quarta-feira, 8 de julho de 2020

MAD MAX: ALÉM DA CÚPULA DO TROVÃO / MAD MAX: BEYOND THUNDERDOME (1985) - AUSTRÁLIA



"DOIS HOMENS ENTRAM, UM HOMEM SAI"

Quinze anos após os eventos vistos em Mad Max II a civilização, como conhecida, é apenas uma memória. Os carros movidos a gasolina não existem mais, nem os criminosos nesses outrora possantes carros. Homens caminham como nômades a coletar resquícios de uma sociedade que ficou para trás. Nesse ambiente vemos Max em uma charrete improvisada com camelos sendo atacado por um pequeno avião biplano, cujo piloto, Jedediah e seu filho acabam por se apropriar. Max segue o trajeto do avião e descobre Batertown (“Cidade do Escambo”), onde a moeda de troca são utensílios e habilidades. A fim de tentar reaver suas posses, Max faz um acordo com Aunty Entity (Tina Turner), a poderosa governante local:  ele deve enfrentar "Blaster", o guarda-costas de "Master", um homem que divide o poder com Aunty e controla o fornecimento de gás metano à cidade.  A luta deve ser dentro da "Cúpula do Trovão" ("Thunderdome"), uma redoma onde desavenças são resolvidas e “dois homens entram e apenas um sai”. E "Blaster" sempre saiu. Max deve derrotar o gigante para que Aunty assuma o controle, soberana, mas o acordo entre os dois não pode vir à publico.


Dirigido por George Miller, em conjunto com George Ogilvie, “Mad Mad III” completa uma trilogia que define a personalidade do personagem principal. Visto sequencialmente percebemos que Miller criou uma jornada para o nosso herói. Se nas duas primeiras aventuras Max é um homem guiado por seus próprios princípios (como no segundo: “estou aqui somente pela gasolina”), primeiro movido pela vingança, posteriormente, pela sobrevivência. Aqui o personagem amadureceu, envelheceu, tornou-se mais profundo e humano, mas ao contrário da civilização em que se encontra, não perdeu seus princípios morais, uma característica que pouco vale nesse mundo e que lhe causará problemas.  


Miller queria fazer algo diferente, mostrar os estágios que a civilização precisaria galgar para se reerguer novamente. Para isso era necessário fugir das continuações que mantém uma fórmula intacta e repete o mesmo tema, exaustivamente, mudando apenas as situações. Miller ousou. Trocou a faixa adulta pela juvenil (13 anos nos EUA e 14 anos por aqui); abandonou a violência explícita; deu um caráter messiânico ao seu personagem retirando-o do “Guerreiro da Estrada” e tornando-o um “Guerreiro Nômade”; introduziu o humor e o nonsense (há homenagens aos “Caçadores da Arca Perdida” e “Indiana Jones e o Templo da Perdição”) e trocou a ação pela aventura. O resultado, para muitos, foi um filme inferior aos dois primeiros, mas ainda superior a muitas produções lançadas. Mas para aqueles que nunca tinham tido acesso ao primeiro e segundo filmes, devido a faixa etária para maiores, conhecendo somente agora Max, o filme agradou muito, até porque esse filmes podem ser vistos de uma forma independente não necessitando o conhecimento pregresso, mas, claro, quem acompanhou todos os filmes terá uma visão plena da obra de Miller, o que diferenciará muito sua percepção.


Talvez o maior problema com esse terceiro exemplar seja que a sequência mais empolgante do filme, o confronto na Cúpula do Trovão, acontece logo na primeira metade, com um clímax final muito breve.  Miller superficializou a estória que ficou carecendo de objetividade, num roteiro longo demais, sem um senso dramático e com um visual estilizado entre o primitivo e o futurista. Batertown, o primeiro assentamento substancial que vimos nessa distopia futura e que se reorganiza a partir do escambo (“onde só havia roubo, há comercio; onde só havia deserto há cidade”) foi uma boa ideia. Max se envolve no confronto político local, luta, sobrevive a "Blaster" (é na redoma que Max ainda se percebe humano, que possui dignidade, que não se perverterá como seus pares)  e a Aunty, mas as crianças perdidas (que simbolizam a pureza, a inocência não tocada por aquele mundo perverso e degenerado) frearam a ação ainda que justifique a ideia de Max se sacrificar pelo que será uma nova era para a humanidade. Difícil dizer se Max viu em “Feral Kid”, no segundo filme, um substituto ao seu filho e se essas crianças para Max simbolizam o que ele perdeu no primeiro filme, mas o conceito é interessante. Miller criou uma trilogia lógica, ainda que em seu último exemplar a história tenha perdido muito de seu ímpeto.


Mel Gibson (nome de batismo: Mel Columcille Gerard Gibson) está a vontade em seu Max. A pitada de humor e leveza que seu personagem carrega aqui parece que foi meio que um laboratório para a quadrilogia de sucesso “Máquina Mortífera” que estrelaria, no ano seguinte, ao lado de Danny Glover. Max se encontra no mundo devastado e faz a diferença no fim. De certo modo, sua jornada será vinculada a construção de dois pilares do novo mundo: a tribo do norte, cujo líder será o “Fera Kid” e as das “crianças do piloto Walker”.  A aparição de Bruce Spencer como Jedediah até hoje levanta questões se ele não seria o mesmo "Capitão Gyro" do filme anterior. A revista americana "Starlog" nº 44 (1985) afirmou serem personagens diferentes. O motivo de o ator receber um novo convite de Miller foi sua participação ter agrado os fãs em "Mad Max II". Até porque o “The Feral Kid”, já idoso, informa que eles tiveram sucesso em organizar uma sociedade e o capitão giro fora o primeiro dos líderes.  De certa maneira o filme meio que começa e se encerra também com seu personagem.  Tina Turner (nome real de Anna Mae Bullock), aos 46 anos,  fora convidada para estrelar “A Cor Púrpura” (1985) de Spielberg, mas declinou e, antes, tinha feito uma participação no filme Tommy (1975). A atriz conduziu bem, até porque houve uma identificação com  a personagem que perdeu tudo, sobreviveu e conseguiu se sobressair. Temos o veterano ator  Frank Thring (1926–1994), irreconhecível, do clássico “Ben Hur” entre outros na pele do Colecionador. Edwin Hodgeman como o leiloeiro e apresentador do “Thunderdome”, Dr. Dealgood, também se sobressai em rápida aparição.  Paul Larsson  que fez o "Blaster, na armadura" e o ator Stephen Hayes o "Blaster sem a máscara", além de Angelo Rossitto 1908-1991 (o pequenino "Master") ficaram bem caracterizados. Destaque para as aparições de Angry Anderson (como ”Ironbar”), vocalista da banda australiana de Hard Rock/ Heavy Metal “Rose Tattoo”; Geeling Ching (como uma guarda de Aunty) que participou do videoclipe de David Bowie, “China Girl”, e Brian Ellison, dublê e ator, que neste filme faz o homem que maneja a faca e Max atira em seu chapéu. Brian foi escolhido exatamente por fazer esse malabarismo no set de filmagens e chamar a atenção de Miller. Para a cena funcionar foi colocada uma pequena carga explosiva em seu adereço que, acionada, simulou receber um tiro.  Helen Buday que faz a jovem, líder das crianças, seguiu carreira no cinema australiano e está na ativa. Tom Jennings, o jovem guerreiro, voltou-se a séries e telefilmes australianos encerrando a carreira em 1992.


Max Max, Além da Cúpula do Trovão, se comparado dentro da trilogia, é o mais fraco, por mudar muito o conceito até então mostrado, mas finaliza a jornada de um homem tentando se reencontrar. Miller tentou trazer um ar de novidade à saga e agradou os que nunca tinham visto o personagem.  É um bom filme, no fim das contas: mais elaborado, mais pretensioso, mas que não obteve, junto aos fãs mais antigos, o aceite dessa obra. Ainda assim é um bom divertimento. Miller reuniria os elementos da trilogia em "Mad Max: Estrada da Fúria" na qual já anunciou que completará com mais duas sequências.

Trailer:






Curiosidades (contém spoliers):

Blaster foi interpretado por dois atores

George Miller perdeu o interesse no projeto depois que seu amigo e produtor Byron Kennedy foi morto em um acidente de helicóptero enquanto fazia uma inspeção no local. Isso pode explicar por que Miller lidou apenas com as cenas de ação, enquanto George Ogilvie lidou com o resto. O filme é dedicado a Byron Kennedy.

O filme não era originalmente um filme "Mad Max", mas um filme pós-apocalíptico de "O Senhor das Moscas", sobre uma tribo de crianças encontradas por um adulto. Tornou-se o terceiro filme de Mad Max, quando George Miller foi sugerido que Max é o homem que encontra as crianças.

Tina Turner teve que raspar a cabeça para que a peruca caísse. Ela teria tido nenhum problema com isso.

Os olhos de Max são diferentes; a pupila no olho esquerdo está permanentemente dilatada. Este é um aceno para Mad Max 2: A Caçada Continua (1981): Quando seu carro é forçado a sair da estrada por Wez e Max cai, ele sofre uma lesão grave no olho esquerdo, entre outras partes do corpo. A disparidade é mais fácil de ver em close-ups e muito fácil de ver em versões de alta definição do filme. 

A tempestade de areia no final do filme era real, e um avião de câmera voou nele para algumas fotos. A tempestade, na sua totalidade, atingiu a tripulação no deserto, forçando-os a montá-la em seus carros e onde quer que eles pudessem encontrar cobertura.

O vestido de malha de aço da Aunty Entity (Tina Turner) pesava mais de 55 kg.

Quando Max conhece Aunty, um saxofone é ouvido tocando, a câmera revela que a música não é a trilha sonora, mas acontece dentro do próprio filme, como um dos homens de Aunty está tocando. Este é um aceno para Mad Max (1979), onde a esposa de Max, tocando saxofone, é revelada da mesma maneira.

Em entrevistas sobre Mad Max 2: A Caçada Continua (1981), George Miller disse que, enquanto o mundo de Max estava após o colapso do sistema social / político / econômico que conhecemos, não foi após a Terceira Guerra Mundial. No entanto, de acordo com a introdução do Dr. Dealgood no Thunderdome, este filme se passa explicitamente após uma guerra, embora não necessariamente na Terceira Guerra Mundial.

Uma cena foi filmada, mas cortada, que Max tem um pesadelo sobre sua esposa Jesse e seu filho Sprog. Ele acorda, começa a chorar e começa a perceber que se tornou como a gangue de motociclistas que assassinou sua família. A cena excluída estava na novelização de Joan D. Vinge, mas faltam as imagens da cena excluída.

A arte do cartaz deste filme foi uma das últimas feitas por Richard Amsel.

Quando Max está desistindo de suas armas em Bartertown, ele desiste da besta de punho de Wez em Mad Max 2: A Caçada Continua (1981), que ele provavelmente recuperou depois que Wez foi morto por um caminhão.

Desde este filme, o termo "Assassino de Porcos" passou a significar "um pária vivendo à margem da sociedade".

Quando Max conhece "o assassino de porcos", eles passam por outro prisioneiro que é o personagem Charlie, do Mad Max original (o policial que se machuca e precisa falar com uma caixa de voz). (fonte IMDB)

O filme se passa quinze anos após o filme anterior Mad Max 2: A Caçada Continua (1981), que ocorreu cinco anos após Mad Max (1979). Isso faz com que este filme ocorra vinte anos após o primeiro.

A primeira da franquia feita com financiamento dos EUA, o que explica por que Tina Turner apareceu no filme.

George Miller havia planejado trazer Mad Max para a tela pequena e começou a desenvolver uma série de televisão baseada nos filmes Mad Max e que ele queria que Jon Blake, com quem ele havia trabalhado em Cool Change (1986), estrelasse a série. Mas a carreira de ator de Jon Blake terminou quando ele sofreu danos cerebrais permanentes em um acidente de carro e a série de televisão Mad Max nunca foi feita.

O co-roteirista Terry Hayes disse que: "Bartertown é uma versão aprimorada do nosso mundo (hoje)".

Havia rumores de que a sequência Mad Max: Fury Road (2015) se passa após Mad Max: Beyond Thunderdome (1985). No entanto, em Mad Max: Beyond Thunderdome (1985), Max tem cerca de quarenta anos e, em Mad Max: Fury Road (2015), Max tem cerca de 30 anos.


O apito que Max usa para atormentar temporariamente Blaster é o cachimbo de um Sailswain de marinheiro ainda hoje usado em navios da Marinha.

Não se explica por que Max não matou Blaster no filme. É possível que Blaster tenha lembrado Max de Benno (Max Fairchild), o lavrador autista que morava na fazenda de May Swaisey em Mad Max (1979) quando a esposa e filho foram assassinados por The Toecutter e sua gangue de motociclistas, ou ainda pode ter restado humanidade em Max que  achou ser errado e desumano mataro Blaster com deficiência mental. Alguns acreditam que Benno e Blaster são o mesmo personagem, apesar de serem interpretados por diferentes atores, e é possível que Benno possa ter sobrevivido à guerra nuclear.

Cartazes:






















Trilha Sonora:




















O Filme foi capa da antiga Revista Cinemin nº 19





















Capas de Revistas Estrangeiras:

                                     


Passado e Presente





















































We Don't Need Another Hero (Tina Turner)



One of Living (Tina Turner)




Uma Compilação do segundo e terceiro filmes



Frank Thring (1926–1994)














Angry Andreson 















Filmografia Parcial:
Mel Gibson










Mad Max (1979); Gallipoli (1981); O Ano Que Vivemos em Perigo (1982); Mad Max 2: A Caçada Continua (1981); Mad Max - Além da Cúpula do Trovão (1985); Máquina Mortífera (1987); Máquina Mortífera II (1989); Máquina Mortífera 3 (1992); Maverick (1994); Coração Valente (1995); O Preço de Um Resgate (1996); O Troco (1999); O Patriota (2000); Sinais (2002); O Fim da Escuridão (2010); Os Mercenários 3 (2014); Um Novo Despertar (2011); Plano de Fuga (2012); Os Mercenários 3 (2014); Herança de Sangue (2016); Pai em Dose Dupla 2 (2017); O Gênio e o Louco (2019); Boss Level (2019); Force of Nature (2020). 

sexta-feira, 3 de julho de 2020

MAD MAX 2: A CAÇADA CONTINUA / MAD MAX 2 / THE ROAD WARRIOR (1981) - AUSTRÁLIA


O GUERREIRO DA ESTRADA

Uma guerra entre nações industrializadas eclodiu no Oriente Médio e os donos do poder destruíram a sociedade. Grande parte do mundo tornou-se árido, sombrio e sem lei. Novos senhores da guerra surgiram, agora motorizados, vasculhando, pilhando e matando quem cruze os seus caminhos em busca de combustível, a única moeda de valor.  E a brutalidade virou uma condição "sinequanon" para a sobrevivência. Max Roxatansky continua sua jornada furiosa e existencial, dirigindo seu velho v-8, colhendo gasolina pelas estradas, vagando praticamente sem parar, de lugar nenhum para lugar nenhum até ser emboscado por uma horda de selvagens, lideradas por um homem chamado Humungus. Max sobrevive e conhece o piloto de um autogiro (Bruce Spence) que lhe mostra uma comunidade que tenta manter uma ordem social diante da eminente extinção, sendo detentora de um poço de petróleo e gasolina refinada que Humungus (Kjell Nilsson) reclama para si. Max faz um acordo com o líder (Michael Preston) da comunidade: conseguirá um carro pipa para fugirem com gasolina para o norte e lhe darão a maior quantidade de combustível que possa levar, mas o “Aiatolá do Caos” não permitirá a partida de ninguém.


Continuação da visão apocalítica de Miller da sociedade do futuro, situado em uma Austrália pós-apocalíptica, que na ótica do cinema é decididamente sombrio, dividindo-se entre trevas e luz.  Afim de situar o espectador, o filme começa com uma retrospectiva documental dos acontecimentos onde descobrimos que, além de seu filho ter morrido, sua esposa não resistiu aos ferimentos (há uma cena de Max em pé com 2 cruzes ao fundo, logo no início)
“My life fades, the vision dims. All that remais are memories ... they take me back ... I remember a time of chaos ... ruined dreams ... this wasted land. But most of all, I remember the road Warrior, the man we called Max. To understand who  he was we have to go back, to another time ... when the world was powered by the black fuel, and the deserts sprouted great cities of pipe and steel ... gone now, step away .." “ A minha vida se esvai, a visão embaça, tudo o que resta são recordações ....  lembro-me de um tempo de caos ... sonhos perdidos ... da terra devastada. Mas acima de tudo, eu me lembro do Guerreiro da Estrada, o homem a quem chamávamos de Max. Para compreender quem ele era temos que voltar a outra época ... quando o mundo era dirigido pelo combustível negro, e nos desertos apareciam grandes cidades de canos e aço hoje desaparecidas e eliminadas ...”


Houve uma época no cinema em que os heróis não tinham super poderes, eram de carne e osso. Sofriam na pele as consequências de seus atos, temiam a morte e suas habilidades eram a coragem, a determinação e o foco. Passavam a caminhar sozinhos em busca de algo perdido que nunca iriam recuperar e, nesse meio termo, ajudavam aqueles que eram brutalizados por seus semelhantes ou pelo sistema vigente. Os vilões eram claros e perceptíveis. Max fora um policial que perdera seu melhor amigo, viu a família ser massacrada e fora em busca de vingança mesmo que custasse a sua vida. Um homem sem esperança é um homem sem destino, que acaba indo de encontro a uma comunidade que representa um dos poucos polos de vestígios da humanidade. E aqui começa nosso filme. Ele é contado do ponto de vista daqueles que conseguiram manter um resquício de sociedade graças ao "Guerreiro da Estrada – “Road Warrior”, particularmente de um personagem agora bem idoso, perto do fim da vida, que não conheceu o passado de Max e não viria a conhecer o seu futuro. O breve contato com cavaleiro errante fez a diferença em sua vida e o tornaria uma pessoa  de valor no futuro. E é desse breve encontro que o filme se inicia.


Seguindo o esquema básico do Western americano temos Max que surge no filme como um “pistoleiro solitário” (ao estilo “Os Brutos Também Amam” – “Shane”) em seu cavalo (o possante V-8 do primeiro filme). Chega em um “posto avançado desolado”,  e se vê frente a frente com um líder querendo expulsar os colonos (aqui a comunidade sitiada) de suas terras. Os saqueadores ao invés de cavalos, agora possuem máquinas e ao invés de pistolas usam lanças, maças e bestas. O herói possui seu próprio código de ética, protege os fracos e, ao final do filme,  não se sabe sobre seu paradeiro, se tornando sozinho novamente e sendo lembrado por uma criança que o admira e sempre se lembrará dele (como em “Shane”).  No fim, uma  reflexão sobre a localização da moralidade em uma sociedade privada da civilização.



O cinema tem um incrível poder hipnótico de aproximar realidade à ficção, de criar ícones e mitos enquanto a TV cria celebridades. Cada década produz sua sociedade distópica: invasões alienígenas, guerra nuclear, sociedade destruída, revolução das máquinas, macacos superiores ao homem, submersão pelas águas, vírus letal ... Sabemos que é uma ilusão e ainda assim nos permitimos entrar nessa ilusão. No fim, talvez seja uma forma de hipnose. E Miller soube tirar proveito desse filão criando o mais icônico dos heróis apocalípticos. O enredo não é sofisticado, mas dada a energia com que é jogado na tela, com edições turbulentas e uma carga estética visceral com direito a possantes carros em alta velocidade,  capotagens e até colisões frontais,o filme entrega um espetáculo impactante.


A sequência “Mad Max 3: Além da Cúpula do Trovão”, apesar de comercialmente bem sucedido, diluiu a escuridão de Max centrando-se em sua jornada de volta a si mesmo. Mel Gibson , em entrevista , dizia ter abandonado Max, mas um roteiro com um argumento diferente traria o personagem para sua última aventura. Miller que usou, quase como personagem, em seus filmes, os carros, justificou em entrevista que na Austrália o culto aos carros era quase tão grande quanto ao culto às armas nos EUA. Daí sua utilização nos filmes como força motriz da ação.




Quanto ao elenco Mel Gibson tem participação em tempo integral e isso fez a diferença.  O ex-bodybuilder e ex-ciclista sueco nos Jogos Olímpicos de Verão de 1984,  Kjell Nilsson, faz o imponente Humungus por trás de uma máscara de Hockey. Muito se cogitou se ele não seria na verdade o ex-policial Jim Goose, que sofreu queimaduras no primeiro filme por haver carros de polícia com os bandidos e uma arma semelhante à arma padrão do MFP. Foi cogitada essa possibilidade no rascunho do roteiro, mas há uma cena quando o vilão pega a arma dentro de uma caixa que nos revela a sua foto com a esposa. A julgar pela foto fora um oficial que também perdera a esposa e, ao contrário de Max, se perdeu junto com a humanidade. Bruce Spence, o piloto do autogiro, tem os momentos mais engraçados e funciona como válvula de escape. Vernon Wells,com seu moicano Wez (ele foi o vilão de "Comando" com Schwarzenegger) tornou seu personagem icônico. Outro sempre lembrado é Emil Minty como o "garoto fera" e cujo destino da comunidade é descrito em sua narrativa. Destaque também para  Michael Preston (Pappagallo) e Virginia Hey como a mulher guerreira. Hey esteve em "007 Marcado para a Morte" e no seriado "Farscape" (1999-2002)



Filmado com um orçamento dez vezes maior, Mad Max 2: A Caçada Continua (subtítulo nacional bem ruim) é um espetáculo superior ao seu antecessor e posterior, pois a ação é inserida do início ao fim , com uma narração em off que funciona muito bem. Mesmo quarenta anos depois o filme ainda dá aulas de montagem, enquadramento de câmeras e personagens que ficaram na memória. Um espetáculo cujo argumento (escassez de combustível) diluiu-se com o tempo, mas não as cenas de ação espetaculares. Assim como muitos filmes dos anos 80 que ainda não conseguiram ser superados e, apesar da exagerada violência esse segundo exemplar, é um dos melhores filmes de ação  já realizados.

Trailer:




Curiosidades:

O filme se passa 5 anos depois de Mad Max (1979).

George Miller recusou a chance de dirigir o Rambo - Programa Para Matar (1982) para fazer o filme.

Eleito o melhor filme de ação de todos os tempos em uma pesquisa realizada pela revista Rolling Stone em 2015.

Mel Gibson teve apenas dezesseis linhas de diálogo em todo o filme.

O cão usado no filme, chamado simplesmente "Cão", foi comprado e treinado para atuar no filme. Como o som dos motores o perturbou (e em um incidente o fez se aliviar no carro), ele recebeu tampões especiais. Após a conclusão das filmagens, ele foi adotado por um dos operadores de câmera.

O cão de Max foi salvo de ser sacrificado pelos cineastas. Um dia antes de dormir, membros da equipe visitaram seu abrigo procurando um animal de estimação para o filme. Ele foi escolhido dentre vários outros cães, devido a ele pegar uma pedra do chão e brincar com ela como um brinquedo. Os membros da equipe perceberam que o cão poderia ter uma presença real no filme e tinha potencial para ser treinado. Este filme acabou sendo o único filme em que ele apareceria.

A raça do cão de Max é um cão de gado australiano ou "Blue Heeler".

Originalmente, essa era a conclusão da história de "Mad Max", que o destino de Max nunca teria sido revelado, e George Miller, Terry Hayes e Byron Kennedy não tinham intenção de fazer uma terceira sequência.

De acordo com o livro de curiosidades "Movie Mavericks", de Jon Sandys, uma das cenas mais espetaculares do filme foi na verdade um acidente grave. Um dos assaltantes que andam de moto bate em um carro, voa da moto, bate com as pernas contra o carro e gira no ar em direção à câmera. Foi um acidente real e genuíno: o dublê deveria sobrevoar o carro sem bater nele. Mas o incidente quase fatal parecia tão dramático que foi mantido no filme. O dublê quebrou muito a perna, mas sobreviveu. (Se você olhar o corpo do dublê, quadro a quadro, através de suas rodas de carroça, poderá ver que uma de suas pernas está dobrando em um ângulo levemente antinatural ao redor do joelho.)



Renomeado como "The Road Warrior" nos EUA porque, na época, o Mad Max original (1979) havia sido lançado apenas como distribuição restrita, de modo que "Mad Max 2" (o título usado fora da América do Norte) poderia ter confundido os espectadores. 

James Cameron citou o filme como uma de suas influências por trás de O Exterminador do Futuro (1984).

Depois que Mad Max (1979) terminou, e antes do lançamento do filme, todos os carros deveriam ser destruídos, incluindo o Interceptor preto, mas alguém achou que o Interceptor era bom demais para perder, então eles o salvaram do triturador. Quando a sequência estava em seu estágio de planejamento, alguém descobriu que o Interceptor havia sobrevivido de alguma forma, então eles a rastrearam e a compraram de volta.

O ano em que o filme se passa é desconhecido. Em uma entrevista em 1984, George Miller afirmou que os eventos dos dois filmes ocorreram em meados do final dos anos 90.

A pistola do Humungus contém uma caveira ornamental e ossos cruzados. Parece ser um desenho de Totenkopf, ou "Cabeça da Morte", um emblema famoso dos S.S. nazistas.

Segundo Vernon Wells, o parceiro de Wez (Golden Youth) não era realmente um parceiro sexual. Wells diz que houve uma cena deletada que explicou que Wez resgatou Golden Boy quando criança e se tornou uma espécie de pai substituto para ele

A cena de abertura foi originalmente filmada com Max passando por uma fazenda que Wez e outros estavam revistando, enquanto os corpos dos proprietários que eles mataram estavam pendurados mortos em uma árvore. Durante o massacre, o som de um V8 de alta potência se aproximando é ouvido por Wez. Ao longe, ele vê o Interceptor com seus grandes tanques de combustível passando. Wez pula em sua bicicleta e ele e os outros perseguem. A câmera sai do carregador do carro para significar uma curta passagem de tempo, e então a cena é como a conhecemos, com apenas Wez e dois carros ainda em perseguição, devido ao poder do Interceptador.

Como George Lucas e Guerra nas Estrelas (1977), os roteiristas Terry Hayes, George Miller e Brian Hannant foram inspirados nos filmes de samurai de Akira Kurosawa e no livro de Joseph Campbell "O Herói com Mil Faces".

George Miller afirmou em uma entrevista que O Menino e seu Cachorro (1975) foi sua inspiração por trás do filme.

George Miller baseou o Feral Kid em órfãos vietnamitas das ruas de Saigon.

George Miller disse que o personagem do Capitão Giroscópio foi escrito em parte para que o estúdio tivesse que pagar por um helicóptero para a filmagem. Fotos aéreas eram bastante caras. Mas eles eram necessários para mostrar o ponto de vista do capitão em seu giro-helicóptero.

Brian May, que compôs a trilha sonora de Mad Max (1979), voltou a compor a trilha sonora deste filme. Mas ele não compôs a trilha sonora de Mad Max 3: Além da Cúpula do Trovão (1985), e foi substituído por Maurice Jarre.

O veículo de Papagallo é reutilizado no Mad Max 3, conhecido como The Lobster Cage Vehicle, com várias modificações, como a adição de uma grade de proteção ao motorista e um teto feito de couro.

Emil Minty, encontrou uma caixa de arruelas de metal e as colocou em um barbante. Ele deu este colar para a atriz Arkie Whiteley. Ela estava usando esse colar no filme.

No roteiro original, Pappagallo já foi o diretor executivo da Seven Sisters Petroleum, uma grande empresa de petróleo. Depois de "o mundo desmoronar", ele decidiu fugir para as terras áridas junto com um grupo de pessoas.

Havia boatos e especulações de que a encarnação de Tom Hardy de Mad Max em Mad Max: Estrada da Fúria (2015) é The Feral Kid. No entanto, uma série de quadrinhos Vertigo de quatro edições, co-escrita por George Miller, estabelece que Hardy Max é o mesmo personagem que Max Gib, de Mel Gibson.

Max fazendo amizade com The Feral Kid prenunciou o seguinte filme Mad Max 3: Além da Cúpula do Trovão (1985), no qual Max é resgatado por uma tribo de crianças.



Trilha Sonora





Passado e Presente:



























Cartazes:
















Revistas:



Filmografia Parcial:
Mel Gibson: 











Mad Max (1979); Gallipoli (1981); O Ano Que Vivemos em Perigo (1982); Mad Max 2: A Caçada Continua (1981); Mad Max - Além da Cúpula do Trovão (1985); Máquina Mortífera (1987); Máquina Mortífera II (1989); Máquina Mortífera 3 (1992); Maverick (1994); Coração Valente (1995); O Preço de Um Resgate (1996); O Troco (1999); O Patriota (2000); Sinais (2002); O Fim da Escuridão (2010); Os Mercenários 3 (2014); Um Novo Despertar (2011); Plano de Fuga (2012); Os Mercenários 3 (2014); Herança de Sangue (2016); Pai em Dose Dupla 2 (2017); O Gênio e o Louco (2019); Boss Level (2019); Force of Nature (2020).


Vernon Wells










Mad Max 2: A Caçada Continua (1981); Mulher Nota Mil (1985); Comando Para Matar (1985); A Fortaleza ou Sequestrados (1985); Viagem Insólita (1987); Assassinato em Hollywood (1988); A Fortaleza (1992); Força-T - O Esquadrão de Aço (1994); Piratas do Espaço (1996); Silent Night,  Zombie Night (2009); Jurassic City (2015); The Perfect Weapon (2016); Dr. Jekyll and Mr. Hyde (2016); Empire of the Heart (2017); Contatos Alienígenas (2017); Landfall (2017); Lilith (2018); City of Gold (2018); Crossbreed (2019); Emerald Run (2019).

quarta-feira, 1 de julho de 2020

MAD MAX (1979) - AUSTRÁLIA



CAOS SOCIAL E MISÉRIA HUMANA

Em um futuro próximo, uma crise energética global leva à anarquia e a desintegração da sociedade urbana até então conhecida.  Nas estradas proliferam gangues de motociclistas que aterrorizam e saqueiam comunidades do interior por onde passam.  A escassa e pouco equipada força policial passa a usar carros tunados para manter a ordem e fazer valer a lei. Max é um desses oficiais encarregados de impedir que o frágil resquício de sociedade se esvaia. Quando persegue um fugitivo chamado “Nightrider” (Vincent Gil), que perde o controle do carro e morre, passa a ser jurado de morte pela gangue de motoqueiros lideradas por Toecutter (Hugh Keays-Byrne).  Quando a força policial prende outro de seus membros e veem a justiça liberá-lo sem acusações, Goose (Steve Bisley), parceiro de Max, passa a ser o alvo. Goose é emboscado e sofre um terrível acidente. Max, desiludido com o sistema e apreensivo, segue o conselho da esposa e resolve abandonar a força policial viajando com a família. Quando sua esposa encontra Cutterfinger e sua gangue, a vida de Max nunca mais será a mesma.


Para entendermos o conceito hipotético do filme de como a sociedade do filme se diluiu é primordial lembrarmos que Mad Max foi realizado em 1979, apenas seis anos depois da crise petrolífera de 1973 em que a OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) possuidora de 75% das reservas mundiais de petróleo (atualmente composto de Irã, Iraque, Kuwait, Líbia Argélia,  Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Angola, Equador, Nigéria, Catar e Venezuela) realizou, na época, um embargo cortando a exportação de petróleo aos EUA e outras nações que apoiaram Israel militarmente na Guerra de Yom Kipur, tendo como consequência o preço do barril aumentando 400% em cinco meses, assim como o combustível nos postos, devido a grande procura e a baixa oferta. Em 1979, com a crise política no Irã, e a consequente deposição de Xá Reza Pahlevi, houve um aumento, além da  Guerra Irã-Iraque (1980-1988). Logo, o tema era atualíssimo e o temor por uma guerra pelo petróleo era factível. Inserir o filme dentro desse ambiente e mostrar como suas consequências poderia criar uma sociedade distópica era uma grande ideia.



Primeiro longa de George Miller, aos 35 anos, que trocou a medicina, em 1970, pelo cinema. Por incentivo do irmão, inscreveu-se em um concurso universitário onde ganhou o prêmio e uma bolsa de estudos em um curso de cinema em Melbourne. Miller (que também coescreveu a estória) criou um argumento trivial, mas como a estória foi apresentada é que se mostrou o diferencial, tanto que a revista Times colocou o filme na lista dos 10 melhores do ano. No Brasil, em setembro de 1980,  mais de 991 mil espectadores, com a faixa etária para 18 anos, já haviam assistido o filme e, mundialmente, a partir de um orçamento de pouco mais de 400 mil dólares, arrecadou mais 100 milhões.  Mad Max tornou o cinema australiano conhecido mundo afora (principalmente com suas duas continuações), criou a “New Wave Australiana”,  mostrando à Hollywood como fazer muito com pouco, uma fórmula buscada pela indústria do entretenimento até hoje. Criou também dezenas de subgêneros, tanto disfarçados como explícitos, mas nunca igualados em termos de eficiência ou identificação com o público onde se tornou um dos mais lucrativos filmes da história. O filme foi tachado de niilista e talvez até realmente o seja, aonde o protagonista é levado à loucura (daí o "Mad" –“louco’ - Max) rompendo as últimas amarras que o prendiam aos conceitos de justiça e moralidade, um ponto sem retorno, que o faz cruzar uma divisa que o leva a se tornar júri, juiz e carrasco, um anti-herói, a ir até as últimas consequências para vingar a sua família no mesmo nível de violência de seus agressores.


Ganhador do Premio do Júri no Festival de Ficção científica de Avoriaz (França) foi taxado de brutal e dotado de violência gratuita, com um herói sem mácula, limite ou contenção. Habilmente, Miler incute um envolvimento pela sedução emocional, onde este termina por suprimir o senso crítico. O diretor fugiu das questões filosóficas e reflexivas de filmes como “2001 - Uma Odisséia no Espaço” e “A Laranja Mecânica” de Kubrick , investindo diretamente no pessimismo da sociedade “cada um por si”, onde o mal avança sem contenção com um sistema de valores deturpados. E, nesse contexto, para contê-lo, um homem de valores deve dar vazão aos seus instintos primitivos se tornando mal para colocar as coisas novamente nos eixos, linhas borradas do certo e do errado. Tudo isso envolvo em uma soberba montagem, um apurado trabalho de dublês, a câmera do fotógrafo David Eggby sobre a árida paisagem das estradas australianas e uma câmera inventiva que se releva a centímetros do asfalto. Na trilha sonora o compositor Brian May (não confundir com o integrante do grupo Queen).  Mad Max 2 pode até ser superior,  mas teve como aliado o fato de ter uma sólida narrativa já estabelecida e um orçamento bem mais robusto com o diretor e o ator principal novamente em uma parceria de sucesso, atenuando o lado “lobo solitário do personagem”.


Há algumas perguntas a serem feitas e esclarecidas: Goose sofre um atentado que o deixa irreconhecível e o que nos parece é que o personagem realmente não sobreviverá. Quanto à esposa de Max, o diálogo no hospital nos revela que ela sobreviveu com múltiplos traumas em estado crítico. Como o segundo exemplar não envolveria sua participação, há uma cena sutil (que mostrarei na análise do segundo filme) mostrando que, posteriormente, ela viria a falecer. Mas o mundo sofreria um outro abalo: uma guerra que terminaria por  descer a humanidade a outro patamar. Aqui ainda há um (fraco) sistema que tenta proteger o cidadão, mas já é um prenuncio da incapacidade do poder público de oferecer extensa proteção ao cidadão. As cidades, á beira do colapso, ainda existiam, mas a guerra era iminente. E apesar de ambientar-se na Austrália, poucos se deram conta que o filme não era americano.


Quanto ao elenco, o americano naturalizado australiano, Mel Gibson, acompanhou a irmã que faria o teste e chamou a atenção de Miller por estar com o rosto ferido de uma briga que tivera no dia anterior e lhe dera um semblante bruto, teve a possibilidade de fazer o teste semanas depois e ganhou o papel. O ator Hugh Keays-Byrne, que fez o vilão Toecutter, já tinha alguns filmes no currículo. O ator também fez o vilão” Immortan Joe” no filme “Mad Max: Estrada da Fúria” (2015). Steve Bisley (Goose) tem uma extensa biografia na TV e cinema. Pode ser visto em “O Grande Gatsby” (2012) com Leonardo DiCaprio. Destaque para Joanne Samuel como Jessie, a esposa de Max. A atriz completa 63 anos este ano e dirigiu sua carreira também à seriados e filmes australianos. Tim Burns (como Johnny, The Boy) fez alguns filmes e séries que não passaram por aqui. Sua filmografia vai até 1992. Roger Ward (1936) como Fifi, o chefe de Max e maior nome do elenco na época, continua na ativa e tem extensa filmografia mesclando cinema australiano, americano e seriados de Tv.


Mad Max é um filme com uma montagem dinâmica em seus 70 minutos, mas não menos impactante, e com aceleração máxima nos 20 minutos finais. Apresenta um final cru, pesado, bem anti-hollywoodiano, com a visão ímpar de Miller, ao mostrar um homem em um mundo degenerado em que é levado a cruzar a tênue linha entre herói e vilão. Lançou uma trilogia de sucesso que teve o seu melhor exemplar, em termos técnicos e estéticos, na sequência “Mad Max: A Caçada Continua” e que terminaria no comercial "Mad Max: Além da Cúpula do Trovão. Em 2015 o diretor resolveu fazer um novo filme com elementos dos três filmes e que teve muito sucesso: “Mad Max: Estrada da Fúria” (2015). Mad Max Lançou Mel Gibson para o estrelato e nos mostrou o veículo Interceptador V8, de 351 polegadas cúbicas (5,8 litros), a partir de um Ford Falcon XB GT de 1974, que até hoje é lembrado pelos fãs.


Trailer:



Curiosidades:
A maioria dos extras usados ​​no filme foram pagos com cervejas.

O "cartão de sair da cadeia" que Goose dá ao motociclista era uma piada no set. Por causa do orçamento limitado, a gangue de motoqueiros era uma verdadeira gangue de motoqueiros (os Vigilantes), e eles tinham que ir ao set todos os dias fantasiados; muitas vezes com suas armas de suporte exibidas. Como a empresa de produção esperava que eles fossem detidos pela polícia local, cada um recebeu uma carta explicando os requisitos peculiares do filme e solicitando o entendimento e a cooperação da polícia.

Tim Burns (Johnny, o Garoto) entrou tanto no personagem que irritou todo mundo no set, e foi abandonado, algemado, nas locações, durante um almoço.

Algumas das coisas que Nightrider diz pelo rádio são da letra da música "Rocker" do AC / DC.

George Miller descreveu toda a experiência como "cinema de guerrilha", onde a equipe fechava estradas sem permissão para filmar, não usava walkie-talkies porque sua frequência coincidia com o rádio da polícia e, após as filmagens, Miller e Byron Kennedy chegavam a varrer o local.

George Miller pagou cinquenta dólares a um motorista de caminhão para atropelar a bicicleta na cena final. No entanto, o motorista do caminhão não queria danificar sua plataforma; assim, a equipe teve que instalar um escudo pintado para parecer com a frente da plataforma.

Muitas das cenas de ação deste filme eram ilegais e feitas rapidamente, antes que as autoridades pudessem descobrir.

Mel Gibson não foi à audição para este filme, ele foi junto com sua irmã, que estava fazendo o teste. Mas porque ele esteve em uma briga de bar na noite anterior, e sua cabeça parecia "uma abóbora preta e azul" (suas palavras), foi-lhe dito que poderia voltar e fazer o teste em três semanas porque "precisamos de malucos!" " Ele voltou em três semanas, não foi reconhecido (porque seus ferimentos haviam sarado bem) e foi convidado a ler uma parte.

O passado de Miller como médico é referenciado no hospital St. George, que aparece no filme. Mad Max Rockatansky é uma referência ao patologista do século XIX, Carl von Rokitansky, criador do procedimento Rokitansky, o método mais comum de remoção dos órgãos internos em uma autópsia.

Como Gibson era relativamente desconhecido nos EUA, os trailers e as visualizações não apresentavam Mel Gibson, concentrando-se nos acidentes de carro e nas cenas de ação.

Mel Gibson conseguiu o papel de Max Rockatansky enquanto ainda era estudante de teatro. Ele recebeu $ 10.000.

Hugh Keays-Byrne muda seu sotaque, cena a cena, para fazer seu personagem parecer insano.

Hugh Keays-Byrne, Tim Burns e Reg Evans (Toecutter, Johnny the Boy e o chefe da estação) eram todos atores teatrais de Shakespeare com formação clássica.

Sheila Florance quebrou o joelho quando tropeçou enquanto corria com a espingarda antiga. Ela voltou para completar suas cenas com a perna e o quadril engessados.

A equipe não podia pagar por uma porta de suporte separatista, então os atores (na cena em que são presos no galpão) tiveram que romper a madeira maciça.

Antes do filme ser lançado nos Estados Unidos, a distribuidora American International Pictures sobrepôs as vozes dos atores. O lançamento do DVD Special Edition de 2002 foi o primeiro DVD dos EUA a apresentar a faixa original do idioma australiano.

Na época do lançamento do filme, o público americano praticamente não tinha experiência e, portanto, muita dificuldade em entender, dialogar com um sotaque australiano. É por isso que a voz de Mel Gibson foi dublada por outro ator - para impedir o fracasso comercial de Mad Max nos EUA, devido à rejeição pelos americanos de personagens "ininteligíveis".

Em "The Madness of Max" (2015), foi revelado que os atores que interpretavam os motociclistas eram tratados às vezes como se fossem delinquentes de verdade. Geoff Parry (Bubba Zanetti) entrou em um banco com cabelos descoloridos para descontar um cheque e eles recusaram o serviço. David Bracks (Mudguts) entrou em um restaurante com seu equipamento e recebeu ordens para sair porque "não serviam a sua espécie".

Jessie não usa linguagem gestual real. São apenas alguns movimentos que Joanne Samuel inventou.

No início do filme, há uma breve cena de dois sinais de trânsito. Eles lêem: "Anarchie" (Anarquia) e "Bedlam". Este sinal de estrada realmente existe na Austrália.

Muitas vezes creditado como o filme que abriu o mercado global de filmes australianos. Com seu orçamento apertado, conseguiu arrecadar US $ 100 milhões em todo o mundo - estabelecendo um novo recorde para o filme independente mais lucrativo de todos os tempos. Ele manteve esse recorde mundial do Guinness até ser superado por A Bruxa de Blair (1999).

A mão queimada que aparece no hospital é na verdade de Sheila Florance (May Swaisey).

O soprador personalizado no V8 era puramente cosmético, estava preso a um motor de partida embaixo do capô e não fazia nada na entrada de ar.

Além de Mel Gibson, apenas um outro ator apareceu neste filme e Mad Max 2: A Caçada Continua (1981). Era Max Fairchild - originalmente como Benno, e depois como refém na frente do carro de Humungus.

O Interceptor custou mais de US $ 35.000 para ser construído. Isso foi mais de três vezes o salário de Mel Gibson para o filme.

Por uma cena, o diretor de fotografia David Eggby segurou a câmera enquanto era passageiro de uma motocicleta percorrendo 160 quilômetros por hora. Recordando a cena, ele disse: "Eu sabia que estávamos arriscando nossas vidas por aí".

Para o papel principal, George Miller considerou um ator americano "para fazer com que o filme fosse visto o mais amplamente possível" e até viajou para Los Angeles, mas acabou optando por não fazê-lo, pois "todo o orçamento seria ocupado por um nome americano ". Então, em vez disso, o elenco apresentaria deliberadamente atores menos conhecidos.

O poster original mostra Jim Goose, já que "Mad" Max Rockatansky nunca usa capacete com protetor bucal, nem caneleiras e escudos no antebraço, em todo o filme.

Steve Bisley afirmou que ele conseguiu o papel de Jim Goose, porque ele sabia andar de moto, em vez de sua capacidade de atuação.

Dizia-se que Judy Davis fez o teste para o papel de Jessie e faleceu, mas George Miller declarou que ela estava lá apenas para acompanhar seus colegas de classe Mel Gibson e Steve Bisley.

A primeira escolha de George Miller para o papel de Max, foi o irlandês James Healey, que na época trabalhava em um matadouro de Melbourne e estava procurando um novo emprego como ator. Ao ler o roteiro, Healey recusou, achando o diálogo escasso e conciso muito desagradável.

Os críticos reclamaram do nível de violência no filme. Mas se você assistir ao filme, as piores cenas de violência acontecem fora da tela, e só vemos as consequências da violência.

Se você olhar atentamente a primeira cena do The Toecutter. Um dos membros da gangue do The Toecutter tem o logotipo da Pepsi no capacete.

Bubba Zanetti (Geoff Parry) atira na rótula de Max durante uma emboscada. É por causa dessa lesão que Max usa uma armação na perna, improvisada, nas sequências.

Este filme serviu de inspiração para a série Max Payne.

Mel Gibson e Steve Bisley foram parados por um patrulheiro da estrada enquanto dirigiam para o local em seu veículo V-8 Interceptor.

Reg Evans (o mestre da estação) e Geoff Parry (Bubba Zanetti) apareceram com Mel Gibson em Gallipoli (1981).


Trilha Sonora:




Cartazes:







Passado e Presente:



Filmografia Parcial:
Mel Gibson:












Mad Max (1979); Gallipoli (1981); O Ano Que Vivemos em Perigo (1982); Mad Max 2: A Caçada Continua (1981); Mad Max - Além da Cúpula do Trovão (1985); Máquina Mortífera (1987); Máquina Mortífera II (1989); Máquina Mortífera 3 (1992); Maverick (1994); Coração Valente (1995); O Preço de Um Resgate (1996); O Troco (1999); O Patriota (2000); Sinais (2002); O Fim da Escuridão (2010); Os Mercenários 3 (2014); Um Novo Despertar (2011); Plano de Fuga (2012); Os Mercenários 3 (2014); Herança de Sangue (2016); Pai em Dose Dupla 2 (2017); O Gênio e o Louco (2019); Boss Level (2019); Force of Nature (2020)

George Miller (Diretor)











Mad Max (1979); Mad Max 2: A Caçada Continua (1981); No Limite da Realidade (1983); Mad Max 3: Além da Cúpula do Trovão (1985); As Bruxas de Eastwick (1987); O Óleo de Lorenzo (1992); Babe, o Porquinho Atrapalhado na Cidade (1988); Happy Feet: O Pinguim (2006);  Happy Feet 2: O Pinguim (2011); Mad Max: Estrada da Fúria (2015); Three Thousand Years of Longing (2020