domingo, 22 de outubro de 2017

UM CONTRATEMPO / CONTRATIEMPO (2016) - ESPANHA



"A Plausibilidade é baseada em detalhes "


Adrián Doria um jovem executivo que alcançou o sucesso rapidamente é encontrado em um hotel desacordado ao lado de sua amante Laura. Detalhe: está foi assassinada e ao seu lado muitas notas de dinheiro. Adrian é o principal culpado e alega ter sido golpeado. A polícia o considera culpado, pois não há arrombamento na porta, estava trancada por dentro e as janelas, por segurança, no inverno, são  travadas. Virginia Goodman, uma renomada advogada, especialista em treinar os réus para suportarem o júri, lhe pede que conte toda a história, desde o início,  com detalhes e sem enrolações. Adrián conta o que se lembra do ocorrido. Com a informação de que uma nova testemunha surgiu e está sendo levada  ao tribunal, agora Virginia tem poucas horas para saber de toda verdade, mas o que surge é uma outra história por trás da história.


Envolvente suspense espanhol que poucos ainda tiveram contato. A história do rico homem de negócios que tinha uma família feliz e se envolveu em um caso de assassinato com sua amante (também casada) pode parecer um filme banal. Apenas parece. "Um Contratempo" leva o espectador a acompanhar o relato de Adrián e sua história que deu muito errado. Um imprevisto mudou tudo na vida do casal de amantes. A advogada começa a perceber que a narração tem amarras soltas e que ela deve preenchê-las. O espectador começa a tomar conhecimento de que algo muito pior ocorreu até o momento da prisão do jovem executivo e a viagem dos pombinhos  e suas ações podem ter sido o motivo de uma vingança planejada contra a dupla, visando incriminá-lo. Só que as reviravoltas vão acontecendo à medida que os fatos veem à tona e quando o espectador começa a construir uma teoria de quem são os envolvidos e o que fizeram, novas suposições surgem que também podem fazer sentido.



O diretor Oriol Paulo (de "El Cuerpo") escreveu e transportou para as telas uma narrativa envolvente, um mistério daqueles ao bom estilo de Alfred Hitchcock, onde nada pode ter realmente acontecido ou tudo que Adrian conta pode ser verdade. Os detalhes no final são o que fazem a diferença. 


O vai e vem da história foi dirigida de uma forma bem linear onde o espectador não terá dificuldades de acompanhar o andamento nem suas reviravoltas (que alguns gostam de chamar de "Plot twist") que o roteiro tão habilmente traz volta e meia. Não é um filme que deixa o espectador confuso com excesso de informações e termos, na verdade, são a quantidade de opções que a história parece possuir que faz quem o assistir a especular o que é verdade e o que é mentira. Adrián foi vítima de uma artimanha ou matou sua amante? Qual seria sua motivação? As pessoas que podem ser as culpadas realmente o são? A advogada conseguirá reunir o quebra cabeças e montar uma defesa que mostre a inocência de seu empregador ou ela que nunca perdeu um caso criará uma história que faça todo o sentido? Se você acha que tem as respostas, preparasse, poderá estar muito enganado.


O elenco está ótimo. O quarteto  central: o executivo (o ator  Mario Casas), sua amante Laura (Bárbara Lennie), a avogada tenaz (Ana Wagener) estão ótimos, sendo que essa última está numa atuação inspiradíssima.  José Coronado, como Tomás Garrido, é outro que chama a atenção em uma atuação sólida.


"Um Contratempo" é uma referência para quem quer ver um filme bem acima da média do que é apresentado hoje, principalmente nos roteiros "mais do mesmo" das produções americanas. Filme que prende desde o primeiro minuto e surpreende com o seu final bem elaborado e não muito fácil de se descobrir. Um gol de placa do cinema espanhol, um novo diretor a ser acompanhado (quem sabe Hollywood o convide para ajeitar algumas produções capengas) e uma chance de sair do circuitão comum e apreciar o que o cinema europeu vem produzindo de melhor



Trailer:


Curiosidades:

 Clip da música Nadie va a venir a buscarte 




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