terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

O INTRUSO / THE INTRUDER (1962) - ESTADOS UNIDOS

 


VENDEDOR DE ÓDIO

Adam Cramer (William Shatner) é um homem chegando de ônibus à cidade (fictícia) de Caxton, no Missouri, sul dos Estados Unidos. Vestindo um terno branco impecável e mostrando-se uma pessoa bem articulada, ele se regozija por encontrar um local onde poderá espalhar seu ódio, seu preconceito e sua intolerância contra a integração racial nas escolas. Grande parte não está feliz com a lei, mas aceitam que ela exista. Cramer alega representar uma organização social chamada "Patrick Henry", que contesta a decisão do governo e acredita que os cidadãos bem orientados podem opor resistência. E o modo como Cramer acredita que possa influenciar as pessoas é tudo menos democrático como alardeia. E é através de Verne Shipman (Robert Emhardt), um empresário rico e influente, que Cramer vê a chance de colocar seu nefasto plano em andamento.

Para entendermos o contexto na qual o filme se insere, precisamos entender que a integração foi aprovada em 17 de maio de 1954, quando a Suprema Corte dos EUA decidiu, no caso “Brown v. Board of Education”, que a segregação em escolas públicas era inconstitucional. Essa decisão derrubou a doutrina do "separados, mas iguais" que vinha desde 1896. Notemos a data do filme: 1962. Existe um intervalo de 8 anos entre a lei e a obra dirigida por Corman. O filme se passa justamente no período da "Resistência Massiva". Embora a lei existisse, muitos estados do Sul (como o Missouri, onde o filme foi rodado) se recusavam a cumpri-la ou faziam de tudo para atrasar o processo. E é aí que Adam Cramer se insere: exatamente nesse vácuo entre a lei e a aceitação social. 


Em 1962, Roger Corman abandonou momentaneamente seus monstros ficcionais para realizar um dos filmes americanos mais corajosos e ousados ​​de todos os tempos, entregando em "O Intruso" um estudo cirúrgico sobre a engenharia do ódio. Através da chegada de Adam Cramer, o filme desmascara o demagogo não como um fanático cego, mas como um técnico da manipulação que utiliza a retórica como ferramenta de ascensão. Ao evocar figuras como Sócrates, Hitler e Lênin tenta apresentar uma “genealogia intelectual”: ele possui o verniz dos letrados, a técnica de mobilização das massas e o pragmatismo amoral de quem sacrifica vidas, como a do padre ou a visão do editor local, em nome de uma narrativa de poder. É um vilão moderno, cujo ego inflado é alimentado pela capacidade de transformar o preconceito latente em uma arma política de destruição em massa. Corman resolveu mostrar que monstros podem ser de carne e osso e morarem ao seu lado (como em “Tiros em Ruanda”, na qual o vizinho que você cumprimenta todas as manhãs, sob a influência certa, pode se tornar seu carrasco).

Filmado em um preto e branco pelo talentoso Taylor Byars, a força da obra reside na interpretação de Shatner, que encarna uma serpente de terno e gravata, cuja sedução é proporcional à sua covardia. Bebendo diretamente da fonte de clássicos como "Consciências Mortas", o filme subverte a psicologia das massas ao mostrar que o "linchamento" não precisa de uma “causa justa”, apenas de um catalisador bem articulado. O confronto de Cramer com o personagem de Leo Gordon desmascara essa fragilidade: o demagogo é um parasita que murcha diante da integridade individual, provando que sua força não reside em convicções reais, mas na proteção que a turba lhe oferece. Ele olha para as plantações de algodão não com olhar nostalgico, mas com a frieza de um general que mapeia o combustível necessário para um incêndio social.

O curioso é que o filme, um drama inovador sobre os direitos civis, anos à frente de seu tempo, mas totalmente dentro de sua época, não encontrou ressonância do público em 1962. O filme foi o maior fracasso comercial de Corman, pois não deu lucro. Um dos motivos talvez resida no fato que, na época que o filme foi lançado, a América (principalmente a sulista) não queria abordar o racismo no Sul dos Estados Unidos. Já, "No Calor da Noite"(com Sidnei Poitier), com a temática “racismo sulista”, obteve um enorme sucesso de público apenas cinco anos depois. Quem não se lembra de “Mississipi em Chamas” abordado décadas depois. Só que O Intruso abordou essa temática no “olho do furacão”, época cujos direitos civis ainda gerariam diversas contendas.

Corman usou um artifício interessante para gravar seu projeto: distribuiu uma versão de roteiro suavizada (com outros diálogos), o que trouxe outra percepção aos moradores locais que ele colocou no filme, muitos realmente eram contra a decisão do governo, contra a integração. Quando o conteúdo real do filme foi descoberto, Corman e os envolvidos foram “convidados” a “se retirarem” rapidamente pelas forças policiais, recebendo até ameaças de grupos de ódio. O relançamento, mais de 40 anos depois, no mercado de vídeo doméstico na Inglaterra, trouxe algo inesperado: o investimento no filme foi recuperado. Um tema ainda relevante nos tempos atuais, pois o problema foi parcialmente resolvido, mas não completamente. Considerando o que está acontecendo nos EUA atualmente, este filme (passado na tevê brasileira) apenas reforça a mensagem e a necessidade de sua redescoberta. A destacar a trilha sonora pontuada nos momentos certos de Herman Stein, que não deixa o espectador relaxar, mesmo nas cenas de diálogo. 


As analogias são bem interessantes quando vemos o filme com um olhar mais apurado: Adam Cramer é retratado como um oportunista ideológico. Ele não chega à cidade com armas; ele chega com retórica. Ele não cria o racismo na cidade; ele simplesmente dá permissão para que o preconceito latente dos cidadãos se transforme em ação violenta. O perigo do personagem não está nos gritos, mas no sorriso. Ele é um "vendedor de ódio”. Para Cramer, a verdade não importa; o que importa é a narrativa. Ele sabe que a prisão o transforma em um símbolo.  O tema central pode ser interpretado como a facilidade com que um estranho articulado pode manipular a psicologia das massas; o foco não é o crime em si, mas a velocidade com que a racionalidade humana evapora quando o grupo se torna uma massa uniforme. Podemos até conjecturar se o filme critica os racistas ou critica a incapacidade das "pessoas de bem" em silenciar um demagogo antes que a violência comece? O espancamento de Tom (o editor) seria uma crítica de que a civilização (representada pela imprensa e pela lei) é extremamente frágil diante da força bruta. Quando o editor perde o olho, o filme está dizendo literalmente que a cidade "perdeu a visão" ou a perspectiva. Uma metáfora visual poderosa sobre a cegueira coletiva. Cramer é um homem de palavras. Ele domina quem ele pode seduzir ou intimidar intelectualmente. Quando ele encontra a força física bruta e a convicção moral de Griffin sem uma massa para protegê-lo, ele percebe que não é nada. O final é abrupto porque a vida real estava ameaçando a produção. O ódio que Adam Cramer semeava na tela estava começando a cercar a equipe de filmagem fora dela.  Ele não cita Hitler pelo antissemitismo, mas pela técnica. Ele admira a capacidade de transformar um "zé ninguém" em uma divindade através do palanque; ao citar Aristóteles, ele usa a filosofia clássica para dizer àquela população rural: "Eu sou a elite intelectual que veio validar o preconceito de vocês". Ele dá um ar de "ciência" e "ética" ao que seria apenas barbárie. Quanto a Lênin, seria a aceitação do método: "os fins justificam os meios". Se for preciso explodir uma igreja para manter latente o ódio, ele o fará. No final, podemos conjecturar se o preconceito permanecerá, dormente, esperando o próximo Adam Cramer (ou algo pior) chegar.


O desfecho do filme, muitas vezes criticado como um “deus ex-machina apressado pelas limitações orçamentárias de Corman, revela, sob um olhar mais atento, uma ironia perversa sobre a natureza humana. Quando a mentira que sustentava a fúria da cidade é desmascarada, a população não passa por uma catarse moral ou um arrependimento genuíno; eles simplesmente se dispersam em um silêncio covarde. A resolução abrupta serve como um espelho da conveniência social: as pessoas preferem fingir que foram "manipuladas" por um estranho do que enfrentar o fato de que as ideias de Cramer ecoavam perfeitamente em seus próprios corações. O palanque vazio onde Adam termina sozinho não simboliza a vitória da justiça, mas a solidão momentânea de um método que, em breve, poderá encontrar novos ouvidos em uma outra cidade, por exemplo. E o pior: em 1962, Cramer precisava de um ônibus e um terno; hoje, ele precisaria apenas de um algoritmo e um perfil verificado.

Quanto ao elenco, Shatner tinha 31 anos quando o filme estreou e já tinha trabalhos no cinema: "Os Irmãos Karamazov", "O Julgamento de Nuremberg" e "Geração Violenta", além de trabalhos na tevê e teatro. Sua atuação visceral deu uma força ao roteiro de Charles Beaumont, (cujo livro foi escrito e publicado em 1958. Beaumont escreveu também vários episódios do seriado “Além da Imaginação” / Twilight Zone) interpretando um personagem oportunista (um “forasteiro profissional’), inflamando o ódio e o ressentimento que já existiam naquela cidade, naquele Estado (não por acaso em um terno branco , cor da pureza, enquanto semeia a escuridão). Ironicamente, Shatner participou do primeiro beijo inter-racial da televisão aberta americana, quando beijou a Tenente Uhura em "Jornada nas Estrelas" no episódio “Os Senhores de Triskelion”. Assim como é irônico também seu personagem acusar Sam Griffin (Leo Gordon) de beijar uma afrodescendente já no final do filme. E, continuando com as ironias, vemos uma inversão de papéis entre o quase sempre mocinho Shatner e o quase sempre vilão Leo Gordon. O bom elenco deu o suporte que o filme necessitava e o uso de atores não profissionais (moradores locais desavisados misturados nas cenas) deu um ar de autenticidade a esse filme independente realizado por Corman. Beaumont fez uma participação especial interpretando o Sr. Paton (ele faleceria seis anos depois). Tom McDaniel (Frank Maxwell) interpretou o editor do jornal local, que se opõe à integração, lutando contra o movimento com inúmeros artigos. Ele não gosta da nova lei, mas não quer que sua filha adolescente seja exposta a esse tipo de ódio que Cramer começa a espalhar freneticamente a quem lhe dê ouvidos. E isso lhe custará caro. Charles Brown interpretou Joey é um dos estudantes afrodescendentes que se mostra determinado a frequentar o ensino médio, mesmo diante dos protestos contundentes dos que ali vivem. 


O Intruso se recusa a oferecer a redenção fácil que o público de drive-in da época poderia esperar, deixando as cicatrizes da violência expostas e sem cura. O editor continua cego e o racismo estrutural permanece intacto sob o tapete de uma suposta normalidade retomada pela cidade. Ao contrário de uma tragédia grega, onde o erro leva ao aprendizado, aqui o erro leva apenas ao constrangimento, sugerindo que o mal é cíclico e aguarda apenas o próximo "Adam" para despertar. É uma obra que sobrevive ao tempo por sua crueza independente, lembrando-nos de que, embora os manipuladores possam ser desmascarados, ainda há terrenos férteis para a ignorância e para o preconceito que raramente são arados.


Trailer:



Curiosidades:

Até a data desta postagem, dsiponivel no YouTube com legendas automáticas

Beverly Lunsford (1945-2019) que interpretou Ella, a filha do editor, participou de algumas séries de tevê . Sua carreira nos cinemas terminou em 1969. faleceu aos 74 anos de causas não reveladas

Robert Emhardt (1914-1994) faleceu de falência cardíaca aos 80 anos

Leo Gordon (1922-2000) faleceu de falência cardíaca aos 78 anos

Jeanne Cooper (1928-2013) faleceu aos 84 anos em decorrência de problemas pulmonares . Participou de diversos seriados ao longo da carreira

Depois que a equipe de filmagem foi expulsa de East Prairie, Missouri, pelo chefe de polícia da cidade (supostamente por serem "comunistas"), o produtor/diretor do filme, Roger Corman , percebeu que precisava de mais uma tomada panorâmica da escola. Ele e um assistente voltaram à cidade e filmaram a cena às pressas. O chefe de polícia, de alguma forma, deve ter descoberto a presença dos dois, pois Corman o viu dirigindo ao longe. Corman e seu assistente jogaram rapidamente a câmera e os equipamentos no carro e partiram na direção oposta, ilesos.

Em seu livro "Boldly Go" (2022), William Shatner relata que moradores locais foram contratados como figurantes durante a filmagem do discurso racista de Adam Cramer nos degraus do tribunal. Como Shatner havia gritado bastante no dia anterior, precisou poupar a voz durante a maior parte das filmagens. O produtor e diretor Roger Corman instruiu-o a mímica do discurso enquanto orientava a plateia sobre como reagir, filmando por cima do ombro de Shatner. Ao final do dia, a voz de Shatner havia se recuperado o suficiente para que ele interpretasse o discurso em seus closes. A essa altura, a maioria dos figurantes já havia deixado o set por conta própria. No dia seguinte, um jornalista local abordou Corman e Shatner e disse-lhes que haviam sido espertos em não recitar o diálogo do discurso diante da plateia. Ele explicou-lhes que uma árvore no pátio do tribunal havia sido usada para linchamentos pelo menos 20 anos antes, e que alguns dos figurantes na multidão haviam participado desses linchamentos. Se tivessem ouvido o discurso, não se sabia como teriam reagido.

O filme foi inteiramente rodado em locações no sudeste do Missouri, com moradores locais atuando como figurantes. Sabendo o quão incendiário era o roteiro, o produtor/diretor, Roger Corman , fez questão de não mostrá-lo na íntegra para eles, por medo de ser expulso da cidade à força.

William Shatner afirmou que, durante a produção deste filme, tanto a vida do elenco quanto da equipe de filmagem foram ameaçadas, os equipamentos foram sabotados e a permissão para filmar no pátio de uma escola local foi revogada.

O filme estreou em Londres, Inglaterra, na semana do assassinato do presidente John F. Kennedy, com o título "The Stranger". Foi então relançado nos EUA com o título "Shame" e, posteriormente, relançado novamente nos EUA com outro título, "I Hate Your Guts!".

O produtor/diretor do filme, Roger Corman , disse que ele mudou muito sua visão sobre cinema. O filme foi exibido em festivais e recebeu ótimas críticas, mas foi o primeiro filme que ele fez a dar prejuízo. Depois de analisar o motivo, ele percebeu que a lição que tentava transmitir ao público era excessiva. A partir daquele momento, ele se concentrou mais em entreter o público. Ele disse que sempre tentou inserir uma moral em seus filmes depois disso, mas de forma sutil, sem martelá-la na cabeça do público, porque esse não era o motivo pelo qual as pessoas iam ao cinema.

Filmado com um orçamento de US$ 100.000,00 em locações em Charleston, Missouri.


Cartaz:












Filmografias Parciais:

William Shatner






Os Irmãos Karamazov (1958); Julgamento em Nuremberg (1961); Geração em Conflito / Geração Violenta (1961); O Intruso (1962);  Alexandre, O Grande (1963); As Quatro Confições (1964); Incubus (1966); O Ódio é Minha Lei (1968); Jornada nas Estrelas (seriado 1966-1969); O Único Sobrevivente (1970); O Cão do Inferno (1971): Incidente em um Rua Escura (1972) Batismo de Fogo (1974); A Mulher da Metralhadora / Grande Mamãe (1974); Acusado e Condenado / Indiciado e Condenado (1974); Suprema Decisão (1975); A Chuva do Diabo (1975); A Costa de São Francisco (1975); A Maldição das Aranhas (1977); Jornada nas Estrelas: O Filme (1979); Horário de Visitas (1982); Jornada nas Estrelas II - A Ira de Khan (1982); Jornada nas Estrelas III - À Procura de Spock (1984); Confissões de um Homem Casado (1984); Jornada nas Estrelas IV - A Volta para Casa (1986); Carro Comando (seriado 1982-1986); Jornada nas Estrelas V - A Última Fronteira (1989); Jornada nas Estrelas VI - A Terra Desconhecida (1991); Máquina Quase Mortífera (1993); Jornada nas Estrelas: Generations (1994); Miss Simpatia (2000); American Psycho II: All American Girl (2002); Miss Simpatia 2: Armada e Poderosa (2005); Everest: Um Desafio à Vida ( Minissérie 2007);  Justiça Sem Limites (seriado 2004-2008);  $#*! My Dad Says (seriado 2010-2011);  Horrorween (2011); A Christmas Horror Story (2015); Baby, Baby, Baby (2015); Bem a Tempo Para o Natal  (2015); Área 15 (2016);  Inseparáveis (2016); Creators: The Past (2019); Devil's Revenge (2019) Acelerando Para o Amor (2021);


Leo Gordon (1922- 2000)






Átila, o Rei dos Hunos (1954); Sangue de Bárbaros (1956); O Homem Que Sabia Demais (1956); Tarzan Vai à Índia (1962); O Intruso (1962); Quando um Homem É Homem (1963); Os Reis do Sol (1963); Beau Geste (1966); Alienator - A Exterminadora Indestrutível (1990); Maverick (1994).


Charles Barnes (1924-2005)






O Intruso (1962), Ídolo Dourado (1951), Papai Foi um Craque (1949)


Robert Emhardt (1914-1994)






Vingança Forçada (1982),  O Instituto da Vingança (1979), Aconteceu no Natal (1977), Alex e a Cigana (1976). Nasce um Monstro (1974), Jogo Sujo (1973), Mato em Nome da Lei (1971), Vamos Fazer a Guerra? (1970), Ele e as Três Noviças (1969), Rascal, o Amiguinho Travesso (1969), Onde Estavas Quando as Luzes Se Apagaram? (1968), Gatilhos do Ódio (1967), O Canhoneiro do Yang-Tsé (1966), Talhado para Campeão (1962), O Intruso (1962), A Lei dos Marginais (1961), Quartel não é Hotel (1960), Homens das Terras Bravas (1958). Galante e Sanguinário (1957), A Grande Chantagem (1955), Nenhuma Mulher Vale Tanto (1952)


Jeanne Cooper (1928-2013)






A Rainha dos Renegados (1953), O Vale do Medo (1953), O Salário do Pecado (1955), Bandoleiros de Houston (1956), Os Salteadores de Estradas (1957), A Loucura de Mimi (1958), Algemas Partidas (1960), Clamor de Vingança (1962), Prisão de Mulheres (1962), O Intruso (1962),  Feras Sanguinárias (1963), Assim Morrem os Bravos (1965), O Homem Que Odiava as Mulheres (1968), Ninho de Cobras (1970), Brutal Beleza (1972), Doce Refém (1975), Encontro com a Morte (1993), O Sequestro (2002), Ouro Negro (2003)

9 comentários:

  1. Luís, td bem?
    Leio esta sua crítica hoje, coincidentemente na data da morte do ativista dos direitos humanos, Jesse Jackson, que tenho certeza fez sua parte, apesar de qualquer percalço na vida, fruto da natureza humana que nos limita.
    Prefiro ver o filme antes de comentar, então prometo retornar aqui assim que assistir a O Intruso.
    O tema da igualdade social e racial é fundamental para que os homens encontrem um futuro de paz e união. Como vc disse, é fato que ainda não chegamos lá e, infelizmente , se percebe um triste recrudescimento da tolerância no mundo nos últimos anos. Pessoalmente, não vi momento igual ao atual em toda minha vida, é muito angustiante.
    Figuras como o do personagem de Shatner infelizmente vemos muito por aí, na política principalmente, mas até nas reuniões de condomínio também. É dever de todas pessoas de bem as reconhecer e levantar a voz para desacreditá-las, mesmo que contra o senso geral. O que não é fácil, pois é difícil para o homem comum ter a confiança e a verve necessária para isso.
    Mas acredito que mais difícil ainda é o homem comum ter dentro de si convicções claras de justiça e de correção, visto tão poucos modelos na nossa vida diária. Vejo como exemplo disso os números nas diferentes eleições, onde pessoas execráveis conseguem votações significativas.
    Sim, se as pessoas vissem os filmes certos, lessem os livros certos, se tivéssemos escolas melhores, aí… como seria?
    Portanto, se o homem comum não tem um arcabouço moral, religioso e até mesmo cívico, o que podemos esperar hoje?
    Torço para ver um mundo diferente no futuro. Creio que nossos filhos vão viver uma realidade melhor. E todas as lágrimas vão ter valido a pena.
    Excelente texto o seu, vc fez análises muito amplas. Dá gosto de ler.
    Um abraço, Luís.

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  2. Olá Mario. Tudo bem ?
    O Intruso foi uma grata surpresa. Há algum tempo venho publicando no Facebook várias produções raras e muitas vezes, que tiveram apenas uma apresentação ( e as estou colocando aqui em uma das Abas da Página para quem desejar ir direto para a publicação). Se não me engano, O Intruso teve apenas 2 exibições em nossas tevês, chegando a ser exibido nos cinemas quando Shatner ainda era um desconhecido. E olha como é o destino. Roger Corman e Shatner juntos. Talvez não prestasse muita atenção ao filme se o nosso Capitão Kirk não estivesse no elenco e nem pensaria em uma análise. E a ironia: pouco tempo depois seu personagem icônico seria o oposto a esse do filme.
    Mas fui ver o filme. Bem anos 60, sem dúvida. Shatner num papel bem diferente, intenso, detestável, mas um filme (infelizmente) bem atual. Apesar de vc não ter visto o filme, posso dizer que seu comentário é perfeito e talvez essa sua sensível percepção seja o motivo pela qual busco essas análises.
    Creio também que as pessoas devam ler bons livros, livros desafiadores ao longo da vida. Sempre acreditei que ler nos conecta , abre nossos horizontes. Será que Schopenhauer nos diria que lermos muito nos faria ver as coisas com pensamentos alheios?. Creio que não. Na verdade somos influenciados de certo modo, podemos mudar de perspectiva ou acreditarmos na validação de nossas crenças e valores. Penso que os filmes também são assim. Filmes de ação ininterrupta podem nos levar ao escapismo, filme violentos podem dar uma visão a sociedade de que tudo se resolve na justiça pelas próprias mão e assim vai. Filmes para se pensar são poucos que divulgam. Penso o porquê desse filme não está num TCM, Telecine Cult ou Rede Brasil. Desconhecido ? Preto e Branco ? Temática chata para muitos ? Quem pode dizer ... Acredito que devo trazer esses filmes para uma reflexão, uma forma das pessoas perceberem melhor esses temas, não apenas os filmes famosos. As pessoas precisam ver obras esquecidas, mas de qualidade.
    Mario, sua percepção do mundo e do certo e errado se apresenta em suas palavras, fruto de quem lê e reflete sobre as coisas. Como sempre seus comentários agregam as minhas análises. Espero que você goste do filme. Até breve e um grande abraço.

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  3. Nunca pensei porque um TCM ou um Telecine Cult não tem uma curadoria melhor. Ora, pra que eles estão lá? E sem um programa sequer que fale de cinefilia! Nossa, incrível que só tenha percebido isso agora.
    Um grande dever que acho que as pessoas que gostam do cinema de qualidade têm é tentar fazer grandes filmes serem vistos, aqueles bons mesmo, aqueles que nos tornam melhores ao vê-los.
    A força dos filmes está em apenas 90 min ter a capacidade de abrir nossos olhos para coisas cruciais da vida.
    Sermões, discursos, peças, até programas de entrevista podem fazer isso. Mas não intensamente como um filme, que tem a imagem, o som e a estória fluída a seu favor.
    Tudo bem que pensar não é pra todo mundo. Mas SENTIR é! Então, taí a mágica: o sentimento.
    Por isso, um dia, vou me meter a tentar divulgar filme ( pensei em pequenos ciclos, 2/semana ). Pois é, falta tempo pra muitas coisas, mas, sei lá, quem sabe mais velho , com ajuda de um ou outro sonhador, um lindo dia a gente faz alguma pessoa se encantar, uma que seja, e aí… vai ter valido o esforço. Não é o que vc faz, Luís?
    Olha, não é promessa. É um sonho. Um sonho bom.
    Luís, fica aqui também a nota triste pela passagem de Robert Duvall, um gigante que se vai. Irão outros mais, todos na verdade. Mas é um pecado não lhe render um breve reconhecimento, um sincero obrigado.
    Dele, gosto muito do seu papel em A Qualquer Preço, com Travolta. Memorável, impressionante interpretação.
    Um grande abraço!

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    1. Desde que criei o Blog, sempre pensei em um "podcast" cujos (poucos) participantes não necessariamente precisassem estar juntos, apenas on line, como cursos que vemos. Seria um papo informal sobre determinado filme, correlacionando com outros filmes e livros... Mas seria algo sério, sem ideologias , brigas ou fofocas como infelizmente vejo muito na internet. Seria uma discussão de filmes para cinéfilos e aqueles que se interessem em entender melhor certas obras. Todos se respeitando. Quem sabe um dia. Quem sabe poderíamos participar juntos? Também estou em um momento complicado: nova carreira, novo desafios e muitas cobrança, então é para bem para frente.
      Quanto a Robert Duvall, fiz uma publicação notificando o seu falecimento. É pouco, mas não foi esquecido. Um dos atores da qual mais gostava. Uma pena mesmo. Sua participação no filme do Travolta, foi muito boa. Me lembrei agora de A Força do Carinho.
      Penso em fazer um "galeria dos grandes atores e atrizes do cinema e tevê" intercalando com os filmes: biografias, curiosidades filmes, premiações. Algo mais completo do que vejo por aí., mas sem se tornar muito chato. Sei que muita gente não gosta de ler, mas ainda bem que tem aqueles que gostam.
      Que bom conversarmos, sempre aprendo com seus comentários. Um grande abraço e espero que goste de O Intruso.

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  4. Luís, td bem?
    Te envio este link de uma entrevista no YouTube do Ricardo, nosso amigo da Eject Video.
    Infelizmente o pouco conhecimento dos entrevistadores é de se lamentar. Tenha paciência, já aviso.
    Esta é uma pequena, mas rica introdução desta pessoa tão especial que espero que vc tenha oportunidade de conhecer pessoalmente.
    Um abraço!
    https://www.youtube.com/live/72OSosJ8a1c?si=UDYlGFwgHxhvohvt

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  5. Eu coloquei o evento "da locadora ao Streaming" na página do face na véspera, mas naquele momento estava trabalhando.
    Postei o link acima desse que você citou agora lá na página do "Cinéfilos Para Sempre" no Facebook. Obrigado pela dica. O Ricardo entende muito de cinema, percebe-se logo em suas explanações iniciais. Esse video é um formato que me agrada muito, essa conversa quase que informal. Concordo que o Ricardo deveria ter sido melhor aproveitado, até porque ele cita grandes filmes (clássicos) e diretores que o grande público atual parece não conhecer (uma pena). Gostei da entrevista e da postura do Ricardo, em seguir mesmo percebendo que seus entrevistadores conhecem filmes mais recentes, não os mais antigos. A grande maioria dos filmes que o Ricardo citou ou (pelo menos) conheço ou vi (como 2001 que vi no cinema - um dia conto essa aventura - estava com seis ou sete anos de idade), por isso , para mim, a entrevista funcionou, porque o entrevistado manteve o interesse o tempo todo. Mas, sem dúvida, o portfólio de filmes que Ricardo assistiu é muito mais amplo que o meu.
    Indo a São Paulo, num futuro que espero que seja próximo, vou com certeza bater lá na locadora e aprender bastante com quem não só conhece muito de cinema, mas sabe se expressar de uma forma clara e objetiva. Espero que ele não me pergunte qual os meus filmes favoritos, porque até hoje mudo frequentemente (rssssss)
    Mario, muito bom te ver aqui e muito obrigado pelo link. Um grande abraço e mande um abraço (e parabéns) também para o Ricardo.

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    1. Luis, muito obrigado pelo seu carinho comigo e com a Eject Video. Fico orgulhoso. Espero um dia te receber lá na Eject para trocxarmos ideias sobre o Cinema de ontem e de hoje. Uma abraço também ao meu amigo Mário.

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    2. Boa Noite Ricardo.
      Que ótimo tê-lo aqui. Desta vez o blog não deu bug.
      Vi toda a sua entrevista , a partir da informação do Mário, e achei muito enriquecedora. Seu conhecimento de obras de vários países e épocas é muito extensa e importante, para a nova geração e para aqueles que buscam cinema de qualidade. Foi um verdadeiro passeio pela sétima arte e que venham mais entrevistas e bate-papos sobre cinema.
      Ricardo, muito obrigado por vir comentar, seja bem-vindo e um grande abraço.

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  6. Luís
    Mandarei seu abraço e os parabéns com grande prazer. Ele vai gostar.
    Figura única, o Ricardo. Realmente, se portou com muita tranquilidade diante do básico desconhecimento ( surpreendente pra mim ) dos entrevistadores. E seu leque de gostos e visões para os filmes é admirável. Direi isso a ele também.
    Olha, sua visita seria muito bem vinda, Luís. Podia começar na locadora e terminaria num longo jantar.
    Avise com antecedência, ok?
    Um grande abraço pra vc!

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