substituídas por painéis pintados (devido o orçamento modesto); o chapéu com as abas que, dependendo do ângulo da câmera, parecem a forma de chifres .... Aspectos que muitos consideram como um ar de criatividade e genialidade.


Quanto ao elenco Robert Mitchum (um ator sempre subestimado) está soberbo como o vilão maníaco e obsecado pelo dinheiro que tentará conseguir a qualquer custo. Shelley Winters pouco aparece, mas sua cena no lago tornou-se inesquecível. A musa do cinema mudo,  Lillian Gish, é o excelente contraponto que o roteiro procurava para confrontar o demoníaco personagem de Mitchum. O momento em que, de espingarda na mão, protege as crianças e acompanha a canção do pastor, "Leaning on the Everlasting Arms" é um dos grandes momentos do filme. Peter Graves, conhecido pelo antigo seriado "Missão Impossível", faz uma rápida aparição como Harry Powell. As crianças, Billy Chapin (John) e Sally Jane Bruce (Pearl), pararam cedo. Ele em 1955, e ela nesse mesmo filme.


Mensageiro do Diabo é um clássico do cinema gótico americano e foi uma obra subestimada em sua época, mas o tempo criou fãs entusiastas  que a classificaram como "única" e "obra prima". Tornou-se uma espécie de filme favorito de vários cineastas por sua composição soturna e singular, com ângulos bem inspirados e uma direção primorosa. Rico em dualidades e tensão. Teve uma versão para a Tevê, de mesmo título,  com Richard Chamberlain, em 1991.

Trailer:


Curiosidades:
O roteirista James Agee foi dos mais dos mais famosos críticos americanos

A sequência com Powell montando um cavalo à distância era, na verdade, uma pequena pessoa em um pônei. Foi filmado em falsa perspectiva.

O assassino em série americano, nascido na Holanda, Harry Powers (Herman Drenth), foi a inspiração para o pregador.

Shelley Winters disse "esta foi a performance mais atenciosa e reservada que já fiz". 

Jane Darwell, Ethel Barrymore, Helena Hayes, Agnes Moorehead, Louise Fazenda e Elsa Lanchester foram consideradas para o papel de Rachel Cooper. 

Charles Laughton originalmente ofereceu o papel de Harry Powell a Gary Cooper, que o rejeitou como sendo possivelmente prejudicial para sua carreira.  John Carradine e Laurence Olivier também foram considerados para o papel de Harry Powell.

Incluído entre os "1001 filmes que você deve ver antes de morrer", editado por Steven Schneider.

O filme está incluído na lista "Great Movies" de Roger Ebert.  

Incluído na lista dos 400 filmes do "American Film Institute" de 1998. Nomeado para o Top 100 Melhores Filmes Americanos


Breve documentário (com legendas em inglês automática)

 
 
Filmografia Parcial:
Robert Mitchum (1917–1997)
















Jamais Fomos Vencidos (1943); Nevada (1944); Também Somos Seres Humanos (1945); Fuga do Passado (1947); Macao (1952); O Rio das Almas Perdidas (1954); Mensageiro do Diabo (1955); O Céu é Testemunha (1957); O Círculo do Medo (1962); O Mais Longo dos Dias (1962); As Duas Faces da Lei (1964); El Dorado (1967); A Filha de Ryan (1970); Operação Yakuza (1974); A Arte de Matar (1978); Os Amantes de Maria (1984); Os Fantasmas Contra Atacam (1988); Homem Morto (1995)


Lillian Gish (1893–1993)
















O Nascimento de Uma Nação (1915); Intolerância (1916); Lírio Partido (1919); Horizonte Sombrio (1920); Órfãs da Tempestade (1921); Irmã Branca (1923); A Letra Escarlate (1926); Ódio! (1927); Os Comandos Atacam de Madrugada (1942); Duelo ao Sol (1946); Mensageiro do Diabo (1955); O Passado Não Perdoa (1960); Nunca é Tarde para Amar (1966); Cerimônia de Casamento (1978); Doce Liberdade (1986); Baleias de Agosto (1987)


Shelley Winters (1920–2006)
 
















Um Passo em Falso (1949); Winchester '73 (1950); Anjo de Vingança (1950); Um Lugar ao Sol (1951); Fúria de Paixões (1951); Um Homem e Dez Destinos (1954); Pacto de Honra (1954); Mensageiro do Diabo (1955); O Tesouro de Pancho Villa (1955); Morrendo a Cada Instante (1955); O Diário de Anne Frank (1959); Homens em Fúria (1959); Algemas Partidas (1960); Lolita (1962); A Vida Íntima de Quatro Mulheres (1962); A Maior História de Todos os Tempos (1965); Caçador de Aventuras (1966); Como Conquistar as Mulheres (1966); Violência nas Ruas (1968); Fúria Audaciosa (1970); Obsessão Sinistra (1971); A Morte da Inocência (1971); O Destino do Poseidon (1972); Cleópatra Jones (1973); Jornada do Pavor (1975); O Inquilino (1976); Tentáculos (1977); A Iniciação de Sarah (1978); Uma Ponte Chamada Esperança (1984); Alice no País das Maravilhas (1985); Comando Delta (1986); Retratos de Uma Mulher (1996); Gideon - Um Anjo em Nossas Vidas (1998) La bomba (1999)

Peter Graves (1926 - 2013)
 
















O Inferno Nº 17 (1953); Ao Sul de Sumatra (1953); Mundos que Se Chocam (1954); Mensageiro do Diabo (1955); O Rio dos Homens Maus (1956); O Começo do Fim (1957);  O Grito do Lobo (1974); Apertem os Cintos... O Piloto Sumiu (1980); Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu! - 2ª Parte (1982); A Família Addams II (1993); As Damas de Hollywood (2001).

Fontes:
Revista Set - Cinema e Video
Guia de Filmes Nova Cultural
1001 Filmes Para se Ver Antes de Morrer
Jornal The Guardian
Jornal O Globo
Jornal do Brasil

quinta-feira, 24 de maio de 2018

O NOCAUTE DE JERRY / THE HAMMER (2007) - ESTADOS UNIDOS



DIREÇÃO E ATUAÇÕES INSPIRADAS

No dia em que completa 40 anos, Jerry Ferro (Adam Carolla) briga com seu chefe sendo despedido do emprego de carpinteiro. Ao chegar em casa e comunicar o fato à namorada é largado por esta que o considera uma pessoa sem iniciativa e que poderia estar em um emprego muito melhor,  ganhando consideravelmente mais. Jerry fica na casa do seu amigo Oz (que fora despedido com ele) até que surge a oportunidade de trabalhar em uma academia boxe de um amigo. Ao fazer um treinamento, Jerry atrai a atenção de um agenciador que pede que "lute" com um lutador profissional que também estava no local treinando (um momento hilário). Ao nocautear, facilmente o jovem lutador, recebe um convite para tentar se classificar nas prévias de seleção para as olimpíadas de 2008, visto que fora um antigo vencedor, ainda jovem, nas "luvas de ouro". 
Jerry, que também dá aulas de ginástica, conhece Lindsay, uma aluna, e a convida para sair. Enquanto o casal se conhece melhor, Jerry se prepara para o torneio que poderá levá-lo  às Olimpíadas, apesar de ser questionado pelos outros jovens atletas quanto a sua idade e possibilidades. Só que o agenciador talvez não tenha sido totalmente honesto com ele.


Há muitos "Jerrys" em Jerry e há muitas "Lindsays" em Lindsay e isto talvez seja o grande atrativo do filme. Jerry é um homem que chegou aos 40 anos  sem ser o que a sociedade considera como um vencedor. Um homem de princípios que não aceita sofrer diárias ironias de um patrão prepotente. Um homem que entrou para o boxe novo, teve uma ascensão meteórica, ainda como amador e que, simplesmente, um dia, desistiu, abandonando tudo e resolvendo apenas ter uma profissão e viver sua vida. Mas há contas a pagar e namoradas a agradar. Ser apenas o que deseja não é uma opção numa sociedade que valoriza atributos e valores, não qualidades. Lindsay vê isso em Jerry: integridade, simpatia e simplicidade. Ela que se tornou defensora pública poderia estar advogando para causas mais vultuosas, mas resolveu seguir ajudando as pessoas e tendo uma vida simples. Jerry e Lindsay são tão parecidos no fim das contas. Só que a falta de perspectiva faz com que o seu passado o empurre novamente nos trilhos, ainda que tardiamente. Lutar aos 40 anos? Ir para as olimpíadas numa idade em que muitos já pararam? Jerry segue o fluxo. Lindsay parece ser a mulher de sua vida, mas o destino prega uma nova peça no casal: ela recebe uma oportunidade, imperdível, de se transferir para outra cidade e conseguir um ótimo e vantajoso emprego. Jerry segue vencendo, encontra um rival a altura: Robert Brown (Harold House Moore), jovem, rápido e considerado um futuro campeão, ainda que inexperiente. Só um pode ir para as Olimpíadas. Ambos seguem ganhando, ambos seguem seus sonhos. Um está iniciando sua jornada no boxe e outro, teoricamente, deveria estar terminando. Quem seguirá e quem ficará?



O Nocaute de Jerry é um filme simples com várias qualidades: fala do amor verdadeiro; fala de alcançar seus objetivos; fala da busca pela verdadeira felicidade em prol de uma vida confortável; fala em tomar a decisão certa, ainda que isto tenha um preço; fala de se ter integridade e caráter e ajudar o próximo; fala sobre a amizade; fala de como a sociedade trata os que estão na casa dos 40. 
A eficiência com que a estória nos é revelada é um dos trunfos do filme: as coisas vão acontecendo aos poucos, o relacionamento amoroso é mais moderado (fruto da idade dos protagonistas), as lutas são convincentes (algo raro no gênero). Tudo recheado de um humor fino e bom gosto. Um filme que vai numa crescente, com um final muito bem pensado que pegará alguns espectadores de surpresa.


A razão do filme ser desconhecido?  talvez um dos maiores motivos tenha sido o seu fracasso comercial. O filme não se pagou, conseguindo apenas metade do valor arrecado nos EUA (conforme site do IMDB). E, provavelmente, o seu maior empecilho: o filme recebeu da censura americana o código de censura ”R”, apenas para maiores de 18 anos (abaixo de 17, somente acompanhado dos pais). O mais curioso é que o filme não contém nenhum dos elementos característicos desta condição: violência, nudez, cenas de sexo ou uso de drogas. Talvez tenha sido por uns poucos palavrões.  As lutas de boxe, ainda que muito boas, não possuem a brutalidade que são expostas em certos filmes atuais.  Ou seja: foi o beijo da morte para a produção. O filme não arrecadou e o interesse por parte dos distribuidores ficou restrito. Por aqui andou passando no Telecine Touch.



Adam Carolla, boxeador amador e veterano da televisão a cabo americana, consegue surpreender com o seu "Hammer" ("Martelo" em inglês) apelido que conquistara como amador, mas por ter se tornado desconhecido pensam que é por ser carpinteiro. Heather Juergensen, que foi coprodutora do filme, junto com Carolla, fez uma Lindsay com uma ótima química com o Jerry de Adam. A atriz terminou sua (pouca) filmografia cinematográfica nesse longa.  Uma pena. Oswaldo Sanchez faz um Ozzie "Oz" divertido. O fiel escudeiro de Jerry é um amigo para todas as horas, ainda que tenha um bem vindo sarcasmo para criticar o amigo quando necessário. Oz é uma espécie de Pancho Villa a acompanhar seu amigo em seus sonhos. Harold House Moore dá credibilidade ao seu personagem, Robert Brown, um jovem talentoso que quer agarrar a chance de poder ser um campeão mundial e que vê, aos poucos, em Jerry, alguém mais do que um simples rival.



Vez por outra surge um filme desconhecido, de forma despretensiosa e que acaba sendo uma grata surpresa. O Nocaute de Jerry é um desses filmes. De baixíssimo orçamento, com uma direção (de Charles Herman-Wurmfeld  de "Legalmente Loira 2") e atuações inspiradas. Um filme pouco conhecido e difícil de ser encontrado.


Trailer:





Curiosidades:

O ginásio apresentado no filme foi construído por Adam Carolla e Oswaldo Castillo durante os anos de Adam como carpinteiro. Depois de completar o ginásio, Adam deu aulas matinais de boxe e Oswaldo foi contratado como o responsável da manutenção. 

O filme seria lançado em direto em DVD até Adam Carolla insistir que o filme fosse lançado nos cinemas. Ele arrecadou aproximadamente  $ 300 mil de seu próprio dinheiro para impressões e promoção a fim de financiar um lançamento limitado.

A rápida aparição da atriz Jane Lynch  do seriado "Glee"












Trilha Sonora:
Eye of the Tiger -  Survivor
You -  Bad Religion
Alive & Amplified - The Mooney Suzuki
Ring of Fire - John Oszajca



Poster:


 















 



Filmografia Parcial:
Adam Carolla
Splendor - Um Amor em Duas Vidas (1999); Louco Por Você (2000); As Aventuras de Frank McKlusky (2002); O Nocaute de Jerry (2007); A Casa Animada (seriado 2004 a 2007); A Casa Animada: O Filme (voz- 2010); Detona Ralph  (VOZ -2012).

Heather Juergensen
Beijando Jessica Stein (2001); Red Roses and Petrol (2003); Mansão Mal-Assombrada (2003); O Nocaute de Jerry (2007);

Harold House Moore
O Nocaute de Jerry (2007); Guardian of Eden (2012); Single Ladies (2011 a 1015); All Eyez on Me: A História de Tupac (2017);  Secrets (2017).

quarta-feira, 23 de maio de 2018

VÍRUS / CARRIES (2009) - ESTADOS UNIDOS




“ME SURPREENDA SENDO BOM”
 
Brian (Chris Pine), Bobby (Piper Perabo), Danny (Lou Taylor Pucci) e Kate (Emily VanCamp) são quatro jovens que se dirigem para a costa litorânea americana, em meio a um vírus que parece ter dizimado a maior parte da população mundial.



No meio do caminho encontram um pai (Christopher Meloni) com sua filhinha doente (Kiernan Shipka) que pede um pouco de gasolina. O quarteto, mesmo tendo um pouco de gasolina resolve não repartir e segue em frente até que seu carro quebra na estrada e são obrigados a caminhar de volta até o carro daquele que negaram ajuda. Este homem, Frank, informa estar levando sua filha Jodie até um centro de tratamento que, aparentemente, encontrou uma forma de combater a doença. O agora sexteto segue viagem até o local com pai e filha isolados na parte traseira do carro e os jovens receosos de pegarem a misteriosa e fatal doença.



Vírus ("Carries" no original - algo como "transmissores") tem um roteiro muito inteligente. A estória é usada como pano de fundo para mostrar a face do ser humano em situações limítrofes. Brian é um jovem que parece não se importar com nada ou ninguém. A ideia que passa é que primeiro vem a sua sobrevivência e depois a do seu grupo. Suas regras são simples: evitar áreas povoadas, não entrar em contato com possíveis infectados, não tocar em algo que não tenha sido desinfectado (o vírus sobrevive por 24 horas), fazer o que for preciso e não olhar para trás. Bobby é a namorada de Brian. O ama, mas não aprova por completo as atitudes imaturas do namorado ou seus métodos.  Bobby é o irmão caçula de Brian, mas não tem voz ativa no grupo. Segue as loucuras e regras do irmão. É o mais ingênuo e de bom coração. Mas, em meio ao caos, há como não se brutalizar? Kate é a única sem vínculos afetivos com o grupo. Sua origem, como os demais, não é demonstrada. Por ser uma estranha, o melhor é ficar calada e não causar qualquer atrito.



O interessante é que praticamente todos os eventos que se seguirão se originem da falta de humanidade e egoísmo do grupo. Ao não darem um pouco da sua gasolina para um homem parado no meio do nada, com a sua filhinha doente, eles acabam mudando o curso dos acontecimentos e tudo se altera para pior. Vingança divina ou o ser humano brutalizado em sua essência e egoísta em prol de seus princípios?  E se o espectador  pensa que tudo permanecerá neste ato isolado terá um ledo engano.  As situações "do cada um por si" se sucederão de forma mais contundentes, mas não surpreendentes. Sim, há aqueles que em meio ao caos mantêm-se íntegros (aliás, são nesses momentos que o ser humano prova quem ele sempre foi na verdade). E a discussão do que molda o caráter das pessoas é inevitável. Pessoas de caráter permanecerão assim ou seriam apenas máscaras disciplinadas por regras sociais? As que foram criadas em um ambiente de competitividade conseguirão se ver nesse espelho distorcido? Talvez um dos melhores momentos seja, quando Bobby pergunta a Brian, porque este age daquela forma e a resposta deste vem numa colocação a respeito do comportamento de Bobby. Uma inesperada resposta.



Chris Pine evoluiu muito depois desse filme,  fazendo a nova franquia “Star Trek” e participando de “A Mulher Maravilha”. Seu papel caiu como uma luva no ator. Lou Taylor Pucci (de "A Música Nunca Parou"), como o caçula, com o ar ingênuo, é outro que se destaca,  mas é Christopher Meloni (de "Eu Sou a Fúria") que, com pouco tempo em cena, consegue um dos melhores momentos do filme. Piper Perabo e Emily VanCamp não tem muito destaque, mas não comprometem.



É um filme seco, direto, que não se perde em elucubrações. Um filme que mostra as situações e deixa para o espectador a sua análise. Uns se indignarão com as atitudes do grupo, outros verão  como o único meio de sobrevivência. Difícil julgar sem vivenciar. No final são as crenças e valores de cada um que permearão seus pensamentos e atitudes.

Trailer:





Curiosidades:
Embora filmado no final de 2006, Vírus não foi lançado pela Paramount até setembro de 2009, após o sucesso da aparição de Chris Pine em Star Trek, lançado no início de 2009.

Trilha Sonora:
Ugly Face - Nina Nastasia
June Light - Jack Trombey
Moon Dawg 65 -  Davie Allan & The Arrows
Sweet Potato -  Imperial Teen
Rollercoaster -  M. Ward
Disco 1 -  The Mess Hall  


Filmografia Parcial:
Chris Pine














O Diário da Princesa 2: Casamento Real (2004);  Sorte no Amor (2006); Encontro às Escuras (2006); O Julgamento de Paris (2008); Star Trek (2009);  Vírus (2009); Além da Escuridão: Star Trek (2013); Operação Sombra: Jack Ryan (2014); Quero Matar Meu Chefe 2 (2014);  Os Últimos na Terra (2015); Horas Decisivas (2016); Star Trek: Sem Fronteiras (2016); A Qualquer Custo (2016); Mulher-Maravilha (2017); Uma Dobra no Tempo (2018); Homem-Aranha no Aranhaverso (voz - 2018)


Christopher Meloni
 
 












Júnior (1994); Os 12 Macacos (1995); Medo e Delírio (1998); Oz (seriado 1998-2013); Noiva em Fuga (1999); Vírus (2009); Lei e Ordem: Unidade de Vítimas Especiais (seiado 1999-2011); 42: A História de uma Lenda (2013); O Homem de Aço (2013); Pássaro Branco na Nevasca (2014); Sin City: A Dama Fatal (2014); O Diário de uma Adolescente (2015); Eu Sou a Fúria (2016); Assalto ao Poder (2016).

Lou Taylor Pucci
 
 










 
O Tempo de Cada Um (2002);  Más Companhias (2005); Nação Fast Food: Uma Rede de Corrupção (2006);  Southland Tales: O Fim do Mundo (2006);  Informers - Geração Perdida (2008);  Os Cavaleiros do Apocalipse (2009); Vírus (2009); Duelo de Bravos (2011); Primavera (2014); Marcas da Possessão (2015) 

Piper Perabo
 
 











Assunto de Meninas (2001); Doze é Demais (2003); O Terceiro Olho (2004); Edison - Poder e Corrupção (2005);  A Caverna (2005); Doze é Demais 2 (2005); Marcas do Passado (2006); O Grande Truque (2006); Minha Mãe Quer Que Eu Case (2007); Entre a Vida e a Morte (2008); Looper: Assassinos do Futuro (2012); Dentro do Labirinto Cinzento (2015); Borboleta Negra (2017)

Emily VanCamp
 















Assunto de Meninas (2001); O Chamado 2 (2005); Everwood: Uma Segunda Chance (seriado 2002 a 2006); Vírus (2009); Capitão América 2: O Soldado Invernal (2014);  A Garota do Livro (2015); Capitão América: Guerra Civil (2016); The Resident (seriado 2018).