terça-feira, 26 de janeiro de 2016

TARZAN E A TRIBO NAGASU / TARZAN'S FIGHT FOR LIFE (1958) - ESTADOS UNIDOS


TARZAN , NAGASU E JANE

Dr. Sturdy (Carl Benton Reid) e sua filha Ann Sturdy (Jil Jarmyn) praticam medicina em plena selva. O feiticeiro da tribo, Futa (James Edwards), vê seu poder diminuir  gradativamente. Seu aliado, Ramo (Woody Strode), também entende que os médicos são forasteiros que não deveriam estar em suas terras. A esperança da maioria é que um jovem chefe índio, assuma o seu posto e aceite a ciência como um aliado e não uma força demoníaca.



O doutor Ken Warwick (Harry Lauter), recém formado, volta para encontrar Ann e ajudar o pai dela, mas Remo resolve atacar, sendo contido por Tarzan (Gordon Scott). Mais tarde Tarzan resolve estabelecer a paz em uma conversa com o feiticeiro. O ataque de um crocodilo a uma jovem obriga levar Tarzan a levá-la ao posto médico e cria um novo incidente. Quando a esposa de Tarzan começa a apresentar sintomas de apendicite, o homem macaco a leva também ao posto junto com Tartu, filho adotivo do casal. A morte da jovem, dá a Futa a oportunidade que queria: culpar Tarzan por sua morte e provar que a medicina local não supera sua mágica e que é ruim para seu povo. A morte da esposa de Tarzan é ordenada para que traga novamente a paz a tribo Nagasu.


Este seria o último filme de Tarzan na qual o personagem fala um inglês arcaico, sem muita fluência o que voltaria a acontecer somente em Tarzan, O Filho das Selvas de 1981. Tarzan e a Tribo Nagasu foi o terceiro filme, de um total de seis, com o ator Gordon Scott. O filme “A Maior Aventura de Tarzan” (1959), o quinto do ator,  ficaria famoso por trazer o famoso 007 Sean Connery como um vilão. Este foi o único filme protagonizado pelo ator que mostra Tarzan junto com Jane.


Tarzan e a Tribo Nagasu, apesar de ser acusado de ser um dos filmes mais fracos do personagem, tem suas qualidades. Temos boas (poucas) lutas, uma bela Jane (Eve Brent 1929–2011), ainda que fora de contexto,  e uma trama que obriga Tarzan a lutar por sua vida,  da esposa e salvar o pequeno chefe que está enfermo nas mãos do feiticeiro que aguarda sua morte.


Tarzan e a Tribo Nagasu tem altos e baixos: uma boa história, bons cenários, lutas e a famosa cena de Gordon enroscado em uma Píton, que dizem ter sido necessário 6 homens para livrá-lo do “abraço” da serpente. Em contraponto, a utilização de dois vilões, Futa e Ramo (interpretado por Woody Strode, em sua primeira colaboração,  de algumas produções de Tarzan como “Os Três Desafios deTarzan’ (1963) e alguns episódios da série Televisiva com Ron Ely, como “Tarzan e o Silêncio Mortal”) foi mal utilizada. No final das contas nem um ou outro se torna um grande desafio para Tarzan. As cenas com Jane e seu filho deram uma freada na ação, dando uma ar familiar a produção, desvirtuando-se da história em si. Dizem que os produtores já pensavam em uma série televisiva. Só que o principal produtor, Sol Lesser, vendeu os direitos para Sy Weintraub que ficou com personagem até a série televisiva (1967 -1968). Deu fluência a Tarzan, em seus filmes posteriores, de acordo com o personagem concebido pelo escritos de Edgar Rice Burroughs.
 

Ainda que não seja a melhor das aventuras com o ator “marombado” Gordon Scott, que depois dos seis filmes partiria para a Itália e entraria em outro gênero muito famoso chamado “espadas e sandálias” (de atores fisiculturistas como Steve Reeves, Dan Vadis, Reg Park, Mark Forest e outros), ainda pode ser considerado um grande divertimento e uma boa dica para fãs dos personagens reverem como eram feitos os filmes de Tarzan sem efeitos especiais. Agora com o lançamento de "A Lenda de Tarzan" em 2016 as atenções devem voltar-se novamente ao personagem, que teve o grande Johnny Weissmuller como o melhor ator até o momento pelos críticos especializados.
 

Curiosidades:

Woody Strode {nome de batismo Woodrow Wilson Woolwine  (1914 - 1994)} foi atleta de decatlo e jogador de futebol americano

Gordon Scott (nome de batismo Gordon M. Werschkul) faleceu em 2007 de problemas cardíacos, no ostracismo. Foi instrutor de infantaria, bombeiro, vaqueiro ... Foi descoberto quando trabalhava de salva-vidas em um hotel de Las Vegas. Seu físico avantajado em 1,91m chamou a atenção dos produtores que procuravam um novo “Tarzan”.

Gordon Scott sucedeu a Lex Barker que fez cinco filmes

Johnny Weissmuller fez doze filmes do personagem

Ron Ely fez o Tarzan da série televisiva entre 1967 -1968

Wolf Larson protagonizou entre  1991 e 1994 o seriado Tarzan

Entre 1996-1997 foi ao ar, nos Estados Unidos, Tarzan: The Epic Adventures com o ator Joe Lara 

Durante as filmagens africanas com Miki Carter para este filme principalmente destinado ao estúdio, Gordon Scott se deu bem com alguns nativos envolvidos no filme. Um guerreiro massai o apelidou de "Mtu Ule Na Panda Mitu Minegu" (Guerreiro que escala árvores altas).

Gordon Scott quase foi morto pela píton de 5,6 metros com a qual ele estava lutando neste filme. Foram necessários seis homens para puxar a cobra de cima dele.

Este foi o último longa-metragem do produtor Sol Lesser, encerrando uma carreira que produziu mais de cem longas-metragens, incluindo muitos outros de Tarzan.

Durante a filmagem, Scott ganhou uma aposta ao capturar e montar uma girafa selvagem por cinco minutos. Carter filmou esse incidente e ele foi incluído no filme, assim como no longa-metragem recortado de uma série de TV abortada, Tarzan e os Caçadores (1960).

Sob pressão constante do todo poderoso Código de Produção, ainda no controle da produção de filmes nesta época, até Cheetah usa uma tanga.

O mascote do estúdio de M-G-M, Leo, o Leão, tem uma participação especial como um animal enjaulado na aldeia nativa.

Todos os três atores principais deste filme (Gordon Scott como Tarzan, Eve Brent como Jane e Rickie Sorensen como Boy) mais tarde reprisariam seus papéis em uma tentativa fracassada de 1960 de apresentar o personagem de Edgar Rice Burroughs em uma série de televisão. Três episódios foram filmados, mas quando nenhuma das redes de TV na época pegou o projeto, M-G-M juntou todos os três episódios e eles eventualmente foram ao ar como o filme de TV Tarzan e os Caçadores

Este é o único filme da era Gordon Scott dos filmes de Tarzan a apresentar a personagem  Jane.



Cartaz:




Filmografia Parcial:

Gordon Scott  (1926 - 2007)










Tarzan e os Selvagens (1955) ; Tarzan e a Expedição Perdida (1957); Tarzan e a Tribo Nagasu (1958); Tarzan e os Caçadores (1958); A Maior Aventura de Tarzan (1959); Tarzan, O Magnífico (1960); Rômulo & Remo (1961);O Gladiador de Roma (1962);Zorro e os 3 Mosqueteiros (1963); O Herói da Babilônia (1963); O Colosso de Roma (1964); Secretíssimo (1967)


Woody Strode (1914–1994)










Androcles e o Leão (1952); Demetrius, O Gladiador (1954); O Cálice Sagrado (1954); Os Dez Mandamentos (1956); Tarzan e a Tribo Nagasu (1958); Spartacus (1960); Audazes e Malditos (1960); Terra Bruta (1961); O Homem que Matou o Facínora (1962); Os Três Desafios de Tarzan (1963); Gengis Khan (1965); 7 Mulheres (1966); Tarzan e o Silêncio Mortal (1966); Era Uma Vez no Oeste (168); Shalako (1968);A Colina dos Homens Maus (1969); Keoma (1976); O Regresso do Corcel Negro (1983); Cotton Club (1984); Rápida e Mortal (1995).

sábado, 23 de janeiro de 2016

A MARCA DO ZORRO / THE MARK OF ZORRO (1940) - ESTADOS UNIDOS



CONSIDERADO UNS DOS MELHORES ZORROS DE TODOS OS TEMPOS

Don Diego Vega (Tyrone Power 1914–1958), cadete da cavalaria espanhola, recebe a notícia de que está sendo chamado de volta ao seu país por seu pai. Ao chegar na Califórnia, nota uma população aterrorizada principalmente quando diz ser filho do Alcaide. Não tardará para descobrir que seu pai foi substituído por um tirano que usurpou seu cargo.


Ao ser apresentado a Don Luis Quintero (J. Edward Bromberg 1903–1951), sua esposa Inez Quintero (Gale Sondergaard 1899–1985) e o capitão Esteban Pasquale (Basil Rathbone 1892–1967), adido militar do alcaide, Don Diego compreende a situação e simula ser um homem afeminado para o trio, sua família e amigos. Enquanto passa o dia simulando ser uma pessoa desinteressada, à noite entrega-se a vestimenta do Zorro e passa a combater o exército de Quintero e Esteban, ganhando o amor da ingênua e bela sobrinha do alcaide, Lolita Quintero (Linda Darnell 1923–1965), que se apaixona pela figura do Zorro sem saber sua verdadeira identidade.


Muitos consideram este o melhor Zorro já feito para o cinema. Sem dúvida esta trama ambientada na velha Califórnia do final do século XIX  tem todos os requisitos para uma aventura de capa e espada de primeira linha. O filme é movimentado com direito a um grande duelo de espadas, romance e um pouco de humor.  Tyrone Power faz um Zorro com muita presença cênica e apesar de muitos o considerarem um ator sem recursos, ele conduziu o filme sem problemas. Linda Darnell (mais conhecida por aqui pelo filme A Canção de Bernadette) e Basil Rathbone , considerado um dos melhores espadachins de Hollywood de todos os tempos e que representou Sherlock Holmes em filmes na década de 40 estão em ótimas performances e já eram astros conhecidos e admirados na época do lançamento.  Este foi o terceiro filme em que Tyrone e Linda atuaram juntos, por isso a química tão boa alcançada para o sucesso do filme. 


O filme, uma superprodução da Fox, tem belas paisagens e os (poucos) combates são ótimos, ainda que o clímax entre o vilão e o herói poderia ter sido mais estendido. As leves situações cômicas funcionam muito bem, principalmente através do Fray Felipe (Eugene Pallette) que parece um “Frei Tuck” dos filmes de Robin Hood : bom coração, mas pronto para o combate.


A Marca do Zorro deriva do personagem deixar sua marca em forma de Z nos corpos dos bandidos e opressores do povo na época. Virou marca registrada nos filmes posteriores, sendo parodiada no filme “As Duas Faces do Zorro”, com o ator George Hamilton, que em determinada cena utiliza-se do símbolo e um colono acha que significa “Zero”. Aliais o personagem volta e meia deu as caras em várias produções ao longo do tempo. Dentre as que podemos destacar:  o ator Alain Delon com o seu Zorro (ou a Marca do Zorro) de 1974 , Antonio Banderas com seus filmes A Máscara do Zorro (1998) e A Lenda do Zorro (2005); a ótima versão televisiva da Disney na pele do ator argentino Guy Williams (famoso também pela série Perdidos no Espaço) e até produções curiosas como Zorro e os Três Mosqueteiros de 1963 (na pele do “Tarzan” Gordon Scott). Houve uma refilmagem "xerocada" para a televisão em 1974 com o ator Frank Langella (o vilão Esqueleto no filme Mestres do Universo, vulgo  He-Man, da década de 80 e do Filme Frost / Nixon) e Ricardo Montalban (de A Ilha da Fantasia; Jornada nas Estrelas II - A Ira de Khan) como o vilão. Essa nova versão também recebeu críticas favoráveis. E, por último, “Lone Ranger” (1949–1957) o famoso seriado americano protagonizado pelos atores  Clainton Moore (1914-1999) e John Hart (1917-2009), além do índio Tonto. No Brasil recebeu o nome de As Aventuras de Zorro (o correto seria “Cavaleiro Solitário”, pois em nada tem a ver com Zorro) e provocou certa confusão nos telespectadores. Moore esteve no seriado Ghost of Zorro de 1949.
Vale citar que todos esses filmes foram realizados a partir do filme  “A Marca do Zorro” de 1920, com Douglas Fairbanks, muito elogiado por sua atuação, mas hoje pouco procurado por ser um filme mudo.


Ainda que os mais novos prefiram o Zorro televisivo de Guy Williams e Henry Calvin (o eterno sargento Garcia), também colorizado, ou os mais recentes de Antonio Banderas,  este "A Marca do Zorro" merece figurar entre os melhores, mesmo porque sua imagem pouco aparece, sendo mais difícil de descobrir quem estaria por trás da máscara, só revelada no final. Um bom entretenimento e uma ótima oportunidade para se saber como eram feitos bons filmes de capa e espada na década de 40. A versão colorizada torna este filme mais "rejuvenescido" ainda que muitos prefiram sua versão original  em preto e branco. 
 

Outros Zorros do cinema :

George Hamilton

Duncan Regehr

Alain Delon
Douglas Fairbanks
Cavaleiro Solitário
Frank Langella
Antonio Bandeiras
Gordon Scott
Guy Williams


Cartazes:



Curiosidades:

O ator J. Edward Bromberg  que fez o papel de Quintero foi acusado de ser comunista, entrou na lista negra de Hollywood. Impedido de atuar tentou carreira na Inglaterra como tantos outros. Devido a situação, sua saúde foi abalada, morrendo aos 48 anos.

Nos quadrinhos “O Cavaleiro das Trevas” de Frank Miller “A Marca do Zorro” é o filme que o garoto Bruce Wayne vê no dia do morte de seus pais e causa certa influencia para que o herói Batman surja em defesa dos cidadãos de Gothan.


 












Baseada na história “Curse of Capistrano” de Johnston McCulley escrita em 1919.


 














Indicado ao Oscar de Melhor Trilha Sonora Original Por Alfred Newman.

Alfred Newman teve, ao longo de sua carreira, várias indicações ao Oscar e 9 prêmios.

A canção de Bernadette (1943) foi o terceiro Oscar de Newman. O filme teve como protagonista a atriz Linda Darnell.


 













Tyrone Powell aprendeu truques de mágica com Harry Green e fazia “desaparecer” os objetos do cenário. Aprendeu espanhol e esgrima.



Tyrone Power (1914–1958)









Jesse James (1939); A Marca do Zorro (1940); Sangue e Areia (1941); O Cisne Negro (1942); O Fio da Navalha (1946); O Beco das Almas Perdidas (1947); Capitão de Castela (1947); O Aventureiro do Mississippi (1963); Duelo de Paixões (1955); Melodia Imortal (1956); E Agora Brilha o Sol (1957); Testemunha de Acusação (1957).


Linda Darnell (1923–1965)









A Marca do Zorro (1940); Sangue e Areia (1941); A Canção de Bernadette (1943); Buffalo Bill (1944); Quando os Homens São Homens (1945); Anna e o Rei do Sião (1946); Paixão dos Fortes (1946); Barba Negra, o Pirata (1952); Entre a Vida e a Morte (1957).


Basil Rathbone (1892–1967)









David Copperfield (1935); Os Últimos Dias de Pompeia (1935); O Capitão Blood (1935); Romeu e Julieta (1936); As Aventuras de Robin Hood (1938); O Cão dos Baskervilles (1939); Sherlock Holmes (1939); A Marca do Zorro (1940); Melodia Fatal (1946); Farsa Trágica (1963).