A AMÉRICA DOS BRUTOS
O filme começa com um prólogo descrevendo a época da depressão (1933) econômica americana. A escassez de empregos e dinheiro criou uma leva de homens sobrevivendo à margem da sociedade e viajar de graça, clandestinamente, era um meio de deslocamento à procura de comida ou atrás de alguma coisa que lhes trouxessem proveito. Esses indigentes foram considerados como vagabundos, que rechaçavam as leis fazendo suas próprias. Só que o temível “guarda ferroviário do trem 19” não permitia que ninguém viajasse sob seus vagões.
Logo na cena inicial vemos Shack (Ernest Borgnine) perceber que um vagabundo subiu em seu trem cargueiro e se escondeu entre os vagões. Se esgueira sorrateiramente e golpeia impiedosamente o pobre homem que
cai entre os trilhos e morre. A cena é brutal. Shack não responderá por
isso. Ele é a lei naqueles vagões contra
pessoas que perderam tudo e não tem dinheiro para pagarem uma viagem de cidade
em cidade à procura de emprego. Nem todos são trabalhadores, mas muitos já
tiveram uma vida honesta. É um retrato da América dos empobrecidos, multidões
sem emprego, sem dinheiro, despejadas de suas casas à procura de algo que
as sustentassem. O diretor Robert Aldrich resolveu fazer uma metáfora violenta
do que levaria um ser humano a entrar num confronto de morte por orgulho, poder,
vingança e ódio.
O sistema é
o trem. Seu agente a perpetuar o sofrimento do ir e vir, sadicamente, é Shack. Seu antagonista, A-Nº 1 (Lee Marvin), não é apenas o vagabundo mais famoso, ele representa todos
aqueles que foram brutalizados pelo sistema de alguma forma e tentam revidar da
maneira que podem, mostrando que existem e que são deixados à
própria sorte. O termo vagabundo é um pejorativo como muitos se referiam aqueles que perderam seu trabalho por conta da queda da Bolsa de Valores. Cigaret (Keith Carradine) representa uma outra parte desse
sistema: quer tomar o que puder, quer ser famoso e reconhecido, mas sempre inventa estórias como se fossem suas realizações. É o que se aproveita do sistema caótico
sempre para levar vantagem, mas é cacife pequeno nesse jogo de xadrez, ainda
que se ache o jogador mais esperto. Pode ser visto como o futuro, a nova ordem
social que está emergindo.
“The
Emperror of the North Pole”, rebatizado de “The Emperror of the North” é o vigoroso
e brutal filme de ação dirigido por Robert Aldrich que já havia trabalhado com
os dois protagonistas no famoso filme de guerra “Os 12 Condenados”. O título original "O
Imperador do Polo Norte" tinha um significado mais simbólico, mas que o
público não deve ter captado: um imperador do Polo Norte é um imperador de
coisa nenhuma, de nada. Um título pomposo para algo sem real importância como
uma disputa sob um trem para estabelecer quem é o mais durão. Esse é um título dado a A-Nº 1 por seus pares há tempos.
Mas
se a estória parece chata a quem lê essas linhas não
se preocupe, pois o filme é recheado de bons momentos em que os atores Ernest
Borgnine e Lee Marvin vão gradativamente se confrontando num jogo de gato e
rato. A tensão vai aumentando. Shack é uma muralha tida como intransponível,
A-Nº 1 é o único que pode enfrentá-lo e Cigarete vai no estilo “ver no que vai
dar” (e nunca fuma no filme). As apostas estão sob a mesa (literalmente) e isso irrita Shack. Agora é
pessoal, é confronto, não importando quais as consequências. A-Nº 1 quer viajar e
sobreviver no trem de Shack e tem sua experiência e malandragem como armas. Shack quer derrotá-lo, eliminá-lo e continuar a ser a lenda imaculada que tão brutalmente construiu. O ódio se torna mortal. Quem sobreviverá?
Trailer
Curiosidades:
Lee Marvin conquistou o Oscar por Dívida de Sangue (1965).
Ernest Borgnine ganhou o Oscar por Marty (1955).
O nome verdadeiro de Borgnine era Ermes Effron Borgnino.
Keith Carradine ganhou o Oscar de Melhor Canção Original pela música "I'm Easy".
Ernest Borgnine e Lee Marvin atuaram 7 vezes juntos.
Baseado nos Livros "The Road" de Jack London e "From Coast to Coast with Jack London" de Ray Livingston.
Martin Ritt foi a primeira escolha como diretor. Sam Peckinpah os substituiu e o filme acabou nas maõs de Robert Aldrich.
Keith Carradine é irmão de David Carradine (1936-2009), Robert Carradine e filho de John Carradine (1906-1988), todos atores.
Keith Carradine participou do Clip da Cantora Madonna "Material Girl" . O Ator também é cantor e compositor.
A canção do filme é "A Man and a Train" interpretada por Marty Robbins.
Trailer
Curiosidades:
Lee Marvin conquistou o Oscar por Dívida de Sangue (1965).
Ernest Borgnine ganhou o Oscar por Marty (1955).
O nome verdadeiro de Borgnine era Ermes Effron Borgnino.
Keith Carradine ganhou o Oscar de Melhor Canção Original pela música "I'm Easy".
Ernest Borgnine e Lee Marvin atuaram 7 vezes juntos.
Baseado nos Livros "The Road" de Jack London e "From Coast to Coast with Jack London" de Ray Livingston.
Martin Ritt foi a primeira escolha como diretor. Sam Peckinpah os substituiu e o filme acabou nas maõs de Robert Aldrich.
Keith Carradine é irmão de David Carradine (1936-2009), Robert Carradine e filho de John Carradine (1906-1988), todos atores.
Keith Carradine participou do Clip da Cantora Madonna "Material Girl" . O Ator também é cantor e compositor.
A canção do filme é "A Man and a Train" interpretada por Marty Robbins.
Filmografia Parcial:
Lee Marvin (1924–1987)
Conspiração do Silêncio (1955); Taverna Maldita (1955); 7 Homens Sem Destino (1956); A Árvore da Vida (1957); Os Comancheros (1961); O Homem que Matou o Facínora (1962); O Aventureiro do Pacífico (1963); Dívida de Sangue (1965); Os Profissionais (1966); Os Doze Condenados (1967); Inferno no Pacífico (1968); Meu Nome é Jim Kane (1972); A Marca da Brutalidade (1972); O Imperador do Norte (1973); Agonia e Glória (1980); Perseguição Mortal (1981); Mistério no Parque Gorky (1983); Os Doze Condenados: A Nova Missão (1985); Comando Delta (1986)
Conspiração do Silêncio (1955); Taverna Maldita (1955); 7 Homens Sem Destino (1956); A Árvore da Vida (1957); Os Comancheros (1961); O Homem que Matou o Facínora (1962); O Aventureiro do Pacífico (1963); Dívida de Sangue (1965); Os Profissionais (1966); Os Doze Condenados (1967); Inferno no Pacífico (1968); Meu Nome é Jim Kane (1972); A Marca da Brutalidade (1972); O Imperador do Norte (1973); Agonia e Glória (1980); Perseguição Mortal (1981); Mistério no Parque Gorky (1983); Os Doze Condenados: A Nova Missão (1985); Comando Delta (1986)
Ernest Borgnine (1917–2012):
Johnny Guitar (1954); Conspiração do Silêncio (1955); Marty (1955); Vikings, Os Conquistadores (1958); Barrabás (1961); Os Doze Condenados (1967); Meu Ódio Será Sua Herança (1969); Destino do Poseidon (1972); Comboio (1978); Bênção Mortal (1981); O Imperador do Norte (1973); Águia de Fogo (seriado1984 a 1986); Gattaca - Experiência Genética (1997); Sem Trapaça Não tem Graça (1998); Mel (1998); Hoover (2000); Whiplash (2002); Blueberry - Desejo de Vingança (2004); Programa Animal (2008); Atirando Para Matar (2008); O Código Gênesis (2010); RED: Aposentados e Perigosos (2010); A Viagem do Amor de Natal (2011); The Man Who Shook the Hand of Vicente Fernandez (2012)
Keith Carradine
Onde os Homens São Homens (1971); O Imperador do Norte (1973); Os Duelistas (1977); Pretty Baby: Menina Bonita (1978); Cavalgada dos Proscritos (1980); O Confronto Final (1981); Os Amantes de Maria (1984); Vítima do Passado (1988); Laços Diabólicos (1995); Contrato de Risco (1996); O Forasteiro (2002); Elvis & Anabelle: O Despertar de um Amor (2007); A Vida e a Morte De Bobby Z (2007); Dupla Personalidade (2009); Cowboys & Aliens (2011); Além das Palavras (2016); Old Man and the Gun (2018)
Onde os Homens São Homens (1971); O Imperador do Norte (1973); Os Duelistas (1977); Pretty Baby: Menina Bonita (1978); Cavalgada dos Proscritos (1980); O Confronto Final (1981); Os Amantes de Maria (1984); Vítima do Passado (1988); Laços Diabólicos (1995); Contrato de Risco (1996); O Forasteiro (2002); Elvis & Anabelle: O Despertar de um Amor (2007); A Vida e a Morte De Bobby Z (2007); Dupla Personalidade (2009); Cowboys & Aliens (2011); Além das Palavras (2016); Old Man and the Gun (2018)






Posso copiar análises dos filmes aqui publicados?
ResponderExcluirBom dia Giovanny Amaral.
ExcluirPara lhe dar uma resposta, necessito de maiores informações. Se se sentir mais confortável, pode me contatar pela página homônima no Facebook.
Obrigado pela visita.
Abraços.
Luís, td bem?
ResponderExcluirSempre me interessei pelo período da Grande Depressão dos EUA.
Assim, assisti alguns filmes, como Ironweed ( não gostei ), Luta pela Esperança ( bom ), evitei As Vinhas da Ira ( quero ler o livro ) e gostaria de ver A Noite dos Desesperados.
Mas admito que não fiz a associação imediata quando assisti pela 1a vez O Imperador do Norte ( novamente nas madrugadas da Globo; nunca me reconheci como noctívago ou insone, mas nesses momentos me surpreendo como vi tantos filmes de madrugada ).
O filme é o embate entre os 2 personagens e as motivações egóicas que os lançam naquela jornada.
De um lado o ferroviário que se auto-afirma por reinar cruelmente sobre tudo e todos no que se refere áquela linha férrea. Do outro, um ninguém, que só não é ainda mais ninguém porque é rei ( por ovação ) sobre os outros ninguéns. E realmente, como vc citou, o nome O Imperador do Polo Norte mostra muito bem qual o prêmio dessa guerra: nada, no final de tudo.
Ainda assim, a maior distinção entre eles é o respeito pela condição humana, que inexiste em Shack, e se apresenta com medida dignidade em A-nunber 1 (o livro explica esse nome? ).
Enfim, talvez a estória pudesse prescindir do personagem de Keith Carradine, não sei, me pareceu muito superficial para a luta de sangue entre os 2 gigantes. Mas, pensando melhor, ajuda a mostrar — justamente pelo contraste entre ele e A-n1 — que há vagabundos e vagabundos. Ou alquebrados e malandros, como vc colocou.
Bom trabalho de Aldrich, teve competência para perceber as nuances que o filme pedia.
A trilha sonora definitivamente não ajuda, muito desconectada da essência da estória, chegou a irritar, pedia tons mais pesados.
Borgnine, sempre que arregalava os olhos e mostrava aquele sorriso digno de Ronaldinho Gaúcho, era de causar desconforto em qualquer ser vivente. Assim foi em Há 2 Passos da Eternidade. Gostaria de vê-lo ainda em algum trabalho que não explorasse isso.
Lee Marvin também repetiu muito o papel de cara taciturno, mas creio que suas atuações de modo geral foram mais ricas. Faz tempo que quero rever Agonia e Glória e me lembro bem dele nesse papel. E fica aqui uma sugestão: assisti Os Corruptos ( nele Lee Marvin aparece no início de carreira, num papel bem cínico, muito bom ), com Glenn Ford ( a imagem da integridade ) e Glória Grahame ( magnética em cena ); sei que existem muitos, mas tenho certeza que este filme está entre os melhores noirs que o cinema americano já fez, sem exagero.
Luís, gostei muito de sua última crítica, Um Rosto na Multidão. Não conhecia e pretendo vê-lo, mas é incrível como é uma estória premonitória. Parabéns pela escolha , muito oportuna para os dias em que vivemos.
Um grande abraço novamente, Luís.
Olá Mario. Tudo Bem ?
ExcluirEu gosto muito desse tema "Depressão Americana". O imperador do Norte é uma vertente do que a sociedade produziu nestes anos de "crash". Concordo que Borgnine arregala muitos os olhos neste filme. A cena inicial da brutalidade de seu personagem, com um viajante clandestino, nos revela muito de sua personalidade.
Realmente, Keith Carradine não agrega muito ao filme, funciona mais de escada para Lee Marvin ter um personagem que justifique tais atitudes. Sua percepção quanto as outras partes do filme são bem pontuais . Aldrich realmente era um cineasta com um olhar bem crítico como você bem lembrou em Agonia e Glória (já postado por aqui)
Um Rosto na Multidão foi um daqueles achados, olhando algumas sinopses de filmes antigos que passaram na Tv. Começa num ritmo meio lento para os espectadores atuais e até meio óbvio, mas para os primórdios da Tv americana dos ano 50 talvez soasse exagerado. Acredito que ninguém poderia imaginar como seriam os meios de comunicação em 2026 , tendo até IA para nos auxiliar. O filme me fez refletir para onde estamos caminhando e creio que sirva como um alerta numa sociedade atual que cada vez gosta de filmes escapistas e cujo livros parecem artigos de lojas de antiguidades.
Bem, é isso. Obrigado por mais esse comentário dentre tantos que você faz no blog. Um grande abraço e até a próxima.
Luís, te peço um favor.
ResponderExcluirEu escrevi errado: é A Um Passo da Eternidade.
Vc corrige para mim?
Grato!
Oi Mario.
ExcluirNão tem problema, percebi que foi um erro de digitação. Seu comentário foi feito bem tarde e acredito que o cansaço já o estava dominando. Eu não tenho como modificar o texto quem me enviam, é bloqueado para mim, por isso, às vezes, nem posso publicar certos comentários porque as pessoas colocam telefone e e-mail e isso é complicado.
Eu costumo dizer que a gente acerta mil, mas quando a gente erra uma vez é criticado. É assim lá no face, mas eu entendo que nesse corre-corre diário de nossas vidas acabamos tendo um ou outro erro de digitação ou de memória. E está tudo bem. O importante são as suas dezenas de análises sempre concisas e reflexivas. Um grande abraço